CANTO DO BACURI > Mari Satake: A manifestação

Também nesta última, 2 de outubro, não compareci às ruas. Até a véspera, estava determinada. Desta vez, iria me juntar aos demais. Até havia combinado com a velha amiga Celeste, amiga das tantas outras idas às praças e avenidas, iríamos nos encontrar em determinado local e horário. Só que não. Dois de outubro chegou. Também aquela velha conhecida, a quem muitas vezes quero não enxergar, chegou. Na realidade, ela me cercava já há alguns dias e não havia me dado conta. Falo de dona Prudência. Desta vez, precisou chegar com toda a sua força. Precisou se materializar no corpo para que eu me desse conta da minha condição de indivíduo ainda em tratamento médico.
Enfim, ainda estava a tempo de avisar que não iria.
Fiquei em casa. Cuidando da alimentação diária, dos exercícios físicos e mentais. Ultimamente é só o que faço, cuidar de mim. Triste é que muitas vezes, a noite chega e percebo que algumas coisas que pretendia fazer, ficaram para trás. Mas, tudo bem. É uma fase. Devo aproveitá-la e me cuidar, talvez este período de recolhimento seja um período de preparação para algo novo que virá. Ou não também. O que sabemos do amanhã?
Ontem falei com Celeste, queria saber se tinha algum filme para sugerir. Sim. Até ela aderiu aos filmes em casa. Fazer o quê? Já não podemos frequentar as salas de cinema.
Falei de Samba, um dos últimos que assisti. Samba é um filme de 2014, dos mesmos diretores de Intocáveis, Eric Toledano e Olivier Nakache com o ator, Omar Sy, também ator de Intocáveis. Em Samba temos uma executiva estressada em tratamento de saúde e um senegalês que vive há dez anos na França sem a documentação necessária para tornar a sua permanência legal no país. Porém, muito além das questões relacionadas aos personagens mencionados, vemos ali um aspecto das condições de trabalho da atualidade francesa. Há trabalhos a serem executados mas quem os executa? Normalmente migrantes. É em torno desta questão que gira a história.
Logo que termino minha fala, Celeste pergunta se já ouvi falar de Nduduzo Siba. Não. Nunca ouvi falar.
Pois bem, fui em busca de informações.
É uma multiartista sul-africana de voz belíssima, que vive em São Paulo há 8 anos e aqui quer viver. Dona de uma singular história, encontra-se desde setembro deste triste 2021, sob sério risco de ser expulsa do país. Também aqui no país temos o drama dos migrantes que para cá vieram em anos anteriores recentes em busca de alguma possibilidade de melhor vida que em seus países de origem. Agora, nestes tempos de violação de direitos a que estamos todos submetidos, muitos são os dramas vividos por esta parcela da população. Por ora, apenas a solidariedade.
A fase ruim que vivemos há de passar.

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