BRASIL-JAPÃO: Em cerimônia presencial no Bunkyo, comunidade nikkei se despede do embaixador Akira Yamada

O embaixador Akira Yamada, que retorna ao Japão no próximo dia 23: desejo de continuar conectado (Aldo Shiguti)

Após quatro anos e três meses no cargo de embaixador do Japão no Brasil – “quase um recorde” – Akira Yamada está de malas prontas para o Japão. O retorno está marcado para o dia 23 deste mês e, na volta, ele deixará a carreira diplomática. O seu sucessor, Teiji Hayashi, tem chegada prevista para o dia 3 de dezembro. Antes de Yamada embarcar, porém, as cinco principais entidades nipo-brasileiras (o chamado “Godantai”) – Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo), Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil e Aliança Cultura Brasil-Japão – organizaram uma Cerimônia de Despedida no dia 27 de outubro, no Salão Nobre do Bunkyo, no bairro da Liberdade, em São Paulo.
Ainda restrito por conta da pandemia, o evento reuniu cerca de 65 pessoas e serviu para reabrir o espaço após um ano e sete meses sem receber público – a última atividade aberta para convidados realizada no local foi a cerimônia de posse da Comissão de Jovens, no dia 22 de março de 2020.
Comissão de Jovens, aliás, que esteve presente na cerimônia de despedida por intermédio das irmãs Akemi (vocalista) e Tiemi (violonista), que homenagearam o embaixador com duas canções: “Aquarela do Brasil” (Ary Barroso) e “Amigo”, do “rei Roberto Carlos”. Foram muito aplaudidas.

Patrícia: “O embaixador foi um grande incentivador dos jovens” (Aldo Shiguti)

Jovens – E a presença de Akemi e Tiemi no palco não foi por acaso. Durante sua estadia no Brasil, Akira Yamada fez questão de participar presencialmente de eventos organizados pelos jovens. Como bem lembrou a diretora de Comunicação do Bunkyo, Patrícia Takehana.
Discursando em nome dos jovens, ela disse que o embaixador foi um “grande incentivador desse grupo (jovens) que, apesar dos poucos anos de experiência que carregam, tem grande paixão pela cultura japonesa e vontade de ver a comunidade nikkei cada vez mais fortalecida”.
Patrícia lembrou que o primeiro contato que teve com Akira Yamada foi dois anos depois de sua chegada, em 2019, quando presidiu o FIB – Fórum de Integração Bunkyo – evento que teve o como convidado. “Ter a participação dele no evento foi uma grande honra”, declarou Patrícia, acrescentando que, no ano seguinte, em 2020, o embaixador Yamada participou também do FIB realizado em formato online. “Ele fez questão de estar conosco ao vivo e participou também da Revi e do Dia Internacional do Nikkei, além de outros eventos organizados pelos jovens”, observou.
Para Patrícia Takehana, “a participação do embaixador nos eventos é um incentivo para continuarmos realizando ações para a divulgação da cultura japonesa e trabalhando para o fortalecimento dos valores japoneses no Brasil e sua presença demonstra que estamos seguindo a direção certa”.

Renato Ishikawa presentou o embaixador com duas camisas da seleção brasileira de futebol (Aldo Shiguti)

Dedicação especial – Representando as entidades co-promotoras da cerimônia, o presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa iniciou sua fala explicando que a gestão do embaixador coincidiu com uma série de acontecimentos inéditos, “exigindo dedicação especial de todas as lideranças da comunidade”. Renato Ishikawa lembrou que, ao chegar no Brasil, em agosto de 2017, Akira Yamada encontrou a comunidade nipo-brasileira em “intensas atividades, concentrada nos preparativos para a comemoração dos 110 anos da imigração japonesa no Brasil”, que teve como ponto alto a presença de Sua Majestade Imperial, a princesa Mako.

Era Reiwa – “Em 2019, mais uma vez estivemos ao lado do embaixador Yamada nas comemorações dos 90 anos da imigração japonesa à região norte do país. E no início da nova era no Japão, a Era Reiwa, tive a imensa alegria e honra de ter sido escolhido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão (Gaimusho) como um dos representantes da comunidade nipo-brasileira para acompanhar a cerimônia de entronização do imperador Naruhito e da imperatriz Masako”, observou o presidente do Bunkyo, acrescentando que, a partir de março de 2020, “a pandemia chegou para modificar os nossos planos e nosso cotidiano”.

Redes sociais – Renato Ishikawa lembrou que, diante da obrigatoriedade do isolamento social, “entraram em evidência as alternativas digitais para substituir os eventos presenciais e as atividades de nossas entidades”.
“Nessa ocasião, pudemos acompanhar a atuação do embaixador Yamada em várias publicações nas redes sociais, enfocando diferentes aspectos da cultura japonesa, incluindo a gastronomia, mangás e animês”, disse Ishikawa, afirmando que pôde constatar a preocupação do embaixador em incentivar os eventos destinados à aproximação de jovens nikkeis do Brasil e do Japão.
“Destacamos ainda o webinário ‘Nova vida cotidiana: Ações tomadas em Tóquio e São Paulo’, reunindo especialistas dos dois países. Ainda nesse cenário de ‘gigantescos desafios’ e mesmo enfrentando a contrariedade de grande parte dos japoneses, pudemos acompanhar a elogiada realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio”, observou, acrescentando que, em abril deste ano a comunidade nikkei recebeu uma notícia “alentadora”, de subsídios às atividades das entidades nipo-brasileiras.

Cerimônia foi organizada pelas cinco principais entidades nipo-brasileiras (Aldo Shiguti)

Simpatia – “Os recursos financeiros, destinados a diferentes projetos, vieram do Gaimusho (Ministério dos Negócios Estrangeiros) e da Jica (Japan International Cooperation Agency)”, destacou Ishikawa, que finalizou seu discurso explicando que a gestão do embaixador Akira Yamada teve acontecimentos marcantes e “em cada uma das situações, ele demonstrou competência, empatia e sensibilidade, conquistando, desde o primeiro momento, a simpatia e a confiança de seus interlocutores”.

Protagonismo – “Em todas as situações, seu protagonismo foi importante para fortalecer ainda mais o intercâmbio Brasil-Japão”, concluiu Renato Ishikawa, afirmando que ficou “bastante impressionado com a popularidade do embaixador”. E citou, como exemplo, a presença de Akira Yamada no Bon Odori Box e no Ganbatte Seinen. eventos realizados em agosto deste ano pela Associação Nipo-Brasileira de Goiás.

Improviso – Discursando de improviso, Akira Yamada disse que, quando deixar o Brasil, em novembro, terá ficado 4 anos e 3 meses no país. Mas fez questão de frisar que em seus cerca de 40 anos de carreira diplomática como funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, sempre manteve uma relação próxima com as comunidades nikkeis da América Latina e do Caribe.
Ele disse que esta relação, na verdade, teve início em 1976, quando esteve no Brasil pela primeira vez na condição de estudante.

Metas – “Penso que, fortalecer a parceria e a cooperação entre a comunidade nikkei e o Japão tenha sido sempre uma constante na minha agenda diplomática”, disse ele, explicando que, quando chegou ao Brasil, tinha como metas realizar uma palestra na Japan House São Paulo – realizou três, contando com a do dia 26 de outubro, quando falou sobre a retomada do turismo no Japão – e visitar “muitas associações nikkeis de todo o Brasil” – pelas suas contas, até o seu retorno terá conhecido 20 Estados brasileiros (mais o Distrito Federal).

Futuro – “Infelizmente, dois anos depois que assumi veio a pandemia e tivemos que dar uma parada”, lamentou Yamada, que, em contrapartida, explicou esteve em lugares que até então nenhum embaixador ainda havia visitado. Akira Yamada também destacou a importância das novas gerações e garantiu ser otimista quanto ao futuro das relações entre os dois países, “ainda que existam muitos desafios”.
Yamada disse que vê “potencial” para um futuro ainda mais promissor entre Brasil e Japão e que, quando se aposentar, pretende, de alguma forma, continuar mantendo laços de amizade com as comunidades nikkeis da América Latina. E, em tom de brincadeira, disse que uma das coisas que pretende fazer é “continuar estudando o português para poder se conectar ainda mais com os brasileiros”.
O embaixador concluiu afirmando que só não conseguiu realizar sua terceira meta no Brasil, que era assistir uma partida de futebol no Estádio do Maracanã. Ao final, ele participou de um jantar no hall do Bunkyo, onde os convidados tiveram oportunidade de se despedir e tirar fotos ao seu lado.

As irmãs Akemi e Tiemi (sentada), do Seinen Bunkyo: “Amigo” (Aldo Shiguti)
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