Cultura Japonesa Vol. 5 – A Casa Imperial Japonesa – a formação do Japão, sua cultura e ideologia

HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO JAPONESA

A Casa Imperial 


O significado da Casa Imperial para os japoneses


Texto original em japonês – Redação japonesa do Jornal Nikkey Shimbun

Capítulo extraído do livro Cultura Japonesa Volume 5, de Abril de 2017

 

Parque Sanjo, Monte Gozaisho – Província de Mie (Ministério da Economia, Comércio e Indústria – Creative Commons_4.0_internacional)

 

É voz corrente no Japão que “Xintoísmo não é religião”.

A religião cristã, por exemplo, possui o Velho e o Novo Testamentos por textos sagrados. Entretanto, o Norito não é propriamente texto sagrado do Xintoísmo, uma vez que não há nele ensinamentos orientativos à vida espiritual de seus seguidores. O Norito nada mais é que coletânea de rezas e orações de agradecimento. O Cristianismo tem por fundador Jesus Cristo, enquanto o Xintoísmo surgiu naturalmente em épocas remotas e não possui fundador. Além disso, as religiões, como as conhecemos, são proselitistas, mas o Xintoísmo nada faz para recrutar seguidores. Aqueles que frequentam templos xintoístas, sacerdotes inclusive, são na realidade budistas em grande maioria. É dizer em outras palavras que o Xintoísmo nem mesmo possui os três elementos básicos de uma religião, quais sejam fundador, escritura sagrada e adeptos.

Em essência, o Xintoísmo se resume em “elevar preces à Natureza” e a mais ninguém. A imagem das divindades assim criadas não é aquela de entes invejosos que se matam, à semelhança do ser humano. É a imagem da própria Natureza.

Desde épocas remotas, os japoneses percebiam o mundo como habitat de oito milhões de deuses: as montanhas eram habitadas por deuses das montanhas, os mares por deuses dos mares, as plantações por deuses das plantações, e por aí vai. Ao nascer do sol rezavam para que “o dia transcorresse em paz”, agradeciam ao pôr do sol e regravam seu comportamento diário porque “o deus do sol tudo observa”. Esse folclore, essa “atitude tradicional perante a natureza” transmitidos por gerações desde tempos remotos constituem em si mesmos o Xintoísmo. Assim é que rochas, florestas e montanhas são muitas vezes consideradas, elas próprias, templos pelos xintoístas.


Pintura representando o Imperador Jinmu (Dainihonmeisyokagami – Yoshitoshi Tsukioka)

 

O Imperador é o sumo sacerdote do Xintoísmo. Por isso, ele ergue “preces à Natureza pelo bem da pátria”, em culto celebrado continuamente por cerca de 2700 anos. Mas quando o Cristianismo foi introduzido no Japão por Francisco Xavier, o xogunato de Edo, que governava o Japão na época, assombrado com a rápida expansão da religião, procurou fortalecer o Budismo para contê-lo. E por 260 anos, os templos budistas foram transformados em agentes executores da política governamental, passando em consequência a deter forte poder.

 

Costa de Amaharashi – Província de Toyama (Ministério da Economia, Comércio e Indústria – Creative Commons _ 4.0_ Internacional)

 

Ao tomar o poder do xogunato, o governo Meiji se viu diante da necessidade de desfazer a estrutura de poder montada pelo antecessor. Portanto, procurou debilitar o poder dos templos budistas reorganizando o Xintoísmo nacional e conduzindo o Imperador ao centro do poder. Mas então o Imperador passava a dispor de poder excessivo, elevado que fora ao status de “Imperador soberano” e “Deus Vivo”, rodeado por militares que despontavam no cenário político.

As consequências surgiram logo após o término da Guerra do Pacífico. Essa imagem histórica do Imperador se achava de tal forma enraizada na alma dos japoneses que o exército americano de ocupação do Japão se viu levado a conservar o regime imperial. Os americanos apenas limitaram o poder excessivo que o Imperador detinha, atribuindo-lhe o status de “Símbolo Nacional”. Sobre isso, o Imperador tem manifestado que esse status condiz mais com a postura tradicional dos imperadores de épocas antigas, anteriores a Edo.

O imperador teve seu status alterado ao longo da história japonesa por capricho de regimes diversos em épocas diversas, mas jamais deixou de ser esteio espiritual do povo quaisquer que fossem as circunstâncias momentâneas. É por essa razão que o Japão, atingido em 11 de março de 2011 pela catástrofe natural sem precedentes que arrasou o leste do país provocando a morte de 16 mil pessoas, não registrou cenas de convulsão social. Não houve assalto a supermercados, e o povo bem aguardou em longas filas, pacientemente, para receber alimentos racionados. E também, quando oito primeiros-ministros foram substituídos em um espaço de cerca de 7 anos a partir de 2005, em meio a uma crise excepcional, o povo permaneceu absolutamente equilibrado – porque o esteio espiritual da nação se mantinha firme.

 

Imperador Akihito e imperatriz Michiko fazem um minuto de silêncio em visita à região de Haragama-Obama, Porto de Soma, Província de Fukushima, Japão, área afetada pelo terremoto (Foto: Província de Fukushima)

 

O Japão se transformou após a Guerra em expoente econômico e tecnológico mundial, como se vê por exemplo pelo extraordinário desenvolvimento da robótica. Mas é apenas uma família, por sinal a mais antiga do mundo, que centraliza essa nação.

O ano de 2017 será peculiar para o país: – em agosto, o Imperador expressou desejo de abdicar do trono em vida. Os consequentes debates e a reforma da legislação pertinente provocarão sem dúvida ebulição na sociedade japonesa. Essas circunstâncias não são de todo alheias para os nikkeis do Brasil. Desde a comemoração do cinquentenário da imigração japonesa, realizada em 1958, quando o Príncipe e Princesa Mikasa se tornaram os primeiros membros da família imperial a visitar o Brasil, a família imperial sempre se fez representar em eventos comemorativos de aniversário da imigração transportando-se até este Brasil longínquo. É de se perguntar se haverá outra família que tenha enviado seus membros em tantas viagens entre Brasil e Japão.

O Casal Imperial, em particular, já esteve três vezes neste País. Sua visita a um mesmo país por três vezes é fato muito raro, e comprova o forte interesse de Suas Majestades pela sociedade nikkei do Brasil.

Estamos para comemorar agora em 2018 o 110º Aniversário da Imigração Japonesa no Brasil. Muito provavelmente, algum membro da família imperial se fará presente nesse evento que marca as décadas da história da imigração. Quem sabe seja este o momento de se conhecer a história do regime imperial japonês e o significado desse regime. Esta edição registra na íntegra o discurso do Imperador em manifestação de desejo de abdicação em vida, juntamente com nossos comentários.

O Brasil se tornou independente enquanto império, e se transformou em república em 1889. O País possui essa história. O regime atual de governo foi escolhido em 1993 por referendo popular entre três opções apresentadas: regime presidencialista, regime constitucional e regime monárquico. São poucos os países onde a monarquia persiste. Seria porque ela já é anacrônica? Ou porque se contrapõe à democracia? Mas quem sabe exerça ainda no mundo de hoje um papel significativo.

O tema que aqui abordamos é “Casa Imperial”: o maior dos segredos para se poder entender a cultura, ideologia e história desse país denominado Japão, e cuja existência é fundamental para a nação.❁

Continua…

 

 


Capítulo extraído do livro Cultura Japonesa Volume 5.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Cultura Japonesa – Vol. 5
A casa imperial Japonesa

Edição: Editora Jornalística União Nikkey Ltda. – Jornal Nikkey Shimbun
Publicação: Biblioteca Jovem de São Paulo – Abril de 2017
Autores: Masaomi Ise, Masayuki Fukasawa, Kohei Osawa
Tradução: Shintaro Hayashi
Supervisão: Masato Ninomiya
Revisão português: Aldo Shiguti
ISBN: 978-85-66358-03-2

Todos os textos em português e japonês com furigana.

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