Cultura Japonesa Vol. 8 – Takeo Atomiya – se apaixonou à primeira vista pelo solo fértil do Paraná

Os pioneiros da história da imigração

Takeo Atomiya

Em uma viagem de observação ao redor do mundo quando estudante, se apaixonou à primeira vista pelo solo fértil do Paraná – herdeiro de uma das maiores fortunas do Japão, deixa o país para fundar uma colônia no Brasil


Texto original em japonês de Koichi Kishimoto
Referência: Extraído da obra “Banchi no Ue ni Nichirin Meguru” (O Sol Circula sobre Terras Selvagens) – Koichi Kishimoto, Kôyasha, 1958

Capítulo extraído do livro Cultura Japonesa Volume 8, de Junho de 2018


 

Takeo Atomiya

 

Este capítulo trata da história de Takeo Atomiya, que fundou em Taiwan um dos mais poderosos conglomerados japoneses. Takeo veio para o Paraná para iniciar uma grande fazenda de café. Os Atomiya são uma família tradicional de alcaides na aldeia de Kamiyoshi, metrópole de Kuwada, Quioto, por 300 anos. Takeo veio uma vez ao Brasil em viagem de observação quando estudante, e se apaixonou à primeira vista pelo solo fértil do Estado do Paraná. Imediatamente, convenceu o pai a comprar uma fazenda nesse estado. Depois, atraído por uma jovem que obteve o título de Miss Japão em concurso promovido por uma das revistas femininas da época, usou da insistência para contatá-la e convencê-la a se casar com ele no Japão. Recém-casado, foi com a mulher para terras selvagens cobertas de floresta virgem, e começou a desbravá-las (Redação do Jornal Nikkey Shimbun).

 

 

Partindo da cidade de Cornélio Procópio, no norte do Paraná, e seguindo de automóvel em linha reta, aos solavancos, por 17 km sobre uma estrada plana de terra vermelha, atrai a vista do viajante uma placa com a indicação “FAZENDA ATOMIYA”. Ao circular o olhar de cima de um elevado, o que se vê é um interminável cafezal, ondulante como oceano, que se estende a perder de vista até o horizonte. É um soberbo espetáculo oferecido por 320 mil pés de café. Em uma depressão existente na área central, a colônia se espalha como asa aberta de um pássaro. A luxuosa mansão de paredes brancas do proprietário reluz sob o sol como castelo.

Trata-se de uma fortaleza majestosa, que os japoneses exibem aos emigrantes do mundo todo no Brasil. Mas antes de se falar do proprietário, Takeo Atomiya, será necessário descrever a figura de seu pai, Shintaro, aventureiro oportunista que construiu em uma só geração um dos maiores conglomerados do Japão.

 


Shintaro Atomiya


 

A família Atomiya é nativa da Aldeia de Kamiyoshi, Distrito de Kuwada, Quioto. Família tradicional de 300 anos, de agricultores, seus descendentes vieram exercendo por gerações a função de principal da aldeia. Shintaro, pai de Takeo, tinha consciência de que, para procurar trabalho no mundo atual, seria necessário ter estudos. Formou-se, portanto, pela Universidade Dōshisha de Quioto e ingressou no mundo da economia.

Seus irmãos se fizeram todos militares (um deles foi o General Atomiya). Terminada a guerra russo-japonesa (1894 ~ 1895), Shintaro voltou imediatamente os olhos a Taiwan, que se tornara possessão japonesa, e para lá se dirigiu com a intenção de desenvolver indústrias. Não havia um único japonês ainda em Taiwan. Nativos viviam em casas primitivas com paredes de barro. Aguardavam-no ali apenas a sujeira e o calor escaldante, um cenário de desolação.

Um oficial chamado Samejima ocupava o posto de governador geral de Taiwan. Era homem de visão. Percebeu que o acesso aos tesouros do Sul só se daria se japoneses em quantidade começassem a vir para ilha. Do contrário, nada era possível.

Percebeu também que, para isso, era indispensável construir casas, e que não havia ninguém para fabricar telhas. Assim, Samejima deixou seu cargo e começou a fabricar telhas, com o auxílio de Shintaro Atomiya, que foi ser seu gerente. A empresa começava a se firmar no mercado quando Samejima faleceu. Shintaro então assumiu seu lugar. A empresa passou a se chamar “Comércio Atomiya”, da qual ele se tornou presidente.

A própria esposa do presidente se encarregava da alimentação e também de lavar roupa dos operários da fábrica, para quem ela se tornou mais mãe que patroa. Assim, todos trabalhavam com boa vontade. A região estava ainda em fase de desenvolvimento. Era desolada, desprovida de lazeres, e os operários estavam à mercê dos vícios da bebida, mulheres e jogatina. Mas se controlavam, porque “… vai deixar a ‘mamãe’ aflita, não?“.

A senhora era bondosa, mas de alma forte. O seguinte episódio é ilustrativo: o marido ferira o pé, e declarou que iria descansar aquele dia. Mas a senhora não concordou. “- O senhor trabalha com as mãos, mas também com a cabeça. Por isso, faça o favor de ir.” – disse, e carregou sem qualquer constrangimento o marido, presidente da empresa, às costas para levá-lo ao trabalho. Shintaro Atomiya galgou posições até chefiar um dos maiores conglomerados do Japão. O apoio velado da esposa teve muito a ver com seu sucesso, sem dúvida alguma.

Com o desenvolvimento de Taiwan, o “Comércio Atomiya” ganhou 100 filiais em regiões diversas. Takeo Atomiya, personagem central deste capítulo, nasceu por volta dessa época, em 1908. Taiwan enfrentava um espantoso “boom” de desenvolvimento. Materiais de construção faziam falta, por mais que se produzissem. Essa situação atraiu a atenção da “Companhia Samielle”, empresa holandesa de grande porte. Atomiya travou batalha de vida ou morte contra ela.

A disputa entre o produto japonês e o holandês em território pertencente ao Japão se tornou extremamente acirrada, e atraiu a atenção da ilha toda. Fosse o produto japonês ou estrangeiro, em se tratando de batalha comercial, o povo não se importava. A preferência era dada ao produto de boa qualidade, barato e de pronta entrega.

A disputa prosseguiu por 6 longos anos, durante os quais Atomiya esteve prestes a ser derrotado pelo poder do capital estrangeiro e pela eficiência da sua organização. Mas ele vociferava: “– Japonês não pode ser derrotado em seu próprio território. Se perdermos esta única batalha, todos os negócios vantajosos vão acabar em mãos estrangeiras. Se o Japão, que obteve vitória militar, perder na guerra econômica, perderá também a felicidade. Esta guerra não é só minha! A guerra pelo trabalho de todos os japoneses depende dela!” – e não poupou esforço para vencer.

Em 1913, finalmente, Atomiya conseguiu derrotar a empresa holandesa e monopolizar a produção de telhas em toda a ilha de Taiwan. O “Comércio Atomiya” de sua propriedade foi reorganizado e reforçado, passando a denominar-se “Telhas de Taiwan Cia. Ltda.”

Realizar um empreendimento é base para se realizar todos os empreendimentos – esta compreensão é essencial na vida de um homem.

Tendo monopolizado a produção de telhas em toda a ilha de Taiwan, Shintaro Atomiya se lançou em novas atividades com facilidade e não conheceu rivais. Estendeu atividades até a Coréia, onde procurou desenvolver matérias primas, participando da política de colonização japonesa como empresa pioneira. Atomiya chegou a administrar 34 empresas, inclusive de mineração.

Shintaro não fazia o tipo do pai educador, e assim, o não havia uma “constituição familiar”. Os filhos aprendiam convivendo com o pai a serem corretos. Diz a esposa de Takeo: – “Acho que qualquer mulher que conviva com o pai (de Takeo) acaba gostando dele…”. Os heróis do passado e do presente são pessoas capazes de atrair tanto homens como mulheres.

A alma generosa desse ator principal do Conglomerado Atomiya, que em uma única geração o elevou à posição de liderança do Japão, ganhou a estima tanto de rudes mineradores como de mulheres delicadas como flor. Shintaro tinha por princípio não desistir de um trabalho iniciado até terminá-lo por completo.

 

Estudante da Universidade de Keiô
se enfia na floresta virgem do Brasil

 

Quando estudante do 1º ano de Economia da Universidade de Keiō, Takeo Atomiya, personagem central deste capítulo, participou de uma viagem ao redor do mundo a bordo de um navio da Osaka Shōsen em rota para a América do Sul com 14 estudantes a bordo. Takeo estava convicto de que “o palco de atividades dos jovens japoneses doravante é o mundo. Particularmente, a América do Sul selvagem será alvo de atenção dos países do mundo inteiro. Eu vou para lá conhecer de perto a situação.” Com isso na cabeça, veio ao Brasil sentindo-se um Cecil Rhodes, desbravador da África do Sul.

 


A chegada dos 14 estudantes da Universidade de Keiō no Brasil, entre eles Atomiya, terceiro a partir da esquerda, em 1928 (extraído do “Parana Nikkey Rokujyuu Nenshi” – Histórico do 60º aniversário da colônia japonesa do Paraná, 1972)


 

Takeo estudou a região algodoeira da Sorocabana, os cultivos recentes da área servida pela ferrovia Noroeste por imigrantes japoneses, a zona cafeeira da ferrovia Mogiana, e a Colônia de Barbosa no Estado do Paraná entre outros, mas a imensidão da natureza no norte do Paraná estremeceu sua alma juvenil.

Extensas florestas virgens se erguiam soberbas, sem nunca terem conhecido machado. Árvores centenárias entrelaçavam seus ramos caoticamente debaixo do céu, barrando a luz do sol. O interior da floresta, escuro mesmo durante o dia, se mergulhava em profundo silêncio, a misteriosa natureza sussurrava segredos milenares com a ponta das folhas. O sangue pulsou forte nas veias do estudante diante do poder impressionante da natureza que via bem diante de seus olhos maravilhados. “Aquele que conquistar essa natureza, conquistará o século 20!” – dizia para si mesmo Takeo Atomiya, universitário do primeiro ano.

Seu irmão mais velho trabalhava na Coréia, Taiwan estava entregue a seu primo, e ele não encontrava espaço para estender suas mãos. O caminho que lhe restava era concluir o curso, receber alguma das empresas do pai e se satisfazer com isso.

Entretanto, a natureza extensa e ilimitada do Brasil fez ferver seu sangue jovem. A se tornar presidente de uma das empresas do pai, preferia apostar sua vida no Brasil onde não possuía vínculo algum. O palco da sua vida era a terra selvagem. Lutaria contra a grande natureza e construiria uma pátria ideal. Diante de uma das maiores selvas do mundo, o futuro milionário se transformava em rapaz ambicioso. O contato com algo grandioso na juventude faz bem às pessoas. É bom que sejam postos em liberdade no meio da amplidão do mundo. Isso desperta o espírito, e abre novo rumo na vida.

Enquanto estudante, Takeo Atomiya foi sempre líder de sua classe, desde o curso secundário até a universidade. Foi desportista, chefiou a equipe de regatas de sua universidade nas competições no Rio Sumida. Assim, a grande natureza do Brasil incendiou seu espírito indômito.

De regresso à viagem ao Brasil com o grupo de estudantes da Universidade de Keiō, foi procurar o pai assim que ingressou no 2º ano, com o intuito de iniciar tratativas para desbravar o Brasil.

“Pai, quero ir para o Brasil e construir minha pátria dos sonhos. Peço sua permissão. E também, preciso que me empreste dinheiro para comprar terreno”.

Por alguns instantes, o pai observou o filho com olhar penetrante. Notando, porém, que ele se mostrava calmo e resoluto, respondeu:

“Muito bem, compreendi! Talvez lhe faça bem fazer o que quer enquanto jovem. A vida se abre indo de encontro a ela.”

O pai nada lhe disse sobre a decisão de abandonar o curso na faculdade pela metade, e nem lhe deu conselhos para coibir a obstinação própria da juventude. O “compreendi!” dele valia mais que mil sermões, continha mil sentimentos. Takeo sentiu na alma o peso da aprovação. Fora tocada pela grandeza do pai.

Mas a inexperiência do filho preocupava Shintaro. Pediu então a Tsuchioka, formado na Escola Superior de Mineração de Akita e detentor de faixa preta do 2º grau em judô seguir em companhia do filho, como assessor.
O navio de imigrantes em que viajava trazia também Yozo Ito, que retornava ao Brasil recém-casado. Ito, porém, lhe passou uma severa descompostura: “O que pode um moleque como você, que mal saiu da escola?” – disse ele. Bom seria ouvir de um veterano palavras de incentivo, mas pelo contrário, fora reduzido a zero por ele. Desagradável.

Mal chegou ao Brasil, Takeo procurou imediatamente o Consulado de São Paulo, onde foi se aconselhar com Saitō, secretário do Consulado.

“Se vai plantar café, será melhor as proximidades de Ribeirão, na ferrovia Mogiana, ou no norte do Paraná. É porque a terra roxa é a mais apropriada para o café” – opinou ele. E continuou: “Todos que vieram com dinheiro do Japão fracassaram. Se você pensar nas doenças e quiser se prevenir contra o pior, é melhor procurar regiões bem desenvolvidas, como Ribeirão Preto. Entretanto, o norte do Paraná também não é de se desprezar.”

Mas Takeo pensava: Veteranos do Brasil, existem muitos. Do que ficar curvando a cabeça a todos eles, era melhor penetrar no norte do Paraná onde não há ninguém, para ser ele mesmo veterano do Paraná. Atomiya e Shimoe se tornaram os primeiros japoneses proprietários de terra nessa época, na região do Laranjinhas.

Em 1929, a Estrada de Ferro Norte do Paraná chegava até Cambará. Além de Cambará, toda a região estava ainda coberta por uma extensa mata virgem. Até se podia ouvir, de vez em quando, rugidos de feras do fundo da mata. A floresta tomava a região inteira das cidades hoje prósperas de Cornélio e Bandeirantes, e Barbosa, o rei do café no Brasil proprietário de 30 mil alqueires dessa região, estava vendendo parte da sua propriedade.

Penetrando na densa floresta coberta de cipós e trepadeiras, abrindo picada, Takeo se impressionou com a fertilidade da terra. Decidiu comprar ali um terreno de 300 alqueires. Shimoe comprou 100 alqueires em Congonhas. De regresso a São Paulo, procurou o secretário Saito do Consulado para lhe relatar o que fizera. Saito demonstrou preocupação. Disse: “Veja bem, quem executa o trabalho são colonos. Onde vai vender o que os colonos produziram, nesse meio de mato?” Mas o jovem Atomiya se mostrava irredutível. “Não se preocupe. Por um ou dois anos, eu mesmo compro o que os colonos produzirem”, disse presunçoso.

Não tardou a ser convocado pelo Consulado e pela Companhia de Desenvolvimento Ultramarino. O cônsul nessa época era Seiichiro Nakajima, e a agência local da Companhia era chefiada por Taichi Takezawa, pessoas influentes da época. Os dois se opuseram terminantemente à aquisição do terreno realizada por Atomiya. “Que bobagem é essa de comprar o terreno pelo preço oferecido? O Paraná é uma região magnífica para produzir café e promete prosperar no futuro. Se aceitar um preço alto como esse, você está prejudicando os que vão ingressar na região. Você está inflando o preço do terreno no Paraná. Escute, esqueça o pagamento inicial e vá procurar outro terreno mais barato!”

Eles o consideravam novato inexperiente e lhe davam ordens. Na realidade, esse terreno em particular havia sido reservado por Barbosa para seu filho, e não estava à venda. Por isso, Takeo tivera que pagar um preço relativamente alto, pois Barbosa não queria vendê-lo de jeito nenhum. Forçara o rei do café a lhe vender esse terreno já destinado ao seu precioso filho, e naturalmente, tivera que pagar preço alto.

Terreno é um patrimônio para a vida inteira. Se é para comprar, que seja então um bom terreno, um ou dois contos de réis mais caro ou mais barato não fariam diferença. Pensara grande, mas as duas autoridades o desprezavam como a um novato e vinham com sermões impertinentes. Não se deixou subjugar. “Sermões não me interessam. Eu comprei o terreno e vou trabalhar nele, por isso, não se intrometam. Se quiserem, vão ver o terreno que comprei, e então, vão entender” – disse, e não deu ouvidos a eles. Enfiou-se então no meio do mato, e pediu para Tsuchioka, natural de Kuroko, província de Akita, que o acompanhava por indicação do pai, que efetuasse o levantamento topográfico da área. Mas esse homem não gostava de obedecer. No Japão, mostrara-se um bom trabalhador servindo ao pai. Ali, no outro lado do mundo, porém, passara a desprezá-lo. Via nele um filhinho de papai ignorante das coisas do mundo, e não o obedecia.

O levantamento foi concluído, e ele trouxe o mapa. Entretanto, Takeo pediu-lhe que refizesse o levantamento e produzisse um novo mapa. Mas ele voltou trazendo um mapa idêntico ao anterior. Via-se à primeira vista que o novo levantamento não fora realizado, e por isso, ordenou: “Quando se faz um levantamento topográfico por duas vezes, surgem sempre pequenas diferenças entre eles. Mas aqui não se notam diferenças, você deve ter copiado o mapa anterior. Vá e refaça o levantamento.” O topógrafo Tsuchioka esbravejou irritado: “Eu descendo de samurais, não sigo ordens de um plebeu!” – e se recusou a obedecer.

Estavam no meio da mata virgem. Tsuchioka, quem sabe, menosprezasse as ordens por sentir-se seguro, por entender que não poderia ser dispensado, pois não havia quem o substituísse. Mas Takeo reagiu imediatamente sem lhe dar chance alguma:

“Está bem, deixe o trabalho agora mesmo!” – disse, e despediu-o. Em São Paulo, encontrou-se novamente com o secretário Saito, e o deixou a par dos fatos. Saito se assustou: “Você despediu o homem indicado por seu pai? O que é isso! Vá procurá-lo outra vez!” – advertiu furioso.

Para substituir Tsuchioka, Takeo contratou Kinosuke Hayashi, experiente veterano em desbravamento do Brasil. Entendia de tudo, foi um verdadeiro achado. Hayashi assumiu os trabalhos, e em agosto se pôs a desbastar a área. Em dezembro, já conseguira plantar cinco mil pés de café.

 

Conclusão do curso superior
e casamento romântico

 

Desbravada a mata virgem, e plantadas as mudas de café, as bases do empreendimento estavam lançadas. Cumpria agora terminar o curso superior que havia iniciado. Com essa intenção, Takeo retornou ao portão da Universidade de Keiō em novembro, e foi prestar exame de promoção ao segundo ano.

Queria progredir tanto no curso como no trabalho. Não alcançaria sucesso desistindo do curso pela metade. Concluiria de qualquer forma o curso superior. Animado, se pôs a estudar até às 2 horas da madrugada para acordar já às 4 horas e continuar estudando. Graças a esse esforço todo, conseguiu passar nos exames e ingressou no 3º ano.

O importante na mocidade é a energia para dominar. Se estudante, dominar o estudo, se empresário, dominar a empresa. Lidando com pessoas, dominar as pessoas. Esse ânimo elevado conduz ao sucesso na vida. Takeo se tornou estudante do terceiro ano da Universidade de Keiō em 1930. Era durão, mas ao mesmo tempo, condescendente. Sabia que “peixe não vive em águas puras” – um homem devia possuir a grandeza do oceano, ser como ele capaz de absorver águas puras e impuras sem se contaminar.

Os rapazes modernos, alunos do Keiō, se envolviam muito com mulheres. Uma revista feminina promovia um concurso nacional de “misses”, e publicou uma seleção de fotos das candidatas. Lançando os olhos nas fotos, Takeo foi fortemente atraído por uma das beldades. Havia em seu belo olhar um toque de melancolia oriental, e por ela se apaixonou à primeira vista.

Enquanto observava enlevado a fotografia da “Miss Japão”, decidiu de repente pedi-la em casamento, e foi procurar a revista para obter seu endereço. Mas não foi atendido.

Entretanto, não era homem para aceitar uma recusa. A flecha disparada seguiria até o fim. Seu espírito rebelde se revoltou. Insistiu: “Eu sou aluno do 3º ano da Universidade de Keiō. Não perguntei com intenções desonestas. Quero propor casamento. Podem verificar o diretório para conferir a posição social da minha família.” Por fim, a revista cedeu diante de tanta insistência, e passou-lhe o endereço.

Constituiu imediatamente um mediador para propor casamento, mas foi inútil. Esperou por uma semana, e como a resposta não viesse, decidiu que assuntos pessoais deviam ser resolvidos pessoalmente, sem interferência de terceiros. Assim, foi procurá-la em sua própria residência.

Procurou o pai e foi direto ao assunto: “Por favor, dê-me sua filha. É para a felicidade dela. O senhor me fez esperar uma semana, em um pedido em que empenhei minha vida! Isso é injusto!” Mas o pai não se impressionou. “Eu lhe respondo dentro de um dia”, disse, e a conversa parou aí, sem indício de progresso. Voltou para casa então, e relatou ao seu pai o que sucedera. “Está bem, então eu vou até lá esta noite para conhecer a moça” – respondeu, e foi vê-la essa mesma noite.

Aparentemente, o pai de Takeo gostou da moça. “Não lhe peço que dê sua filha ao meu filho. Peço-lhe que ofereça sua filha amada. Eu também ofereço meu filho amado, e os dois formarão uma boa família” – disse ele pausadamente, em voz firme. O pai da jovem concordou, e por fim, resolveu conceder a filha em casamento.

Chegou o primeiro dia de livre relacionamento para os dois. Takeo queria falar abertamente sobre tudo o que pensava, e trocar ideias com ela. Era necessário unir as almas em um cordão de idealismo. Para isso, precisava escolher um ambiente pouco frequentado. E ao entardecer, caminharam por uma alameda, ladeados ombro a ombro.

Takeo precisava prepará-la para ser mulher de um desbravador do Brasil.

“Kiyoko-san, o que é para você a maior felicidade da vida?”

“Bem, não sei responder a perguntas difíceis, mas a felicidade de uma mulher são coisas corriqueiras. Mais importante, o que é para Atomiya-san a maior felicidade da vida? Poderia me dizer?”

“Meu pai é um empresário japonês pioneiro em Taiwan e na Coreia. Como filho, eu gostaria de ir até o fim do mundo, fora do alcance dele, e empregar imigrantes do mundo todo para mostrar do que um japonês é capaz. O palco de atividades de meu pai foi o Japão, mas o meu, será o mundo. Gostaria de construir nesse palco do mundo uma pátria ideal. É essa a felicidade que procuro.”

“Que coisa maravilhosa! Pensei que os rapazes de Keiō tivessem ideias mais elegantes, mas você tem sonhos grandiosos! Até mesmo o seu pedido de casamento, repentino e ousado, me assustou. De fato, você é excepcional!”

“Kiyoko-san, ser reconhecido dessa maneira por você é para mim a maior alegria. Entretanto, o problema começa aqui. Você irá se unir a este idealista, para enfrentar uma vida sem higiene nem cultura numa região selvagem. Será capaz de me ajudar, nessas condições? Eu me preocupo com isso. Se poderei ou não alcançar meus ideais dependerá daquela que será a minha esposa.”

“Atomiya-san, eu fui criada no meio de Tóquio, e nada sei fazer. Mas se puder ter a alegria de viver envolvida pelo amor do meu marido, acho que serei feliz em qualquer lugar, seja sob o Equador, seja nos confins do polo Sul ou no meio de selvas primitivas”.

“O amor só se alcança quando se dedica a ele todo o nosso ser, e algumas vezes, até a nossa vida. Por isso, o amor forte e belo entre um homem e uma mulher completa o ser humano, e leva um empreendimento ao sucesso.

A mulher deve se apaixonar pelo ideal de um homem, e por intermédio desse homem, procurar aproximar-se de algo elevado e grandioso, sofrendo e lutando com esse intuito. Mesmo que todos os homens do Japão se voltem contra mim e se tornem meus inimigos, se apenas você estiver do meu lado e me compreender, você será a minha esperança, se tornará a energia que me permitirá viver neste mundo inteiro. Quando encaramos o sofrimento juntos, e juntos o superarmos, unindo esforços, provaremos a alegria de sermos um só. Você será minha pela primeira vez, e eu serei seu.

Se você estiver disposta a não fugir do seu homem e nem se afastar dele o que for que aconteça, então estará tudo bem. Eu me formarei na universidade este ano. No próximo ano, vamos lutar nas plagas selvagens do Brasil, cobertos de barro. Juntos provaremos o sofrimento da criação. Nós, jovens, suportaremos juntos a provação para que a raça japonesa possa lutar por seu ideal no palco do mundo. E construiremos a nossa bela vida enquanto nos empenhamos nesse trabalho.”

A alegria brotava do fundo d’alma de Kiyoko, e ela sorriu. “Você é um arquiteto maravilhoso! Você constrói a minha felicidade ou infelicidade dentro da sua alma. Por favor, leve-me para onde quiser. Eu serei a mulher que dará a vida pelo seu ‘ideal de japonês’!”

O sol se punha na alameda, e um vento frio passava alisando a gola. Mas os corações ardiam pensando no Brasil longínquo.

A “Miss Japão”, exemplo da beleza oriental, não terminava apenas aclamada pelos jovens japoneses por sua beleza. Unia-se a Takeo Atomiya, desbravador do Brasil, e em abril, na primavera, partia do porto de Kobe onde a cerejeira se abria em flores, rumo ao ideal da raça japonesa, ao Brasil do café. O ano era 1931.

Completada a vida de “Miss Japão”, devia agora completar a vida de mulher. Ou seja, seria parceira do homem a quem se juntara, daria a ele apoio espiritual para levá-lo a realizar sua nobre missão. À sombra do Napoleão, houve uma Josefina, à sombra do xogum Toyotomi, uma Yodogimi, à sombra do Yoshitsune, uma Shizuka Gozen, e à sombra de todos os heróis, a poderosa força velada de uma mulher.

Shizuko, a mais bela mulher do Japão, decidia encerrar sua vida no meio da extensa floresta virgem do Brasil, após acrescentar à sua docilidade oriental o idealismo sereno próprio da raça japonesa. Uma decisão digna de louvor.

 

Distúrbios na plantação

 

A Estrada de Ferro Norte do Paraná se estendia na época até Cornélio Procópio. Esse povoado possuía quando muito 4 ou 5 casas de madeira. A floresta virgem cercava os arredores, onde rugidos de animais ecoavam entre as árvores. Balançando sobre carroça por 17 quilômetros de picada aberta no meio da selva, o casal chegava à plantação.

 


Atomiya ao centro, em frente a uma gigantesca figueira, na época da colonização na fazenda Atomiya (extraído do “Banchi no Ue ni Nichirin Meguru” – O Sol Circula sobre Terras Selvagens – Koichi Kishimoto, Kōyasha, 1958)


 

Mesmo no meio das montanhas, sem ter o que ver ou ouvir, à luz das candeias à noite, e se banhando em furô improvisado, de tambor, a bela senhora não chorou. Enfrentava bravamente a vida debaixo do sol forte, mergulhada em solidão, depositando a esperança nos brotos de café que despontavam.

Takeo viera do Japão com 20 mil ienes (10 mil dólares). Naquele ano, o Japão proibira a exportação de ouro, e assim, só deviam contar com o dinheiro que possuíam para administrar a plantação. O pai lhe dissera: “Trabalhe com esse dinheiro!”

Plantou 15 mil pés no primeiro ano, 75 mil no ano seguinte, e 60 mil no terceiro ano. Ao todo, 150 mil pés.

Situados como estavam em uma região de difícil acesso, e não havendo cidades nas proximidades onde escoar a produção, Takeo comprava dos colonos toda a produção de mantimentos que eles colhiam. Mas o dinheiro para essas aquisições começava a faltar. Relutava em lhes confessar a falta de dinheiro, e passou a reter pagamentos.

Trabalhavam na época na plantação 34 famílias de colonos (175 pessoas) com contrato de 4 anos. A responsabilidade pela vida e pelo patrimônio dessas pessoas era muito grande. Em segredo, Takeo foi até Rio de Janeiro para buscar financiamento em bancos, mas seus pedidos foram recusados. Rumou então a São Paulo para pedir empréstimo junto a uma pessoa famosa. Ela lhe respondeu, porém: “Eu tenho dinheiro para enviar ao Japão. Posso lhe emprestar esse dinheiro, contanto que seu pai me pague no Japão. Mas você me pagará os juros desse empréstimo aqui.”

Takeo não gostou da atitude arrogante dele, e recusou. Não por causa dos juros, que devia pagar, mas porque sentiu-se menosprezado. Não bastava obter empréstimo a qualquer custo. Rebaixar-se a ponto de suportar humilhações por causa de dinheiro estava fora de cogitação. Era orgulhoso, e sofria por isso.

O dinheiro se esgotava a olhos vistos. Os colonos reclamavam por dinheiro. Pela primeira vez Takeo sentia na pele as dificuldades de administrar. Os colonos precisavam ganhar para poder comer. Para enfrentar a dificuldade financeira, pôs em prática um plano de austeridade. Onde havia 4, reduziu para 3. Os colonos viam crescer suas dívidas. Se alguém adoecesse, e fosse necessário chamar um médico da cidade, o custo chegava a algumas centenas de milhares de réis. A situação financeira chegava ao imite, e assim, declarou aos colonos:

“Vocês sofrerão se aumentarem suas dívidas. Por isso, me tragam porcos ou cereais e eu lhes dou dinheiro em troca. Se nada tiverem para penhorar, eu não dou.”

Os colonos japoneses, premidos pela insegurança, começaram a mostrar sinais de rebeldia.

“Se Atomiya não quer soltar dinheiro, então nossa vida e nosso patrimônio não estão garantidos.” A situação tendia a piorar. Era preciso tomar providência. Takeo convocou todos para uma reunião. Alguns manifestavam revolta: “Se Atomiya não garante nossas vidas, não nos resta senão morrer de fome. Eu vou embora daqui!” Outros protestavam: “Nós nos metemos no meio desta mata virgem porque confiamos em você. E você quer nos trair?” Ainda outros esbravejavam raivosos: “Se nos enganou, merece uma surra!”

Em face dessa situação conturbada, Takeo resolveu expor sem nada esconder a realidade crítica da plantação, com toda sinceridade. Os colonos japoneses compreenderam a verdade pela primeira vez, e passaram a trabalhar todos sem um tostão, unidos ao jovem proprietário. Essa amizade aquece ainda hoje o coração de Atomiya.

Os colonos haviam vindo todos eles de São Paulo, e utilizavam técnicas de plantio adotadas em São Paulo. Com isso, os galhos cresciam em demasia sem produzir frutos. A causa estava na terra do Paraná, que por ser fértil, produzia em excesso. Feijão e algodão também produziam melhor plantando muitas sementes pouco espaçadas. O mesmo se dava com o café, que produzia melhor plantando 6 pés em um só buraco, como começaram a perceber depois de 2 anos. Assim, tudo devia ser aprendido com o fracasso.

Havia ali o precioso sacrifício dos que desbravavam regiões inexploradas, sem ninguém que lhes transmitisse know-how. Nessa época, costumava-se acender candeias ao anoitecer, e lampiões quando houvesse visitas. Conta-se que, quando o Miyasaka do Bratak veio visitá-los de São Paulo, teve de tomar banho em furô de tambor.

Dias depois, ele relataria: “Atomiya vai bem, ele vai conseguir. Sua esposa, embora casada com esse filho de multimilionário japonês, suporta aquela vida de pobreza sem um só queixume. Desse jeito, ele só pode se dar bem.” Essa conversa se tornou bem conhecida. A selva dominava as redondezas. Os mosquitos se juntavam a ponto de escurecer a pele. Os pés e as mãos da senhora estavam inchados e vermelhos, mas ela nem se queixava. Sucesso ou insucesso dependia da capacidade das mulheres em suportar adversidades. A “Miss Japão”, esposa de Atomiya, observava suas mãos e pés inchados e avermelhados, e dizia rindo: “Afinal, eu sou esposa de um desbravador”.

Ao passar pelo Consulado quando foi a São Paulo, Takeo recebeu aviso do secretário que o cônsul geral pretendia visitá-lo em uma viagem de observação, e que pousaria uma noite em sua casa. Takeo deveria colocar rede nas janelas para impedir a entrada de mosquito, e também forrar o teto com um pano e esconder a fuligem produzida por lampião. O secretário fazia outras exigências desse tipo. Isso irritou Takeo: afinal, o que o cônsul geral viria ver? Com certeza, não se tratava de um simples passeio, era para observar a realidade da colonização. Então, certamente, ele desejaria ter contato com essa realidade. Para que então essa camuflagem, pedida pelo secretário?

“O cotidiano da minha vida é esse. O cônsul geral se faz necessário porque nós estamos aqui. Assim, se ele quer ver como estamos vivendo, então será bem-vindo. De outra forma, recuso-me a recebê-lo.” – retrucou, gerando uma discussão com o secretário. Nisso, o cônsul geral dessa época, Iwataro Uchiyama, entrou na sala.

“Que barulho é esse? O que estão discutindo?” – perguntou ele. Tiveram de explicar-lhe o que se passava. Uchiyama deu uma sonora gargalhada, e disse: “Senhor Atomiya, eu queria que você me mostrasse de fato como vocês estão trabalhando. Não procure receber-me enfeitando a casa de forma esquisita, com pequenos adornos. Isso até me constrange!” – e foi visitá-lo de boa vontade.

Por sorte, o caminho para um financiamento japonês se abriu em 1934, o que veio a socorrê-lo. Em 1936, plantou mais 80 mil pés de café, elevando o total a 230 mil pés.

Depois disso, retornou temporariamente ao Japão quando então estourou a Segunda Grande Guerra, que o impediu de retornar ao Brasil. Assim, se viu retido no Japão, deixando a plantação a cargo do administrador. Impossibilitado de retornar com o rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Japão, resolveu ajudar o pai na empresa dele.

“Sem dúvida, o meu trabalho é no exterior…” – esfregava as mãos impaciente, queria correr pela extensa pradaria selvagem da América do Sul com os cabelos ao vento, sonhava dia e noite com a plantação de café que deixara.

 

Vencendo os problemas
administrativos
trazidos pela guerra

 

Rompidas as relações diplomáticas, as grandes companhias e fazendas de propriedade de japoneses existentes no Brasil foram consideradas patrimônio de país inimigo e congeladas. Entre as grandes propriedades que passaram à administração do governo se incluíam Tozan, Bratak, Terrenos Nambei, Fazendas Atomiya e Nomura, que não podiam dispor sequer de 1 mil réis. Por sorte, a fazenda Atomiya perdeu toda a produção de café por ação da geada no ano da eclosão da guerra, e conseguiu por isso evitar que fiscais do governo entrassem na fazenda. O dinheiro da venda dos produtos devia ser inteiramente depositado. Não se permitia usar nem um tostão.

Mas assim mesmo, o Brasil era país generoso. Os bancos podiam emprestar dinheiro necessário para a administração das fazendas, e com isso, puderam evitar a falência. Entretanto, não eram poucas as despesas adicionais. Na falta de dinheiro, procurava-se recorrer a pessoas que deviam favores no passado para pedir empréstimo, mas ninguém se animava a emprestar. Sem outra alternativa, recorria-se a estrangeiros.

O congelamento imposto ao patrimônio dos naturais de países inimigos foi inteiramente levantado em 1954. A fazenda Atomiya recuperava fôlego, e entrava em livre atividade como no período pré-guerra.

 


Comemorando o 30º aniversário da Fazenda Atomiya, com a participação do embaixador Ando e muitas outras celebridades, em 1959 (extraído do “Parana Nikkey Rokujyuu Nenshi” – Histórico do 60º aniversário da colônia japonesa do Paraná, 1972)


 

Takeo Atomiya, que por 30 anos dedicara a sua juventude à administração de sua fazenda, transformara-a em fazenda modelar raramente encontrada nos arredores, e alvo de admiração de todos, brasileiros ou estrangeiros. ❁

 

 


Capítulo extraído do livro Cultura Japonesa Volume 8.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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CULTURA JAPONESA 8
Os pioneiros da história da imigração

Junho de 2018

Edição: Editora Jornalística União Nikkey Ltda. – Jornal Nikkey Shimbun
Publicação: Biblioteca Jovem de São Paulo

Biblioteca Jovem de São Paulo
Diretora: Lena Maki Kitahara
Colônia Pinhal, CxP 80- CEP 18230-000
São Miguel Arcanjo, SP

Redator-chefe: Masayuki Fukasawa
Autores: Koichi Kishimoto, Gota Tsutsumi, Masayuki Fukasawa, Shinji Tanaka
Tradução: Shintaro Hayashi
Revisão de tradução: Mitiyo Suzuki
Revisão português: Aldo Shiguti
ISBN: 978-85-66358-06-3

Todos os textos em português e japonês com furigana.

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