Rotary Club de São Paulo Brasil Japão quer difundir os valores da cultura nipo-brasileira

Participantes da live de lançamento do Rotary Club de São Paulo Brasil Japão (Arte Joy Photograpy)

Fundado no dia 18 de junho deste ano – quando a comunidade nikkei celebrou os 112 anos da imigração japonesa no Brasil – o Rotary Club de São Paulo Brasil Japão, o primeiro clube satélite a se tornar um clube rotário na história do Distrito 4420, já nasceu com propósitos específicos: difundir os valores da cultura nipo-brasileira através de projetos culturais, além de apoiar as instituições culturais e assistenciais da comunidade.
Segundo um de seus idealizadores, o Governador Assistente da Área SP 05 do Distrito 4420, Ronaldo Ogasawara, a ideia é “ser uma referência no meio rotário através de práticas e ações seguindo a cartilha do Bushido: Compaixão, Coragem, Respeito, Honestidade, Sinceridade, Lealdade e Honra com a premissa rotária ‘dar de si antes de pensar em si’”.

Lançamento – Por conta da pandemia do novo coronavirus, o lançamento seguiu as últimas tendências e foi feito de forma virtual no último dia 29. Participaram autoridades rotarianas – como o presidente da Comissão de Desenvolvimento do Quadro Associativo do Distrito 4420, Ronaldo Varella; o presidente do Rotary São Paulo Saúde, Antonio Martins de Araújo e o Governador do Distrito 4420, Adriano Valente – não rotarianas e lideranças da comunidade nikkei, entre eles o presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Renato Ishikawa, além do cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi.
Presidido por Paula Kashin Ogasawara, o clube satélite conta com pouco mais de 20 membros, entre descendentes de japoneses ou não, com idade média de 40 anos e das mais variadas profissões. São eles: Alexandre Kita, André Wakimoto, Daniela Gonzalez Ishida, Danny Cardona Antezana, Dennis Masaki Kano, Edson Yassuo Bajou, Eduardo Yoshio Niwa, Eric Riuma Hanai, Fabio Miura, Jayme Jye Ming Chen, Joy Shuji Yamamoto, Marcelo Augusto Assunção Harada, Marcia Naomi Yabusaki, Marcio Kazuo Watanabe, Marcos Diogo Miyahara, Mauricio Yung, Newton Issamu Kariya, Renato Takashi Ohtaguro, Ronaldo Ogassawara, Shigueko Shimba, Tomohiro Ishida e Wagner França.
Ronaldo destaca que, assim como a presidente Paula Kashin Ogasawara possui ascendências japonesa, portuguesa, italiana e russa, a equipe é o “retrato da mistura racial que o Brasil proporcionou aos seus filhos”.

Paula e Ronaldo Ogasawara desafios (reprodução)

Coragem e determinação – “A gratidão e a vontade de retribuir tudo isso que nos foi transmitido são valores muito forte do clube. Muitos desafios teremos para frente, mas a coragem e determinação não faltarão aos associados”, explica Ronaldo Ogasawara..
Presidente do Rotary São Paulo Saúde, clube padrinho onde teve início o clube satelite, Antonio Martins de Araújo disse que “a transformação do primeiro satélite do Distrito 4420 em clube é momento histórico para todos nós”. “Esse clube tem como objetivo divulgar, preservar e cultuar a cultura japonesa junto aos seus descendentes. E já nasce forte, com cerca de 20 sócios em um momento em que o planeta pede ajuda de todos nós”, disse ele, acrescentando que “talvez no melhor momento para ser formado um clube com esses princípios dos valores da cultura japonesa: disciplina, hierarquia, tradição, coletividade, harmonia e respeito, gentileza, omotenashi, omoiyari, mottainai e kansha”.
“Ele [o Brasil Japão] é um clube em que o moderno e o antigo se fundem. É arrojado e tem grande potencial. Tenho certeza que ainda veremos à frente de importantes ações humanitárias onde o Rotary e seus clubes estejam engajados e será mais um motivo de orgulho por ter sido em nosso clube a sua formação”, finalizou Araújo.
Já Ronaldo Varella lembrou que o clube nasceu pequeno e “hoje ganha maturidade”. “Ao atingir a maturidade, tenho a certeza que vocês vão fazer coisas grandiosas não só pela comunidade mas também por todo mundo”, comentou.

Fronteiras – Ronaldo Ogasawara explicou que o projeto do clube satélite nasceu em 2018, juntamente com o Vizinhança Solidária, e teve continuidade nos dois anos seguintes. Em muitas das reuniões que participou, conta, ouviu que “clube satélite não funciona”. “Quando escuto algo desta forma, lembro dos meus ascendentes, que vieram ao Brasil sem condições nenhuma e venceram. Deixaram para nós o maior legado que o ser humano pode receber, que é superar as dificuldades, é colocar a família em primeiro lugar”, disse, acrescentando que este o sonho se concretizou e tanto o Brasil Japão como o Vizinhança Solidária se tornaram realidade.

Ideia é ser uma referência no meio rotário através de práticas e ações (Arte Joy Photograpy)

Sentimentos – Segundo ele, o Brasil Japão tem uma caracteristica muito especifica, “que é a de um clube que não vai ter fronteiras”. “O que nós temos são os sentimentos de nossos ascendentes e que vamos levar para a nossa comunidade, rotária e não rotária, além de apoiar as missões culturais nipo-brasileiras”, destacou, explicando que o “Rotary é um só”.
“Nós fazemos o Rotary, o Brasil Japão estará ombreado eternamente com seu clube padrinho Saúde e seu clube irmão Vizinhança Solidária. Nós temos a premissa de dar de si antes de pensar em si, uma premissa rotária, e temos também aquele sentimento que nosss ascendentes imigrantes passaram para nós. O nosso clube Brasil Japão não é composto apenas por descendentes, o nosso clube Brasil Japão possui companheiros de outras etnias, mas com principios e valores iguais. E para nós é isso que importa, importa fazer a diferença no noso pais, e não vamos medir esforços para isso”, disse ele, que finalizou afirmando que “por trás de um grande homem existe sempre uma grande mulher”.

Presente – “Sem ela eu não seria nada”, revelou, referindo a sua esposa, Paula Kashin Ogassawara.
Para o governador do Distrito 4420, Adriano Valente, “o presente foi dado lá atrás”, quando teve oportunidade de se aproximar de um grupo “muito especial”. “Graças a sua liderança local e regional, esse grupo hoje faz parte de um dos grupos mais ativos no que tange a tudo que se refere a projetos sociais e de comunidade jovem e ativa”.
“Se posso te agradecer por alguma coisa, é dizer que, na minha opinião, você tem trazido para dentro do Distrito 4420 um grupo muito especial, de pessoas engajadas que vieram para fazer uma diferença muito grande e eu me sinto muito honrado de simplesmente fazer parte do conhecimento dessas pessoas”, elogiou Valente.

Cônsul Yasushi Noguchi (reprodução)

Costumes japoneses – O cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi, que está retornando ao Japão no próximo dia 28, também enviou uma mensagem na qual parabeniza os esforços de todos para fundar a nova organização cujo objetivo é divulgar a cultura japonesa. O cônsul lamentou o fato de o Brasil ainda estar sofrendo com a pandemia do novo coronavírus e lembrou o sucesso que o Japão está tendo no controle da doença.
“Esse sucesso se pode atribuir aos costumes japoneses tradicionais, como lavar as mãos, tirar os calçados antes de entrar em casa e também o ato de fazer reverência ao invés de dar as mãos. Desde criança nos ensinam esses costumes”, afirmou.

Desafios – Por fim, quem deu o seu depoimento foi o presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa. Ele parabenizou a presidente Paula Ogasawara, “que assume uma desafiante tarefa de dar a partida e consolidar os primeiros passos do novo clube rotário”. Ishikawa acredita que a juventude dos sócios é um dos pontos positivos a ser destacado. “Minha torcida é para que, em pouco tempo o pessoal já esteja conquistando destaque na nossa comunidade e na nossa sociedade brasileira. Como presidente do Bunkyo e do Hospital Santa Cruz, onde conheci o Ronaldo Ogasawara, tenho certeza que dentro de pouco tempo poderemos contar com a força renovadora de mais uma entidade parceira para somar sua capacidade empreendedora com os dos nossos voluntários nas realizações de eventos culturais”.

Abe – Segundo ele, “vivemos um tempo que está sendo chamado de novo normal e que vai exigir mudanças de uma série de procedimentos”. “Nesse sentindo, as entidades nipo-brasileiras precisarão se atualizar e se adaptar a esse novo cenário. E certamente terão que contar com a ajuda de todos vocês, tanto para sua adaptação no âmbito nacional como internacional envolvendo o intercâmbio Brasil-Japão”, discursou Renato Ishikawa, que finalizou sua fala com uma frase dita pelo primeiro-ministro japonês Shinzo Abe por ocasião de sua visita ao Brasil em 2014: “Progredir juntos, Liderar juntos e Inspirar juntos”. E acrescentou: “Vamos sonhar juntos”.

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