CANTO DO BACURI > Mari Satake: Perda de tempo?

Novamente, final de ano. Segunda quinzena do mês de novembro que neste 2021, tem se apresentado friozinho, na maior parte dos dias. Por aqui, os afazeres habituais desta época do ano. Não. Não estou animada mas, como sempre, farei o que for necessário. E de cara alegre. Só não farei se acontecer alguma tragédia pessoal, que espero, mantenha-se bem distante de meu entorno. Aliás, ultimamente, apesar de toda falta de sensatez que nos cerca, não permito que as circunstâncias que nos tem sido imposta estraguem meus dias. Não, mesmo!
Vivemos tempos difíceis. De repente, fomos pegos de surpresa e de um dia para outro, tivemos que mudar nossa forma de viver. No início, pensávamos que nossa vida em suspenso duraria cerca de 60, 90 dias. Mas não, não foi o que aconteceu. Vinte e um meses depois daquele março de 2020, continuamos na incerteza. Com o tempo, fomos aprendendo a conviver com o vírus fantasma. Ainda vivemos reclusos. Já não nos encontramos com tanta frequência com nossos parentes ou amigos. Dos parceiros de atividades que fazíamos em grupo, apenas notícias ou nem mesmo isso. Hoje, apesar de vacinados e muitos até com a dose de reforço, nossos encontros são esporádicos e quando nos encontramos obedecemos a todos os quesitos dos protocolos de segurança.
Daqui para frente, é possível que tenhamos um novo normal. Abraços e beijos só mascarados. E, se for possível, melhor evitá-los. Tubos de álcool em gel, frascos de spray com álcool 70 ou outro desinfetante qualquer serão nossos novos adereços. Nossas salas de cinemas e teatros deverão ser remodeladas com poltronas guardando maior distância entre si e com sistemas de ar que realmente renovam o ar interno. Ou então, que tal voltarmos aos tempos dis espetáculos ao ar livre?
Bobagens ou não à parte, o que percebo é o quanto estes dias pandêmicos tem afetado nossas vidas e questionamentos.
Dia desses fui pega de surpresa. Numa das costumeiras conversas ao telefone, e já no final, a amiga dos velhos anos de juventude, falou-me de sua constante sensação de perda de tempo que a acompanha. Angustiada, disse que não desejava desenvolver a questão ali naquela conversa telefônica, mas sim num próximo encontro presencial. Naquele momento, pude apenas concordar, de fato, nos encontraremos. De minha parte, confesso, não sei a razão ou as razões desta sensação de perda de tempo a que se refere a querida amiga. Penso porém que nenhum de nós, simples mortais, estamos imunes a esta sensação em algum momento ou situação em nossas vidas. Ainda mais, vivendo em tempos em que prevalece a lógica da mais valia. A lógica do dinheiro e do sair-se bem em tudo.
Lógica esta que vem dando claras demonstrações de que precisa urgentemente ser revista. Estão aí os números resultantes da pandemia, aliás o próprio vírus e as alterações climáticas que sofre o planeta.
Na realidade, estamos todos perdendo o tempo. É possível que ainda haja tempo para que a humanidade prevaleça.

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