AGRICULTURA: Bunkyo Rural organiza visita técnica a Juazeiro e Petrolina para conhecer projeto de irrigação

Presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa (D), admira plantação de uva: “Viagem muito produtiva” (arquivo pessoal)

Membros do Bunkyo Rural – braço agrícola da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – realizaram uma visita técnica a Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) – a segunda em menos de um mês – em outubro o grupo esteve na Fazenda Aliança, em São João da Boa Vista (SP), de propriedade do empresário e presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa, onde conheceram um pouco mais sobre a produção de café, desde o cultivo até a venda.
Desta vez, o objetivo da visita foi conhecer o projeto de fruticultura irrigada no nordeste brasileiro. O grupo – que saiu no dia 29 de outubro do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, e retornou no dia 1º de novembro – foi formado por cerca de 30 pessoas, entre eles o presidente do Bunkyo Rural, Nelson Kamitsuji e os vices, Celso Mizumoto e Tomio Katsuragawa, além do presidente do Bunkyo Renato Ishikawa, pesquisadores, agricultores e professores de Universidades. Muitos participantes também levaram suas esposas.
A visita foi organizada com o apoio da Acenibra (Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira do Vale do São Francisco), por intermédio de Mônica Ishikawa Virgolino, e da Conexão Vale do São Francisco, capitaneada por Mariana Ishikawa.
De acordo com Nelson Kamitsuji, o perímetro irrigado da Codevasf – Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba –, no médio São Francisco, é onde se encontra o maior projeto de irrigação no Brasil, “Projeto esse de fruticultura por sua aptidão. Desse projeto produzem mais de 90% de mangas e uvas exportadas para dezenas de países”, explicou o presidente do Bunkyo Rural, lembrando que “os nikkeis, capitaneados pelos pioneiros que se aventuraram na região no final da década de 1960, hoje constituem nessa região a segunda maior comunidade de nikkeis no Nordeste do Brasil, atrás apenas de Barreiras, na Bahia.
Segundo Kamitsuji, pela própria natureza da atividade, que é de irrigação, onde se exige tecnologia de ponta para se ter sucesso, os nikkeis tiveram êxito na produção de uvas e mangas que são os carros chefes dessa região.

Special Fruit – As visitas incluíram as fazendas Special Fruit, Frutecer e Sweet Fruit. A primeira parada foi na Fazenda Special Fruit, comandada pelo casal de empresários Suemi e Vanda Koshiyama. Fundada em 1993, a fazenda conta atualmente com mais de 1.100 hectares distribuídos em 5 fazendas na região, empregando mais de 2.000 funcionários. Ao longo desses 28 anos de existência, a Special Fruit criou e desenvolveu marcas de sucesso e reconhecidas mundialmente, como a Suemi, Suemi Premium e Delicia Tropical,
Na visita ao packing house de mangas em pleno funcionamento, os convidados conheceram as instalações e todos os procedimentos de segurança adotados pela fazenda.
No campo foi possível conhecer e degustar a produção das uvas e todos os cuidados adotados pela empresa, para atender as exigências das diversas certificações.
Os detalhes da recepção no campo e packing coube aos engenheiros agrônomos Nadislene Alencar e Antônio Henrique. O grupo também saboreou um delicioso lanche com as frutas produzidas na fazenda e um caprichado coffee break ficou a cargo da diretora da empresa e filha do casal Koshiyama, Sayuri Koshiyama.
O auge da recepção foi feita pela exibição de um vídeo contando a trajetória da família Koshiyama e que emocionou os participantes. Os convidados também tiveram oportunidade de degustar as variedades de manga Palmer, Kent e Tommy Atkins e das uvas Vitória, Arra 15, Sweet Jubilee, Isis, Scarlota, Candy Crush e Cotton Candy.

Sweet Fruit – Na Sweet Fruit, de propriedade do casal de empresários Lauro Yudi Takakura e Sayo Takakura, ambos cooperados da Coana (Cooperativa Agrícola Nova Aliança), a comitiva foi acompanhada pelo cônsul geral do Japão no Recife, Hiroaki Sano, e sua esposa, Yoshie Sano, além do presidente da Federação Cultural Nippo-Brasileira da Bahia e também diretor Regional do Bunkyo para a Bahia, Roberto Mizushima, e sua esposa, Sonia Mizushima.
Constituída em 1996, a empresa comercializava exclusivamente para o mercado interno frutas produzidas por terceiros na região do Vale do São Francisco e nos anos seguintes a empresa adquiriu propriedades rurais na mesma região e deu início à produção própria de mangas e uvas através de agricultura irrigada.
Em 2001 teve início a exportação para a Europa e Estados Unidos e em 2010 as suas áreas de cultivo foram ampliadas e teve início simultaneamente um processo de aquisição de fazendas para produção própria. Neste mesmo ano foi constituído o Grupo Sweet Fruits, que atualmente é composto por 3 empresas, incluindo 3 packing houses, 8 fazendas e mais de 1.000 funcionários.
Além das instalações, os grupo teve oportunidade de conhecer os procedimentos de segurança adotados pela fazenda e degustar na área externa três variedades de uvas produzidas pelo casal Takakura. Na degustação de uvas Crimson, uvas Autumn Crispy e uvas Cotton Candy, o cônsul e sua esposa, bem como toda comitiva ficaram encantados pelo capricho e pela alta qualidade das frutas.
No campo foi possível registrar a caprichosa produção das uvas e todos os cuidados para atender as exigências das diversas certificações que a Sweet Fruit conquistou.

Frutecer – Na Frutecer, o proprietário Edson Nakahara – ex-gerente da Cac na Regional Juazeiro – apresentou a história da formação do grupo, no qual a sucessão é administrada de maneira profissional com o filho Eduardo assumindo parte do grupo.

Recepção na Fazenda Frutecer de Edson Nakahara

Omotenashi – Segundo Nelson Kamitsuji, “vale lembrar que essas fazendas aplicam o que há de mais moderno na gestão e governança, aliado a alta tecnologia no manejo e condução das suas culturas”. Para Celso Mizumoto, a terceira visita técnica realizada pelo Bunkyo Rural “será a base para novas ações da Comissão Bunkyo Rural”.
No programa constou também um enoturismo, denominado Rota dos Vinhos, onde o grupo visitou a vinícola Rio Sol, onde se produz excelentes espumantes. Atrelado ao programa, foi realizado um passeio de catamarã no lago de Sobradinho regado com espumantes da Rio Sol.
No ultimo dia o grupo participou de uma recepção de boas vindas na Acenibra, com o tradicional Motiyori oferecido pelas senhoras da associação. Nesta ocasião, o grupo foi contemplado com as palestras do Dr. Dilson Pereira, que falou sobre “Prevenção e cuidados com a Covid-19”, e com o fonoaudiólogo e cantor, Takeshi Nishimura. No encerramento, uma apresentação musical com Isa Toyota e Takeshi Nishimura, do grupo Yuugen.
“Resta agradecer ao jeito ‘omotenashi’ da Acenibra. Foi muito rica essa visita ao Vale do São Francisco”, pontuou Nelson Kamitsuji.

Pujança – Para o vice-presidente da Comissão do Bunkyo Rural, Tomio Katsurgawa, “foi surpreendente o que me foi dado observar”. “Enormes áreas cultivadas com uvas em primeiro plano mas entremeadas por outras frutas onde se destaca o cultivo da manga. Logo, ao observar as plantações nota-se a aplicação de técnicas apuradas o que demonstra grande conhecimento no trato e manejo das culturas. A qualidade das frutas nos parreirais que se estendem por enormes áreas demonstra a pujança da região”, conta, acrescentando que, “sem dúvida, o sucesso dos agricultores de Petrolina, no Pernambuco, e Juazeiro, na Bahia, vem demonstrar que com uso racional da terra e água e com clima propício, não há limites para o avanço da agricultura no país”.

Sucessão – Para o presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa, “foi uma viagem muito agradável”. “Além de conhecermos um pouco mais sobre a fruticultura irrigada na região de Petrolina e Juazeiro, criamos também uma interatividade muito importante com os produtores de lá, que são pessoas de destaque na região”, disse Ishikawa, que ressaltou o trabalho de cooperativismo através da Coana. “Também fiquei bastante impressionado com a preocupação dos agricultores com a mentalidade empresarial. Preocupados com a sucessão, eles já estão preparando os filhos para futuramente tomarem conta dos negócios da família”, disse.

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