Cultura Japonesa Vol. 8 – Ryota Oyama – Figura Chave da Indústria da Juta

Nos anos 1930, a produção da juta ressuscitou a indústria amazônica.

Ryota Oyama

Figura Chave da Indústria da Juta


Texto original em japonês de Gôta Tsutsumi – estudioso da História da Imigração na Amazônia – 11/ 2017 
Referência: “Uetsuka Tsukasa no Amazon Kaitaku Jigyō” (O Desbravamento da Amazônia por Tsukasa Uetsuka) – Yoshio Uetsuka e Norio Nakano. “Amazonia Sangyō Kenkyūjō Geppō” (Relatório Mensal do Centro de Pesquisa Agronômica e Industrial da Amazônia) – 1931 ~ 1937. “Kōtaku Kankeisha no Amazon Kaitakushi” (A História do Desbravamento da Amazônia pelos Kōtakusei) – Para Kōtakukai. “Burajiru no Dōhō wo Tazunete” – (À Procura dos Companheiros no Brasil) – Kotaro Tsuji, 1930. “Amazon 60 Shūnen Kinenshi” (Revista Comemorativa dos 60 Anos da Imigração na Amazônia) – Associação Pan-Aamazônica Nipo-brasileira. “Amazon Juta Saibai no Rekishi” (História do Cultivo da Juta na Amazônia) – Kotaro Tsuji. A imigração Japonesa na Amazônia – Alfredo Kingo Oyama Homma.

Capítulo extraído do livro Cultura Japonesa Volume 8, de Junho de 2018


 

 

Ryota Oyama

 

 

A prosperidade da Amazônia causada pela borracha, iniciada nos primórdios dos anos 1900, entrava em decadência com a queda do preço do produto provocada pelo sucesso da plantação do sudeste asiático, e decretava o fim do reinado da borracha amazonense.

Em 1800, a população de Manaus não passava de 3000 habitantes. Com a popularização do automóvel, a demanda pela borracha passava por surto de expansão. A população crescia de vez com a chegada dos colhedores, e Manaus, até então uma cidade interiorana, se desenvolvia e se tornava metrópole de 50 mil habitantes. Bondes passavam a circular pelas avenidas da cidade, construía-se um teatro de óperas onde companhias europeias vinham se apresentar regularmente. Também nessa época, inaugurou-se uma linha transatlântica, com navios que cruzavam regularmente o Atlântico unindo Liverpool a Manaus. Nas ruas da cidade, viam-se mulheres vestidas à alta moda de Paris e Londres.

Entretanto, sementes de borracha subtraídas da Amazônia pelos ingleses (cerca de 70 mil grãos) foram cultivadas na Malásia, pondo fim à época da borracha natural.

Depois disso, a Amazônia se entregou novamente ao sono profundo, sono esse interrompido pela imigração dos kōtakusei, iniciada em 1931. Os kōtakusei aproveitaram a área alagada às margens do Rio Amazonas para cultivar juta da Índia, e foram bem-sucedidos. Acabaram transformando áreas improdutivas da bacia do Amazonas em imensa zona industrial que dava emprego a 50 mil trabalhadores. A figura chave desse súbito desenvolvimento foi Ryota Oyama, velho imigrante.

 

Os kôtakusei e Tsukasa Uetsuka

 

Falemos um pouco desses kōtakusei. A eles se deve a meritória façanha de cultivar e divulgar uma nova espécie de juta descoberta por Ryota Oyama nas várzeas da bacia do Amazonas, ao ponto de transformá-la no principal produto de exportação do Brasil.

A primeira leva de imigrantes japoneses havia entrado em Tomé Açú em 1929. Os kotakusei, estagiários em agricultura, com idade entre 18 e 23 anos, vieram ao Brasil dois anos depois entre 1931 a 1937, indo para a região de Parintins, no Estado de Amazonas. Foram, ao todo, 243 estagiários.

 

Em abril de 1931, os primeiros 38 estagiários em agricultura na Vila Amazônia – kotakusei, todos formados pela Escola Superior de Colonização do Japão (Nihon Kōtō Takushoku Gakkō), partiam de Yokohama rumo ao Brasil

 

Eram todos estudantes formados pela Escola Superior de Colonização do Japão (Nihon Kōtō Takushoku Gakkō), que vinham estagiar na Vila Amazônia, em escola matriz construída na margem oposta à cidade de Parintins. Após cumprirem um estágio prático, eles deviam formar líderes para o desbravamento da Amazônia.

Essa escola da Vila Amazônia foi construída por Tsukasa Uetsuka, político originário de Kumamoto (primo de Shuhei Uetsuka, pai da imigração japonesa no Brasil). Desde os tempos de estudante da Escola Superior de Comércio de Kobe (atual Universidade de Kobe), Uetsuka se interessava em emigrar ao Brasil. A Amazônia, em particular, lhe atraía a atenção, mas acabou por empregar-se depois de se formar na Ferrovia do Sul da Manchúria, e foi para a China.

      Tsukasa Uetsuka

Deixou, porém, a Ferrovia em 1920, para candidatar-se pela província natal à Casa dos Representantes. Eleito aos 30 anos de idade, passou a ser o mais jovem parlamentar de todo o Japão. Em 1926, a missão do governo japonês de levantamento da Amazônia para o desbravamento da região entrava no Estado do Pará.

Nessa ocasião, o governador do estado vizinho do Amazonas pretendia também que japoneses realizassem o desbravamento, e oferecia 1 milhão de hectares de terra do estado. Kinroku Awazu, empregado comissionado do Consulado Japonês, e Genzaburo Yamanishi, empresário japonês, assinaram acordo de concessão da terra com o governo amazonense. E Uetsuka, que sonhava entrar na Amazônia, obtinha o direito de desbravar a terra por comissionamento. Uetsuka pertenceu à segunda turma posterior à de Awazu na Universidade de Kobe, e por isso, eles se conheciam bem.

Assim, Uetsuka conseguia por em prática seu sonhado projeto de desenvolvimento da Amazônia. Formou imediatamente um grupo de pesquisa e se dirigiu ao Estado de Amazonas, para selecionar áreas de desbravamento. E adquiriu uma pastagem situada à margem do Amazonas, no lado oposto à aldeia de Parintins.

Deu o nome de Vila Amazônia a essa área adquirida, e nela construiu o Instituto de Pesquisa Industrial da Amazônia, sede dos trabalhos de desbravamento. Construiu também um laboratório de pesquisas agronômicas, um centro de observação meteorológica, um hospital e um centro de treinamento industrial.

 

Sede do Instituto Amazônia

 

Em abril desse ano, criou dentro do Kokushikan, em Setagaya, Tóquio, uma instituição de ensino que visava formar jovens interessados no desbravamento da Amazônia, e deu-lhe o nome de Escola Superior de Colonização Kokushikan. O curso nessa escola tinha a duração de um ano, e aceitava jovens formados no mínimo em curso secundário. Contudo, por diferença de ponto de vista sobre diretrizes surgida entre ele e o diretor do Kokushikan, Tokujiro Shibata, que optava por entrar na Manchúria, Uetsuka decidiu separar-se de Shibata, fundando ele próprio a Escola Superior de Colonização do Japão, em Ikuta, Província de Kanagawa. E passou a enviar todos os anos para a Amazônia aqueles que se formavam por essa escola, a partir da 3ª turma.

 

Instalações da Escola Kokushikan Koutou Takushoku Gakko

 

A Universidade Kokushikan, que formou as duas primeiras turmas, enviou em 1979, na oportunidade da celebração dos 50 anos de imigração japonesa na Amazônia em Belém, uma missão de congratulação, que restaurou o jazigo de Conde Koma e construiu na cidade o Centro Kokushikan de Artes Marciais.

 

 

Kotaro Tsuji

 

Diversas pessoas contribuíram para o sucesso do cultivo da juta na Amazônia. Vamos falar de um dos mais destacados, Kotaro Tsuji. Estudou na Escola Superior de Comércio, de Kobe, onde foi colega de Uetsuka em turma posterior. As possibilidades de cultivo da juta na Amazônia chamaram sua atenção desde cedo. Tsuji foi o homem que se esforçou para introduzir a juta na Amazônia.

Quando estudante, Tsuji procurava com frequência o professor Sentaro Okuda, diretor da escola primária onde estudou. Nessa época, Okuda era professor particular dos filhos do diretor da Tecelagem de Linho Koizumi, existente em Kobe, e assim, falava a Tsuji com frequência sobre a juta da Índia, consumida pela Tecelagem Koizumi. Tsuji aspirava ir ao Brasil após formar-se, e estudava português na Associação Nipo-Brasileira de Kobe. Formou-se em 1927. Trabalhou depois na Associação Nipo-Brasileira por um ano, e em julho do ano seguinte, por indicação da Escola Superior de Comércio de Kobe, onde se formou, partiu para o Brasil em viagem de pesquisa científica promovida pelo Ministério de Cultura do Japão. Antes de partir, conseguiu uma entrevista com Shosuke Koizumi por apresentação de Sentaro Okuda.

– “Estou partindo para o Brasil em viagem de inspeção, para visitar diversas regiões do Brasil durante um ano. Do ponto de vista do clima e da geografia, a Amazônia é muito semelhante à região das bacias do Ganges e do Brahmaputra, na Índia. Assim, acredito que reúna condições suficientes para o cultivo da juta. Pretendo iniciar uma produção experimental. Poderia me fornecer 5 mil ienes para custear essa produção?” – solicitou Tsuji.

Koziumi não o atendeu. Esse episódio, porém, ilustra bem a personalidade de Tsuji. Ele não hesitava em pedir 5 mil ienes em um primeiro encontro com um estranho, embora apresentado por seu professor. Os 5 mil ienes dessa época valeriam hoje tanto quanto 13 milhões de ienes!

“Eu era um recém-formado empolgado. Estava determinado: ‘Então, o senhor Koizumi não quer soltar dinheiro e por isso, vem com desculpas tolas. Mas espere só, eu lhe mostro, vou produzir juta na Amazônia! ’ – Assim, parti para a viagem.” (Memórias de Kotaro Tsuji, 1965, Boletim Pan-Amazônia)

Abrindo parêntesis: este autor teve conhecimento da existência, na residência da viúva Leonor Tsuji, de dados diversos referentes aos kotakusei e à juta, deixados por Tsuji. Por isso, fui visitá-la em Belém, levado pelo patriarca Hajime Ōtake, amigo íntimo de Tsuji. Isso, há mais de 10 anos. Pelo jeito, Tsuji devia ser um homem muito metódico. Arquivava em um álbum recortes de jornais e documentos diversos de forma organizada.

Aquilo era um tesouro inestimável. Havia até texto da carta enviada após a guerra ao presidente Getúlio Vargas, solicitando a reabertura da imigração japonesa. Pedimos, então, por intercessão do senhor Otake – que nos acompanhava –, permissão da viúva para levar conosco alguns documentos por empréstimo e tirar cópia deles.

– “Podem levá-los com a garantia do senhor Otake, mas por favor, registrem o que estão levando” – disse ela, e nos fez registrar fielmente, folha por folha, os documentos pretendidos. Lembro-me de ter ficado impressionado com essa demonstração de bom senso, surpreendente entre donas de casa. Entretanto, não era o caso, pois só com esse controle rígido seria possível preservar esse precioso arquivo.

Entre a documentação copiada, havia um texto com o título “História do cultivo da juta no Amazonas”, escrito em português e datilografado pelo próprio Tsuji. Esse texto dava a conhecer que Tsuji tivera a ideia de cultivar a juta da Índia na Amazônia antes mesmo da referida viagem de inspeção ao Brasil. E logo ao chegar em São Paulo, ele andara de um lado a outro à procura de uma área para cultivo experimental. Ao que parece, essa produção experimental já havia sido iniciada no interior de São Paulo nessa época. Mas surgiu um nikkei chamado Tanaka, que alertava Tsuji que o caule da juta produzida não crescia ali além de pouco mais de um metro, e não era comerciável.

Na Amazônia para onde foi, Tsuji inspecionou uma área em Igarapé Açú, no Estado do Pará, onde a malva (linho paraense) crescia em abundância. Ele constatava:

“A produção da juta na bacia do Amazonas reúne condições suficientes para ser bem sucedida por causa do calor e da chuva disponível. A terra é barata, e o transporte fluvial disponível. Pela proximidade dos grandes mercados da Europa, América e do Brasil, creio que a juta é um produto promissor.”

Regressando ao Japão, Tsuji foi ser professor da Escola Superior de Colonização Kokushikan recém-criada, por convite de Uetsuka. Os dois entravam em acordo sobre o sonhado projeto de cultivo da juta da Índia na Amazônia, e davam um primeiro passo nessa direção.

 

Ryota Oyama e a juta

 

A juta era empregada em sacos de café e de cereais. Só para o café, havia na época uma demanda de mais de 10 milhões de sacos, e em 1931, quando os kotakusei entraram em Amazônia, a importação de juta chegava a 23 mil toneladas. O Instituto de Pesquisa Industrial da Amazônia plantou imediatamente, nesse mesmo ano, as sementes trazidas pela 1ª turma dos kotakusei e as remetidas pelo Consulado de São Paulo, em várzeas próximas e na ilha de Formosa, a 5 km do Centro.

Fundou depois a colônia modelo de Andira, onde estabeleceu uma extensa área de cultivo da juta. Foi em Andira que Ryota Oyama (na época com 51 anos) veio se estabelecer em 1933. Oyama, natural de Okayama, viria posteriormente a lançar um poderoso empreendimento na bacia do Amazonas.

Pai de Kazuma Oyama, da 2ª turma dos kotakusei, vinha com a família de 7 pessoas para o Amazonas. Proprietário de uma pequena fábrica de produção de esteiras de junco em Okayama, terra natal, possuía provavelmente conhecimentos sobre fibras vegetais. Em Andira para onde fora, sementes de juta subtraídas da Índia por Tsuji estavam sendo plantadas experimentalmente pelos kotakusei, mas não ainda em proporções satisfatórias.

Em janeiro de 1934, Oyama plantou sementes de juta pela primeira vez em seu terreno. Dois meses depois descobriu que duas plantas de espécie diversa cresciam mais que as outras. Em relatório apresentado ao Centro sobre as produções de juta e de arroz, Oyama relata sobre essa descoberta:

“Este ano, no meio da juta que produzi, descobri duas espécies particularmente melhoradas. Não produzem ramificações mesmo acima de 3 metros. Isso acontece ainda quando a grossura do caule atinge 2 polegadas (obs.: 1 polegada = 2,54cm). Tenho a certeza de que, se cuidarmos para que cresça grossa, poderá chegar até 4,50 m de altura. Estou este ano tratando de criar essas duas espécies melhoradas, que já alcançaram 3,9 m de altura. Não estou ainda em condições de apresentar um cálculo estimado da lucratividade uma vez que a produção é ainda experimental, mas em comparação à juta produzida neste ano, a nova espécie poderá quem sabe render dez vezes mais.”

Na realidade, essa nova espécie de juta registrada no relatório viria a ser a maior descoberta do século.

Mas tanto quanto o relatório dá a perceber, Oyama seguia trabalhando normalmente, sem mostrar-se particularmente empolgado pela descoberta. Atento às duas amostras de juta diferenciadas, Oyama zelava cuidadosamente delas, mas uma foi carregada pelo deslizamento de terra provocado por uma inundação e se perdeu.

Sobrou por felicidade uma amostra, que possibilitou colher tanto quanto 10 grãos de semente em casca. Essas poucas sementes foram plantadas na horta em frente à sua casa. Dizem que a família inteira se mobilizou para vigiar a plantação contra ataques de saúvas.

Assim, as sementes foram multiplicadas. Parte delas foi plantada na várzea da colônia e parte entregue a ao Centro de Pesquisa. A família Oyama se transferiu em março de 1936 à ilha Formosa próxima, e ali se dedicou ao cultivo dessa juta. Em 1937, a primeira colheita da juta de fibra longa (categoria de 3 m) rendeu 6 toneladas para Ryota Oyama e 3 toneladas para Yoshimasa Nakauchi (imigrante familiar, como Oyama).

A produção foi parcialmente embarcada e vendida à Companhia Martim Jorge de Belém. Dizem que a Companhia se surpreendeu com a qualidade excelente da juta. Disseram no começo: “É impossível colher no Amazonas jutas como essas”, e não quiseram acreditar. A juta amazonense começava a ser comercializada e a produzir lucros pela primeira vez. Um resultado brilhante, 6 anos após as primeiras sementes plantadas na Vila Amazônia pelas mãos dos kotakusei, em 1931.

 

Cais da Vila Amazônia

 

O sucesso da juta da Amazônia obteve inesperada repercussão no país. O influente Jornal do Brasil do Rio de Janeiro (edição de 20 de maio de 1938) deu grande destaque à notícia. Depois disso, a área de cultivo da juta foi estendida pela bacia do Amazonas pelos kotakusei, que se espalharam pela região, e sua produção cresceu de ano para ano.

Em 1940, 350 toneladas, para subir dois anos depois a 5500 toneladas. O Brasil chegou a importar em 1937, no auge, 37500 toneladas da Índia, chegando a pagar em moeda inglesa 562 mil ponds ao país.

Essa importação foi totalmente interrompida em 1947 quando a produção nacional foi considerada autossuficiente. A interrupção da importação pelo governo brasileiro ocorria 10 anos apenas após a primeira colheita da juta por Oyama, contribuindo substancialmente para a economia nacional.

Mas antes disso, em 1942, com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, as instalações da Vila Amazônia foram desapropriadas pelo governo estadual, e dirigentes e funcionários do Instituto de Pesquisa internados à força em Acará, Estado do Pará (atual Tomé Açú).

Entretanto, os kotakusei dedicados à produção da juta não sofreram perseguição, e puderam continuar a vida que levavam. Isso revela quanto importante era para o Brasil a produção da juta.

Incidentalmente, o presidente Getúlio Vargas inspecionou a Amazônia em 1940, antes da guerra. Nessa oportunidade, Uetsuka e Tsuji prestaram diretamente ao presidente, relatório sobre a história e a previsão futura da produção da juta amazônica, que se iniciava na época. A conversa ao que parece despertou profundo interesse no presidente, tanto que ele convocou Uetsuka novamente antes de regressar ao Rio de Janeiro para ouvir dele explicações mais detalhadas sobre a juta. Aparentemente, Getúlio valorizara bastante a produção da juta pelos japoneses.

 

Uetsuka e Tsuji apresentam pedidos ao presidente referentes ao reinício da imigração pós-guerra

 

Isso influiu na condescendência demonstrada aos kotakusei e na permissão especial concedida depois da guerra ao projeto apresentado por Uetsuka e Tsuji, de introduzir 5000 famílias de imigrantes japoneses na área de produção da juta no Amazonas, em antecipação a São Paulo. O desenvolvimento da juta amazônica até o ponto de se tornar produto principal do Brasil não se deve apenas ao empenho individual de Oyama. Entretanto, é altamente provável que a obstinada dedicação desse imigrante ao cultivo da juta tenha atraído esse milagre.

Oyama passou seus últimos anos de vida em Parintins. Adorava shogi. Segundo dizem, o senhor Tadashi Sudo (84 anos) lhe servia com frequência de adversário. Na época, Sudo trabalhava no armazém de coleta da juta de Parintins administrado por Tsuji. A residência de Oyama ficava no outro lado da rua. Dizem que Oyama costumava gritar do jardim da sua casa: “Sudo, venha jogar shogi!”, mesmo quando ele se achava trabalhando. Seu chefe, ex-kotakusei, era condescendente e lhe dizia de boa vontade nessas horas: “Vá atendê-lo, Sudo!”. Os kotakusei devotavam respeito muito grande a Oyama, pai da juta, dizia Sudo.

Ryota Oyama faleceu em 1972, aos 90 anos, em Parintins. Segundo dizem, trabalhou na horta até o dia do falecimento.

 

Escola Estadual Ryota Oyama em Parintins

 

Em frente à Escola Estadual Ryota Oyama, a gestora e professora Maria Nunes e seus alunos

 

Em sua homenagem, a escola estadual de Parintins recebeu o nome de “Grupo Escolar e Ginásio Estadual Ryota Oyama”. A Vila possui ainda a Escola Municipal Tsukasa Uetsuka. A história e os méritos da juta amazonense produzida por mãos japonesas estão assim bem preservados ainda hoje. ❁

 

 


Capítulo extraído do livro Cultura Japonesa Volume 8.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

……………………………..

CULTURA JAPONESA 8
Os pioneiros da história da imigração

Junho de 2018

Edição: Editora Jornalística União Nikkey Ltda. – Jornal Nikkey Shimbun
Publicação: Biblioteca Jovem de São Paulo

Biblioteca Jovem de São Paulo
Diretora: Lena Maki Kitahara
Colônia Pinhal, CxP 80- CEP 18230-000
São Miguel Arcanjo, SP

Redator-chefe: Masayuki Fukasawa
Autores: Koichi Kishimoto, Gota Tsutsumi, Masayuki Fukasawa, Shinji Tanaka
Tradução: Shintaro Hayashi
Revisão de tradução: Mitiyo Suzuki
Revisão português: Aldo Shiguti
ISBN: 978-85-66358-06-3

Todos os textos em português e japonês com furigana.

……………………………..

 

Solicitamos aos interessados contatarem a livraria abaixo. Efetuamos também remessa pelo correio.

Livraria Sol
www.livrariasol.com.br

www.facebook.com/sollivraria/
Praça da Liberdade, 153 – São Paulo
livrariasol@gmail.com
Tel.:  (11) 3208-6588

Livraria Fonomag
www.fonomag.com.br

www.facebook.com/fonomag/
Rua da Glória, 242 – Liberdade, 01510-000, São Paulo
fonomag@uol.com.br
(11) 3104-3329

Livraria Takano
Rua Conselheiro Furtado, 759

01510-001 São Paulo – SP
Fones: (11) 3209-3313

 

Compre com segurança na Amazon Brasil!
http://amzn.to/2Ah2Daq

Comentários
Loading...