‘Embarque para Setouchi’, um mergulho na cultura, arte e gastronomia das províncias japonesas

O famoso Awa Odori Dance Festival realizado em Tokushima costuma atrair 1,3 milhão de turistas (divulgação)

Convite feito, convite aceito. No último dia 1º, embarcamos para Setouchi, o maior mar interno do Japão, rodeado pelas províncias de Hyogo, Okayama, Hiroshima, Yamaguchi, Tokushima, Kagawa e Ehime, para a nova série de experiências sensoriais online da Japan House São Paulo. A ideia é apresentar ao público uma região pouco conhecida da maioria, destacando a cultura e a gastronomia local de quatro dessas províncias localizadas na região leste de Setouchi: Hyogo, Okayama, Tokushima e Kagawa.
Vale lembrar que Setouchi foi o único local escolhido do Japão como um dos “52 lugares para se ir em 2019” pelo ranking do jornal New York Times. E, com a ajuda da apresentadora e atriz Bruna Aiiso, da chef Telma Shiraishi e do presidente da JHSP, Eric Klug, ficou fácil saber os motivos desta escolha. A região combina harmoniosamente arte e natureza.

Voo 18747 – “Pegamos” o voo 18747 – distância que separa São Paulo de Setouchi – da Japan Airlines (JAL), que, aliás, manteve voos regulares entre São Paulo e Tóquio de 1989 a 2010. Antes, o piloto Ozawa pergunta aos passageiros qual seria a rota mais curta entre a capital paulista e Setouchi? E deu três alternativas: a rota transpacífico, a rota transatlântico ou a rora pólo norte? Quem arriscou a terceira, acertou.
Enquanto, isso, na primeira escala gastronômica, a chef Telma Shiraishi , do Aizomê – que tem uma Unidade na Japan House São Paulo – fez a primeira de suas duas intervenções para apresentar a cozinha das quatro províncias – um privilégio restrito para quem adquiriu o kit gastronômico. Nesta primeira etapa, Telma falou do saquê de Hyogo da marca Hakutsuru, bebida alcoólica fermentada tradicional no Japão; do Fish katsu, bolinho de peixe empanado, temperado com karê, o famoso curry, representando a região de Tokushima; o Tako han, bolinho de polvo feito com massa crocante por fora e úmida por dentro, recheada de pedaços de polvo (takô) representando a região de Kagawa; e caracterizando Okayama, o Barazuski, porção de arroz temperado para sushi, coberto por uma seleção de frutos do mar e vegetais. E, por fim, do Butaman, um dumpling (bolinho) popular em Hyogo, elaborado com recheio de porco e legumes no vapor.

Estreito de Naruto – Durante o trajeto, Bruna Aiiso comandava as atrações de cada província. De Kagawa, uma área com muitas ilhas, incluindo Naoshima e Teshima, ficamos sabendo que a região “respira arte”. É lá que acontece o Festival Internacional de Arte, tradicional evento que acontece a cada três anos – o próximo será em 2022.
Em Tokushima, chamada também de “capital das águas”, conhecemos o Estreito de Naruto, que tem uma das maiores correntes de redemoinhos do mundo – pode chegar a 20m de diâmetro.
Admirado pelos fãs de animê, Hyogo é onde está localizado o porto de Kobe, que desempenha um papel importante como porta de entrada para o Japão. Entre os seus 22 castelos, destaque para o de Himeji, um Patrimônio Mundial da Unesco.
A província conta também com várias áreas de fontes termais e a famosa carne Kobe, uma das três principais marcas de carne wagyu, é considerada uma iguaria. Por fim, Okayama, famosa por concentrar traços da Era Edo e pela produção de dênim.
E depois de tantas curiosidades, o voo aterrissa no Japão e somos convidados a conhecer as tradicionais hospedarias japonesas (ryokans) e também um pouco mais sobre o omotenashi, muito presente na cultura japonesa

Sanuki udon – No segundo momento gastronômico do evento, a chef Telma Shiraishi ensina a finalizar o prato principal do encontro, o Sanuki udon (original de Kagawa), feito com a combinação do macarrão udon importado, do tipo Sanuki (caracterizado pela forma quadrada e de bordas planas), com o tsuyu (caldo) à parte e dos acompanhamentos (flocos de massa tempurá, cebolinha, gengibre ralado, kamaboko).
A sobremesa tem como inspiração Okayama – famosa pela produção de frutas – e traz a Anmitsu original, feita com pêssego, uvas moscato e frutas da estação com kanten (gelatina a base de algas marinhas), azuki (tipo de feijão japonês) e kibi dango (bolinho doce feito com açúcar, farinha de arroz e milhete – grão semelhante à quinoa), finalizada com uma rica calda de especiarias.

Naondo Horiuchi ensinou alguns passos do awaodori (divulgação)

Awa Odori – No encerramento, um bate-papo ao vivo com Naondo Horiuchi, líder do grupo do kaikan de Awaodori, responsável pela realização do tradicional Festival de Dança Awa, que reúne cerca de 100 mil dançarinos e chega a receber 1,3 milhão de turistas a cada edição. Por aqui, o estilo é muito bem representado pelo Grupo Represa. Do estúdio, a chef Telma Shiraishi, o presidente da JHSP, Eric Klug e a apresentadora Bruna Aiiso arriscaram alguns passos da dança ensinados por Naondo.
Para quem acompanhou, ficou a vontade de pegar o primeiro avião com destino a Setouchi para vivenciar toda essa rica experiência ao vivo. Vontade que deve ser reforçada ainda mais com a segunda viagem desta série de eventos sensoriais online da JHSP. E o voo já está marcado. Desta vez o destino será a província de Hiroshima.
Para o presidente da JHSP, Eric Klug, “foi uma oportunidade única para se experimentar a gastronomia, as belezas naturais e a rte de Setouchi”. “A oportunidade de dançar Awa Odori orientado diretamente do Japão foi um dos highlights para os participantes”, destaca Eric.

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