TÓQUIO 2020: Brasil e Japão fortalecem intercâmbio esportivo; judô pode fazer parte do currículo escolar

Décio Brasil, Osmar Terra e Akira Yamada apresentam memorandos (Aldo Shiguti)

A praticamente cinco meses do início dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio, Brasil e Japão estreitaram laços e reforçaram ações de cooperação para aproximar os setores esportivos das duas nações. No último dia 10, em cerimônia realizada no Auditório da Secretaria Especial do Esporte, em Brasília, o Ministério da Cidadania e a Embaixada do Japão assinaram dois termos de cooperação que promovem o intercâmbio esportivo entre os países.
A assinatura foi realizada pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra, e pelo embaixador Akira Yamada no evento Tóquio 2020 – O intercâmbio esportivo Japão-Brasil e que contou também com as presenças secretário Especial do Esporte, Décio Brasil; da senadora, Leila Barros; dos deputados federais Expedito Netto e Julio Cesar; do vice-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Marco La Porta; do gestor técnico nacional e de eventos da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Matheus Theotonio da Silva; do presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Mizael Conrado; do secretário executivo do Ministério do Turismo, Daniel Nepomuceno e da técnica da seleção brasileira masculina de judô, Yuko Fujii, além de atletas.

Demonstração de karatê (Aldo Shiguti)

O primeiro memorando permitirá um intercâmbio de boas práticas esportivas entre os países, como troca de experiências entre profissionais do esporte, realização de cursos de treinamento, aperfeiçoamento de programas de inclusão social, reforço em ações de combate à dopagem e promoção da participação de idosos e pessoas com deficiência nas práticas desportivas.
Abrindo a série de discursos, o embaixador Akira Yamada destacou que, sob o lema ‘Do Rio para Tóquio’, o Japão, juntamente com o Brasil, aproveita a ocasião para impulsionar ainda mais a cooperação e o intercâmbio na área dos esportes entre o Japão e o Brasil.
“Por meio do Memorando de Cooperação Esportiva, ambos os países irão fomentar cooperações em diversas áreas tais como medidas antidoping, medicina esportiva e engajamento de pessoas com deficiência, idosos e mulheres nos esportes, além de promover o intercâmbio interpessoal entre atletas e equipes”, disse Yamada, que, aos jornalistas afirmou que o Japão e o Brasil tem uma relação de cooperação “excelente”, mas acredita que há espaço para uma cooperação ainda mais ampla e um aprofundamento em muitas áreas.

Autoridades foram homenageados pelos atletas (Aldo Shiguti)

Judô – “E o esporte é uma das áreas mais importantes para aprofundar ainda mais as nossas relações”, afirmou o embaixador, destacando que, entre os muitos esportes, o judô se destaca porque muitos mestres japoneses vieram ao Brasil ao longo desses quase 112 anos de imigração com a misão de ensinar os brasileiros. “Agora o Brasil é bastante forte no judô, modalidade que mais deu medalhas olímpicas para o Brasil”, disse Yamada, lembrando que o segundo termo de cooperação assinado no evento tem como intuito promover o ensino de judô na escolas brasileiras.
Segundo Yamada, “o efeito educacional do judô é altamente avaliado, pois o judô não objetiva apenas fortalecer o fí,isico e adquirir a técnica para vencer o adversário, mas também aprimorar os valores internos como respeito ao oponente e disciplina”.

Akira Yamada registra apresentação de karatê (Aldo Shiguti)

Conceitos – “Até hoje, o Japão vem proporcionando as cooperações necessárias, convidando mestres brasileiros ao Japão e enviando mestres japoneses ao Brasil com o objetivo de introduzir o judô no currículo escolar brasileiro. Portanto, gostaria de continuar promovendo tais iniciativas”, discursou Yamada, que, voltando a falar sobre os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio, lembrou que “já se passaram três anos e meio desde a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos do Rio em que o primeiro-ministro Shinzo Abe apareceu como Super Mario e surpreendeu a todos”. “Daqui a pouco será vez de Tóquio”, disse, explicando que o Japão trabalha com três conceitos básicos para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio.

Evento reuniu dirigentes e atletas em Brasília (Aldo Shiguti)

Omotenashi – “O primeiro se refere a ‘todos dão o melhor de si’. Pretendemos realizar os Jogos para que todos os atletas consigam obter as melhores performances e quebrar o maior número de recordes individuais. Para isso, o Japão receberá pessoas de todo o mundo com o máximo de hospitalidade – ‘omotenashi’. Temos 9 províncias e cidades registradas como anfitriãs para que os brasileiros consigam obter as melhores performances e para que muitos brasileiros venham ao Japão na Olimpíada e Paralimpíada”, disse o embaixador, afirmando que o segundo conceito diz respeito a “diversidade e harmonia”.

Diversidade – “Pretendemos realizar os Jogos com o intuito de criar uma sociedade na qual todos possam respeitar e aceitar as diferenças naturalmente em diversos aspectos, como raça, gênero, religião, com ou sem deficiência, entre outros”, observou Yamada, explicando que, o terceiro conceito é a “herança para o futuro”.

Ministro Osmar Terra e o embaixador Akira Yamada (Aldo Shiguti)

Legado – “Pretendemos atuar para que o Japão possa promover mudanças positivas para o mundo por meio dos Jogos e herdar tais mudanças para o futuro”, frisou Yamada, acrescentando que nos Jogos Olímpicos de Tóquio serão 33 esportes em disputa com 339 modalidades e nas Paralimpíadas serão 22 esportes em disputa com 537 modalidades.
O embaixador ressaltou que, por ele – se pudesse –, assistiria a todos as modalidades tanto olímpicas quanto paralímpicas. “Mas estou especialmente interessado no futebol, vôlei e judô. De fato, estas são as três modalidades nas quais o Brasil conquistou medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio. Espero ter finais entre o Japão e o Brasil desses esportes. Irei torcer para pelo Japão, mas todos fiquem à vontade para torcer pelo Brasil”, disse, arrancando risos da plateia.
Yamada explicou que, para os Jogos Olímpicos de Tóquio foram adicionados cinco novos esportes: beisebol, softbol, karatê, skate, escalada e surfe, e dois para a Paralimpíada: taekwondo e badminton.
E encerrou sua fala desejando que se intensifique ainda mais a cooperação e o intercâmbio entre o Japão e Brasil por meio do judô e de outros esportes.

Ministro da Cidadania, Osmar Terra: admiração pelo Japão (Aldo Shiguti)

Parceiros – Para o ministro da Cidadania, “essa cerimônia é uma continuidade dos bons resultados que obtivemos nos Jogos Rio 2016 – quando o Brasil foi o primeiro país da América do Sul a sediar as Olimpíadas e Paralimpíadas, além de retratar a parceria histórica que temos com o Japão”. “Tenho certeza de que essa colaboração será útil para aprofundar nossos vínculos e para aprendermos com o povo japonês”, afirmou Osmar Terra.
O ministro lembrou que o Japão é um dos principais parceiros econômicos do Brasil, além de abrigar a terceira maior comunidade brasileira fora do país. No Brasil, vivem mais de 2 milhões de japoneses e descendentes e no Japão são 200 mil brasileiros.
Osmar Terra lembra que foram nos Jogos Olímpicos de 2016 que Brasil e Japão participaram com suas maiores delegações de atletas em toda a história. “Também foi no Rio de Janeiro que nós brasileiros ganhamos mais medalhas de ouro e obtivemos a nossa melhor classificação geral na competição. E pelo que sei, foi nessa mesma Olimpíada que o Japão também conseguiu o maior número de medalhas”, disse Osmar Terra. “Quanto aos Jogos Paralímpicos, em 2016 o Brasil também nunca havia participado com tantos paratletas. E foi na Rio 2016 que ganhamos o maior número de medalhas e obtivemos pela terceira Paralimpiada consecutiva a colocação geral entre os dez melhores países”, afirmou, destacando que o Ministerio da Cidadania também conta com uma “delegação japonesa”.

Secretário Décio Brasil, ministro Osmar Terra e embaixador Akira Yamada assinam memorandos (Aldo Shiguti)

Cultura milenar – “Quem cuida do orçamento do Ministério é descendente de japoneses, quem cuida do programa mais premiado do Ministério é descendente de japoneses e quem está cuidando agora dos esportes da mente também é descendente de japoneses. Temos uma turma que nos ajuda muito com aquela cultura milenar do Japão, com aquela disciplina e com aquela integridade”, disse o ministro, lembrando que, “além desses vínculos humanos” o Japão é um dos principais parceiros comerciais do Brasil e o fluxo de investimento do Japão no Brasil comprovam uma parceria estratégica bilateral muito sólida.
“Esporte, gastronomia, cultura e tecnologia são apenas alguns ativos que nos mantém profundamente conectados e favorecem relações bilaterais fluidas e amistosas. Não haveria, momento mais oportuno para a assinatura de memorandos de cooperação esportiva e memorando de cooperação no judô do que nessa solenidade de promoção dos Jogos Olímpícos e Paralímpicos de Tóquio 2020. É nossa intenção dar plena implementação a esses memorandos que permitirão intercâmbio de boas práticas, a troca de profissionais do esporte, a realização de cursos de aperfeiçoamento, o aperfeiçoamento de programas sociais de inclusão pelo esporte e das ações de combate ao doping e a promoção de participação de mulheres e idosos nas práticas esportivas”, assegurou Osmar Terra, que fez um registro especial ao memorando de cooperação no judô.

Autoridades presentes na cerimônia “Tóquio 2020”: pontapé (Aldo Shiguti)

Ganbatte – “A paixão japonesa pelo futebol é tão profunda quanto nosso apreço pelo judô. Não por acaso o maior número de medalhas conquistadas por nossos atletas em Olimpíadas é justamente no judô. Nosso foco com essa acordo específico é formar melhores cidadãos no nosso país e, quem sabe, futuros campeões dos tatamis”, concluiu o ministro, que encerrou sua fala com um “domo arigatô gozaimasu. Ganbatte Kudasai”.

O secretário especial do Esporte, Décio Brasil (Aldo Shiguti)

Transformação – O secretário especial do Esporte, Décio Brasil, falou do centenário Olímpico comemorado em 2020. “Nós, aqui, sabemos como é importante esse evento e como os Jogos Olímpicos contribuem para difundir o esporte. Desde 2016, o Brasil evoluiu muito o seu desempenho esportivo e estamos confiantes para Tóquio 2020”.
Décio Brasil lembrou da cooperação entre os dois países que permitiu, desde 2017, a capacitação de 1,5 mil professores brasileiros de judô pela metodologia japonesa. Como resultado, mais de 8 mil crianças e adolescentes brasileiros tiveram oportunidade de conhecer essa técnica. Segundo ele, a ideia é trabalhar para expandir a prática do judô em idade escolar “porque nós acreditamos que o esporte é a melhor ferramenta de transformação da vida humana”.
O secretário ainda ressaltou que o judô é uma das modalidades mais presentes nos programas sociais do ministério. “Atualmente temos quase 35 mil pessoas beneficiadas pelo judô nas ações da Secretaria Nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social. No Bolsa Atleta, são 306 contemplados que correspondem a um investimento de R$ 6 milhões do Ministério da Cidadania”.

A senadora Leila Barros (Aldo Shiguti)

A senadora Leila Barros falou em nome do Congresso Nacional e salientou a importância do esporte voltado ao âmbito educacional. “Precisamos trabalhar o esporte lá na base, pois ele é um importante instrumento de educação. O alto rendimento é importante e os nossos atletas merecem ser valorizados, mas não podemos esquecer de trabalhar o esporte em âmbito educacional, oferecendo um esporte de qualidade às nossas crianças e jovens”. A senadora parabenizou o ministro Osmar Terra e o embaixador Yamada pelo acordo e pela iniciativa.

Matheus Theotônio: esperança (Aldo Shiguti)

Esperança – Matheus Theotonio disse que a assinatura deste memorando “nos enche de esperanças”. “Trata-se de um projeto que início em 2017 e terminaria em 2020 com a chegada dos Jogos Olímpicos. No ano passado, no Campeonato Mundial realizado no Japão, discutimos a possibilidade da continuidade deste projeto e fomos surpreendidos com o interesse do governo japonês não só em manter mas como ampliar essa parceria”, destacou.
“Ainda como fruto entre dessa parceria, iniciamos um trabalho de tradução de materiais didáticos em formato de apostilas da Federação Japonesa de Judô. São instruções básicas e já negociamos a segunda apostila, que são as instruções de segurança do judô e pretendemos em breve ter uma terceira apostila”, revelou.

Marco La Porta, vice-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (Aldo Shiguti)

Expectativas – Após a assinatura dos termos, foi exibido o vídeo de apresentação dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio 2020. O vice-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Marco La Porta, falou da expectativa da equipe brasileira.
“Este é um ano importante e cheio de desafios. Os Jogos Rio 2016 nos colocaram em um patamar das principais potências olímpicas do mundo e queremos manter ou elevar isso. O nosso objetivo estratégico é melhorar o resultado das Olimpíadas de 2016 e estamos trabalhando incansavelmente para isso”. La Porta ainda falou do judô e salientou a possibilidade do aumento de medalhas na modalidade.

Mizael Conrado, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (Aldo Shiguti)

Para o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Mizael Conrado, os Jogos Paralímpicos representam as maiores bandeiras do esporte: a superação e a inclusão. “O esporte é uma das maiores ferramentas disponíveis para a inclusão das pessoas na sociedade. Ele reabilita um indivíduo com deficiência e resgata a sua autoestima, além de mudar a percepção da sociedade diante das pessoas com deficiência. O esporte é fundamental”, disse, lembrando que a fase de aclimatação – que antecede a entrada dos paratletas na Vila Olímpica, será feita na cidade de Hamamatsu.
“Fomos acolhidos de uma maneira extremamente importante que mobilizou a sociedade civil, as empresas e formaram uma grande estrutura para nos receber”, disse Mizel, explicando que um dos aspectos que levou o Comitê a escolher Hamamatsu foi o fato de ser a cidade com o maior número de brasileiros. “E ó um argentino”, brincou.
Após a cerimônia houve uma demonstração de karatê.
(Aldo Shiguti, com informações do Ministério da Cidadania)

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