AGRICULTURA: Bunkyo Rural faz visita técnica à Fazenda Aliança e recebe orientações técnicas de produção de café

Com cerca de 35 pessoas, grupo foi formado por membros da Comissão do Bunkyo Rural e jovens, além de interessados pelo tema (Aldo Shiguti)

Com a melhora nos indicadores da Covid-19 e a retomada gradual das atividades presenciais, membros da Comissão do Bunkyo Rural fizeram, no último dia 9, uma visita técnica à Fazenda Aliança, em São João da Boa Vista (SP) – próxima ao Sul de Minas Gerais –, de propriedade do empresário e presidente do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social –, Renato Ishikawa.
Estiveram presentes o presidente da Comissão do Bunkyo Rural, Nelson Kamitsuji, e os vices: Carlos Kendi Fukuhara, Celso Mizumoto e Tomio Katsuragawa, e os membros Shinichi Yassunaga (ex-presidente da Federação das Associações Culturais Nipo-Brasileiras da Noroeste), Fábio Maeda (presidente da Associação Cultural Nipo-Brasileira de Promissão), Izumi Honda (presidente da Comissão do Prêmio Kiyoshi Yamamoto), Kenji Kiyohara (Associação Kumamoto Kenjin do Brasil) e Ronaldo Ogassawara (presidente do Rotary Club de São Paulo Brasil Japão), além do 5º vice-presidente e presidente do Comitê Jovem do Bunkyo, Rodolfo Wada; da diretora de Comunicação da entidade, Patrícia Takehana; do secretário geral Hugo Teruya e o presidente da Comissão do Bunka Matsuri, Takayuki Kato e o presidente do Hospital Japonês Santa Cruz, Mário Sato, entre outros.
A programação incluiu palestras e visitas às instalações e aos cerca dos 300 hectares de plantação de café – majoritariamente Catuaí – variedade do arábica – do total de 600 alqueires da fazenda.

João Staut abordou o mercado internacional do café (Aldo Shiguti)

As palestras ficaram a cargo do engenheiro agrônomo Ricardo Teixeira e João Staut, da área de trading. Antes, Nelson Kamitsuji lembrou que o Bunkyo Rural é uma das comissões temáticas formadas por associados-voluntários dentro do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – “cujo objetivo é promover o intercâmbio de ideias e conhecimentos entre produtores, profissionais, pesquisadores, estudantes e empresários/fornecedores relacionados à área rural, propiciando a integração entre eles”.
Em outras palavras, explicou que “quase todos os pioneiros foram trabalhar nas lavouras”, principalmente nas fazendas de café. Daí a forte ligação dos japoneses com a a agricultura, onde deixaram uma vasta e rica contribuição, desde o cultivo de produtos agrícolas até então desconhecidos no Brasil até a criação de novas formas de produção e abastecimento.

Novos conhecimentos – Como costuma dizer, Nelson Kamitsuji destacou que, “de uma forma ou outra, todo cidadão participa da atividade rural, seja como produtor ou como consumidor final”. E que a principal missão do Bunkyo Rural é valorizar e levar informações para aqueles que ficaram na lavoura. “Sejam eles, pequenos ou médios agricultores”, afirmou, acrescentando que os caminhos para isso é feito através de seminários, como o último, realizado em abril deste ano e que teve como tema o Sistema Agroflorestal (Safta).
Realizado em formato online, o evento contou com a participação de representantes de entidades e agricultores de Tomé-Açu (PA), além de autoridades como o presidente da Jica (Japan International Agency Cooperation), Masayuki Eguchi e o governador do Pará, Helder Barbalho.
Nelson Kamitsuji disse que o Bunkyo Rural também busca novos conhecimentos sobre modelos de gestão, como aconteceu em sua primeira visita técnica realizada em 2019, na cidade de São Gotardo, localizada na região do Alto Paranaíba, no Estado de Minas Gerais (distante cerca de 475 km da capital paulista), onde os membros puderam conhecer o trabalho desenvolvido na Coopadap (Cooperativa Agropecuária do Alto Paranaíba), na Shimada Agronegócios e na Leópolis. “Poucas pessoas sabem, mas foi lá que teve início a história do Cerrado no Brasil”, afirmou Kamitsuji, que citou ainda o importante apoio do ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli.
“E de vez em quando provocamos o pessoal para fazer essas visitas”, explicou, destacando que a próxima está marcada para o dia 28 deste mês, em Petrolina (PE), que conta com a segunda maior comunidade de nikkeis do Nordeste, atrás apenas de Barreiras (BA).

O anfitrião, Renato Ishikawa, com sua esposa, dona Olga Ishida (Aldo Shiguti)

Jovens – Ao lado de sua esposa, Olga Ishida, o anfitrião, Renato Ishikawa, deu as boas-vindas ao convidados e frisou que, desde que assumiu a presidência do Bunkyo – está em seu segunda mandato – sua principal preocupação tem sido a de priorizar os relacionamento e a participação dos jovens.

Agrônomo, Ricardo Teixeira falou sobre os cuidados com o plantio (Aldo Shiguti)

Palestras – Atentos, o grupo acompanhou as explicações do agrônomo Ricardo Teixeira, que falou sobre os cuidados desde o plantio, a escolha das mudas, e os tratos culturais. Explicou que o café arábica se diferencia do robusta (ou Conilon) por seu aroma e sabor. “O café arábica são considerados os melhores cafés do mundo”, disse o agrônomo. Já Staut abordou os atributos que devem estar presente em um café – corpo, acidez e doçura – e o mercado. Disse que das cerca de 170 milhões de sacas produzidas no mundo, o Brasil é responsável por aproximadamente 56 milhões de sacas com tendência de um ligeiro aumento para o ano que vem. Além de principal produtor, o país continua sendo também o principal consumidor do produto, com cerca de 22 milhões de sacas.

Benefícios – Segundo ele, o consumo da bebida teve um aumento de 2,5% ao ano e que a tendência é de crescimento. Alguns fatores contribuíram para isso. Entre eles, Staut aponta o papel “social” do café e pesquisas que apontam que o café traz inúmeros benefícios à saúde, como a diminuição do risco de insuficiência cardíaca, prevenção de diabetes, Alzheimer e câncer, além do seu efeito estimulante. No final, ele respondeu às perguntas dos presentes, como a comparação com o café produzido na Colômbia e como é formado o preço internacional do café.

Exportação – Ao Jornal Nippak, Renato Ishikawa explicou que adquiriu a Fazenda Aliança em 1996, inicialmente com 67 alqueires e com o intuito de descansar após uma vida dedicada ao setor de telecomunicações – com passagens pela sueca Ericsson e como presidente da NEC do Brasil. Com os anos, foi acumulando mais terras ao redor da sede e hoje são cerca 600 alqueires onde planta 1,2 mi pés de cafés em 300 hectares que produzem, em média, 10 mil sacas/ano.
Segundo Ishikawa, atualmente 70% da produção é exportada para o Japão e países da Europa, entre eles a Itália, Alemanha e, mais recentemente para o exigente mercado búlgaro.
Renato Ishikawa, que também atua no setor imobiliário – é presidente da CNL Empreendimentos Imobiliários – conta que não tem do que reclamar como produtor de café. “Hoje o preço está bastante rentável, cotado a R$ 1.100/R$ 1.200 a saca com 60 quilos”, diz, acrescentando que, em geral as commodities estão com um preço bom. “Acho que é função da oferta e demanda”, conta, lembrando que nem sempre foi assim. “Já sofremos bastante no passado”, afirmou, que além de café de qualidade se dedica também ä criação de bovinos de alta qualidade.
No final, o grupo conheceu um pouco mais a história do casarão, que levou quatro anos para ser totalmente restaurado mantendo suas características originais.

Opiniões – Para o vice-presidente da Comissão do Bunkyo Rural, Celso Mizumoto, “agronomicamente falando, a Fazenda Aliança é um modelo de gestão”. “Aplica as melhores praticas agrícolas e de gestão. Uma fazenda administrada com as técnicas de gestão que se aplica em modernas empresas industriais”, disse, acrescentando que, “foi uma visita técnica maravilhosa da Comissão Bunkyo Rural em que recebemos orientações técnicas de produção do café desde os inicio dos tratos culturais até as modernas técnicas comerciais para o processamento adequado da produção para poder comercializar o seu elaborado produto aos refinados mercados internacionais obtendo preços premium”.
Para Nelson Kamitsuji, “além da costumeira hospitalidade ‘omotenashi’, tivemos um grande aprendizado”. “A gestão e governança na fazenda faz se refletir na condução do Bunkyo, uma liderança que nos contagia. O cuidado desde a chegada foi contagiante. Como não ter gostado desse convite, com palestras sobre café”, indaga o presidente do Bunkyo Rural.

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