50º PRÊMIO KIYOSHI YAMAMOTO: Comissão divulga lista dos selecionados e estuda formato da cerimônia marcada para novembro

Izumi Honda, presidente da Comissão, discursa durante cerimônia presencial realizada em 2019 (arquivo)

A Comissão do Prêmio Kiyoshi Yamamoto divulgou os nomes dos três indicados para receber o 50º Prêmio Kiyoshi Yamamoto no próximo mês de novembro. Dos 11 indicados, foram eleitos: Akira Kishimoto (São Paulo), Fumio Hiragami (São Joaquim/SC) e Nobuyoshi Narita (Presidente Prudente/SP).
Considerado um dos mais tradicionais do setor agrícola, o Prêmio Kiyoshi Yamamoto homenageia pessoas e instituição que prestaram relevantes contribuições ao Brasil nas áreas de produção vegetal ou animal, ensino, pesquisa, inovação e difusão de técnicas agropecuárias, e ações comunitárias.
No ano passado, a concessão do Prêmio foi adiada devido à pandemia, e em 2021, a Comissão decidiu realizar a seleção pelo sistema online por meio de mensagens individuais, cabendo à secretaria do Bunkyo processar e apurar os votos enviados pelos membros-eleitores.
Como em anos anteriores, não houve um número pré-determinado de selecionados ao Prêmio, mas foi combinado que o vencedor deveria receber pelo menos 50% dos votos dos membros-eleitores.

Escolha – Para a 50ª edição, a presidente da Comissão do Prêmio Kiyoshi Yamamoto, Izumi Honda conta que os indicados passaram por uma triagem inicial e, em reunião do colegiado, formado por 16 membros – entre engenheiros agrônomos e pesquisadores – realizada no último dia 6 de julho, foi apresentado o resultado da votação.
Os candidatos com as maiores votações e superiores ao mínimo estabelecido foram: Akira Kishimoto, Fumio Hiragami e Nobuyoshi Narita. Participaram do processo de votação 13 dos 16 membros atuais da Comissão.
Ao Jornal Nippak, Izumi Honda disse que ficou surpresa com o número de indicados. Ela atribuiu o aumento de interesse “pelo fato de o Prêmio não ter sido realizado no ano passado e pelo momento pandêmico que estamos atravessando, em que todos estão conectados”. “De qualquer forma ficamos muito contentes com as indicações”, disse ela, lembrando que havia uma certa preocupação dos membros da Comissão pois o número de inscrições estava em ligeira queda nas últimas edições, sendo retomado em 2019.

Cerimônia – Agora, a expectativa é pela realização da cerimônia, marcada para o dia 5 de novembro. Até lá, Izumi Honda espera que a pandemia esteja sob controle e que o governo libere alguns eventos presenciais. A ideia é realizar uma cerimônia híbrida, se possível com a presença dos homenageados e seus familiares, além de autoridades – seguindo todas as determinações sanitárias. E para quem não puder acompanhar presencialmente, haverá transmissão pelo canal do Bunkyo Digital, “abrilhantando ainda mais a a cerimônia”. Izumi explica que o formato ainda está sendo estudado pela Comissão e que uma definição deve acontecer em outubro.

Os homenageados

Akira Kishimoto (arquivo)

Akira Kishimoto, 81 anos, nasceu em Kobe, Província de Hyogo, no Japão, e atualmente reside em São Paulo (SP). Engenheiro agrônomo, formado na Faculdade de Agronomia de Hyogo (atual Universidade de Kobe), em 1964, no ano seguinte emigrou ao Brasil.
Ao longo de suas atividades profissionais, produziu o primeiro híbrido comercial de couve-flor no Brasil e promoveu melhoramentos genéticos de tomate, pepino, pimentão, berinjela híbrida, cenoura e abóboras, dentre outras olerícolas.
Também contribuiu para a melhora da cultura do morango, multiplicando as mudas isentas de vírus, que na época dizimava as lavouras em todo o país. Outra grande contribuição foi a introdução da técnica japonesa de adubação baseada na análise química completa do solo e na extração de nutrientes pela cultura. Dedicou-se também ao trabalho de assistência técnica aos agricultores de várias regiões do Brasil, disseminando o conhecimento da técnica inédita de adubação equilibrada das culturas.
Atualmente, Akira Kishimoto dedica-se à medicina oriental, tratando os problemas de saúde de seus pacientes por meio da massoterapia.

Fumio Hiragami (arquivo)

Fumio Hiragami, 72 anos, nasceu em Tanabe-shi, Província de Wakayama, no Japão, reside atualmente em São Joaquim (SC). Aos nove anos de idade, imigrou ao Brasil em janeiro de 1959, com a sua mãe Akiko e irmãos menores. Diferente dos outros homenageados, que são engenheiros agrônomos, Hiragami só conseguiu concluir o curso primário. Inicialmente, estabeleceu em Uraí, no norte do Paraná, na propriedade do Sr. Ishii, para trabalhar nas lavouras de algodão, café e rami.
No começo da década de 1960 passou a se dedicar à fruticultura, mais especificamente à cultura do pessegueiro, em Botucatu (SP) e em Jundiaí (SP). Em fins dos anos 1960, a família foi para a região de Mairinque (SP), onde, na condição de meeiro e de proprietário de terras, filiou-se à Cooperativa Agrícola de Cotia. Alguns anos após, mudou-se para São Joaquim (SC) após adquirir terras para o plantio de maçãs.
Em 1982 desligou-se da Cooperativa e criou a empresa Irmãos Hiragami, com o irmão Hiroyasu e a irmã Yoshiko. Com sua experiência em diversas atividades agrícolas, especializou-se na cultura da maçã, especificamente na variedade Fuji, originária do Japão. Atualmente, além de maçã, produz também pera asiática, kiwi e uva vinífera.
O seu espírito empreendedor levou-o a investir na produção de vinhos finos aproveitando as condições favoráveis da região de elevada altitude. Assim, foi constituída a Vinícola Hiragami, com cerca de sete hectares de vinhedo e produção anual de 25 toneladas de uvas.
O sucesso na atividade agrícola e sua capacidade empreendedora têm repercutido na sociedade local, rendendo-lhe várias homenagens. Entre elas, a concessão pela Câmara Municipal de São Joaquim do título de Cidadão Joaquinense, em 1988 e a Comenda Kasato Maru, do Bunkyo, em 2018.

Nobuyoshi Narita (arquivo)

Nobuyoshi Narita, 60 anos, nasceu em Santana do Itararé (PR) e reside em Presidente Prudente (SP). É engenheiro agrônomo, formado na Universidade Estadual de Londrina (PR), em 1985. Tem mestrado e doutorado em horticultura pela UNESP de Botucatu (SP). Foi bolsista (ryugakussei), em 1986-1987, tendo estagiado na Akita Prefectural College of Agriculture, Província de Akita, no Japão.
Desde 2005, é pesquisador científico da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Foi Diretor Técnico de Divisão do Polo Alta Paulista, de 2007 a 2015.
Sua área de atuação tem sido no desenvolvimento de pesquisas na área de fruticultura, principalmente com maracujá, pitaya, manga, amora preta, lichia e romã. Tem proferido palestras em várias regiões do Brasil, disseminando conhecimento sobre as pesquisas com sistema de produção para convivência do maracujazeiro com viroses.
Tem atuado ativamente na Associação Cultural Nipo-Brasileira da Alta Sorocabana, como Diretor do Departamento de Agricultura, e colaborado com várias entidades da comunidade nikkei da região da Alta Sorocabana, no Estado de São Paulo.
(Com informações do Bunkyo)

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