YOSHITAKE KUSAKANO: Campanha de mensagens de solidariedade (2) – Vamos dar as mãos e encorajar uns aos outros! – Adiamento da assembleia geral e funcionários trabalhando em home office

Yoshitake Kusakano

É a primeira vez que experiencio algo do tipo em meus 76 anos de vida.
O novo coronavírus, originário de Wuhan, na China, disseminou-se pelo mundo e está causando inúmeras mortes. O Brasil não foi exceção e seus efeitos também atingiram a comunidade nipo-brasileira. Com a maior parte dos casos concentrados em São Paulo e Rio de Janeiro, a sensação é de lutar contra um inimigo invisível.
Chegou a hora de cada um de nós reconhecer a gravidade da situação e das pessoas do mundo todo juntarem esforços para impedir o aumento de vítimas.
O Centro Brasileiro de Língua Japonesa realizou uma reunião de emergência e adiou imediatamente a assembleia geral prevista para 21 de março. Completando 35 anos de existência neste ano, ainda que o número de jovens associados esteja crescendo, a maioria ainda é composta por professores idosos.
Dentre eles, alguns possuem doenças associadas ao estilo de vida. Seria imperdoável que um participante vindo de uma área remota causasse um surto porque participou de um evento aqui. Decidimos adiar o evento por várias circunstâncias.
Desde 23 de março, nossos funcionários trabalham em home office. Como alguns levam cerca de uma hora e meia para se deslocarem ao local de trabalho, realizamos reuniões pela plataforma Zoom (sistema de teleconferência) duas vezes por semana.
Estava preocupado em ser infectado no metrô ou no ônibus nos horários de pico, quando o transporte público fica lotado. A incerteza de quando esta situação terá fim apenas faz aumentar a insegurança. Tudo é novo.

Encontro de Alunos de Língua Japonesa, realizado em janeiro de 2020

No momento, o Centro Brasileiro de Língua Japonesa está fechado. A previsão é de isolamento social voluntário até 7 de abril, mas ainda não temos planos para depois dessa data.
A erradicação do novo coronavírus exige um esforço conjunto dos cidadãos para aderir às recomendações. O Brasil é um dos países com grande desigualdade de renda. Se perguntarem se as informações ou campanhas de conscientização sobre a doença alcançaram todas as camadas sociais da população, todos dirão que não.
Em relação à política, temos provocações contínuas entre o presidente, os ministros e governadores. Até o momento, a discordância é completa, sem sinal de aproximação entre as partes.
Nesta situação sem precedentes, não é hora para disputas. Deveríamos parar com as brigas políticas o mais rápido possível, superar as diferenças entre partidos e incentivar a cooperação.
As vítimas estão aumentando rapidamente. Enquanto escrevo este artigo, vi em uma transmissão ao vivo que o número de mortos alcançou 200 pessoas, e o de infectados, mais de seis mil. Eu suspirei, assombrado.
Enquanto isso, a sessão parlamentar ordinária no Japão teve início em 20 de janeiro e estará aberta até 17 de junho, para discutir várias leis. Durante os últimos 50 dias, foi objeto de deliberação a Lei de Promoção à Educação de Língua Japonesa, promulgada em junho do ano passado.
Até hoje, nenhum resultado foi relatado ainda, mas estou preocupado com o impacto do novo coronavírus sobre essa lei. Não sou apenas eu que deseja que o governo japonês mostre sua apreciação.
No Brasil, existem cerca de 1.200 professores de língua japonesa, 23 mil alunos e 350 escolas que estão acompanhando o processo.
Claro, não é apenas no Brasil, mas também na América Latina. Estou convencido de que a promoção do ensino de língua japonesa no exterior beneficiará o Japão assim como o desenvolvimento do Brasil.
Fico feliz que o número de professores de língua japonesa e alunos não-descendentes esteja aumentando nos últimos anos. Quero que ainda mais brasileiros compreendam a cultura japonesa.
Acredito que a pandemia do novo coronavírus terá fim. Só nos resta acreditar. Com locais de trabalho e escolas fechadas, a economia está visivelmente retraída.
É uma pena. Sinto muito pelas vítimas, mas vamos enfrentar esta situação difícil com união e encorajamento da comunidade nipo-brasileira e das entidades.
Além disso, vamos fortalecer ainda mais as relações de amizade com o Japão.
Que todos se cuidem. (O autor foi diretor por dois anos, a contar a partir de abril de 2018. Artigo escrito em 31 de março).
Publicado no Jornal Nikkey Shimbun no dia 3 de abril.

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