Sobrevivência

Tá fácil para você? Sorte a sua.

Por aqui, a coisa está nada bonita. Muito pelo contrário. Mas, pensando sobre isso, chego à conclusão que nem sou a pior das pessimistas que sempre achei. Afinal de contas, a minha volta tudo parece em ordem.

Depois de um tempo afastada de alguns grupos e de alguns amigos, aos poucos, ando retornando a lugares em que era frequente nos últimos anos. Reencontrar velhos conhecidos tem sido bom. Costumo ouvir que meu aspecto está legal, a minha pele está bonita. Bem, aí vem a pergunta aos meus botões: será que antes de sair de cena, estava muito diferente? Será que eu andava acabada e nem me dava conta? Bem, não importa.

Importa é como ando fazendo as coisas agora. Ou pelo menos, tento fazer. Alimentação regrada, obediência aos horários dos remédios, dormir cedo e levantar cedo, exercícios físicos todas as manhãs, banhos frios – agora é verão, está fácil encarar. Tem ainda uma série de medidas que ainda pretendo adotar, mas, melhor ir devagar.

Daí vem a má língua e diz: está explicada a falta de assunto, a falta de inspiração e graça. Será? Até pode ser. Mas, não.

Esse cuidado todo comigo mesma é por uma questão de sobrevivência física e mental.

Agora, a falta de inspiração, graça e assunto atribuo à minha perplexidade que aumenta a cada dia ao ver as atrocidades sendo cometidas país adentro. Triste é constatar que assistimos passivamente aos espetáculos oferecidos pela turma que tomou o poder.

Dia desses, alguém me disse que a única forma que temos para melhorar este estado de coisas é o voto. Legalzinho pensar assim. Mas como é mesmo que esta turma chegou ao poder?

E quem me disse isso não é nenhum iletrado ou incapaz de entender o que lê. Sei que sua bagagem intelectual é ampla.

Também eu, continuo acreditando que a melhor forma é a escolha através do voto. No entanto, padecemos nós todos com a escolha feita pela maioria.

Maioria sordidamente manipulada desde 2013, 2014. Antes, até, se pensarmos na falta de estímulos que sempre se deu à educação neste país.

Sabemos muito bem que nesta maioria incluem-se pessoas como eu, como você, como minhas amigas e meus amigos que nos anos de juventude tinham sonhos e expectativas de uma velhice digna, de um país digno para seus filhos e netos. Muitos desses, caíram na cilada daqueles anos em que, tínhamos como presidente uma mulher que trabalhou acreditando num futuro melhor para a população. Ingênuos, deixaram-se levar pelo discurso da classe dominante. Como bonequinhos foram manipulados pelas grandes campanhas de derrubada da presidenta, alguns até se vestiram de verde/amarelo para aplaudir o pato da Paulista. Toscos. Hoje, estão por aí lamentando em voz baixa que sua aposentadoria mal dá para pagar a mensalidade do colégio dos netos. Ah! Clar o! A nova onda é o empreendedorismo. Seus filhos, apesar de graduados, às vezes, até com mestrado, optaram pelo Uber. E no empreendedorismo, você sabe, a renda é instável, nem sempre cobre as despesas do dia a dia de uma família.

Triste quadro. Triste classe média.

No entanto, sigamos. A ordem e crença ancestral é não sucumbir.

Tudo na vida é cíclico. Se está bom, pode piorar. E nada é tão ruim que não possa ficar ainda pior.

Alegria! Dias melhores virão. Veremos.

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