CANTO DO BACURI > Mari Satake: 2021, salve!

Janeiro trágico. Terrivelmente preocupante. Aqui estamos, melhor dizendo, aqui continuamos. Isolados em nossas casas.
Mas agora o recolhimento já não é tão severo como no inicio da pandemia. Há o tratamento dentário, as compras dos alimentos, a consulta médica semestral para controle e seus eventuais exames. As saídas são essas, não mais que essas.
E quando saímos, só com o carro particular. Sempre mascarados. Máscaras de vários feitios. Caseiras, industrializadas. Brancas, pretas, vermelhas, estampadas, listradas. Uma infinidade de materiais e modelos. Caros ou baratos. Deveriam cobrir nariz e boca. Não é assim que muitos usam. Elas podem estar penduradas nos pulsos, nos pescoços, nas testas. Outros mais caprichosos dobram e estrategicamente as guardam nos bolsos de suas roupas, bem à mão para facilitar a colocação no rosto, caso cobrados por alguém.
Em nossos lares, cuidamos do tempo. Ora abundante, ora escasso. aprendemos e passamos a fazer coisas que em outros tempos, não imaginaríamos. Em nossas cozinhas, pães de lenta fermentação natural, comidinhas outras do dia a dia, picles à moda antiga como nem sabíamos, assim eram feitos. Mas também, nem só de cozinha e comida queremos nos ocupar. Há a temporada em que queremos distância das panelas, água e fogo. A pele das mãos se irrita com o plástico das luvas, se irrita com a água a todo instante. Nestes momentos, o melhor é nos voltarmos às outras artes. No inverno, tiramos do baú, os novelos de lã e agulhas e passamos a tecer. Lentamente. Coletes e blusas que ficaram inacabadas e agora restam esquecidas pedindo para voltarem ao esconderijo no baú dos guardados. Talvez até o próximo inverno. Quem sabe? Depois, foram as linhas coloridas. Para se lembrar da infância, quando a mãe a colocava para bordar por algumas horas do dia. Também passou. Nem lã, nem linhas. Há também os papéis, as tintas e pincéis a serem muito usados nos dias da pandemia, só que nem tanto assim. Há aquela fila de livros que aguardavam o momento de sua apreciação. A fila diminuiu, mas tantos outros permanecem à espera.
Um ano inteiro se passou. E continuamos aqui, reclusos. Vivendo um dia de cada vez. Sem grandes expectativas ou ansiedades. Algum otimista disse que este seria o ano da Esperança.
Pensando um pouco, todo final e começo de ano novo, o que mais fazemos é nos encher de esperança para que tenhamos dias bons e tranquilos com saúde e harmonia. Também agora. Apesar de todo o descaso com que a população tem sido tratada pelo indivíduo ali colocado para cuidar do país, de nossa parte, quando ainda nos resta bom senso e dignidade, é preciso fortalecer este desejo de dias bons com muita saúde e harmonia a todos. Vamos zelar pela nossa saúde e a de nossos. E neste momento, é preciso ainda manter o isolamento social, o uso de máscaras e a higienização das mãos sempre!
Vamos continuar nos cuidando! Dias melhores virão.

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