CANTO DO BACURI > Mari Satake: Finados de 21

Primavera gelada. Novembro chegou, mais alguns dias e o triste ano acaba.
Por aqui, vamos seguindo com nossas vidas. Vacinados e ainda mascarados. Nossas saídas de casa ainda se limitam às visitas aos consultórios médicos e dentários, supermercados e lojas para compras de pequenas coisas necessárias à nossa sobrevivência. Vez ou outra saímos para fazer algo diferente, mas sempre obedecendo aos protocolos da boa convivência destes tempos pandêmicos.
Comecei o mês de novembro de forma inusitada. Dia primeiro, saí de casa logo após o anoitecer. Conforme seguia pelas ruas, fui percebendo uma agradável sensação. Era eu mesma, me reconhecia ali. Saindo de noite como nos tempos de antes da pandemia, apesar da máscara.
Mas desta vez não estava indo encontrar com ninguém em especial. Nenhum amigo ou amiga. Nenhum familiar. Estava apenas atendendo a uma crença que aprendi a ter desde os tempos de minha infância. Aprendi que o dia dos mortos é o dia do silêncio, do recolhimento. Silêncio e recolhimento que sempre começa no dia anterior. E este ano, resolvi assistir presencialmente à cerimônia aos antepassados no templo budista que gosto de frequentar.
Estar ali no templo, no meio daquelas lanternas iluminadas simbolizando a homenagem das pessoas aos seus antepassados reforçou mais uma vez a crença de que não importam as mazelas a que somos submetidos em vida, nem tampouco os supostos erros ou acertos de nossas escolhas, há algo muito maior a ser observado. Se erros foram cometidos, é necessário que se promova o acerto. Pela própria vida. Se a vida nos foi dada, só nos cabe preservá-la da melhor forma que nos for possível. Estarmos vivos para manter a vida, é a lei.
Não sabemos o que teremos ainda a enfrentar, pelo andar da carruagem, dias muito difíceis teremos ainda adiante.
É muito triste constatar, dias felizes e prósperos foram vividos no país e, no entanto, grande parcela da população, beneficiária das benesses oferecidas, resolveu voltar suas costas às políticas vigentes da época, deixando-se levar por discursos oportunistas e mentirosos. Fizeram sua escolha. Erradamente. Hoje colhem os resultados. Já nem é necessário citá-los. Todos já sabemos e sentimos o que ocorreu e continua ocorrendo por aqui.
As inúmeras mortes ocorridas nestes dois anos pandêmicos serão suficientes para que esta parcela da população caia em si e reconheça seu erro? Ou outra vez cairão no mesmo erro, deixando-se levar pelas notícias falsas e caluniosas contra aqueles que visam ao bem da população e não apenas aos seus interesses mesquinhos?
Veremos. A corrida em busca dos votos em 2022, já se articula. O que vencerá? A vida ou continuará a prevalecer a apologia à morte?

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