Uces repassa recursos do ‘Fundão’ idealizado por Tetsuhito Amano para socorrer Bunkyos da Sudoeste

Assembleia da Uces realizada no Kaikan de Piedade (divulgação)

Enquanto muitas entidades e associações estão quebrando a cabeça para tentar sobreviver em meio à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, os Bunkyos da região Sudoeste do Estado de São Paulo estão com o futuro garantido. Pelo menos nos próximos meses. Trata-se das associações filiadas à Uces (União Cultural e Esportiva da Sudoeste) que no último dia 8 ganharam uma importante ajuda emergecial para reforço de caixa com o repasse de R$ 294.750,00 para serem divididos entre 18 Bunkyos.
O dinheiro faz parte do “Fundo da Sudoeste”, projeto idealizado em 2012 pelo empresário Tetsuhito Amano e que nasceu como uma espécie de “desafio” para a Uces. A ideia inicial era captar, em um período de três anos, a quantia de um milhão de reais, sendo R$ 240 mil por conta da Uces – a proposta era arrecadar, entre os Bunkyos, R$ 80 mil anualmente. O empresário entraria com R$ 360 mil (R$ 120 mil/ano). Para isso, a Uces estabeleceu categorias – A, B e C – de acordo com o poder aquisitivo de cada Bunkyo.
Do valor inicial proposto por Amano – de um milhão de reais – a meta subiu para R$ 2 mi e depois R$ 3 mi até que, em 2018, por conta da queda dos juros, foi para R$ 2.500.000,00. “Já estávamos com cerca de R$ 2.400.000,00”, conta o presidente da Uces, Toshiaki Yamamura, lembrando que, pelo acordo, atingindo a meta de R$ 2.500.000,00, a Uces só poderia utilizar metade do rendimento desse montante – a outra metade retornaria para ser reaplicada no Fundo.
“Mas, por se tratar de uma emergência, decidimos por bem repassar parte deste dinheiro para os Bunkyos cotistas”, disse Yamamura que, preocupado com a situação dos Bunkyos que não tinham nenhuma cota, ele mesmo negociou com a Biblioteca Jovem de São Paulo, de propriedade de Amano, para que todos ficassem com um mínimo de cinco cotas sem prejuízo nenhum aos Bunkyos que já vinham pagando.

Efeitos – “Assim, na próxima reunião, todos terão direito a uma parte do repasse, caso seja necessário”, explica Yamamura que espera, no entanto, que a crise passe logo. Para ele, os Bunkyos que estão sofrendo mais o efeito da pandemia são os Bunkyos maiores, “aqueles que tem funcionários e aulas de japonês, por exemplo”. “Já os Bunkyos menores não tem tantas despesas fixas e , assim, os gastos são menores”, diz, acrescentando que teve oportunidade de visitar alguns Bunkyos durante a quarentena. “Todos estão na mesma situação, ou seja, com suas atividades paralisadas”, lamenta.

Tooro Nagashi – Segundo Yamamura, pelo menos até outubro, a região Sudoeste não deverá realizar nenhum evento aberto ao público. Até mesmo o tradicional Tooro Nagashi de Registro, o principal do país e que este ano atingiria sua 66ª edição, corre risco de não ser realizado.
“Estamos estudando a possibilidade de fazer uma cerimônia simbólica, com restrição de púbico”, revela ele, afirmando que não sabe como a maioria das associações conseguirá se manter caso a crise persista.
“Graças a esse Fundo as associações da Sudoeste estão conseguindo sobreviver, caso contrário não teríamos onde pedir ajuda pois empresas e prefeituras estão quebradas. Não foi pensando nessa crise que iniciamos esse projeto, mas graças a esse Fundo que o senhor Amano propôs há oito anos e que nós acreditamos quando ninguém mais acreditava, estamos conseguindo enfrentar essa crise”, assegurou Yamamura.

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