COMIDA JAPONESA: Variedades japonesas que nem sempre são originárias do Japão

Atualmente, o estilo de vida almejado está associado à busca pela melhor qualidade de vida, saúde e bem-estar, de modo a provocar alterações em toda rotina de inúmeras pessoas que antigamente viam na comida apenas um meio de sobrevivência e degustação. Assim diversos hábitos e fatores têm sido adicionados ao dia a dia de quem deseja viver bem, como por exemplo: exercícios físicos diários, boas noites de sono e comida japonesa para o lazer com amigos e familiares.
Antes mesmo de qualquer um perceber, a gastronomia do Japão foi conquistando os paladares ocidentais, uma vez que garante um corpo mais saudável, ao mesmo passo que proporciona boas experiências ao paladar.
Apesar disso, uma verdade, que apenas alguns indivíduos conhecem, deve ser dita sobre essa questão: nem todo alimento disponibilizado em restaurantes japoneses são originários do Japão. Até porque muitos pratos são modificados de maneira a se adaptar às preferências ocidentais, embora suas comidas e ingredientes mais tracionais se mantenham intactos.

Conquista da comida japonesa no Brasil
A história da comida japonesa no Brasil começou ainda no início do século XX, momento em que a produção do café estava em alta, o país necessitava de mão-de-obra, o Japão desejava maneiras de resolver a questão do crescimento demográfico, e muitos estrangeiros chegavam em solo brasileiro com a ideia de trabalhar, enriquecer e voltar à terra natal — algo que dificilmente acontecia, já que os salários não acompanhavam os lucros da cafeicultura.
Em 1908, a gastronomia do Japão surgiu pela primeira vez aos brasileiros, vinda a partir dos primeiros imigrantes japoneses que tentavam manter em suas refeições o shiro gohan (arroz branco), missoshiru (sopa de missô), tsukemono (alimento em conserva) e o peixe, já que muitos tiveram dificuldades de se acostumar à alimentação brasileira composta por arroz temperado, feijão e carne, sendo menos comum o consumo de peixes, frutas e legumes. O problema, porém, estava na ausência dos ingredientes para as receitas nipônicas, os fazendo elaborar comidas mais leves a partir do que era oferecido, como o bacalhau na brasa e conservas com picles de mamão.
Percebendo a situação financeira precária de vários orientais no Brasil, o governo japonês auxiliou com a criação de colônias agrícolas, proporcionando uma vida melhor a diversas famílias, construindo escolas, enviando frutos, legumes e verduras inexistentes no local e revigorando terras consideradas inférteis.
A partir de então, os imigrantes do Japão passaram a produzir seus ingredientes e alimentos que se tornaram populares entre os brasileiros apenas em 1990, ano em que muitas pessoas começaram a se importar mais com questões de saúde, além da inauguração do primeiro rodízio de sushi no país, em 1997.

5 Pratos japoneses que não são originários do Japão
Considerado o país que abriga o maior número de japoneses fora do Japão, o Brasil é o local em que não se pode faltar comida japonesa. Fato expresso em estatísticas divulgadas pela Abresi (Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo) que afirmam que há mais restaurantes japoneses que churrascarias no estado de São Paulo.
Apesar disso, muitos pratos são apenas inspirados em alimentos do Japão, visto que foram modificados para se adequar aos gostos e jeitinhos brasileiros, repletos de muito sabor, tempero e criatividade, deixando um pouco de lado a ideia principal referente à refeição saudável.

Hot roll

O hot roll é uma criação brasileira e há os que torcem o nariz

O hot roll, ou sushi empanado, é o arroz japonês acompanhado de sashimi (peixe cru), enrolado no nori (alga marinha desidratada), coberto por farinha e frito para a produção de mais crocância.
Seu país de origem é o Brasil. E, embora seja um prato interessante, há quem se ofenda ou o considere inadequado, pois, ao fritar, as essências da alga e do peixe são perdidas, diminuindo seus encantos paliativos e seus nutrientes. Mas, aos menos tradicionais, certamente é uma refeição que não pode ser deixada de lado em seus pedidos.

Sushi Filadélfia
O sushi Filadélfia é a famosa peça composta por cream cheese, ingrediente que tem se tornado comum até mesmo nos temakis, assim como outros alimentos: couve frita, manga, cebolinha, tomate e outros tipos de peixes menos comuns no Japão.
Há quem pense que essa modificação ocorreu apenas como modo de agradar ao paladar brasileiro, contudo muito disso também surgiu como forma de substituir itens japoneses não encontrados no Brasil. Um exemplo disso foi o uso da manga no lugar do abacate.

Pizza de sushi

(Poke Burri)

Para não perder o costume da versatilidade dessa refeição da gastronomia italiana, não podia faltar a pizza de sushi, criada pela primeira vez pela Poke Burri, em Atlanta.
Em sua borda são apresentados os populares hossomakis (sushis de arroz e outro ingrediente — pepino, kani, salmão — envoltos por nori), o que seria a massa é formada pelo nori e arroz, enquanto que seu recheio vai de tudo que há em sushis e temakis, desde os peixes crus às couves, cream cheese, frutas e legumes.

Sushi doce
O sushi doce com certeza é uma invenção para os paladares mais abrasileirados, uma vez que seu início pode ter como explicação a junção de comida japonesa com culinária mineira, visto principalmente nos sushis de romeu e julieta, considerado um dos mais desejados.

Temaki no copo

(Potemaki)

A questão das comidas no copo tem crescido a cada ano, conquistando diversos brasileiros que veem nesse tipo de alimento um meio simples, criativo e diferente de degustação, de maneira que é possível encontrar bolos, doces, coxinhas e, agora, o temaki no copo ou pote, inventado em 2016, por André Cardoso da Silva, dono do Potemaki (SP).
Não bastando, o empresário ainda passou a vender yakissoba e ceviche nesses recipientes, gerando grande popularidade que deu ideia a outro empresário, Ronnaldo Fernandes Costa Filho, para a elaboração do acarajé de sushi, chamado também de acaramaki.
Assim a comida japonesa tem se mostrado versátil e moderna, se adaptando ao paladar de muitas pessoas e dando margem à criatividade de inúmeros chefs de todos os países. Apesar disso, aos amantes da gastronomia tradicional, é difícil aceitar tamanha alteração que, por vezes, de nada tem a ver com a culinária do Japão. Logo a parte que aceitam está mais relacionada às poucas mudanças que trocam o adocicado por um tempero mais salgado.
De qualquer modo, entre uma iguaria ou outra, se transformou num tipo de refeição adequada aos mais variados estilos de vida e gostos, sendo exatamente o que o cliente de cada local deseja, ou seja, um misto de alimentação saudável e saborosa.
(Mariana Kisaki)

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