COMUNIDADE OKINAWANA: Manutenção da sede e preservação da cultura uchinanchu são os focos de Ritsutada Takara

Assembleia Geral da Associação Okinawa Kenjin do BrasilCentro Cultural Okinawa do Brasil reuniu 77 participantes (arquivo pessoal)

Se já foi um desafio para Milton Sadao Uehara, que teve como antecessor Eiki Shimabukluro – uma referência não só na comunidade okinawana como também na comunidade nikkei em geral – e praticamente todo o segundo ano de seu mandato teve que enfrentar e se adaptar à pandemia, para Ritutada Takara as responsabilidades não serão menores. Eleito em Assembleia Geral da Associação Okinawa Kenjin do Brasil/Centro Cultural Okinawa do Brasil realizada de forma virtual no dia 21 de fevereiro, o nissei Ritsutada Takara, de 65 anos, tomou posse no dia 1º de março já ciente das dificuldades que terá pela frente.
Para superá-las, espera contar com uma equipe de ponta, formada por nomes experientes (veja box) aliada à força dos jovens. “É preciso levar em conta que ainda estamos respeitando o distanciamento social e que as atividades que por certo vierem a ser realizadas, ainda serão online”, disse Takara em entrevista ao Jornal Nippak.
Natural da cidade paulista de Olímpia (distante 429 quilômetros da Capital), Ritsutada Takara também espera contar com a experiência adquirida não só na AOKB/CCOB, onde foi o 5º vice-presidente na gestão de Sadao Uehara mas também como presidente da Associação Okinawa de Santa Maria, onde foi mandatário no biênio 2018-2019.
Como todas os kenjinkais, associações, instituições, entidades e clubes, a AOKB e o CCOB também depende de recursos para se manter. “E esses recursos estão cada vez mais escassos”, diz Takara, que acrescenta: “A questão é como buscar esses recursos”. Para ele, uma alternativa – se não a única no momento – são os eventos online, como a ação entre amigos.

Ritsutada Takara foi eleito o novo presidente da AOKBCCOB (arquivo pessoal)

Preservação da cultura – A manutenção da sede e o constante diálogo com os shibus – são 38 subsedes espalhadas pelo território brasileiro – não são as únicas preocupações que a nova diretoria terá nos próximos dois anos. A preservação e a divulgação da cultura uchinanchu, principalmente entre os mais jovens, também deve merecer uma atenção especial. “A cultura okinawana é muito rica e queremos convidar cada vez mais os jovens para participar das nossas atividades”, disse Takara, explicando que uma das formas de envolver as novas gerações é focar em eventos voltados para essas faixas etárias – crianças e jovens – com o intuito de despertar o interesse em função da idade.
Ele cita como exemplo o Sanshin no Hi (Dia do Sanshin), comemorado agora no dia 4 de março e que conta com uma participação muito grande jovens. “Hoje, outro chamariz para as crianças é o taikô, que envolve não só música como também a dança, o que acaba provocando um grande interesse das novas gerações”, diz Ritsutada, afirmando que ainda pretende fazer um levantamento em quantos shibus o taiko e o sanshin estão presentes.
“Apesar de terem se modernizado ao longo dos anos, não podemos nunca nos esquecer do clássico. Mas devemos acompanhar a modernidade e os jovens têm um papel muito importante nisso”, conta o presidente, que também quer mesclar a força dos jovens com a sabedoria e conhecimento dos mais experientes.

Sadao Uehara: “Agora quero retribuir tudo que recebi” (arquivo pessoal)

Balanço – Para seu antecessor, Milton Sadao Uehara, foram “dois anos distintos de mandato”. “No primeiro ano conseguimos realizar razoavelmente o que foi planejado e os eventos aconteceram dentro da normalidade”, lembra Sadao. Entre outras atividades a AOKB/CCOB realizou, em dezembro de 2019, a primeira edição do Chibariyoo Uchina – evento beneficente em prol da reconstrução do Castelo de Shuri, o Uchinanchu no Hi (Dia do Uchinanchu), em outubro, com o espetáculo “Lun Lun Baloon” e a Festa dos 25 Anos do Ryukyu Buyo Kyokai, em março do mesmo ano, além do Kyodo Matsuri/Miss Ryuso.
“O segundo ano também começou dentro do planejado, mas depois veio a pandemia e tivemos que cancelar todos os eventos presenciais, mas assim mesmo ainda conseguimos realizar dois de forma virtual, a Ação Entre Amigos e o Uchinanchu no Hi, que teve venda de comida pelo sistema delivery. “Com isso, conseguimos fechar razoavelmente bem”, conta Sadao, acrescentando que foi “desafiador” ter que suceder uma referência como Eiki Shimabukuro na presidência da AOKB/CCOB. “Com a ajuda e compreensão de todos conseguimos superar as dificuldades. Agora, quero retribuir tudo que recebi”, disse Sadao Uehara, que citou o apoio imprescindível do Urizun – Círculo de Ex-Bolsistas de Okinawa.

Diretoria Executiva da AOKB/CCOB Biênio 2021/2022
Presidente: Ritsutada Takara
1º Vice-Presidente: Tério Uehara
2º Vice-Presidente: Takeyoshi Teruya
3º Vice-Presidente: Rui Chibana
4º Vice-Presidente: Nobuo Morita
5º Vice-Presidente: Tatsuo Kamiya
6º Vice-Presidente: Gilmar Higa
1º Tesoureiro: Yukio Higa
2º Tesoureiro: Luiz Narimatsu
Secretário (português): Sergio Kohatsu
Secretário (japonês): Roy Tomori
Conselho Fiscal: Shinko Matsumoto (Shibu São Caetano do Sul), Roberto Massao Uehara (Shibu Patriarca), Tomio Jerri Gushiken (Shibu Santo André)
Conselho Fiscal – Suplentes: Tiokei Ahagon (Shibu Vila Alpina), Walter Yogui (Shibu Santa Maria), Noé Hidehiro Nagata (Shibu Miracatu), Shigueyuki Miyashiro (Shibu Vila Alpina), Leonardo H. Tibana (Shibu Vila Alpina)

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