BUNKYO/ELEIÇÕES: Candidato à reeleição, Renato Ishikawa quer ‘consolidar projetos’ e ‘preparar um sucessor’

“Gostaria muito de ver consolidado este projeto de relacionamento que iniciei”, diz Renato Ishikawa (arquivo)

Encerrada a primeira etapa do processo eleitoral – a renovação de metade do Conselho Deliberativo – as atenções da Comissão Eleitoral do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – se voltam agora para o dia 24 de abril, data da 158ª Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo. Em pauta, a eleição dos dirigentes do Conselho Deliberativo e da Diretoria Executiva para os próximos dois anos (2021-2023). Interessados em concorrer à sucessão do atual mandatário da principal entidade representativa da comunidade nipo-brasileira tem até o dia 14 deste mês para inscrever sua chapa (além de presidente é preciso constar os nomes de sete vice-presidentes, secretário geral e tesoureiro geral, além dos membros do Conselho Fiscal).
Por enquanto, pelo que apurou o Jornal Nippak, a única certeza é que o atual presidente, Renato Ishikawa, tentará se reeleger. Aos 82 anos de idade, empresário bem sucedido – comanda atualmente a CNL Empreendimentos Imobiliários – construtora e incorporadora de grande renome em Alphaville, em Barueri (SP) – e a Fazenda Aliança, em São João da Boa Vista (SP), voltada à produção de cafés especiais e gado de corte, além de profissional com uma trajetória vitoriosa por onde passou – foi o primeiro nikkei a assumir a presidência da NEC do Brasil, onde permaneceu até 2002,depois de trabalhar em renomadas empresas multinacionais – Renato Ishikawa também conquistou respeito atuando de forma voluntária em entidades beneficentes e filantrópicas. Foi assim no Hospital Santa Cruz, que presidiu entre 2012 e março deste ano) e está sendo no Bunkyo.
Nascido em Paraguaçu Paulista (SP), ele pretendia ter mais tempo para se dedicar aos seus negócios. “Entendia que, como trabalho voluntário, atuar como presidente em duas instituições, além de muito trabalho e viagens, demanda muitos gastos pessoais”, disse Ishikawa ao Jornal Nippak.
Mas foi convencido pelos diretores da entidade a ficar mais um mandato. Ficou sensibilizado não só com os apelos mas também porque, “no fundo do meu coração, entendia que, realmente, ficar somente 2 anos seria muito pouco tempo”. “De fato, eu gostaria muito de ver consolidado este projeto de relacionamento que iniciei e, também, de modernizar e estruturar melhor o Bunkyo, e os dois monumentos, o Pavilhão Japonês e o Parque Kokushikan Daigaku, em São Roque”, explicou.
E também, quem sabe, talvez ainda sobre tempo para preparar um sucessor, como fez com Mário Sato no Hospital Santa Cruz. Sobre isso, aliás, revela que “gostaria de ver jovens protagonizando mais, liderando mais”. “Para isso precisamos dar mais responsabilidades e ficar juntos. Nós, da velha guarda, estamos na hora de ficar como conselheiros, à disposição dos jovens. São eles que, cada vez mais, vão tocar as nossas entidades, digo isso não só em relação ao Bunkyo, mas em todas do Brasil inteiro”, destaca.
Confira os principais trechos da entrevista concedida por Renato Ishikawa ao Jornal Nippak:

Jornal Nippak: Qual o balanço que o senhor faz deste primeiro mandato?
Renato Ishikawa: Eu assumi a Presidência em maio de 2019, junto com os atuais vice-presidentes e diretores, pessoas super bem preparadas, motivadas, alguns com muitos e muitos anos ajudando a comunidade nikkei, como é o caso do nosso 1º vice-presidente, senhor Jorge Yamashita, Dr. Roberto Nishio e o jovem Marcelo Hideshima, só para citar alguns deles.
O Bunkyo é muito diferente de tudo que até aqui dirigi, como a NEC do Brasil, empresa internacional de telecomunicações, ou que, como voluntário, presidi por quase 10 anos, o nosso Hospital Santa Cruz, organização filantrópica sem fins lucrativos.
Ao assumirmos o Bunkyo, o slogan que adotamos foi “Harmonia e Progresso”. Nos 8 meses de 2019, trabalhei muito e viajei de norte a sul do país participando de eventos e comemorações em diversas localidades. Por exemplo, em setembro fui ao Pará, para Belém e Tomé Açu, e Amazonas – Manaus para as comemorações dos 90 anos de imigração japonesa na região. Depois, em outubro fui a São Francisco nos EUA, e em seguida a Tóquio, Japão para participar da 60ª Convenção da associação Kaigai Nikkeijin Kyokai, ocasião em que fui escolhido para discursar perante às Suas Altezas Imperais do Japão, oportunidade que marcou a minha vida.
Também, no Japão, participei, como um dos poucos convidados do Ministério dos Negócios Estrangeiros, da grande cerimônia de entronização de Suas Altezas Imperais. Foi um evento inesquecível, em tudo perfeito, organização, disciplina, foi uma festa maravilhosa. Seguiu-se depois o jantar oferecido pelo primeiro-ministro Shinzo Abe e, no dia seguinte, houve o almoço a convite da Casa Imperial.
Ainda em 2019 visitei o nosso país vizinho, o Peru, e em Lima conheci a APJ – Associação Peruana Japonesa. Apesar de a comunidade local ser numericamente menor, os nikkeis estão muito bem organizados, autossuficientes de ponto de vista financeiro. Um bom exemplo a ser seguido.
Em 2020, ainda fizemos algumas visitas no Brasil, porém, logo no início de março, a inesperada pandemia começou e logo foram decretadas as restrições com protocolos sanitários rígidos.
Assim, todos os eventos presenciais programados foram cancelados. No início, ficamos meio perdidos, sem ainda saber muito bem o que fazer. Cancelar ou postergar?
Mas, graças à criatividade e ousadia dos jovens, iniciamos as reuniões e eventos “online”, via internet, em diversas plataformas.
Nas primeiras reuniões, foi difícil e estranho. Mas, logo nos habituamos, e com a grande vantagem de estar eliminando a barreira da distância geográfica e permitir a participação de todos os cantos do Brasil, sem sair de suas casas. Esta foi a grande descoberta e suas facilidades a um custo infinitamente menor.
Nas nossas reuniões conjuntas de Diretoria mais os Diretores Regionais de todo o Brasil – tivemos a participação recorde de todos os 31 diretores representantes regionais em nossa primeira reunião. Foi simplesmente fantástico.
Assim, sucederam vários outros eventos – por exemplo, o grande seminário internacional do Museu de Imigração Japonesa, que contou com a presença de representantes de seis países, inclusive do Japão, abrindo o contato para o futuro.
Passamos a entender melhor a tecnologia de comunicação digital, e a equipe jovem logo converteu os encontros presencias para a via internet, online, via plataforma zoom.
Os eventos realizados nesta nova modalidade tiveram grande sucesso, com presenças nunca experimentadas, interagindo com muita gente e tendo o retorno – feed back – fantástico. Assim foram realizados o Bunka Matsuri # em Casa, FIB – Fórum de Integração Bunkyo, Projeto Geração – Kakehashi, entre outros.
Nós imaginávamos que esta pandemia iria terminar em fins de 2020, mas não, continuou até 2021, e ainda não temos nenhuma previsão de quando será o fim. O mundo está sofrendo com a segunda e terceira onda, agora com o vírus mutado, ataca com maior força de contaminação. Estamos em abril de 2021, ainda em plena pandemia, com maiores e rigorosos protocolos sanitários.

Jornal Nippak: Inicialmente o senhor resistiu à ideia de tentar uma reeleição. O que o fez mudar de ideia? Quais foram os argumentos usados para convencê-lo a continuar no cargo?
Renato Ishikawa: Devido à minha idade avançada e como terminei o meu mandato de três gestões como presidente do Hospital Santa Cruz, eu pretendia dedicar mais tempo aos meus negócios, no setor da  construção civil, que aliás está muito aquecido e, por isso mesmo, demandando mais do meu tempo. Também queria acompanhar mais perto de a minha fazenda de café e criação de gado.
Entendia que, como trabalho voluntário, atuar como presidente em duas instituições, além de muito trabalho e viagens, demanda muitos gastos pessoais.
Depois de varias reuniões com os diretores, acabei cedendo e aceitando a ideia da reeleição, porque, no fundo do meu coração, entendia que, realmente, ficar somente 2 anos seria muito pouco tempo. De fato, eu gostaria muito de ver consolidado este projeto de relacionamento que iniciei e, também, de modernizar e estruturar melhor o Bunkyo, e os dois monumentos, o Pavilhão Japonês e Parque Kokushikan Daigaku.

Jornal Nippak: Em um eventual segundo mandato, quais serão as prioridades?
Renato Ishikawa: As prioridades do eventual mandado seria buscar de toda forma a sustentabilidade do Bunkyo, avançar nos relacionamentos com a comunidade nikkei e a sociedade como todo. Também, com o Governo Brasileiro e, principalmente, com o Governo Japonês e seus diversos órgãos representativos.

Jornal Nippak: Como pretende montar sua nova equipe? Haverás muitas mudanças?
Renato Ishikawa: Ainda estamos no início de um novo processo, mas posso lhe assegurar, como disse um técnico de futebol: em time que está vencendo não se mexe.

Para Ishikawa, “é dever de todo líder preocupar-se com seu sucessor” (arquivo)

Jornal Nippak: Nesse tempo (do segundo mandato), o senhor pretende também trabalhar um sucessor? O sonho de ver um jovem como seu sucessor é possível?
Renato Ishikawa: Creio que é dever de todo líder preocupar-se com seu sucessor. Assim fizemos no Hospital Santa Cruz – com o atual presidente sr. Mario Sato, trabalhamos juntos por seis anos.
Claro que, como sempre tenho dito, gostaríamos de ver jovens protagonizando mais, liderando mais. Para isso precisamos dar mais responsabilidades e ficar juntos. Nós, da velha guarda, estamos na hora de ficar como conselheiros, à disposição dos jovens. São eles que, cada vez mais, vão tocar as nossas entidades, digo isso não só em relação ao Bunkyo, mas em todas do Brasil inteiro.

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