Cultura Japonesa Vol. 5 – A Casa Imperial Japonesa (3) – Toshihiko Tarama – neto do Imperador Meiji que emigrou para o Brasil

HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO JAPONESA

Toshihiko Tarama

O Tenson Korin* da era Showa

*Tenson Korin: descida, segundo lenda xintoísta, do neto do Supremo Deus do Sol à terra, que deu início à nação japonesa e à dinastia do Imperador.


Texto original em japonês de Masaomi Ise
Capítulo extraído do livro Cultura Japonesa Volume 5, de Abril de 2017


 

 

Toshihiko Tarama

 

Para os nikkeis brasileiros, o senhor Toshihiko Tarama foi sem dúvida a pessoa mais próxima à Casa Imperial no Brasil. Era neto do Imperador Meiji por parte da mãe, e sendo assim, ex-membro da Família Imperial. Sobre isso, ele dizia: “Pela ótica do Imperador Meiji, o Imperador Showa foi o primeiro neto e eu o último.” Por que motivo uma pessoa nessas condições veio a emigrar para o Brasil em 1951, justo após o término da guerra? A imigração pós-guerra ainda nem se iniciara. Assim, os jornais de língua japonesa da época publicaram em grandes manchetes: “Tenson Korin da Era Showa!”. Conta a sra. Alice, viúva do Sr. Tarama: “Quando se dirigia à colônia japonesa, meu marido se mostrava pouco à vontade. Isso é até compreensível, pois deveria comportar-se como “príncipe”. Por isso mesmo, quando se achava entre brasileiros que nada tinham a ver com essa história, ele se mostrava bem alegre, dava vazão ao gênio expansivo que lhe era natural.” Depoimento surpreendente. Pensei ter vislumbrado de relance a imagem do ex-membro da família imperial que, liberto dessa condição, encontrava na qualidade de simples imigrante a expansividade que lhe era natural. (Redação Japonesa – Jornal Nikkey Shimbun)

 

Shinobu Orikuchi, estudioso de folclore, formulou o conceito Kishu Ryuritan à forma primitiva de literatura das lendas japonesas enquanto pesquisava a história das artes e a literatura japonesas. Essas lendas falam de personalidades da alta nobreza que, por algum motivo foram destituídos de suas condições, abandonados e levados a deixar seus lares. Colocados em infelicidade e vulgaridade, viajaram e se entregaram a aventuras, lutando por justiça e realizando peripécias diversas. Lendas como essa podem ser encotradas na mitologia grega.

Pessoas famosas deixaram familiares e parentes no Japão, relegando uma vida com certeza gratificante para vir como imigrantes ao Brasil, o mais distante dos países, em verdadeira reedição do Kishu Ryuritan.

São exemplos a sra. Ise Hayashi, irmã do famoso escritor Jun-ichiro Tanizaki, autor de obras estéticas como o “Chijin no Ai” (Naomi), “Shunkinsho” (The Story of Shunkin) e “Sasameyuki” (As Irmãs Makioka); o sr. Yoshitada Tokugawa, neto de Yoshikatsu Tokugawa, 14º suserano de Owari e 17º sucessor da família Tokugawa de Owari, e sua esposa Ayako (filha de Naga-atsu Kuroda, suserano de Chikuzen Fukuoka), ambos falecidos, todos eles imigrantes do período pré-guerra.

Segundo a edição de outubro de 2008 da revista mensal Chiri (Editora Kokon Shoin), emigraram também ao Brasil Tomoko Yoshino, sobrinha de Sakuzo Yoshino, ideólogo defensor da democracia no Japão, Fumio Soma, terceiro filho do casal Aizo e Kokkō, donos da hospedaria Nakamura-ya de Shinjuku, famosos por terem ajudado Rash Behari Bose, patriota hindu defensor da independência da Índia exilado no Japão, Yosano Moto, sobrinho do poeta Tekkan Yosano, Hidetoshi Ōta, sobrinho do economista, educador e diplomata Inazo Nitobe cuja efígie está até estampada em notas de dinheiro, entre outros. E dentre os imigrantes pós-guerra, também Setsuko Tange, filha da atriz Kiyoko Tange que até chegou a ser apresentadora do 2º Kohaku Utagassen (1952) promovido pela NHK.

Entre todas essas celebridades, a que mais se destaca é, sem dúvida, o senhor Toshihiko Tarama, procedente de Tóquio e falecido em 2015 com 86 anos, “cuja vinda ao Brasil em abril de 1951 encheu de emoção os compatriotas do Brasil, sendo até noticiada como o Tenson Korin da Era Showa” (Zaihaku Nihonjin Senkusha Den [Biografia dos Pioneiros Japoneses no Brasil – Editora Jornal Paulista, dezembro de 1955, pág. 142]).

A presença dessas pessoas entre a comunidade japonesa residente no exterior, que a pátria tende muitas vezes a desprezar, é objeto de surpresa que dá cores à comunidade. Como diríamos: “Existem pessoas e pessoas entre os imigrantes!”

 

O neto do Imperador Meiji, que emigrou

 

O senhor Tarama faleceu em 16 de abril de 2015, vitimado por ataque cardíaco em sua residência, em São Paulo. Nascido quarto filho do Príncipe Naruhiko Higashikuni (1887 -1990) e Princesa Toshiko, a sociedade nikkei o via como Príncipe Tarama e lhe dedicava afeição. Apesar do feriado, mais de cem pessoas atenderam à missa do sétimo dia celebrada em 21 de abril na Igreja Santa Teresinha, nas proximidades de sua residência.

Um oficial do Palácio ligou diretamente à residência do Sr. Tarama para comunicar que, “Em nome do Imperador e da Imperatriz, do Príncipe Akishino e da Princesa, transmitia condolências à família pelo falecimento”. Atendendo à ligação, a senhora Alice agradeceu de coração “a bondosa consideração”.

Por mensagem encaminhada, o Imperador, a Imperatriz, o Príncipe e a Princesa Akishino, etc. disseram recordar-se com muita saudade o encontro que tiveram com Sr. Tarama em São Paulo, durante a visita que fizeram ao Brasil. Também por mensagem, o Príncipe Imperial e a Princesa Naruhito, sensibilizados, lastimaram o falecimento, e acrescentaram: “Agradecemos profundamente a gentileza com que nos recebeu na oportunidade da comemoração do Centenário da Imigração Japonesa. Dedicamos preces sinceras por sua alma. ” O Príncipe e a Princesa Akishino também mandaram a mensagem. Na missa, foram apresentadas todas as mensagens e os participantes ficaram admirados.

O senhor Tarama teve por genitor o Príncipe Naruhiko Higashikuni. A Princesa Toshiko Yasu (nome antigo), nona filha do Imperador Meiji, foi sua genitora. Por conseguinte, o senhor Tarama é neto do Imperador Meiji por parte de sua mãe. As pessoas, quando se encontravam com ele pela primeira vez, perguntavam quase sempre sobre sua genealogia. Nessas ocasiões, ele costumava responder de costume: “Dos netos do Imperador Meiji, o mais idoso é o Imperador Showa, e o caçula sou eu.”

O Imperador Meiji não teve filhos ou filhas com a Imperatriz, mas teve cinco filhos (entre eles o Imperador Taisho) e dez filhas com uma dama da corte. Apenas o Imperador Taisho logrou atingir a maturidade, e entre as princesas, apenas as Princesas Fusako Kitashirakawa e Toshiko Yasunomiya. Todos os outros príncipes e princesas faleceram precocemente antes da idade de 50 anos.

O senhor Tarama é assim como ele mesmo diz o caçula dos quatro irmãos filhos da Princesa Toshiko Yasu, por sua vez a mais jovem entre as princesas sobreviventes do Imperador Meiji. O último, portanto, da linha sucessória ao trono imperial.

 

Emigração ao Brasil
antes do início da emigração pós-guerra

 

O senhor Tarama veio ao Brasil por via aérea, coisa muito rara na época. Sua vinda se deu em abril de 1951, dois anos antes do início da imigração pós-guerra. Os jornais de língua japonesa no Brasil noticiaram o fato por dias seguidos em grandes manchetes.

O Jornal Paulista de 1 de abril já antes da sua vinda noticiava: “O propalado senhor Higashikuni deixa Yokohama rumo ao Brasil”. E em 21 desse mês, o mesmo jornal publicava no alto da página em manchete: “Pisando a terra sonhada – O senhor Toshihiko Higashikuni chegou ontem ao Brasil – Passa a ser simples lavrador”, reportando sua chegada à capital Rio de Janeiro. Também em 24, em segunda manchete no alto da página esquerda: “Jovem alegre e simpático – Senhor Toshihiko Higashikuni chega em boa saúde”, seguindo-se a entrevista ao chegar em São Paulo. Com isso, o jornal reportava calorosamente a sua chegada.

 

A primeira entrevista, logo após a chegada ao Brasil (Jornal Paulista de 24 de abril de 1951)

 

Em dezembro de 1951, tomava posse o primeiro cônsul geral da fase pós-guerra, Shiro Ishiguro, e em setembro de 1952, o primeiro embaixador dessa fase, Shin Kimitsuka. O primeiro navio de imigrantes aportava em Santos em janeiro de 1953, e por aí se vê quão cedo se deu a chegada do Sr. Tarama.

O tratado de São Francisco, que deu independência ao Japão, se realizou em setembro de 1951. O senhor Tarama conseguiu emigrar ao Brasil assim cedo porque se fez filho adotivo de um residente permanente, que o trouxe ao Brasil na condição de “parente convidado”.

Tetsusuke Tarama, que o recebeu como filho adotivo, era funcionário do consulado geral do Japão em São Paulo antes da guerra e colaborou ativamente na construção das colônias Hirano e Aliança inauguradas em 1915. Após deixar o Consulado, fixou-se como simples imigrante, e administrou sua fazenda de café em Lins, na Linha Noroeste.

Ele fora aconselhado a regressar à pátria logo após a eclosão da segunda guerra pelo navio de repatriação, mas decidiu “ficar com os imigrantes”, e faleceu nesta terra durante a guerra, em 1942. O senhor Tarama se tornava filho adotivo da viúva, Sra. Kinu.

 

 Senhor Tarama, nos primeiros dias da chegada ao Brasil (direita), ao lado da sua sogra Kinu (esquerda)

 

Falso príncipe comete fraudes
logo após a guerra

Em entrevista concedida no lobby de um hotel em São Paulo (10 de janeiro de 2013), respondendo a uma pergunta sobre os motivos que o levaram a emigrar-se para o Brasil, ele disse: “Porque soube que o senhor Tarama não tinha filhos que o sucedessem. Mantive relacionamento com muitos americanos, mas achava que a América do Sul me proporcionaria vida melhor que um país protestante, e desde antes, quis vir.”

À época da sua vinda, as sequelas do conflito entre partidários da derrota e da vitória eram ainda visíveis no Brasil. Em 1954, após sua chegada, atentados cometidos por vigaristas como Takuji Kato que se autoproclamava “Príncipe Asaka” e recolhia contribuições, e Sanzo Kawasaki que se apresentava como membro do Serviço Secreto e espalhava falsa notícia da vitória do Japão para coletar dinheiro, perturbaram a sociedade.

Indagado sobre o falso príncipe, respondeu o senhor Tarama entre risadas: “O Príncipe Asaka é meu cunhado, eu o conheço bem. Percebi logo que era mentira. Coisa impossível. Eu havia ouvido que ocorria conflitos entre partidários da vitória e da derrota, mas sempre achei que não me diziam respeito. Essas pessoas nunca me procuraram. Se viessem, eu lhes diria: ‘Vocês são mesmo uns tolos, não? ‘Mas não tive essa oportunidade.”

O senhor Tarama sucedeu na administração da fazenda de café por cerca de dez anos, e depois, mudou-se para São Paulo e exerceu cargos como o de auditor e de vice-presidente do Conselho Administrativo da Companhia de Armazenagem Produtores de Café por 30 anos.

Dez anos após a imigração, casou-se com Alice Hanashiro, filha de Seian Hanashiro, imigrante abastado procedente de Okinawa. Ouvia-se falar que a família Hanashiro era descendente de reis de Ryukyu, e para nos certificar, indagamos o senhor Tarama sobre isso. “Não é verdade”, negou ele veementemente.

“Já que vou viver no Brasil, é melhor então adquirir direito a voto” – pensou, e naturalizou-se brasileiro por volta de 1970. E veio sempre participando de atividades de intercâmbio entre ambos os países como elo importante de ligação, exercendo funções entre os quais de presidente da Associação Amigos de Tóquio, vice-presidente da Federação das Associações de Províncias, vice-presidente da Associação Brasileira de Cultura Japonesa e vice-presidente do Conselho da sucursal brasileira da Sociedade para a Promoção da Ciência.

 

Senhor Tarama, presidente honorário da Associação Amigos de Tóquio (segundo à direita), na comemoração do 50º Aniversário de Fundação da Associação, entre convidados de honra diante do bolo comemorativo do evento.

 

Na edição especial comemorativa na ocasião em que a Princesa Masako deu luz, Princesa Aiko, revelou sua mentalidade aberta e esclarecida: “Uma imperatriz – que ótimo! E basta modificar um pouco a Constituição, não é? Eu aplaudo a ideia. Tivemos imperatrizes no passado. A cultura japonesa floresceu sob imperatrizes. O nascimento de uma imperatriz modificará a consciência dos japoneses. O Japão mudará.”

 

“Então, vocês me consideram imigrante?

 

Em 2013, solicitamos uma entrevista para fazer parte da matéria a ser publicada na edição especial comemorativa do 60º Aniversário do início da Imigração pós-guerra. Nessa hora, o senhor Tarama se mostrou um tanto quanto preocupado, e se calou. Após um momento, respondeu-nos com uma pergunta que nos confundiu: “Então, vocês me consideram imigrante?” Por essa reação, ele deixou perceber por um instante sua consciência elitista, de ex-membro da Casa Imperial.

Ele relegara sua condição de membro da família imperial, emigrara antes de qualquer outro ao Brasil, casara-se com uma mulher de ascendência Okinawa, se naturalizara brasileiro e aplaudira a ideia da ocupação do trono por uma imperatriz. Dir-se-ia que com esse comportamento ele quisesse desvincular-se de algo. Revela-se nele uma linha coerente de pensamento liberal, de um liberalismo quase extremista. A que se devia aquela reação?

Em conversa com sua esposa Alice após seu falecimento, contou-nos ela:
“Quando se dirigia à colônia japonesa, meu marido se mostrava pouco à vontade. Isso é até compreensível, pois deveria comportar-se como “príncipe”. Por isso mesmo, quando se achava entre brasileiros que nada tinham a ver com essa história, ele se mostrava bem alegre, dava vazão ao gênio expansivo que lhe era natural.” Isso nos impressionou. Certamente, o orgulho de ex-membro da Casa Imperial convivia com ojeriza à formalidade em seu espírito.

Historicamente, seu avô o Príncipe Asahiko Kuni (1824 – 1891) exercera papel ativo como líder do movimento “Kōbu Gattai” (Unificação do Xogunato com o Regime Imperial) que surgiu durante os conflitos da fase final do xogunato. O movimento, de pendência moderada, pretendia juntar o poder tradicional do regime imperial e a força militar do xogunato, após reforma, para fortalecer o próprio xogunato ainda vigente nessa época. Em certo sentido, representava o pensamento de uma facção da Casa Imperial interessada em “conduzir a situação tanto quanto possível de forma pacífica”.

Porém, havia uma facção extremista favorável à derrubada do xogunato que se recusava a aceitar a situação existente, que se fortalecia cada vez mais em confrontos com a facção moderada. Para ela, o Kōbu Gattai não passava de um movimento simpático ao xogunato, que acabaria arrebatando-lhes a liderança. A facção extremista era liderada pelas suseranias de Satsuma e Choshu, que enfim, acabaram fortalecidas o suficiente para exigir do Xogum a devolução do governo e realizar o Meiji Ishin, a Restauração de Meiji.

Essas circunstâncias levaram o Príncipe Asahiko Kuni a se distanciar do Governo Meiji, embora pertencendo à nobreza. Quando o imperador Meiji transferiu o Palácio Imperial a Tóquio, ele não o acompanhou.

Segundo Wikipédia (Príncipe Asahiko Kuni, edição de 22 de abril de 2015), “Há quem diga que essas circunstâncias e tratamento exerceram posteriormente complexa influência sobre seus filhos, os príncipes Kunihiko Kuni e Naruhiko Higashikuni (pai do senhor Tarama)”.

 

O pai, o maior liberalista da Casa Imperial

 

O Príncipe Naruhiko Higashikuni (pai do senhor Tarama) se casou em 1915 com a princesa nona filha do Imperador Meiji. E em 1920, ingressou como bolsista estrangeiro na Escola Militar Especial de Saint Cyr para formação de oficiais do Exército. “Durante essa fase de estudante no exterior, ele se familiarizou com o clima liberal da França. Manteve amizade com Claude Monet e Clemenseau, dirigiu automóveis e desfrutou vida aprazível, até com uma namorada francesa. Por influência dessa fase de vida, tornou-se um notório ideólogo do liberalismo, o maior de toda Casa Imperial.” (Wikipedia, Príncipe Naruhiko Higashikuni, edição de 20 de abril de 2015).

 

Foto do Sr. Tarama da época em que ele era membro da família imperial e aluno da Academia de Oficiais do Exército, exposta no quartel das Forças de Defesa em Tóquio (Gentileza do Sr. Masato Ninomiya, tirada em janeiro de 2015)

 

É provável que a opção do senhor Tarama por uma vida liberal como imigrante se deva à influência de um pai como esse. O senhor Tarama se formou pelo Gakushūin, seguindo o hábito dos membros da Casa Imperial, e ingressou posteriormente na Academia do Exército. Tinha na época 16 anos. Uma foto do senhor Tarama dessa fase pode ser vista ainda hoje no quartel das Forças de Defesa Nacional em Tóquio. Formou-se depois em Ciências Políticas pela Universidade de Keiō.

Seu pai foi conduzido ao cargo de primeiro-ministro (17 de agosto a 9 de outubro de 1945), o primeiro do período pós-guerra, três dias após a aceitação da Declaração de Potsdam. O Japão se rendera, mas o exército japonês dispunha ainda de força militar de 7,890 milhões de soldados do exército e da marinha distribuída no Japão e no exterior. Ninguém poderia imaginar quantas vítimas surgiriam caso essa força entrasse em guerrilha, tanto no país como na Manchúria. Assim, o desarmamento do exército japonês passava a ser a mais importante das tarefas que o GHQ americano impunha ao gabinete recém formado. Possivelmente, pensou-se então que só um primeiro-ministro oriundo da Casa Imperial conseguiria executar essa tarefa em curto prazo, nessa época quando a supremacia dessa Casa era ainda uma crença profundamente enraizada no povo japonês.

O príncipe Higashikuni renunciou o cargo em pouco tempo por divergências de opinião com o GHQ, mas entrementes, os termos de rendição eram assinados a bordo do Missouri. Em novembro, o príncipe se declarava disposto a deixar a Casa Imperial, assumindo responsabilidade pela derrota.

O ato se efetivou em outubro de 1947, passando a ser desde então apenas Naruhiko Higashikuni. O senhor Tarama acompanhou também o pai nessa resolução. A vida se tornou difícil. Desfizeram-se aparentemente do patrimônio acumulado durante a época da nobreza. Quatro anos depois, o senhor Tarama emigrava em clima festivo para o Brasil.

O curso da história levou o avô, líder do movimento moderado Kōbu Gotai, a se afastar do cerne do recém-instaurado governo Meiji, na fase final do xogunato.

E o curso da história levou desta vez o pai que liderou o processo de pacificação do GHQ americano como primeiro-ministro membro da Casa Imperial, a se afastar antes de qualquer outro da mesma no período pós-guerra.

Eles despontaram em momentos decisivos na moderna história japonesa. Vieram desenvolvendo atividades só a eles possíveis, no entanto sutilmente divergentes da corrente central dessa história. Quem sabe o senhor Tarama se resignasse diante desse destino, ou talvez tenha sido o DNA que tenha levado sua família a despontar dessa forma na história.

Naturalmente, nem todos os aristocratas que passaram a viver no outro lado do mundo se dedicaram a atividades dignas de um romance monomítico. Viveram como simples imigrantes e buscaram a própria felicidade em terras sul-americanas, em meio às pessoas que esperavam deles algo diferente das pessoas normais, em virtude da ancestralidade. ❁

 

Continua…

 


Capítulo extraído do livro Cultura Japonesa Volume 5.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Cultura Japonesa – Vol. 5
A casa imperial Japonesa

Edição: Editora Jornalística União Nikkey Ltda. – Jornal Nikkey Shimbun
Publicação: Biblioteca Jovem de São Paulo – Abril de 2017
Autores: Masaomi Ise, Masayuki Fukasawa, Kohei Osawa
Tradução: Shintaro Hayashi
Supervisão: Masato Ninomiya
Revisão português: Aldo Shiguti
ISBN: 978-85-66358-03-2

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