Em visita ao Brasil, ministro Motegi destaca ‘laços tradicionais baseados na comunidade nikkei’

Ministros Toshimitsu Motegi e Ernesto Araújo durante a assinatura do Memorando de Cooperação (Arthur Max – MRE)

Brasil e Japão assinaram, no último dia 8, o “Memorando de Cooperação entre os governos no Campo de Tecnologias Relacionadas à Produção e ao Uso de Nióbio e Grafeno” e o “Memorando de Cooperação de Tomé-Açu entre o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão e o Ministério das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil sobre o Uso Sustentável da Biodiversidade da Amazônia” Com a assinatura dos memorandos, a expectativa é que Japão e Brasil possam promover ainda mais as cooperações técnicas sobre a produção e o desenvolvimento de novos produtos de Nióbio e Grafeno, e assim como o uso sustentável do sistema agroflorestal e da biodiversidade na região amazônica.
Foram assinados ainda outros dois atos internacionais: Ajuste Complementar por Troca de Notas para Projeto de Desenvolvimento de Sensores e Plataforma de Agricultura de Precisão em Apoio à Agricultura Sustentável Brasileira e Ajuste Complementar por Troca de Notas para Projeto para o Aperfeiçoamento do Controle de Desmatamento Ilegal por Meio de Tecnologias Avançadas SAR e IA na Amazônia Brasileira.
Os acordos foram assinados no Itamaraty pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Toshimitsu Motegi, e pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo durante visita do chanceler ao país,
No encontro com Araújo, que durou cerca de 3 horas, Motegi disse que estava feliz em realizar a primeira visita ao Brasil após sua posse como ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão e em poder ver o ministro Araújo pessoalmente, mesmo com a situação de disseminação da Covid-19. O ministro expressou suas expectativas de que as reformas dos sistemas tributário e previdenciário promovidas pelo governo Bolsonaro levarão à melhoria do ambiente de negócios para as empresas japonesas, abordando a história do desenvolvimento agrícola e dos investimentos japoneses em larga escala que contribuem para o crescimento industrial do Brasil.
Ele declarou que que gostaria de promover a cooperação em uma ampla gama de setores, como economia digital, meio ambiente, cooperação jurídica, entre outras.
Motegi e Araújo confirmaram que vão fortalecer a parceira em questões internacionais como a reforma da ONU e OMC e trocaram opiniões sobre a iniciativa da FOIP (Indo-Pacífico Livre e Aberto), as circunstâncias da Ásia, como a Coreia do Norte, e o Mar da China Oriental e Meridional, e as da América Latina, como a Venezuela e a nova administração de Joe Biden dos EUA.

Motegi cumprimenta Bolsonaro ladeado por Nishimori e Araújo (MARCOS CORRÊA-PR)

Comunidade nikkei – Antes de se reunir com o ministro Araújo, Toshimitsu Motegi foi recebido por Bolsonaro no Palácio do Planalto. Com Bolsonaro, Toshimitsu Motegi disse que o Japão e o Brasil são parceiros estratégicos globais que compartilham de valores fundamentais e de laços tradicionais baseados na comunidade nikkei, e que cooperam não apenas bilateralmente, mas também no cenário internacional.
O Brasil abriga a maior população de origem japonesa fora do Japão – mais de 2 milhões de pessoas – e o Japão, a 3ª maior comunidade de brasileiros no exterior – mais de 210 mil nacionais.
Segundo o deputado federal Luiz Nishimori (PL-PR), que participou do encontro, a audiência com o presidente demorou   cerca de 40 minutos. “O Bolsonaro gosta muito do Japão e dos japoneses e disse que vai estar presente na abertura dos Jogos Olímpicos, caso eles aconteçam”, disse o parlamentar, acrescentando que “a conversa foi muito boa e temos a certeza que o comércio bilateral vai muito bem”. “Entre outras parcerias, o governo japonês anunciou a doação de 4.5 milhões de dólares para aquisição de equipamentos para a covid-19 e destinou um recursos para a comunidade nipo-brasileira na questão de combate à pandemia”, disse Nishimori, afirmando que o ministro japonês também pretende contribuir com a agricultura de precisão, além de se mostrar muito preocupado com o desmatamento na Amazônia.
“O ano de 2021 começou com excelentes perspectivas para o fortalecimento das relações diplomáticas e comerciais entre os dois países”, destacou Luiz Nishimori.

Motegi com o embaixador Yamada e o ministro Araújo, entre outros (Arthur Max – MRE)

Outros acordos – A viagem de 11 dias do do ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão por países da América Latina e da África teve início no dia 4, no México. Lá, Toshimitsu Motegi e seu colega mexicano concordaram em coordenar a aplicação firme da Parceria Trans-Pacífico e expandir a adesão ao acordo de livre comércio de 11 partes.
Antes de passar rapidamente pelo Brasil, ele esteve ainda no Uruguai, Argentina e Paraguai. No Uruguai, Toshimitsu e o ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Francisco Butillo, assinaram um pacto com o objetivo de promover a cooperação no combate ao contrabando de drogas, armas e mercadorias, a violação dos direitos de propriedade intelectual e a simplificação dos procedimentos aduaneiros.
No dia 7, na Argentina o intuito foi fortalecer os laços bilaterais nos campos do comércio e investimento enquanto que no Paraguai o governo japonês prometeu emprestar cerca de US$ 89 milhões para ajudar a construir um sistema de fornecimento de eletricidade estável e eficaz.
O ministro Toshimitsu Motegi pasou também por Senegal e Quênia. A ideia era visitar também a Nigéria, mas a viagem foi cancelada depois que uma nova cepa do novo coronavírus foi detectada no país da África Ocidental.
(Fonte: Site Governo do Brasil e Embaixada do Japão).

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