COVID-19 NO JAPÃO: ‘Continuamos a buscar formas de garantir a aprendizagem das crianças’

Alunos da Escola Primária Meiji, no bairro de Koto-Ku, na capital japonesa (divulgação)

*Asahiro Kina

Conheça as medidas adotadas pelo diretor da Escola Primária Meiji, Koto-ku, de Tóquio, no enfrentamento da Covid-19

Introdução – Em março de 2020, no início da pandemia do novo coronavírus no Japão, o governo tomou a iniciativa de fechar temporariamente as escolas em todo o país, e muitos governos locais mantiveram as escolas fechadas até maio.
Desde que a escola foi totalmente reaberta – em 1º de junho de 2020 –, a 31 de janeiro de 2021, o número de alunos infectados com o coronavírus foi de 4.164 no Ensino Fundamental (Nota: o número total de alunos no Ensino Fundamental é de 6,3 milhões) (ver quadro 1). Destes, 1.432 apresentaram sintomas e a maioria das infecções foram através de “infecções domésticas”.
Não houve nenhum caso grave entre todos estes alunos, e o conhecimento de que “crianças têm menos probabilidade de evoluírem com gravidade”, parece correta. Mas isso não significa que estou aliviado. Isso ocorre porque as crianças podem infectar seus familiares, especialmente os idosos do grupo de risco. Além disso, as escolas onde as crianças se reúnem para atividades educacionais apresentam um alto risco de infecção. Surtos estão diretamente ligados à suspensão das atividades educacionais e levam ao risco no desempenho acadêmico.
Embora existam apenas 9 surtos com 10 ou mais infectados na escola primária, acreditamos que o lema “não deixar contagiar/não contagiar” desempenha um papel fundamental na prevenção da disseminação da infecção não apenas nas escolas, mas também na sociedade como um todo.
Após o fechamento temporário de cerca de três meses a partir de março do ano passado, a escola voltou para a sistema regular após um período de rodízio. Após a reabertura da escola, devido a tomada de medidas rigorosas contra a infecção, as atividades educacionais seguem sem novo fechamento.
Apresentarei a situação com foco nos esforços de nossa escola (Escola primária de Meiji, distrito de Koto, Tóquio).

1) Medidas de prevenção da infecção no ambiente escolar
(1) Evitar as três condições
Na escola, 30 a 40 alunos estudam na mesma sala de aula e realizam atividades conjuntas por um longo tempo, como aulas e merenda escolar. A base das medidas de prevenção do coronavírus é evitar as três condições (espaço fechado, aglomeração e contato próximo). No entanto, a escola onde muitas crianças se reúnem em uma sala de aula de cerca de 64 m2 já possui as três condições com alto risco de infecção. Portanto, abrimos as janelas e portas em duas direções para ventilar constantemente. Nossa escola também usa ventiladores para promover a troca do ar. Além disso, as carteiras dos alunos são separadas umas das outras para manter o distanciamento de cada aluno e evitar aglomeração. Tentamos não fazer atividades com os alunos aproximando suas cabeças, discutindo e colaborando para criar algo. Não foi tão difícil quanto o professor imaginava fazer com que os alunos se virassem e falassem sem ter que mover a carteira.
Fora da sala de aula, existem marcações no chão para evitar que ocorra aglomeração nos bebedouros, e limitar o número de pessoas a usar os equipamentos fixos do pátio da escola foram medidas tomadas. As crianças rapidamente se acostumaram a este estilo de vida (“uma nova forma de viver na escola”), pois estas medidas foram iniciadas desde o rodízio escolar em que metade da classe frequentava pela manhã e a outra pela tarde.

(2) Gestão completa da saúde
Os alunos passaram a se interessar mais pela sua saúde (condição física) devido às medidas contra o coronavírus. A medição da temperatura pela manhã e pela noite e a condição física do dia são preenchidas no cartão (ver Quadro 2) e entregue ao professor assim que chegam na escola. Se um aluno passar mal durante a aula, a temperatura é aferida com um termômetro sem contato que está sempre disponível na sala de aula e, havendo necessidade, o atendimento é feito na sala da enfermagem. Caso se observe febre, é levado para a segunda sala da enfermagem (sala de aula que normalmente está sem uso) onde fica isolado até que o responsável venha buscá-lo.
Se o aluno tiver febre um dia antes ou antes de ir para a escola, ou ainda estiver indisposto, recomendamos que aluno não frequente a escola. Neste caso, o comparecimento será suspenso como falta preventiva (não contando como falta). Toma-se as mesmas medidas quando um membro da família ou outro coabitante estiver com febre.

(3) Uso de máscara e lavagem das mãos
A prática de usar máscaras e lavar as mãos, que é uma medida preventiva disseminada em toda a sociedade, tem sido aplicada às crianças desde o fechamento temporário. Durante o calor do verão ou quando realiza exercícios extenuantes de educação física acontece, algumas vezes, de tirar a máscara mas basicamente em toda a atividade escolar se usa a máscara, excetuando a hora da refeição. Para as crianças que se esquecem da máscara na chegada à escola ou que sujaram, é possível solicitar na enfermaria que mantem em estoque. A merenda escolar não serve apenas para obter nutrientes, mas também é um momento para desfrutar da refeição. Porém, nessas circunstâncias, sendo proibido conversar com os colegas mesmo com a mesa separada e focar apenas em comer, acabou deixando de ser um momento prazeroso para as crianças. Ainda, mesmo nas aulas de música, é necessário cantar usando a máscara, e instrumentos musicais de sopro que liberam respingos são executados mantendo uma distância suficiente.
Sobre lavar as mãos, nós os incentivamos a lavar as mãos antes de entrar na sala de aula. Não foi difícil estabelecer o hábito comportamental de “lavar as mãos antes de entrar na sala de aula” (ver Quadro 3), como na hora de ir à escola ou após o intervalo. Porém, há também o problema estrutural de o número de torneiras ser pequeno para o número de crianças, assim sprays para desinfecção das mãos foram instalados nas salas de aula e usados ​​como auxiliares.

(4) Gestão de higiene escolar
Quando a escola foi reaberta, os professores e funcionários desinfetavam os locais onde os alunos mais tocavam, como as salas de aula e bebedouros. Esse trabalho diário acabou exaurindo a equipe. Depois disso, na nossa escola, voluntários da Associação de Pais e Mestres passaram a encarregar-se do trabalho de desinfecção depois das aulas, o que foi muito útil. Em nossa escola, as áreas comuns da sala de aula são limpas pelo professor, mas as carteiras e cadeiras são limpas pelos próprios alunos. As crianças trazem lenços umedecidos, limpam as carteiras e as cadeiras antes de ir embora. (Ver Quadro 4) As pias e os banheiros são limpos e desinfetados pelo zelador.

(5) Orientação de saúde
Quando a escola foi reaberta, a enfermeira da escola e a professora da sala colaboraram para fornecer informações para a compreensão do novo coronavírus. Não adianta apenas ter medo, sendo necessário entender o mecanismo da infecção e como funciona o sistema imunológico para evitá-la. O significado de lavar as mãos não é por se infectar através das mãos, mas o ato de tocar o rosto possibilita ao vírus infectar através da boca, nariz e olhos. Ainda, ensinaram que para aumentar a imunidade é necessário se alimentar, dormir e fazer exercícios adequadamente e também a importância de se levar uma vida saudável.
Ainda, como a discriminação contra pessoas infectadas e as equipes médicas havia se tornado um problema, promovemos a compreensão a partir da perspectiva da educação em direitos humanos. E a importância de se pensar racional e cientificamente foi repassada de acordo com o estágio de desenvolvimento da série.

(6) Gestão de saúde dos professores e funcionários
Assim como a saúde das crianças, a saúde de nossos professores e funcionários também é monitorada. Além de medir a temperatura pela manhã e à noite, a temperatura é aferida na chegada ao trabalho e registrada em um cartão de registro e entregue aos gestores. Ao se sentir mal ou estiver febril, tira-se folga. O mesmo se aplica quando um membro da família não estiver em boas condições físicas. Ainda, foi instruído a evitar saídas desnecessárias e sem urgência e a realizar refeições com várias pessoas. Embora haja o problema de interferir na vida particular, também serviu para reafirmar a posição como funcionário público da educação. Em particular, é necessário evitar, ao máximo, que professores e funcionários se tornem a fonte de infecção das crianças.

2) Medidas tomadas quando há uma pessoa infectada
(1) Infecção em crianças
Felizmente, até o momento em que escrevo aqui, não tivemos aluno infectado em nossa escola. Cada governo local define o que fazer quando as crianças são infectadas, mas aqui (distrito de Koto), as medidas tomadas são:
1) Os pais informam a escola o resultado positivo do teste PCR (considerando a data de início como 2 dias antes da confirmação, o período de suspensão da frequência é de 2 semanas).
2) A escola informa o Conselho de Educação.
3) O Conselho de Educação em cooperação com o Centro de Saúde faz a identificação das pessoas que tiveram contato próximo com a criança. Inicialmente, o Centro de Saúde visitava a escola e a escola era fechada excepcionalmente no dia seguinte para verificar a sala e definir o nível do contato, mas atualmente isto é feito por telefone, etc., sem necessidade do fechamento.
4) Os alunos identificados como contatos próximos ficarão duas semanas em quarentena, assim como o aluno infectado. Caso o aluno infectado tiver faltado preventivamente os 2 dias anteriores à data de início dos sintomas, não haverá ninguém considerado contato próximo e o impacto será reduzido. Também neste sentido, é importante faltar preventivamente se estiver se sentindo indisposto.

(2) Infecção de professores e funcionários
Basicamente, quando uma pessoa infectada aparece no corpo docente e na equipe, é o mesmo procedimento. Quanto ao professor e funcionário, que não estejam bem de saúde, a orientação é descansar preventivamente para evitar o contato próximo e minimizar o impacto na gestão escolar.

(3) Artifício para uma resposta rápida
Quando se identifica um infectado, é necessário determinar imediatamente as pessoas de contato próximo. Portanto, neste distrito, telefone celular foram entregues aos gestores, pela Diretoria de Educação, para comunicação aos sábados e domingos. O número foi informado aos pais, e o sistema é tal que uma ligação é feita para este celular quando da realização do teste PCR ou do agendamento. Além disso, existe um sistema de relatórios para o Conselho de Educação, mesmo aos sábados, domingos e à noite, e este sistema ajuda na prevenção e propagação da infecção.

Número de alunos infectados no Ensino Fundamental de agosto de 2020 a janeiro de 2021 (divulgação)

3) Medidas contra a infecção e a garantia da aprendizagem
(1) Garantia de aprendizagem durante o fechamento temporário
Durante o fechamento temporário em todo o país, de março até o final de maio, garantir a capacidade acadêmica das crianças tornou-se um grande problema. As escolas distribuíram materiais impressos para estudo em casa e vídeos de aulas foram enviados. O Ministério da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia também se desdobrou para garantir o aprendizado durante o este período criando um portal de apoio ao aprendizado, entre outras medidas.
Após o fim do fechamento temporário voltamos para a escola regular, com o objetivo de recuperar o currículo. Ao compactar o conteúdo curricular e priorizar a instrução, nos esforçamos para concluir o curso, incluindo a diminuição do período de férias. Atividades, como eventos esportivos, foram cancelados e a carga horária pôde ser garantida encurtando feriados prolongados, e agora que o final do ano fiscal foi alcançado, não houve necessidade de implementar o currículo, inclusive para os alunos do sexto ano.
1) Esforços da escola
Março é o último mês do ano letivo no Japão. É um momento importante para reforçar o aprendizado e conectar ao conteúdo do próximo ano. A perda daquele mês foi grande, mas durante esse período a escola trabalhou muito para ficar “conectada” às crianças. Em nossa escola, atualizamos o site três vezes por semana e postamos as atividades de estudo e o contato dos professores. Além disso, o professor fazia ligações regulares para verificar a saúde e se esforçou para cuidar também da saúde mental dos alunos. Outro problema para o estudo em casa foi o sedentarismo. E atividades simples como pular corda, foram indicadas para que as crianças pudessem se exercitar.
Como o fechamento temporário continuou no novo ano letivo a partir de abril, continuamos a postar informações em nosso site. Informações sobre a mudança de classe, documentos a serem apresentados, livros didáticos, etc. foram entregues aos pais em data e hora determinadas. Criamos um guia de aprendizado minucioso para que o aluno pudesse acompanhar o conteúdo de casa.
2) Ações do Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia no Japão
Este é um vídeo feito pela Embaixada do Japão no Brasil, que apresenta as ações. Assista no canal do Youtube.

(2) Garantia de aprendizagem dos infectados
Se as crianças forem infectadas ou tiverem contato próximo, a frequência será suspensa por 2 semanas. Em princípio, este distrito toma as seguintes medidas para garantir a capacidade acadêmica quando não houver sintomas específicos e o aluno estiver em boas condições de saúde:
1) O professor encaminha diariamente o conteúdo das aulas. Se possível, envia materiais de aprendizagem e solicita que os executem.
2) Faz participar das aulas remotamente (participar parcialmente, não o dia todo). Além disso, PCs da escola e roteadores WI-FI são alugados para residências sem PCs e ambientes de comunicação.

Para finalizar – Embora a vacinação esteja progredindo, a escola continuará a operar com a mais alta prioridade na saúde e segurança das crianças e professores. Isso significa que não é possível voltar ao cotidiano anterior e estamos procurando a gestão escolar em época “with-corona”. Ao estabelecer um novo estilo de vida para a escola, continuamos a buscar formas de garantir a aprendizagem das crianças.

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