Cultura Japonesa Vol. 2 – Santuário de Ise e a sua tradição milenar

HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO

Santuário de Ise

Por que o Santuário de Ise foi mantido por mil e centenas de anos e reformado a cada vinte anos ?


Texto original em japonês de Masaomi Ise de 09 de Janeiro de 2005
Referência: [1] “O Santuário de Ise” – Issao Tokoro, Kodansha Gakujitsu Bunko, 1993

Capítulo extraído do livro Cultura Japonesa Volume 2, de maio de 2016


 

Santuário de Ise – Salão de Kagura(2009)[Wikimedia Commons]

 

Toynbee visita o Santuário de Ise

 

Ao visitar o Santuário de Ise em outono de 1967, Arnold Toynbee, pesquisador inglês da história da civilização, mergulhou as mãos nas águas límpidas do Rio Isuzu e caminhou vagarosamente sobre o cascalho da via de acesso ao Santuário, admirando os cedros imponentes que se erguiam à margem da via. No Santuário, ele prestou reverência aos deuses e na sala de repouso do salão de kagura (dança cerimonial praticada tradicionalmente em templos xintoístas pelas miko (damas a serviço dos deuses). Remonta aos meados da Era Heian (782 ~ 1.190)), registrou as seguintes palavras com um pincel:

Here, in this holy place, I feel the underlying unity of all religions.

“Aqui, neste lugar sagrado, eu sinto a unidade subjacente a todas as religiões”
Arnold Toynbee, 29 de Novembro de 1967

O que viria a ser essa “unidade subjacente de todas as religiões”? O poeta Saigyo, compositor de waka (poesia japonesa de quatro versos curtos, compostos cada um respectivamente por 5,7,5,7 e7 ideogramas em kana (letras que representam cada uma um som)) , expressou em seus versos um sentimento que remete a essa questão:

“Que seres se acham aqui eu não sei, mas vou às lágrimas por sua grata presença.”

Saigyo nasceu samurai, mas ingressou à vida monástica do budismo. Adepto do budismo, Saigyo visitou, entretanto, o santuário xintoísta de Ise para declarar que, embora não soubesse quais seres habitavam aquele lugar, se emocionava até as lágrimas ao sentir a grata presença deles. É de se acreditar que tanto Saigyo como Toynbee tenham experimentado uma silenciosa e grata presença sagrada, que sobrepuja religiões e doutrinas religiosas.

 

Diferença entre o Santuário de Ise
e o Templo de Delfos

 

Toynbee diria também depois:

“Lugares sagrados existem no mundo, mas penso que o Santuário de Ise seja um dos mais sagrados. Temos além dele Delfos na Grécia e Assis na Itália …”

Mas foi prontamente contestado pelo professor Takashi Tanaka, da Universidade Kogakkan:

“Não posso concordar com a comparação feita pelo professor Toynbee, que põe em igualdade o Templo de Delfos e o Santuário de Ise. Sem dúvida, construiu-se antigamente em Delfos um templo representativo da Grécia que atraiu a devoção das pessoas. Eu também fui ver o local há alguns anos, mas atualmente, só restam em Delfos algumas colunas destruídas. Não há como negar que o sítio sagrado, antigamente próspero, não passa hoje de simples ruína. No entanto, o Santuário de Ise foi mantido continuamente em vida desde a antiguidade até hoje. Não posso concordar em que ele seja igual ao Delfos.”

Ao que Toynbee respondeu:

“É verdade, nesse aspecto, é como o professor Tanaka argumenta. Com certeza, o Templo de Delfos conseguiu atrair devoção fervorosa do povo nos anos dourados da Grécia, mas foi destruído durante o quarto século do calendário ocidental, restando dele somente colunas de pedra. Todas as imagens divinas foram levadas e nada sobrou.”

 

Construção inalterada
através da longa história

 

A razão porque o Santuário de Ise, construído em madeira, se preservou até hoje enquanto do Templo de Delfos construído em pedra só sobraram as colunas, é simples. O Santuário foi reconstruído a cada vinte anos. Todos os templos do Santuário se acham construídos em dois sítios separados. Enquanto os templos de um deles estão sendo usados, no outro sítio, novas construções são edificadas. A cerimônia de transferência das divindades para os templos novos é conhecida por Sengu.

Reza a tradição que o Santuário foi construído durante a época do Imperador Suinin, ou seja, por volta do ano 297 do calendário ocidental segundo algumas fontes. Entretanto, seu estilo arquitetônico conhecido por Shinmei-Zukuri é similar ao adotado em construções de piso elevado, dos depósitos de cereais no período médio da Era Yayoi (100 aC ~ 100 dC), conhecidos por Takagura, que se veem desenhados em vasos de cobre pertencentes a esse período desenterrados de sítios arqueológicos. Os Takagura não eram apenas depósito de cereais, mas também templos onde as pessoas se reuniam na época da colheita para convidar oito milhões de deuses para um banquete. Assim, o Santuário de Ise transporta para hoje um estilo praticado em um passado de 2 mil anos no mínimo.

 


Vista interna do Santuário de Ise em Ise Sangu Meisho zue Vol. 5 (Livro 1) de 1797 – obra de Shitomi Kangetsu (1747-1797) [Wikimedia Commons]


 

O estilo arquitetônico do Santuário de Ise é altamente valorizado até por arquitetos dos tempos modernos. Bruno Taut, arquiteto alemão que visitou o templo principal do Santuário no período inicial da Era Showa (período de 1926 ~ 1989, quando o Japão era regido pelo imperador Hiroito)  comentou em seu diário escrito nessa época: “O Santuário de Ise é o verdadeiro Japão criativo. É a essência da cultura japonesa, uma criação clássica e genial mesmo do ponto de vista mundial.”

Taut descreve essas impressões em sua obra “Redescoberta da beleza do Japão”.

E também Kenzo Tange, arquiteto representativo do Japão que compilou a obra “Ise – forma original da beleza do Japão”, faz a seguinte apreciação:

“Surgirá porventura alguma outra forma como essa, que resistiu com essa precisão os anos de uma longa história? …. Pode-se dizer que todo o desenvolvimento da arquitetura japonesa parte de Ise. O tratamento natural dado aos materiais, a sensibilidade na proporção das formas, o senso de regularidade dos espaços, e em particular a fusão da arquitetura coma natureza, em suma, a tradição da arquitetura japonesa tem aqui a sua origem. … A poderosa criatividade dos antigos japoneses que construíram a forma de Ise encontra respaldo na própria energia da raça japonesa. A forma de Ise contém a substância dessa raça.” [1, p33]

 

O significado do ciclo de vinte anos

 

Construções de madeira feitas para durar mais de mil anos existem no Japão, a exemplo do Pagode de Cinco Andares de Horyuji. Havia no Japão antigo know-how suficiente para isso. Bastava substituir a palha da cobertura por telha, assentar as colunas sobre bases e protege-las com pintura de laca para se ter construções muito mais duradouras.

Mas os nossos ancestrais japoneses, obstinados, não quiseram modificar o estilo simples de coberturas de palha e a arquitetura Shinmei-zukuri de madeira não tratada. E para conservar essa forma, vieram recorrendo ao trabalho insano de reconstruí-la periodicamente em períodos predeterminados por mil e centenas de anos, com obstinada honestidade.

Vê-se nisso uma atitude de respeito profundo ao estilo tradicional estabelecido pelos ancestrais e ao mesmo tempo, a postura xintoísta que leva a considerar digno dos deuses uma habitação simples, nova e purificada. Esse procedimento peculiar no mundo todo, baseado na reconstrução periódica, representava o esforço de conciliação das condições contraditórias de tradição e renovação.

Para os marceneiros construtores do templo, que começam aos vinte anos de idade trabalhando como serventes, para aos 40 anos se tornarem profissionais plenos, e mestres aos 60, quando passam seus conhecimentos técnicos à geração seguinte, o ciclo de 20 anos adotado para o Sengu, ou seja, a transferência dos deuses para o novo templo, é o mais apropriado. Porém, até o período final da Era Kamakura (1185 ~ 1333), essa transferência se dava no início do vigésimo, ano e o ciclo de reconstrução propriamente dito era provavelmente de 19 anos, mas supõe-se que havia outras causas.

O calendário adotado na antiguidade é conhecido por calendário lunisolar. O mês se constituía de 29 dias e meio, obedecendo as fases da lua. Com isso, faltavam 11 dias para completar os 12 meses do ano solar. Essa diferença provocava desfasamento das estações. Para compensar essa defasagem, costumava-se introduzir um mês a mais por sete vezes em períodos de 19 anos. Assim, a cada 19 anos, o início do ano do calendário coincidia com o primeiro dia da primavera do ano solar. Os japoneses davam a esse período o nome de issho (literalmente, um capítulo).

Os japoneses têm por hábito realizar limpeza geral das suas residências no fim do ano para poder receber o ano novo em casa limpa, com esperança renovada no ano que se inicia. É de se presumir que os antigos japoneses tivessem o mesmo sentimento ao início de cada issho.

Receber o novo issho em um templo renovado, recém construído, seria para nós o mesmo, considerada a diferença de escala, que visitar o templo limpo e purificado no dia do Ano Novo para receber o ano que se inicia com o espírito purificado.

 

Culto prestado ao Santuário de Ise
por diferentes governantes da história

 

A transferência dos deuses para o novo templo em períodos de 20 anos foi regulamentada no ano de 690 pelo imperador Jito. No entanto, a reconstrução de recintos diversos, entre os quais os templos internos, externos e templos auxiliares além de muitos outros, e dos 1075 artigos de decoração de 107 espécies existentes no interior deles, entre os quais cortinas e toldos, e de 863 objetos sagrados de 53 espécies, tais como armas e instrumentos musicais, requeriam custo e trabalho enormes além de muita técnica. Nos meados da Era Heian, os custos referentes à administração de terras em posse das autoridades religiosas, que começavam a se espalhar, pressionavam as finanças do governo imperial, que ainda assim, reservava criteriosamente dos fundos do governo a verba necessária para cobrir os custos do Sengu (transferência de templo), e executava com rigor essa cerimônia.

Com a chegada do período de dominância dos samurais, o primeiro xogum Minamoto-no-Yoritomo, que instaurou o xogunato de Kamakura, deu toda proteção ao Santuário de Ise, devoto fervoroso que era desse Santuário. Chegou a declarar: “Embora digam que o território abrangido por sessenta ou mais estados do meu xogunato seja apertado, não deverá haver nele lugar que não pertença ao sagrado domínio do Santuário de Ise.” Procurou assim proteger as terras sagradas do Santuário e as cerimônias do Sengu foram religiosamente celebradas por oito vezes durante a Era Kamakura (1185 ~ 1333).

Durante a Era Muromachi seguinte (1336 ~1573), representada pelo xogunato do mesmo nome, seus sucessivos xoguns visitaram o Santuário por diversas vezes, tendo o oitavo xogum Yoshimasa ordenado aos estados que contribuíssem para o Sengu com arroz em lugar de mão-de-obra. Entretanto, a autoridade do xogum nessa época já se achava enfraquecida pelo conflito Niô-Bunmei (conflito que teve início no primeiro ano do Período Niô (1467) da Era Muromachi, e se estendeu até o 9º ano do período Bunmei (1477), dessa Era. Foi causado pela divergência entre os lordes Katsumoto Hosokawa e Sozen Yamana, influentes suseranos auxiliares do governo do xogum Yoshimasa, a respeito da escolha do sucessor do próprio Yoshimasa. O conflito resultante durou 10 anos e teve por palco principal Quioto, que foi reduzido a cinzas. Mas se estendeu por todo o país), e por isso, ninguém respeitou essa ordem.

A cerimônia do Sengu deixou de ser praticada por um período de cem anos, levando o Santuário à ruina. Foi um período crítico, de crise máxima de toda a história do Santuário.

 

As sacerdotisas que salvaram
o Santuário de Ise

 

O Santuário foi resgatado dessa crise por sacerdotisas de consciência. Uma delas, a santa Seijun, se entristeceu profundamente com o estado de ruína em que se encontravam tanto os templos internos como os externos do Santuário, em virtude dos mais de cem anos de interrupção da cerimônia do Sengu. E decidiu então reformar em primeiro lugar o templo externo para restaurar a cerimônia. Para isso, obteve em 1551 uma ordem escrita do Imperador Go-Nara (reinou de 1526 a 1557) , e em seguida, também do xogum Yoshiteru. Com essas ordens em mãos, a santa sacerdotisa procurou por 12 anos suseranos e poderosos do país inteiro para angariar donativos. A seriedade da sacerdotisa lhe trouxe muitos simpatizantes não só entre eles como também no seio do povo, e em 1563, conseguiu finalmente reconstruir o templo externo para a realização da cerimônia do Sengu, após quase 130 anos de interrupção.

A sucessora de Seijun foi a sacerdotisa Shuyô, que por sua vez tomou a decisão de reformar agora o templo interno. Ela também obteve do imperador uma ordem escrita e se pôs a recolher donativos. Por felicidade, Oda Nobunaga (poderoso general e xogum que estabeleceu um governo central e unificou o Japão. Um dos três heróis históricos do país. Nasceu em 1534 e faleceu prematuramente em 1583, assassinado por traição de Akechi Mitsuhide) e Toyotomi Hideyoshi (outro dos três heróis da história japonesa, nasceu em 1537. Iniciou como serviçal de Oda Nobunaga. Possuidor de inteligência e habilidade política, reconhecidas e apreciadas por Nobunaga, passou rapidamente por sucessivas promoções até ocupar a posição de comandante de um dos exércitos de Nobunaga. Com a morte dele, derrotou os rivais e se fez sucessor no cargo de xogum. Faleceu em 1598)  contribuíram com somas elevadas, e assim, conseguiu a reforma pretendida em 1585. A reforma do templo interno se completou após 124 anos de abandono.

Tanto Nobunaga como Hideyoshi eram devotos fervorosos do Santuário de Ise, e não se limitaram apenas em conceder donativos valiosos. Hideyoshi, por exemplo, considerou as terras de Uji e Yamada possessões do Santuário livres de impostos e sob administração exclusiva do Santuário. Essas medidas foram conservadas durante o xogunato de Tokugawa (o xogunato de Tokugawa foi iniciado por Tokugawa Ieyasu (1543 ~ 1616), o terceiro dos heróis da história japonesa e sucessor de Hideyoshi. O xogunato durou de 1603 até 1867, ano em que o último xogum do clã Tokugawa cedeu o governo ao imperador Meiji, dando início ao período de Restauração de Meiji, que terminou com o regime feudal no Japão. O xogunato de Tokugawa marcou a Era Edo) . Dessa forma, os custos do Sengu foram inteiramente assumidos pelo xogunato durante toda Era Edo. Assim, a cerimônia se realizou sem interrupção durante essa Era.

 

Sagrado Sengu,
multidões se comprimem

 

O ambiente social se estabilizara na época de Nobunaga e Hideyoshi. O povo transitava por toda parte com segurança, e em consequência, as visitas ao Santuário se intensificavam. Crônicas datadas de 934, dos meados da Era Heian, já registravam que “dez milhões de devotos de todas as classes” atenderam à cerimônia do Sengu. Em 1583, Luiz Fróis, missionário da Companhia de Jesus, escrevia em carta:

“A quantidade de peregrinos que de diversos estados do Japão acorrem aos pés da Suprema Divindade Amaterasu (Santuário – Amaterasu: Deusa do Sol (há quem diga que se trata de deus) cultuada no Santuário de Ise) é incrível … Homens e mulheres competem para visitar o templo. Dir-se-ia até que, para eles, quem não frequenta o Santuário de Ise não faz parte da humanidade.” [1, p210]

 


Amaterasu Omikami, a deusa do Sol saindo da caverna e trazendo novamente a luz para o universo. [Wikimedia Commons]


 

Entrando na Era Edo, essa tendência se fortalece cada vez mais. Cerca de 500 mil devotos acorriam ao Santuário todos os anos. Mais ainda, surtos explosivos de visitantes, conhecidos por “okagemairi”, começavam a ocorrer ciclicamente a cada 60 anos aproximadamente. Por exemplo, 3 milhões e centenas de visitantes em 50 dias em 1705, quase 5 milhões de visitantes, homens e mulheres, jovens e idosos em 5 meses em 1830.

Em outono de 1689, o poeta Basho (Matsuo Basho (1644 ~ 1694) – Um dos maiores mestres da poesia haikai) que completara sua viagem por Oku-no-hosomichi (roteiro conhecido por esse nome, percorrido por Basho, começa em Fukagawa, Tóquio, e segue em direção norte a Sendai, passando por Nikko, e dali a Hiraizumi, província de Iwate. Cruza o território japonês em direção ao Mar do Japão seguindo para Tsuruoka em Yamagata, depois para Niigata, Kanazawa, terminando em Ogaki, província de Gifu. O percurso, iniciado em março de 1968, foi de 2.400km e custou 150 dias para concluir. Basho publicou um diário da viagem em que incluiu diversos haikai, que fazem parte da antologia das suas obras primas), resolvia visitar em seguida o Santuário de Ise. Ele presenciou o Sengu do templo externo, e impressionado, compôs um haikai:

“Sagrado Sengu, multidões se comprimem”

Durante o período entre a Era Muromachi e a Era Edo, exorcistas conhecidos por onshi (mestre sagrado em tradução literal) costumavam circular pelas casas dos adeptos em diversas regiões distribuindo amuletos protetores. Dizem que na fase final da Era Edo, quase 90% das casas do Japão inteiro estavam recebendo esses amuletos.

A rede assim formada servia de estímulo para que peregrinos do país inteiro se dirigissem ao Santuário de Ise. Refeições e pouso estavam sendo concedido gratuitamente aos peregrinos.

 

O Sengu realizado
por donativos populares

 

O Sengu de 1869 – segundo ano da Era Meiji, vinha sendo preparado desde o final do xogunato. O governo Meiji não apenas deu continuidade a essas preparações como também procurou reconstruir o cercado ao redor do Santuário, reconstrução essa abandonada desde a Era Muromachi. O Santuário veio recebendo proteção do governo a partir de então. Com a derrota do Japão na Guerra do Pacífico em 1945 e a decretação pelas tropas de ocupação da política de separação do Estado da religião, o governo se viu impedido de suportar o Santuário de Ise.

Iniciou-se então imediatamente um movimento em âmbito nacional para recolher donativos entre a população. Seis milhões e quinhentas mil pessoas responderam ao movimento que resultou um total de contribuições de 500 milhões de ienes. E em outubro de 1953, com quatro anos de atraso, celebrou-se a cerimônia. E o festival de Hoshukusai (festival de consagração aos deuses da primeira colheita de cereais do ano) realizado no Santuário durante 50 dias foi atendido por mais de dois milhões de devotos.

A última cerimônia do Sengu foi a 61ª realizada em 1993, com 3 milhões e 700 mil ienes de contribuição. A próxima, ou seja, a 62ª será realizada em 2013. O movimento de angariação de coletas será iniciado efetivamente neste ano de 2005.

 

“Mas que construção pura e atraente!”

 

A construção de um novo templo é feita sob responsabilidade de marceneiros especialistas conhecidos por miyadaiku. Mas os japoneses têm a oportunidade de participar da fase preparatória, como por exemplo, da cerimônia do okibikizome, quando multidões arrastam com longas cordas enormes troncos de árvores derrubadas no interior do Monte Kiso. O espetáculo oferecido por dezenas de milhares de pessoas em happi (roupa simples, leve e curta, que protege o corpo até a altura do quadril) puxando a extensa corda ao ritmo enérgico ditado pelo kiyari  (cântico ritmado entoado por trabalhadores quando arrastam objetos pesados) é sem dúvida um cerimonial.

O povo participa também do Oshiraishimochi, a cerimônia de espalhamento de seixos brancos ao redor do templo reconstruído. Na cerimônia em que esteve o professor Issao Tokoro, autor da obra referenciada em [1], quase 120 mil pessoas se inscreveram e participaram. Diz ele que os participantes, jovens e idosos, se divertiam feito criança. Defronte ao templo com os seixos brancos em suas mãos, o professor ouviu o diálogo entre mocinhas perto dele:

“Uau, que enorme! Bem arejado, não? Dá vontade de tocar um pouquinho aquela coluna ali. Parece fofinha, como mochi. Ih, Deus castiga se disser essas coisas. Mas é bem diferente do que eu imaginei, pensei que fosse mais assustador. Que construção pura e atraente! Sim, os japoneses têm mesmo bom gosto.”

Certamente, Deus não castigará por ter dito “Uau, que enorme!” ou “Que construção pura e atraente!”. Mesmo porque a própria impressão de simples pureza e claridade transmitida pelo Santuário de Ise nada mais é que fruto dos mil e centenas de anos de honesta conservação da cerimônia do Sengu. E tem a ver com a “gratidão”, conforme Seigyô, com a “santidade”, conforme Basho e com a “unidade subjacente a todas as religiões”, conforme Toynbee. ❁

 


Capítulo extraído do livro Cultura Japonesa Volume 2.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Cultura Japonesa – Vol. 2
A história da Imigração Japonesa no Brasil

Edição: Editora Jornalística União Nikkey Ltda. – Jornal Nikkey Shimbun
Publicação: Biblioteca Jovem de São Paulo – Maio de 2016
Autores: Masaomi Ise, Koichi Kishimoto
Tradução: Shintaro Hayashi
Revisão português: Aldo Shiguti
ISBN: 978-85-66358-03-2

Todos os textos em português e japonês com furigana.

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