Yasumura propõe criação de grupos no WhatsApp; Fukuhara cobra ‘ousadia’ dos políticos nikkeis

(Aldo Shiguti)

O 5º Simpósio do Movimento Político Nikkei (MPN) – o primeiro de 2020 –, realizado no último dia 13, no 5º andar do Edifício Bunkyo, no bairro da Liberdade, em São Paulo, trouxe como palestrantes o vice-presidente do Bunkyo (Sociedadade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social) e ex-sub-chefe da Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo, Carlos Kendi Fukuhara, e o ex-presidente da Assistência Social Dom José Gaspar Ikoi-No-Sono e atualmente diretor do Bunkyo, Reimei Yoshioka.
Como participantes, o Simpósio contou com a presença do vereador de São Paulo, George Hato (MDB); o vice-prefeito de Guaratinguetá, Regis Yasumura (PSB) e o ex-deputado estadual e hoje coordenador do MDB no Vale do Paraíba, Hélio Nishimoto, além do assessor parlamentar Oridio Shimizu (representando o vereador Aurélio Nomura).
Idealizado pelo ex-deputado estadual Hatiro Shimomoto, o Movimento Político Nikkei tem como objetivo “valorizar o político nikkei e fortalecer as entidades japonesas” e acontece a cada três meses. Além dos palestrantes, o evento também apresenta temas “de interesse nacional” para serem discutidos pelos participantes. Nesta edição os temas para debate foram “Como prender ladrões e receptadores” e “movimento para acabar com as pichações”.

Carlos Fukuhara (Aldo Shiguti)

Carlos Kendi Fukuhara, iniciou sua fala explicando que “sempre esteve ao lado da política, mas nunca esteve atuando na política”. Para ele, a política é uma “vocação” e deve ser encarada como tal, ou seja, “tem que gostar”. “O papel do político é servir o público”, afirmou Fukuhara, que ganhou notoriedade nos últimos meses ao coordenar dois importantes eventos ligados à família imperial, a Cerimônia e Jantar em Comemoração à Entronização do Imperador do Japão, Naruhito – no dia 22 de outubro do ano passado, no Círculo Militar de São Paulo – e a Celebração dos 60 anos de vida de Sua Majestade – no último dia 28, no Theatro Municipal.
Segundo ele, “na maioria das vezes apenas cobramos os politicos”. “Mas será que eles precisam da gente? É uma atividade de dois lados, tanto do lado dos políticos como do lado dos eleitores. Será que nós fotalecemos ou apoiamos os projetos desses politicos?”, indagou, acrescentando que os políticos “sempre se colocam à disposição e nós devemos apoiá-los sempre”.
“Não em benefício próprio, mas da coletividade”, disse Fukuhara, afirmando que, por outro lado, “os líderes e representantes de associações e /ou entidades também tem que ajudar, “e não simplesmente só criticar”.

Mão dupla – Para ele, a relação deve ser uma via de “mão dupla”, como definiu Hélio Nishimoto. Ou seja, “não devemos simplesmente pedir emendas parlamentares, até porque as emendas são pontuais e liberadas pelo governador de acordo com cada projeto e nem todos os projetos são contemplados”.
“O que nós precisamos é criar essa consciência , essa linha de conduta para ajudar a elaborar ou criar projetos a partir de experiências vividas na comunidade mas que beneficiem a sociedade brasileira”, disse Fukuhara, que citou como exemplo a questão dos idosos.
“Hoje, a expectativa de vida dos brasileiros gira em torno de 78 anos, em média, e a população de idosos vem aumentando ano a ano e temos que criar condições para que eles tenham uma melhor qualidade de vida”, explicou Fukuhara.

Marqueteiros – Para ele, um ponto “fundamental” é a experiência de certos politicos, que precisa ser levada em consideração. “Não é a questão de privilegiar ‘a’ ou ‘b’, mas valorizar a experiência que eles têm porque isso faz uma grande diferença”, disse. “Precisamos valorizar a expertise dos políiticos para que possamos dar continuidade ao processo e à história já em andamento”, disse Fukuhara, reconhecendo, também, que o país está atravessando por um claro momento de mudança. “E isso também reflete na comunidade e na nossa relação com os políticos”, afirmou Fukuhara, para quem os políticos nikkeis precisam “brigar mais por espaços” e ser mais “marqueteiros”.
“Os políticos nikkeis precisam ser mais ousados, reivindicar mais e não ficar na retaguarda, em compasso de espera. Precisamos ter representantes no alto escalão, um vice-governador, quem sabe?”, sugeriu.
Com 22 anos de mandato eletivo – sendo 12 como vereador e outros 10 como deputado estadual – Hélio Nishimoto concorda. “Por natureza, nós orientais temos um pouco mais de timidez e, às vezes, a gente não apresenta grandes sonhos ou desafios como deveríamos porque, se a gente se considera com bons costumes e com bons princípios, porque não se atirar para desafios maiores para a nossa comunidade que clama tanto, que está tão sedenta por lideranças fieis, por lideranças idôneas.? Mas para isso é preciso ter um pouquinho de coragem, sair da zona de conforto e partir para abraçar desafios maiores e mais corajosos”, disse o ex-deputado estadual, que se filiou ao MDB no final do ano passado com a missão de levantar eventuais lideranças do partido no Vale do Paraíba, formada por 39 cidades e cuja população chega a 2,5 milhões de habitantes.
Para Carlos Kendi Fukuhara, as entidades também têm um importante papel nesse processo. “Pelo estatuto, as entidades não podem tomar partido, mas podem, sim, ter suas preferências por determinados candidatos. Acredito que as oportunidades devam ser dadas a todos”, disse.

Papel da imprensa – Outra preocupação demonstrada pelo palestrante foi em relação ao futuro da imprensa nikkei. “E aí não só os políticos, mas também nós, lideranças da comunidade precisamos apoiar a imprensa nikkei não só para garantir a sua própria continuidade como também para fortalecê-la”, comentou Fukuhara, lembrando o exemplo do São Paulo Shimbun, que parou de circular no final de 2018 após 70 anos de história.
“Alguém tem que divulgar as ações da comunidade, alguém tem que divulgar as ações dos politicos e esse tem sido o papel dos jornais japoneses. Agora, que tipo de suporte nós podemos dar?”, questionou Fukuhara.

Reimei Yoshioka (Aldo Shiguti)

Velha guarda – Nascido na zona rural da Fazenda Aliança, na região de Mirandópolis, no interior paulista, Reimei Yoshioka usou sua própria experiência para mostrar que “nossos interesses aumentam conforme a gente vai participando da sociedade”. “Hoje em dia, para se eleger um candidato não pode contar só com os votos da comunidade nipo-brasileira . A última eleição, por exemplo, foi um baque para a comunidade nipo-brasileira. E porque disso? Porque o instrumento utilizado pelos politicos para fazer campanha mudou com essa nova gereação, haja visto o próprio presidente [Jair] Bolsonaro que se elegeu, além da facada, por causa da mídia eletrônica”, disse Yoshioka, lembrando, porém, que é da “velha guarda”.
“Ainda acredito que o politico precisa ter essência, e continuo valorizando a pessoa do politico e para valorizar a pessoa do politico, acho que a formação de base dele é fundamental. Daí a importância de valorizarmos a comunidade japonesa, cuja educação é bastante rígida”, explicou Yoshioka.
Para ele, valores como ética, respeito e honestidade – incutidos na cultura japonesa – não são exclusivos dos japoneses, “mas é desejável que todos sigam esses princípios, bem como o respeito é fundmanteal para qualquer cidadão e isso deve ser incutido. Segundo Yoshioka, falta também uma “pesquisa junto à comunidade para saber qual a necessidade da grande maioria”.
“Acho que os politícos deveriam, primeiro, peguntar para a comunidade qual a necessidade maior dela para a partir dai sim, elaborar projetos para serem levados adiante”.

Idosos – “No meu caso, por exemplo, lido com idosos. Essa população vem aumentando a cada dia que passa porque o mundo está envelhecendo muito rapidamente e os organismos sociais não estão devidamente preparados para enfrentar essa situação, então, o que e como devemos fazer?”, perguntou Yoshioka, lembrando que o Ikoi-no-Sono se preocupa com essa questão desde o ano 2000, quando iniciou um trabalho visando a preparação de, cuidadores de idosos, mesmo trabalho implantado em 2008 no Bunkyo.
Para ele, uma das saídas é usar os espaços ociosos dos kaikans, que “antigamente eram usados pelos jovens, para cursos, undokais e cursos de japonês”. “Mas hoje alguns espaços estão sendo subutilizados, então, porque não usá-los para desenvolver atividades relacionadas à terceira idade, não somente nikkeis, mas também da região? Basta colocar um cuidador, um recreacionista para atender esses idosos durante o dia e à noite eles voltam para as suas casas porque tem muita gente que fica o dia inteiro sem fazer nada”, sugeriu Yoshioka, que acredita que, para se eleger um número maior de representantes nikkeis é preciso preparo do candidato”. “De certa forma, ele é um líder da região e tem que aproveitar essa liderança para captar a necessidade dos moradores locais e com isso trabalhar para atender essa população, população que, por sua vez, tem que saber como reivindicar isso”, concluiu Reimei Yoshioka.

Hélio Nishimoto (Aldo Shiguti)

Balanço – Hélio Nishimoto considerou o Simpósio “bastante produtivo”. “Trata-se de uma iniciativa nobre porque se pensa no conjunto, na sociedade”. Segundo ele, os palestrantes trouxeram “elementos novos para a discussão”.
Quanto às próximas eleições, Nishimoto disse que seu foco é estruturar grupos politicos do MDB em cada municipio do Vale do Paraíba. “Hoje esse é o meu principal objetivo e ficarei satisfeito se conseguir atingir um grande número de representantes do MDB em todo o Vale do Paraíba”, comentou.
Ele, no entanto, não descartou a possibilidade de se lançar pré-candidato a vice-prefeito ou prefeito de São José dos Campos. “Isso só vai acontecer se realmente for necessário. Hoje nós temos o vice-prefeito de São José dos Campos, que é nikkei, o Dr. Ricardo Nakagawa, que faz dobradinha com o PSDB, meu antigo partido. Por enquanto estamos muito felizes e entendemos que essa dobradinha terá continuidade. Sendo assim estou trabalhando realmente com o intuito de fortalecer o MDB na região e só sairei pré-candidato se acontecer algum problema muito grave, como uma ruptura em São José dos Campos, mas a chance disso acontecer é muito pequena e estou muito satisfeito de fazer esse fortalecimento em cada município do Vale do Paraíba em busca de novas lideranças”, garantiu Nishimoto.

Régis Yasumura (Aldo Shiguti)

Grupo de WhatsApp – Para Regis Yasumura, um dos membros mais assíduos, o Movimento Político Nikkei começa a se “afunilar”. “Começamos maior e estamos afunilando, ou seja, está ficando somente os que tem interesse em defender a comunidade. Acredito que a palavra chave-chave seja lealdade, começando agora pelo dia 4 de outubro de 2020 onde nós vamos ter as eleições municipais”, destacou Regis, acrescentando que “hoje vivemos um momento um pouco diferenciado”.
“Se perguntarem para alguém da comunidade quem é Regis Yasumura poucos vão saber”, disse o vice-prefeito, que destacou o trabalho da midia social e propôs a criação de uma página do MVP no Facebook.
“O presidente Bolsonaro utilizou as redes sociais com maestria. O que nós precisamos é criar grupos no Facebook, Whatsapp e Instagram. São ferramentas que permitem obter informações em um clique. A velocidade de replicação de noticias será muito mais rapido. Uma postagem minha chega a ter 70, 80 mil e até 200 mil visualizações. Se a gente começar esse trabalho agora, em 2022 teremos um sucesso maior, vamos conseguir atingir um número de pessoas muito maior dentro de suas casas porque hoje todos tem um celular”, finalizou Regis, acrescentando que sai de Guaratinguetá para participar do Simpósio porque “acredito muito nesse grupo”.

Fake News – “Estamos em um ano atípico e é importante que a comunidade fique atenta aos pré-candidatos deste grupo porque nós precisamos de representatividade. Tem um ditado que é muito comum o qual diz que ‘quem não é vsito não é lembrado’. A gente precisa de representatividade, tanto no Poder Legislativo quanto no Executivo. Estou empenhado e para mim é uma honra fazer parte deste grupo”, disse Regis que, ao Jornal Nippak, revelou que este ano deverá sair novamente como pré-candidato a vice-prefeito de Guaratinguetá, “a não ser que haja uma mudança”.

George Hato (Aldo Shiguti)

Para George Hato, que enalteceu a figura do pai, o saudoso deputado estadual Jooji Hato, “vivemos num mundo com baixarias extremas”. Ele citou, espeficicamente, as fake news, que espera combater. “A melhor forma de responder a isso é com trabalho. Isso motiva a gente. Quanto mais se produzir fake news, mais a gente vai para as ruas para visitar os amigos e a nossa base. As fake news são o nosso combustivel porque ninguém vai criticar quem não está se destacando”, disse ele, que aprendeu com o pai a “unir forças”. “Meu pai sempre foi um conciliador, sempre trabalhou para unir os parlamentares para lutar por um projeto em prol da comunidade”, concluiu George Hato.

Calendário – Os próximos Simpósios já estão marcados: serão nos dias 5 de junho e 14 de agosto. Mais informações podem ser obtidas com o coordenador do Movimento Político Nikkei, o “sempre deputado” Hatiro Shimomoto pelos telefones: 11/2856-7290 ou 2856-7220 (falar com Jacira ou Carla). E-mail: hatiro@hatiro.com.br.

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