CANTO DO BACURI > Mari Satake: Data histórica, 8 de março de 2021

Ontem foi 8 de março. Pelo que me lembro, desde o início da minha vida profissional, nesta data, era sempre comum ver os nossos colegas de trabalho nos cumprimentando pela data comemorativa para a qual eu nunca dava muita atenção. Aliás, com data comemorativa quase nenhuma eu me abalava. Um dia, numa daquelas reuniões extra trabalho com colegas da categoria profissional da empresa, solicitaram-me um texto alusivo à data. Foi a minha estreia em periódicos.
E ontem, vendo as mensagens alusivas à data, lembrei-me daqueles distantes dias. Com saudade. Também com muita tristeza pela dura realidade que nos cerca hoje. Lembrando do texto de então, pensei nos dados estatísticos que diziam respeito a presença das mulheres ali naquele contexto. Era até com certo orgulho que discorria sobre aqueles dados, nas minhas análises embutia esperança de melhorias mas também apontava o quanto havia ainda a se alcançar.
Saindo daquela distante bolha, transportando-me para estes dias pandêmicos olhando para um panorama mais geral e mesmo sem me ater a dados estatísticos é fácil verificar que ser mulher no país continua sendo tarefa difícil. Quando empregadas, as mulheres continuam ganhando menos que os homens, apesar de apresentarem maior índice de escolaridade. No que diz respeito à ocupação de cargos de gerência ou postos mais avançados nas hierarquias das empresas, os homens continuam à frente. Mulheres que trabalham fora continuam com jornada dupla, muitas vezes, tripla. Dentro de suas próprias casas, as mulheres continuam sofrendo violências de toda sorte culminando muitas vezes em mortes. Os números dos feminicídios ocorridos no país durante os primeiros meses da pandemia em 2020 são preocupantes, vergonhosos. Em meio ao turbilhão de fatos relacionados à condição feminina atual no país e diante do descaso como vem sendo tratada a questão do corona vírus e com o número de mortes nos últimos dias chegando perto de duas mil mortes diárias, pensar sobre o Dia da Mulher deste 2021 não estava sendo nada fácil. Eis que chega aos meus ouvidos a boa notícia, ministro do STF, Edson Fachin, decidiu anular todas as condenações feitas ao ex-presidente Lula no processo da Lava Jato. Foi uma das melhores notícias que tivemos nos últimos tempos. A feliz emoção se sobrepôs, apesar de toda a cautela em nossas considerações.
A esta altura dos acontecimentos muitos fatos relativos ao ato do ministro se sucederam. Muitas falas de juristas, jornalistas e cidadãos interessados na retomada de um país mais igualitário a toda a população, também se fizeram ouvir. A realidade no país continua sendo trágica, continuamos todos condenados à morte pelo vírus letal. Os que podem ficar em casa, ficam. Continuam. Mas há aqueles que devido à falta de assistência são obrigados a sair para as ruas em busca do pão de cada dia. Felizmente, as coisas estão se movendo. Nos últimos dias, na semana passada, já tivemos a notícia de que governadores vinham se reunindo em busca de medidas protetivas para a população, como por exemplo, compra de mais vacinas, fechamento de fronteiras nos próximos dias, entre outras.
Agora, volta-nos a esperança. Sabemos que há muito a ser feito para reparar os imensos danos causados ao pais. Dias melhores voltaremos a viver.

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