CULINÁRIA JAPONESA: Okonomiyaki: A “panqueca” japonesa de sabor e ingredientes únicos

Conhecida como “o irmão do takoyaki”, okonomiyaki tem como base receitas elaboradas em Tóquio (divulgação)

Desejado por muitas pessoas, durante o Festival do Japão – evento realizado anualmente pelo Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil) –, o okonomiyaki é uma atração culinária única, divulgada principalmente em eventos orientais como o prato típico das províncias de Osaka e Hiroshima, sendo popular tanto pela maneira de preparo realizada em chapas de metal quanto pelo seu gosto.
Sua montagem e sabor são comparados às refeições ocidentais, tais como: panqueca, omelete e pizza, devido à base da massa e o recheio que tornam a iguaria cada vez mais especiais. Transformando-a na receita ideal e perfeita a qualquer tipo de paladar, bastando a escolha apropriada de ingredientes.
Fácil, rápido e divertido de cozinhar, o okonomiyaki pode ser feito pelo próprio cliente quando requisitado em alguns restaurantes japoneses, exibindo a lógica por trás de seu nome e origem.

História do okonomiyaki
Conhecido também como o irmão do takoyaki (bolinho recheado com polvo frito ou grelhado), por causa de sua origem em Osaka e massa semelhante à de uma panqueca, o okonomiyaki possui uma história um pouco mais profunda, tendo como base receitas elaboradas em Tóquio.
Assim, embora tenha se popularizado apenas após a Segunda Guerra Mundial (1939 — 19451) como um alimento de baixo custo, foi durante a Era Edo (1683 — 1848) que iniciaram a produção do seu ancestral, o funoyaki, uma mistura grelhada de farinha com água servida juntamente com o chá e oferecida em rituais budistas. Após esse período, surgiram outras variações que alteravam seu sabor de salgado para doce e adicionava alguns ingredientes, como molhos que enriqueciam cada vez mais o prato que antes se tratava apenas de uma massa simples.
Com a chegada da guerra, houve também a escassez do arroz e o prejuízo econômico no Japão que provocou a necessidade de uma nova base alimentar: a farinha de trigo. Essa foi utilizada no okonomiyaki feito tanto em Osaka quanto em Hiroshima, que possibilitavam a inserção de ingredientes a partir da preferência de cada indivíduo. Logo sua denominação é justificada pelas palavras que o compõem: okonomi, traduzido por “o que você quer” ou “do seu desejo” e yaki, “frito” ou “grelhado”.
Famosa por seu nome e locais de origem, a receita sofre mudanças dependendo da cultura da província e do alimento acrescentado, se mostrando cada vez mais peculiar e exclusivo aos admiradores da gastronomia japonesa.

Fácil e rápido de cozinhar, o okonomiyaki é uma refeição versátil e dá margem a muitas receitas (divulgação)

Receita
A receita padrão do okonomiyaki pode ser dividida em pelo menos três partes: elaboração da massa, execução do molho e montagem, de modo que é algo simples de fazer e rende uma boa porção.

Execução do molho – Embora possa ser comprado pronto em mercearias orientais, o molho caseiro possui um sabor único facilmente modificável de acordo com a sua preferência. Assim muitos tendem a fazer, mesmo que comprar seja mais prático e pule algumas etapas do processo.
Para o preparo do molho, separe:

  • 1 ½ colher de sopa de açúcar;
  • 4 colheres de sopa de ketchup;
  • 3 ½ colheres de sopa de molho inglês;
  • 2 colheres de sopa de shoyu.

Em seguida, una todos os ingredientes em uma panela e misture antes de ir ao fogo. Ligue o fogo em temperatura média e continue mexendo até alcançar o ponto de fervura, após esse período o molho começará a engrossar. Desligue o fogão quando chegar numa densidade ideal e reserve até esfriar.

Elaboração da massa – Mais fácil que montar o okonomiyaki é fazer a sua massa, uma vez que só depende de juntar todos os ingredientes em uma vasilha e aguardar para a próxima fase. Então, tenha em mãos:

  • 120ml de farinha de trigo;
  • ¼ colher de chá de sal;
  • ¼ colher de chá de açúcar;
  • 180ml de água misturado com 1 colher de chá de dashi;
  • 4 ovos;
  • ½ repolho cortado fino;
  • 2 cebolas médicas bem picadas.

Montagem do okonomiyaki – Antes de realizar o processo de montagem, escolha os ingredientes que deseja em seu prato. Em sua maioria, são adicionados:

  • Bacon em tiras;
  • Maionese japonesa;
  • Nori em tiras finas;
  • Ovo frito;
  • Katsuobushi (conserva desidratada de peixe);
  • Cebolinha;
  • Frutos do mar;
  • Queijo.

A princípio, aqueça a frigideira com um pouco de óleo para então inserir parte da massa deixando cerca de 2 cm de altura. Enquanto um dos lados está em cozimento, adicione o bacon em tiras e tampe a panela por 2 minutos. Em seguida, vire a massa juntamente com o bacon e frite por aproximadamente 3 a 5 minutos.
Após esses processos, acrescente os demais ingredientes desejados e enfim sirva e consuma ainda quente.

Curiosidades sobre o okonomiyaki
O okonomiyaki, sendo uma refeição versátil, dá margem a uma infinidade de receitas, de modo que cada variação pode possuir uma denominação diferente de acordo com os ingredientes utilizados ou a província de origem.

Okonomiyaki das províncias – Ao tratar dessa receita difícil não pensar em três prefeituras que geram grande destaque como locais de origem da receita ou mesmo pela distinção que faz qualquer um salivar de vontade, são elas: Hiroshima, Osaka e Tóquio.
Essa alteração por região gerou nomes para diferenciar e facilitar a escolha na hora de pedir.

Hiroshima-fuu: é preparado inserindo uma fina camada de massa na chapa, seguida pelo acréscimo de ingredientes, como: bastante repolho, molhos, bacon e ovos, sendo frito ou grelhado em ambos os lados. Outra peculiaridade dessa receita é a presença de macarrão em alguns pratos, tudo vai depender da maneira do chef;

Kansai-fuu: originário de Osaka, é reconhecido pela massa macia e volumosa, contendo uma mistura de ingredientes, que é cozida ou grelhada e deve ser coberta por alguns condimentos da preferência do cliente. Sendo bem completo e não deixando a desejar;

Kantou-fuu: similar ao kansai-fuu, possui os ingredientes diretamente na massa, porém é menos volumoso, mais crocante e sua cobertura tende a ser mais simples, de modo a apresentar somente os molhos, maionese, cebolinha e o katsuobushi.

Ao visitar o Japão, o indicado mesmo é provar um pouco de todas as delícias gastronômicas do país e tirar a sua conclusão de qual sabor é o mais inesquecível. Assim, quem sabe, seja capaz de replicar a receita, embora dificilmente fique igual.

Outros nomes – m Osaka, você pode encontrar o okonomiyaki com o nome de butatama, contudo, essa não é uma das principais denominações que define o tipo de prato a ser servido, sendo elas:
Negiyaki: quando o repolho do okonomiyaki é substituído por cebolinhas;
Mondayaki: aquele constituído por macarrão, assim como é o caso de algumas receitas de Hiroshima;
Hashimaki: como imaginado, é o okonomiyaki enrolado num hashi, sendo mais fino e menos recheado que os demais.

Há ainda o okonomiyaki típico de festivais e eventos, conhecido por okonomiyaki de matsuri. Esse modelo é feito em grande quantidade, de forma que é estabelecido um padrão de ingredientes e modo de preparo com o intuito de facilitar e agilizar o processo.

No Japão, o okonomiyaki pode ser encontrando tanto em barracas de rua como em restaurantes (divulgação)

Restaurantes de okonomiyaki no Japão – Os okonomiyaki-ya são os restaurantes especializados nesse prato popular do Japão que é comparado às panquecas, pizzas e omeletes ocidentais. Pode ser visto como as famosas barracas de rua, chamadas por Yatai, ou estabelecimentos sofisticados.
Para esse tipo de refeição, há duas opções: fazer por conta própria ou observar o chef preparando, qualquer que seja a sua escolha, uma coisa é certa: os ingredientes serão de acordo com a sua preferência, diferentemente do que acontece em festivais.
Caso opte por cozinhar nas chapas disponibilizadas nas mesas, a massa já vem misturada com alguns ingredientes, facilitando a montagem e preparo pelos clientes. Logo bastará apenas mexer, inserir a massa na chapa para fritar e adicionar os demais condimentos.
Essa então é uma experiência única, simples, deliciosa e divertida que nenhum turista pode perder. E, se a pessoa não é capaz de viajar, então por que não tentar em casa? A vivência será diferente, mas o sabor com certeza valerá a pena.
(Mariana Kisaki)

Comentários
Loading...