Show da Imigração Japonesa faz chorar. E rir também

(Aldo Shiguti)

Emocionante, lindo, maravilhoso, superprodução… Não faltaram adjetivos para definir o Show da Imigração Japonesa apresentado no último domingo, 9, no Grande Auditório do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), no bairro da Liberdade, em São Paulo. Produzido por Fabio Toma com participação de Angelaisa Toyota, Takeshi Nishimura Paula Hirama, Sergio Tanigawa, Pedro Mizutani, Takahata Shoji, Eunice Mizutani, Akemi Okamoto e Yasmin Yamashita, além dos grupos de taikô Ryukyu Koku Matsuri Daiko, Kien Daiko, de São Bernardo do Campo, Shinkyo Daiko, de São Caetano do Sul, Raijin, da Liberdade, e Mitsuba (Kids e Yosakoi Soran), do Instituto Cultural Nipo-Brasileiro de Campinas, o espetáculo teve renda revertida para a Assistência Social Dom José Gaspar – Ikoi-No-Sono.
Foi a 33ª vez que o Show da Imigração Japonesa foi apresentado em seis Estados – São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Goiás, Minas Gerais e Pará – mas foi a primeira vez que a trajetória dos imigrantes foi contada neste novo formato, que mesclou teatro e show, propriamente dito. E, pela reação do público as quase duas horas de duração foram suficientes para trazer à tona todo o sofrimento e alegrias vividos nestes 112 anos de imigração japonesa. Choro e risos se misturaram em meio à plateia, gente vinda de várias regiões do Brasil como Barretos, Bahia, Birigui, Brasília, Campinas, Dourados, Espírito Santo, Guarulhos, Indaiatuba, Itatiba, Itariri, Itu, Jaboticabal, Lins, Londrina, Manaus, Piracicaba, Registro, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, São Carlos, São Bernardo do Campo, Taboão da Serra, Vinhedo e até mesmo do Japão, sem contar os paulistanos, que desde cedo já formaram um longa fila na entrada do prédio do Bunkyo.

Depoimentos – Pessoas como Emico Torigoe, de 79 anos. Nascida em Cafelândia (SP) – cidade que ocupa papel de destaque na história da imigração japonesa – mas morando atualmente na capital paulista, Emico disse que adorou. “Quem não chorou é porque não tem coração. É a história do meu pai, que conhecia através de livros”, disse ela.
Também estavam na plateia 25 idosos do Ikoi e 17 cuidadores. O senhor Toshiyassu Oki, de 103 anos, disse que estava ansioso por ver a sua história contada no palco, bem como Yaeko Ariga, de 77 anos, que chorou ao lembrar da mãe e dos avós. Kimiko Sano, de 90 anos, veio de Shizuoka com apenas seis meses. Única sobrevivente da família que veio no navio, Kimiko também estava emocionada.
São histórias de lutas, desafios e especialmente a gratidão dos descendentes japoneses ao povo brasileiro que os acolheu e permitiu que formassem aqui suas famílias que fizeram com que o jurista Kiyoshi Harada fosse um dos primeiros a acreditar no projeto. “Quem pode tem que ajudar instituições como o Ikoi-No-Sono, que merece todo apoio não só da comunidade nipo-brasileira como da sociedade em geral por minimizar o sofrimento de tantas pessoas”, explicou Harada, que estava na primeira fila acompanhado pela esposa, a também advogada Felícia Harada.
Para o produtor Fábio Toma, o esforço valeu a pena. Para ele e os artistas, foi tudo aquilo que se esperava e um pouco mais. “Dava para ver nos semblantes das pessoas. Ninguém se mexeu do começo ao fim. Pelos comentários, falaram que nem no Japão viram algo parecido”, comemorou Fabio, lembrando que, na verdade, o projeto embrionário vem desde 2016, quando foi apresentado pela primeira vez na Universidade Estadual da Bahia com o nome “1º Kansha In Concert – Gratidão”.
“Desta vez tínhamos um desafio de entregar algo totalmente diferente. Já tínhamos um grupo de artistas que vinham se apresentando e a eles somaram-se outros grupos, como o Mitsuba, que acabou em um casamento perfeito. Ou seja, tínhamos o enredo e os cantores e eles entraram com a interpretação”, explicou Toma, lembrando que o espetáculo começou a ser planejado em novembro. “Foram meses de ansiedade e realmente tivemos receio de não conseguir conclui-lo em tempo”, conta o produtor, revelando que já existe um segundo projeto em andamento.

Gratidão – Para Angelaisa Toyota, que mal conseguia falar após o espetáculo tamanha emoção – “só dava vontade de chorar” – o show foi preparado com muito carinho por todos os envolvidos com um único objetivo: mostrar o quanto os nossos pioneiros fizeram para que hoje estivéssemos aqui, contando essa história. “Fazer oditians e obatians saírem de casa e vê-los se emocionarem… O espírito do espetáculo era esse mesmo, mostrar toda a gratidão que nós temos por eles”, finalizou Isa.

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