ENFRENTAMENTO À COVID-19: Bon Odori Box 2021 marca retomada dos eventos presenciais no Estado de Goiás

Cerimônia de abertura contou com a presença do embaixador do Japão, Akira Yamada, e autoridades locais, entre eles o prefeito, vereadores e secretários, além do presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa (Aldo Shiguti)

Embalado pela música Kanpai – interpretada pelo Grupo Yuugen – o coordenador do Bon Odori Box 2021, Marco Túlio Toguchi repetiu, no palco, o tema deste ano do evento que serviu de teste para a retomada dos eventos presenciais no município de Goiânia e no Estado de Goiás: “união, esperança e superação”. Realizado no último dia 28 pela Associação Nipo-Brasileira de Goiás, o tradicional Bon Odori (ANBG) – que em 2021 celebra 65 anos de fundação –, em sua 19ª edição, foi o primeiro evento de maior porte presencial da cultura japonesa no Brasil desde o início da pandemia da Covid-19 e também foi o primeiro evento-teste do Estado de Goiás para um público de mil pessoas.
Além de autoridades locais, como o prefeito Rogério Cruz e o secretário municipal de Saúde, Durval Pedroso, a cerimônia de abertura contou com a presença do embaixador do Japão, Akira Yamada, e de uma comitiva de São Paulo, liderada pelo presidente da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo), Renato Ishikawa. Impossibilitado de comparecer, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, foi representado pelo secretário de Estado de Cultura – que também acumula o cargo de secretário de Estado da Retomada – César Moura.
Correalizado pela Embaixada do Japão – que transmitiu o evento ao vivo por meio de suas redes sociais – e pelo Bunkyo – com apoio do Governo do Estado de Goiás e Prefeitura Municipal de Goiânia, o festival contou apenas com convidados – não houve venda de ingressos – que foram testados e assinaram termo de compromisso de cumprimento dos protocolos e comprometimento de colaboração com o monitoramento após o evento.

Responsabilidades – Segundo o secretário municipal da Saúde, todas as pessoas que compareceram serão acompanhadas durante 14 dias. A ideia, disse ele ao Jornal Nippak, “é justamente para verificar se existe algo que possa sugerir uma falha ou necessidade de uma correção processual”.
“Isso mostra a reponsabilidade do evento e a responsabilidade da Secretaria de Saúde e da Prefeitura para com o cidadão goianiense”, disse o Durval Pedroso, lembrando que os detalhes da edição teste foram definidos pela comissão organizadora juntamente com as secretarias municipais de Saúde e de Cultura, e as estaduais de Saúde, Cultura e Retomada.
O secretário explicou que, em parceria com os órgãos técnicos, a ANBG desenvolveu um projeto que deve servir de exemplo para a retomada dos eventos em Goiânia. Além das testagens, as medidas de prevenção contra a Covid-19 incluíram instalação de totens com álcool em gel em pontos estratégicos, camarotes – ou boxes – com capacidade para seis pessoas, proibição de circulação de pessoas e pedido de comida feito através de aplicativo.

Precaução – Os pratos foram entregues nos camarotes – totalizando 160 boxes – por voluntários munidos de escudo face shield, máscaras N95 e luvas. As bandejas eram constantemente sanitizadas e as luvas eram descartadas a cada serviço. “Foi um processo que teve toda uma construção que é justamente para permitir que neste momento, em que ainda precisamos estar precavidos com as medidas sanitárias, possamos ter um evento da importância e da relevância como este para a cidade de Goiânia”, destacou o secretário ao Nippak.

Alerta – Segundo Pedroso, apesar de os números da covid no município terem melhorados, a situação “é sempre de alerta”. “Goiânia tem dado exemplo, avançando cada vez na vacinação e já conta com mais de 75% da população vacinada com a primeira dose e mais de 36% vacinada com a segunda dose ou dose única. Nesta proposta de retomada dos eventos, o prefeito Rogério Cruz determinou que fizéssemos um trabalho com muita segurança e muito técnico. Neste sentido, Goiânia, retomando as atividades escolares, também ampliou as testagens. Este mês estão previstos mais de 30 mil testes com sequenciamento, com genotipagem. Ou seja, existe todo um processo não só de atendimento, em que existem leitos disponíveis, mas também um processo de segurança para que a cidade possa cada vez mais ir retomando suas atividades com segurança”, afirmou, explicando que, “a ANBG vai dar o exemplo de como um evento que atinge milhares de pessoas deve ser feito neste momento em que a vacina ainda não é uma realidade com 100% da população vacinada”.
O protocolo também mexeu com a parte artística. Seguindo as recomendações dos especialistas, a apresentação da dança ficou restrita ao palcos e não foi permitida que artistas e público se confraternizassem, como normalmente acontece em festivais deste tipo.

Modelo – Para o prefeito Rogério Cruz, as medidas foram necessárias. “O bon odori é muito tradicional em Goiás, especialmente em Goiânia, e ficamos muito felizes de poder ver que este festival abrirá as portas para a retomada dos eventos presenciais em nosso Estado”, disse o prefeito, acrescentando que “sabemos do tamanho deste evento e que hoje está com um formato bastante reduzido”. “Mas com muita responsabilidade e, ao mesmo tempo, trazendo tranquilidade para todos porque foi muito bem organizado. Estamos tranquilos porque sabemos que daqui podemos tirar um modelo para outros grandes eventos que nós pretendemos abrir em Goiânia”, destacou o chefe do executivo, explicando que os eventos presenciais no município devem ser retomados ainda este mês.

Desafio – O presidente da ANBG, Luiz Harada, agradeceu a presença das autoridades e fez um agradecimento especial aos voluntários – para o Bon Odori, foram mobilizados mais de 200. Harada, que já está há cerca de 35 anos em Goiânia e há 11 mandatos ocupa cargos na Diretoria da ANBG, disse que, “quando decidimos fazer o bon odori, fizemos várias reuniões, trabalhamos muito e demos o nosso melhor para montar este protocolo”. “Quando apresentamos à Secretaria da Saúde, recebemos elogios, e também nosso maior desafio, de melhorá-lo ainda mais. Então, melhoramos, e vamos fazer o nosso melhor bon odori”, garantiu, ainda na abertura.
“Primeiro a confirmar presença no evento”, independente do formato do evento, o embaixador Akira Yamada lembrou que era a “quarta ou quinta vez” que estava visitando a sede da ANBG, que tem cerca de 100 famílias associadas – Goiânia conta com aproximadamente 700 famílias, de acordo com estimativas do presidente Luiz Harada.

Sonho – Explicou, porém, que era a primeira vez que estava prestigiando o Bon Odori, evento que sempre teve vontade de conhecer. “Hoje estou feliz por este sonho ter se tornado realidade”, disse o embaixador, acrescentando que a realização do evento só foi possível graças aos esforços dos pioneiros imigrantes e dos nikkeis que superaram muitos desafios e contribuíram para o desenvolvimento do Brasil.
E lembrou que o Bon Odori é um evento tradicional japonês que teve início com uma dança budista para as famílias receberem e enviarem os espíritos de seus antepassados durante o período do obon. “O evento serviu para compartilhar a alegria da dança e para fortalecer a união do povo na comunidade, dançando juntos, e ainda hoje é um dos eventos de verão mais populares do Japão”, disse o embaixador, destacando que a dança foi apresentada na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020.

Juntos – Representando o governador Ronado Caiado, o secretário de Estado da Retomada, Cesar Moura lembrou que o setor de eventos em Goiás, está parado há mais de um ano e meio. “O sucesso deste evento vai abrir outros eventos em Goiânia e em Goiás”, garantiu.
Presidente do Bunkyo, entidade correalizadora do Bon Odori Box 2021, Renato Ishikawa ressaltou que “esta é uma parceria em que somamos nossas propostas de fortalecer o relacionamento entre as entidades nikkeis do Brasil, da América Latina e do Japão”.
“Acredito que devemos promover a união e cooperação das entidades nikkeis, das quais somos os representantes perante a sociedade”, disse, acrescentando que “outra busca que nos une é a preocupação comum em preparar a nova geração para, quando chegar a hora, assumir a direção de nossas entidades”.
Ishikawa também compartilhou as palavras do diretor geral para Assuntos da América Latina e do Caribe do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, Teiji Hayashi, “que sintetiza as recomendações do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, feitas durante a histórica visita ao Brasil, na cidade de São Paulo, em 2014, e também na visita à Argentina, em 2017.
“Nessa visita, o ex-premiê declarou os três princípios de liderança para a diplomacia com a América Latina. São eles: progredir juntos, liderar juntos e inspirar juntos”, lembrou Renato Ishikawa, explicando que, “com base nesses três princípios, gostaria que nossas entidades, juntas, buscássemos soluções para os novos desafios da pós-pandemia”.

Dever cumprido – Para o coordenador Marco Túlio Toguchi, a sensação foi a dever cumprido. “A sensação é a de que a gente conseguiu passar a mensagem de união, de esperança e superação. Isso graças aos esforços da Associação Nipo-Brasileira de Goiás e a correalização da Embaixada do Japão no Brasil e do Bunkyo. Isso só foi possível graças a nossa união, que foi o que fez com que a nossa comunidade nipo-brasileira chegasse até este ano de 2021 tão forte. E é com essa mesma união que a gente vai superar essas dificuldades impostas pela pandemia”, disse Toguchi.

União – Ao Jornal Nippak, o coordenador do Bon Odori e ex-presidente da ANBG explicou que somente com a uinião de todos os envolvidos foi possível realizar o primeiro evento-teste oficial da Prefeitura de Goiânia e do Estado de Goiás. “A ponto de o prefeito de Goiânia ter dito publicamente que, ‘se a Associação Nipo-Brasileira de Goiás não fosse capaz de fazer o primeiro evento-teste, nenhuma outra seria”. Segundo Toguchi, o evento deste ano começou a ser planejado logo após o encerramento do Bon Odori de 2020, realizado em formato drive-in.
“O formato do Bon Odori Drive in foi importante porque fez com que não ficasse uma lacuna entre 2019 e 2021. A gente marcou presença, mas sabíamos que aquele não era o formato ideal de eventos e estudamos mudanças. As próprias autoridades sanitárias, tanto do município como do Estado, confiaram à associação a missão de organizar este evento- teste. Mas, mês a mês a pandemia mudava de situação, ora com uma nova onda, ora com aumento no número da taxa de ocupação de leitos de UTIs e ora um lockdown. Quando a gente cravou a data 28 de agosto, os eventos estavam permitido para apenas 75 pessoas. Então, é bastante louvável a gente destacar as pessoas que confiaram e acreditaram no Bon Odori. A começar pelo próprio embaixador Akira Yamada, que manifestou que, independente do formato que fosse realizado, ele estaria presente aqui na associação”, disse Toguchi, acrescentando que “isso nos deu uma força muito grande para que pudéssemos fazer um trabalho de mobilização juntamente com o Grupo Yuugen.

Pés no chão – Segundo ele, a ANBG trabalhou “com os pés no chão”. “O que garantimos foi que seria uma transmissão do evento, mas o que de fato iria acontecer iria depender dos últimos dias e da situação de momento da pandemia. Graças a Deus a gente teve uma trégua aqui em Goiânia na taxa de ocupação de leitos de UTI e também tivemos um voto de confiança da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, da Secretaria de Estado de Cultura e da Secretaria de Estado da Retomada de Goiás para que a gente pudesse realizar este evento-teste”, disse, lembrando que a experiência com a realização do Bon Odori Drive In forneceu a base para o Bon Odori Box 2021.

Até 2022 – “Aproveitamos, por exemplo, a questão do aplicativo para fazer o pedido. Este ano a gente fez uma adaptação para os boxes, que também foram numerados. Em 2020, também tivemos, pela primeira vez em 18 anos de história, uma transmissão ao vivo. São mudanças que vieram para ficar. A pandemia vai passar, mas essas mudanças vão permanecer. A gente alcançou um público muito maior do que a gente alcançaria nos nossos bon odoris tradicionais”, assegurou Toguchi.
Para ele, se a missão da ANBG é divulgar a cultura japonesa e fortalecer as relações bilaterais Brasil-Japão, “com certeza nós tivemos nossos objetivos alcançados e todos os nossos esforços valeram a pena”. “Erros e acertos servem para fazer com que a gente tenha condições de fazer um Bon Odori com muito mais sucesso em 2022”, concluiu Marco Túlio Toguchi.

Cereja do bolo – A programação artística ficou a cargo do Grupo Yuugen – integrado pelos artistas Lika Kawano, Paula Hirama, Isa Toyota, Luigi Kawano e Takeshi Nishimura, mais o cantor Sergio Tanigawa – que, dirigidos por Fábio Toma, levaram para o palco a história da imigração japonesa até os dias atuais, e do grupo de taiko da ANBG, Kyoushin Daiko.
Ao final do espetáculo, produtor e artistas explicaram que “tudo foi feito com muito amor”. “Não só em relação à concepção do show mas à própria organização do evento, que seguiu todos os protocolos, deixando todos muito seguros. “O show só veio a complementar porque, quem veio, já veio com muito amor. Para nós foi um trabalho muito difícil mas nos esforçamos bastante para que o espetáculo atendesse as expectativas dos organizadores. Para nós foi muito gratificante”, disse Fábio Toma, ainda emocionado com a apresentação que encerrou o Bon Odori Box 2021.

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