DESIGN E CULTURA JAPONESA: Exposição na Japan House São Paulo mostra o cuidado dos japoneses com as embalagens

A diretora cultural Natasha Geenen dá explicações ao cônsul observado pelo presidente Eric Klug (Aldo Shiguti)

Divertida, criativa, curiosa e educativa. A exposição ‘Embalagens: Designs Contemporâneos do Japão’, inaugurada nesta terça-feira, 19, no segundo andar da Japan House São Paulo mostra os cuidados dos japoneses com simples detalhes, como o ato de embrulhar os produtos, transformando o resultado em uma espécie de arte.
Elaborada em parceria com a Japanese Package Design Association (JPDA), empresa responsável pelo Japan Package Design Awards – prêmio que celebra, desde 1985, designers que criam embalagens com foco nas premissas de criatividade, estética, usabilidade, valor e potencial mercadológico – a mostra apresenta itens que revelam muito do comportamento do consumidor e tradições e costumes presentes no cotidiano japonês. Há também curiosidades como embalagens para nabo, cerejas e cebolinhas.
As embalagens atrativas revelam, por exemplo, a importância do ato de presentear como parte de um complexo código de etiqueta no Japão, além do quanto o usuário nipônico preza embalagens práticas e sustentáveis no seu dia a dia, como por exemplo, as bebidas em formato to go, que transmitem a ideia de uma vida sempre em movimento.

Embalagens revelam muito do comportamento do consumidor (Aldo Shiguti)

Omotenashi – O prêmio, realizado a cada dois anos no Japão, consolidou-se como um importante reconhecimento aos designers no país e teve, por exemplo, Kenya Hara, celebrado designer e um dos idealizadores do projeto global Japan House, como um dos nomes de destaque já premiados. A mostra, que chega para estimular um intercâmbio de ideias entre o Brasil e o Japão, traz para o público brasileiro soluções de design, sustentabilidade e lifestyle presentes atualmente no mercado japonês.
Está exposta uma seleção de itens premiados e finalistas, que compõem um panorama dos diferentes tipos de embalagens presentes no mercado japonês de hoje.
A exposição busca apresentar também porque o Japão é admirado mundialmente por sua cultura de embrulhar, que coloca recipiente e conteúdo no mesmo patamar de importância, sendo o invólucro de qualidade um sinal de respeito à pessoa que irá receber o objeto, carregando aspectos importantes do conceito de Omotenashi, de hospitalidade e tratar bem ao outro e, neste caso, entendendo a importância do design pensado para antecipar necessidades do consumidor, respeitando usuário e natureza.
A ideia é de que “um design bem pensado valoriza o melhor de cada produto e pode partir de técnicas mais tradicionais e milenares como o Furoshiki – técnica milenar japonesa que utiliza tecidos quadrados para envolver, embalar e proteger os mais variados tipos de objetos por meio de amarrações -, até as mais complexas e tecnológicas, como um frasco de loção produzido com nível mais alto da indústria na taxa de uso de vidro super reciclado – 90% ou mais”.

Detalhes – Como explicou a diretora cultural da JHSP e curadora da mostra, Natasha Barzaghi Geenen ao Jornal Nippak: “A exposição tem aspectos interessantes como a valorização das tradições japonesas quando se vê desde embalagens que têm uma impressão de um papel de bambu para mostrar como era feito antigamente, até uma coisa muito simples mas extremamente sofisticada de raciocínio, que é a tampa da água com as orelhinhas de gato que foram feitas numa impressora 3D e que, na verdade, é para facilitar as pessoas que têm dificuldades – sobretudo os idosos – de abrir aquela tampa de roscas de plásticos de agua. A inclusão dessas duas orelhinhas facilita o manuseio do produto, o que mostra uma preocupação também na experiência do consumidor e da população com o um todo”, conta Natasha, acrescentando que outro aspecto importante na exposição é o cuidado com a estética e com a funcionalidade dentro da lógica da cultura japonesa. “São esses mínimos detalhes que são pensados até para se criar uma embalagem que possa fazer dela algo melhor, ou seja, essa busca constante dos japoneses por um aprimoramento e que é observada até numa coisa como embalagens”, diz ela, explicando que “têm alguns aspectos culturais do Japão que a gente consegue perceber ao observar essa exposição”.
“Um deles é o cuidado na hora de presentear e o próprio hábito de consumo dos japoneses. Em alguns casos, recria-se o que são esses universos das lojas japonesas, mas por outro lado, percebe-se que você tem uma gama de produtos, sobretudo alimentares, que são, talvez, para facilitar um dia a dia corrido”, afirma a diretora, explicando que a seleção deste ano traz itens como, por exemplo, como as tesoura, objetos que, segundo ela, exigem muita dedicação de tempo.
Os utensílios são quase que transformados em objetos preciosos, mostrando que uma prática como a ikebana tem esse cuidado todo e demanda essa dedicação de tempo. “E isso faz parte do dia a dia de um japonês”, diz Natasha.
Se depender do cônsul geral do Japão em São Paulo, Ryosuke Kuwana, que conferiu a exposição na segunda-feira, a mostra tem tudo para agradar.

Cônsul visita mostra ciceroneado pela diretora e curadora Natasha (Aldo Shiguti)

Moderna e tradicional – Ao Jornal Nippak, Ryosuke Kuwana disse que achou a mostra “muito interessante porque abrange tanta a parte moderna como a tradicional”. “Todos os desenhos são muito originais e refletem os cuidados dos japoneses com os detalhes”, disse o cônsul, que agradeceu a Japan House São Paulo e a diretora Natasha Geenen, “que fez um excelente trabalho para trazer os desenhos mais modernos e premiados do Japão para São Paulo”.

‘Embalagens: Designs Contemporâneos do Japão’
quando: até 14 de março de 2021
Segundo andar
Entrada gratuita
Reserva online antecipada (opcional):
https://agendamento.japanhousesp.com.br/

Japan House São Paulo – Avenida Paulista, 52
Horário de funcionamento:
Terça-feira a Domingo, das 11h às 17h
Entrada gratuita

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