RECONSTRUÇÃO DE FUKUSHIMA1: Estagiários participam de programa para conhecer situação atual da província

A lista de passageiros do navio Kasato Maru

Lembrança da visita ao Museu da Migração Japonesa ao Exterior da JICA

Oferecido pela prefeitura provincial de Fukushima, o “Estágio para Nikkeis da América Latina e da América do Norte do Ano 1 da Era Reiwa” ocorreu entre os dias 22 a 31 de janeiro, contando com a participação de seis nikkeis da América Latina e três da América do Norte. Também foi realizado o “Projeto para Promoção de Cooperação entre as Comunidades Nikkeis da América Latina e Governos Locais”, promovido pelo Ministério de Assuntos Internos e Comunicações do Japão. Uma repórter deste jornal acompanhou o grupo para informar sobre a experiência. Dois membros do grupo seinenbu da Associação Fukushima Kenjin do Brasil participaram desse estágio e conheceram a situação atual de reconstrução da província após o Grande Terremoto do Leste do Japão. Também aprenderam sobre a cultura e a história locais, tornando-se uma experiência bastante proveitosa.

“Vou encontrar pela primeira vez com parentes distantes durante este estágio”, disse Levi Sato, sansei de 32 anos que se mostrava um pouco tenso durante a espera pelo embarque no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
É a segunda vez que ele visita o Japão, mas irá a Fukushima pela primeira vez. Estava ansioso para saber mais sobre suas raízes.
Para Ágatha Sayuri Murakami, gosei de 22 anos, é a primeira visita que faz a província de seus antepassados. Apesar da expressão triste por se separar da família, seu olhar brilhava de expectativa: “Mal posso esperar para conhecer tudo. Estou bastante animada”, disse.
O grupo chegou ao Aeroporto Internacional de Narita na noite do dia 22, reunindo-se com os demais estagiários que vieram de outros países. Pernoitaram em um hotel próximo, preparando-se para as atividades do dia seguinte.
Além do Brasil, mais quatro países participaram do estágio nesta edição: Estados Unidos, República Dominicana, Peru e Argentina. Os jovens entre 16 a 33 anos, selecionados entre as associações provinciais de cada país, participaram do estágio de dez dias na província natal de seus antepassados, com a expectativa de que se tornem a ponte entre a província e seus países de origem.
Na manhã do dia 23, o grupo visitou o Museu da Migração Japonesa ao Exterior da JICA. Apesar de não ser um fato muito conhecido, a província de Fukushima cumpriu um papel bastante significativo na história da imigração japonesa.
Em 1868, teve início a imigração japonesa em grupos para o Havaí. No ano seguinte, 22 japoneses oriundos de Aizuwakamatsu, província de Fukushima, imigraram para a Califórnia, nos Estados Unidos. Muitos deles eram samurais do domínio de Aizu, derrotado na Guerra Boshin. Eles formaram a primeira colônia japonesa em solo norte-americano, a “Wakamatsu Colony”.
No ano passado, nas comemorações dos 150 anos dessa imigração, foi publicada uma reportagem especial no jornal de língua japonesa mais antigo do mundo, a Rafu Shimpo (http://u0u1.net/Pnzt).
Posteriormente, a província enviou muitos imigrantes, ficando na sétima posição nacional. No Brasil, dos 781 passageiros que chegaram no Kasato Maru em 18 de junho de 1908, 77 deles eram provincianos de Fukushima.

Shichinosuke Watanabe, do navio imigrante Kasato Maru (foto cedida por Ágatha Sayuri Murakami)

Um deles foi o trisavô de Ágatha, Shichinosuke Watanabe. Segundo o livro “60 anos após o Kasato Maru” (página 44), publicado em comemoração aos 60 anos de imigração, ele contava com 81 anos na época da publicação e vivia em Guarulhos, no estado de São Paulo. Em 1967, ele retornou ao Japão, fixando residência no local onde morava, no bairro de Nishikicho, cidade de Nihonmatsu, em Fukushima.
Sobre as lembranças da época, ele escreveu: “Tenho saudades. Também me sinto feliz por retornar vivo. Muitas recordações afloraram de uma vez”.
A guia do museu começou a explicar: “A imigração japonesa no Brasil começou com o Kasato Maru”. Foi quando Ágatha percebeu que falavam sobre o trisavô e começou a tirar fotos da exposição com uma expressão séria.
Ao término da visita guiada, Levi e Ágatha foram levados à biblioteca, onde puderam pesquisar os nomes de seus antepassados na lista de passageiros dos navios, registrando em fotos. Ao conhecer pela primeira vez suas raízes, puderam ter maior compreensão sobre sua terra natal.
O grupo deixou o museu e visitou Tóquio em meio a chuva. Passearam pelos arredores do Palácio Imperial e, após visita ao Templo Sensoji, em Asakusa, viajaram de trem-bala para a cidade de Koriyama, província de Fukushima, chegando à noite no hotel.

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“Fukushima está bem, venham nos visitar!” Depois do estágio na província, participantes fizeram palestra

➡Fukushima trilha o caminho da reconstrução

 

A volta dos deliciosos e seguros produtos locais

“Gostaria que os estagiários conhecessem os atrativos da província de Fukushima e não apenas os estragos causados pelo terremoto”. Essa era a mensagem que Toby Birkbeck-Jones, coordenador de Relações Internacionais da Seção de Assuntos Internacionais da província, quis passar ao explicar com olhar sério sobre a atual condição de reconstrução após o Grande Terremoto do Leste do Japão, o clima e as paisagens da província, ao recepcionar o grupo no Centro de Tecnologia Agrícola de Fukushima, localizado na cidade de Koriyama, no dia 24 de janeiro, terceiro dia do estágio.
A província de Fukushima é a terceira maior do país e, graças a duas cordilheiras que se estendem de sul a norte, a província é dividida em três regiões: Hamadori, Nakadori e Aizu. O clima, a cultura e as características locais diferem-se dependendo de região, possuindo rica natureza, história e cultura tradicional.
Em 11 de março de 2011, Fukushima foi atingida pelo Grande Terremoto do Leste do Japão. Até dezembro de 2019, foram contabilizadas 4.109 vítimas pelo terremoto e tsunami. Mesmo hoje, cerca de 41 mil pessoas ainda continuam desabrigadas.
O tsunami causou um acidente nuclear que liberou grandes quantidades de material radioativo, com o derretimento dos reatores da usina Fukushima Daiichi, da Tepco.

Foram realizados trabalhos de descontaminação na província, reduzindo drasticamente a quantidade de material radioativo no ar da cidade de Fukushima, de cerca de 2.74 µSv (microsieverts, em abril de 2011), valor medido 1 hora após o terremoto, para 0.13 µSv, valor medido em dezembro de 2019.
Nove anos se passaram desde a catástrofe e os trabalhos de reconstrução prosseguem. Sari Sasaki, sansei de 33 anos que veio da República Dominicana, mostrou surpresa: “Jamais imaginei que a província tivesse tantos atrativos”.
Em seguida, Kenji Kusano, diretor do Departamento de Promoção da Segurança Agrícola, explicou sobre o local. O Centro de Tecnologia Agrícola de Fukushima tem como principal função desenvolver técnicas agrícolas, promover a agricultura segura e confiável, sendo também base para o fomento, pois oferecem educação agrícola.
Após o terremoto, o centro também realiza esforços para remover e reduzir materiais radioativos, retomar e reabilitar a agricultura em áreas de evacuação, além de consolidar técnicas adequadas aos danos causados pelo tsunami em terras aráveis.
O diretor Kusano apresentou os produtos agrícolas, silvícolas e da pesca representativos da província. Sobre o pêssego, ele revelou: “Há 18 anos, uma repórter veio do Brasil para fazer uma matéria e, assim que experimentou uma mordida, mostrou um olhar de espanto e disse que estava delicioso. Eu não me esqueço até hoje desse episódio”.
Após o terremoto, os produtos agrícolas sofreram os efeitos do acidente radioativo. Para superar esta barreira, a província de Fukushima deu início a medidas radicais. Por exemplo, para descontaminar terras aráveis e pomares, realizaram a raspagem do solo contaminado e aragem profunda, que traz a camada do solo sem contaminação para a superfície, ou ainda, lavagem a jato de alta pressão, entre outros métodos.
O sistema de inspeção é rigoroso e, além do governo, da província e do munícipio, também são realizados testes por iniciativa própria no local de produção e pelo produtor. Os produtos que apresentarem níveis de material radioativo acima do limite-padrão nacional não são comercializados. Mesmo após a distribuição do produto, ainda são realizados testes de amostragem e todos os resultados são publicados.

O diretor Kusano reforçou: “Produtos agrícolas e de pesca marinha deste ano não apresentaram níveis acima do limite-padrão”. Contudo, essa informação ainda não é muito conhecida no exterior.
Por esse motivo, há o efeito negativo de boatos e, no momento, 20 países e localidades ainda controlam a importação de produtos vindos da província de Fukushima. Almejando a completa revitalização, o governador Masao Uchibori participa ativamente de eventos no exterior para promover os atrativos dos produtos agrícolas da província, pois a comunicação externa é essencial.
O grupo visitou também o local de testes de monitoramento de material radioativo. O diretor Kusano instruiu todos a trocar de sapatos na entrada das instalações e explicou: “Por precaução, nós trocaremos de sapatos novamente antes de entrar na sala de testes”.

O produto analisado é picado e colocado em um recipiente.

A análise consiste em picar o produto (alimento) e colocá-lo em um recipiente, sendo medido em um detector semicondutor de germânio. Os 11 detectores passam por manutenção anualmente, sendo reguladas para que continuem a fornecer números precisos.
Levi perguntou: “Os produtos comercializados no Japão e no exterior são 100% analisados?”. Kusano respondeu: “Todo o arroz e carne são analisados, o restante é analisado por monitoramento”, mostrando confiança na segurança dos produtos da província.
Para mostrar esse processo, ele disse que recebeu, até o momento, mídias de 130 países. “Experimentem a deliciosa comida de Fukushima e contem aos seus compatriotas quando voltarem”, disse com um sorriso.
Ágatha mostrou-se encantada: “As medidas adotadas para a reconstrução no Japão são realmente impressionantes”.

A fábrica de saquê Suzuki que superou o desastre causado pelo terremoto

Após deixarem o Centro de Tecnologia Agrícola, o grupo visitou o Centro da Província de Fukushima para Criação Ambiental (conhecido como Commutan Fukushima). O local foi inaugurado em julho de 2016 e se tornou um centro para a criação de um ambiente propício e seguro para os provincianos no futuro.

O Comyutan Fukushima cumpre a função de aprofundar a consciência para a criação e a recuperação do meio ambiente, de uma perspectiva próxima, sobre as questões ambientais e a radioatividade para pessoas da província e fora dela. Na instalação, além de exposições sobre a radioatividade e a situação atual do meio ambiente, há também um auditório circular de 360 graus.
Quem guiou o grupo pelo local foi a funcionária Eiko Kikuchi. Na área expositiva “A partir de 3.11 de Fukushima”, ela explicou a situação na época do acidente nuclear na usina Fukushima Daiichi da Tepco, enquanto mostrava uma maquete.
Além disso, em “O meio ambiente hoje em Fukushima”, o “3.11 Clock” chamou a atenção dos visitantes. É possível sentir vividamente o tempo despendido para a recuperação ambiental após o desastre causado pelo terremoto em Fukushima.

Ouvindo a explicação da maquete que reproduz o acidente na usina nuclear Fukushima Daiichi

A exposição prossegue com a área “Laboratório de Radiação”. É possível aprender em cinco seções alguns conhecimentos sobre a radioatividade, invisível aos olhos.
O que mais atraiu a atenção do grupo foi o dispositivo “câmara de nuvens” no “Laboratório Conhecimento”, em que é possível enxergar a olho nu os rastros no ar deixados pela radioatividade. Kikuchi explicou: “Ninguém imagina, mas a radioatividade é algo próximo e existe também no ar”. O grupo observou atentamente o dispositivo.
Em seguida, no auditório de Criação Ambiental, o grupo viu uma tela esférica que exibe imagens em 360 graus, sendo a segunda instalação no mundo a ter algo assim. A primeira fica no Museu Nacional da Natureza e Ciência de Tóquio.
A tela exibiu a obra original “Fukushima Renaissance”, que apresenta a rica natureza e cultura de Fukushima. O grupo assistiu fixamente ao programa. Panos Akio Kumasaka, quarta geração de 22 anos vindo de Seattle, nos Estados Unidos, concordou com interesse: “Aprendi muito sobre alta tecnologia e radioatividade”.

Por falar em Fukushima, o doce “Mamador”, com recheio de pasta de feijão azuki sabor leite e massa sabor manteiga, é um clássico famoso. O chefe da Seção de Assuntos Internacionais, Tomonori Nakamura, acrescentou, simpático: “A província de Fukushima oferece muitas outras especialidades regionais”.
Na manhã do dia 25, enquanto os estagiários faziam homestay, a repórter visitou o Centro de Promoção de Produtos de Fukushima, a três minutos a pé da saída leste da estação Fukushima da JR. Revitalizado em dezembro de 2017, o centro comercializa especialidades locais de toda a província de Fukushima.
A visita coincidiu com o início da “Feira Gourmet de Sousou”, que promove a região de Sousou, e o local estava cheio, com muitos produtos que se esgotaram. Quem corria de um lado para o outro, ocupado, era o diretor Takeshi Sakurada, de 50 anos e natural da cidade de Fukushima.
Ele trabalhou em Tóquio por mais de 20 anos e retornou para a cidade com a reinauguração do centro. É famoso por seu entusiasmo com o trabalho e foi responsável por aumentar as vendas em cerca de 2,5 vezes, de 270 milhões de ienes, no ano anterior ao desastre causado pelo terremoto, a 720 milhões de ienes, expectativa deste ano.
“Na verdade, Fukushima é uma grande região produtora de frutas, principalmente o pêssego, que é famoso. Sabia que existe mais de 100 variedades?”. São fabricados muitos produtos como gelatinas, sorvetes, daifuku, sucos, entre outros, e a maioria possui o nome da variedade do pêssego no rótulo.
A principal variedade é a “akatsuki”, com alto teor de açúcar e polpa carnuda. A cidade de Koorimachi é conhecida como a “capital do pêssego oferecido a família imperial”, por ter sido selecionada para oferecer seus pêssegos a família imperial japonesa por 26 anos consecutivos. “A melhor época [da fruta] é entre julho e agosto. Aqueles que visitarem o Japão nos Jogos Olímpicos, não deixem de experimentar”.

Pêssegos de Fukushima

Fukushima, na região de Tohoku, é uma importante área no Japão para o cultivo de frutas.Os pêssegos de Fukushima são famosos por serem doces e suculentos, e com uma tecnologia inovadora de inspeção, estão com qualidade cada vez melhor..Em Koori, há até uma estrada com árvores de pêssego que leva aos principais pomares da região, que têm solo bem drenado e altas temperaturas, favorecendo o cultivo..Há até eventos populares em que as pessoas podem colher e comer o fruto diretamente do pomar!

Consulado Geral do Japão em São Pauloさんの投稿 2019年12月24日火曜日

Uma especialidade da província de Fukushima que não pode faltar é o saquê. No Annual Japan Sake Awards, competição entre os melhores saquês, 22 rótulos da província foram escolhidos para o Golden Prize, além de constar em primeiro lugar em número de rótulos premiados por sete anos consecutivos.
“Minha recomendação são essas duas variedades”. O diretor Sakurada mostrou uma das 22 marcas ganhadoras do Golden Prize, o “Hirotogawa” da fábrica Matsusaki, e o “Iwaki Kotobuki”, da fábrica Suzuki, saquê que estava à venda na “Feira Gourmet de Sousou”.
Ouvi a história de Shoji Suzuki. A fábrica de saquê, fundada na cidade de Namie no final do período Edo, foi levada pelo tsunami durante o desastre de 2011 e ele teve que evacuar da área por causa do acidente nuclear. “Todo o saquê foi levado pelas águas”, relata o momento desesperador. Milagrosamente, ainda havia o koji (fungo utilizado para fermentação) no laboratório de testes da província. Atualmente, ele continua a produção de saquê na cidade de Nagai, na província de Yamagata.
“Produzo saquês que acompanham comida, pois originalmente era produzido para combinar com peixe seco, que os pescadores consumiam. Combina muito bem com o churrasco, que é bem salgado”. Ele recomenda o Iwaki Kotobuki Junmai Akagane Label. O paladar é suave, mas tem aroma defumado.”
“Se gosta de sabores fortes, eu recomendo este saquê”. O Iwaki Kotobuki Kizukuri Shiboritate Namazake é confortável para beber e ligeiramente suave. Parece combinar bem com comida.
“Gostaria de retornar um dia para Namie, mas agora sou responsável por rótulos herdados de uma fábrica de saquê de Yamagata. Estou me esforçando na capacitação de pessoal para que ambas as fábricas possam continuar futuramente”, disse Suzuki, com vigor.

“Estou emocionado por finalmente encontrar com meus parentes”

Estagiários ouvem a explicação no Shinchi Energy Center

“Finalmente vou encontrá-los”. Na tarde do dia 26, Levi Sato, com expressão tensa, entrou no saguão do hotel.
Após alguns minutos de espera, Jun Sanada, de 83 anos, entrou acompanhado da esposa e do filho, Hiroshi, membro do conselho municipal de Fukushima, de 49 anos. Mal se sentaram, ele pegou documentos e começou a falar animadamente.
“Seu bisavô, Giuemon, foi quem imigrou para o Brasil, não é?”. Apesar da idade avançada, ele perguntou com entusiasmo para Levi.
O pai de Jun é primo de Giuemon Sanada, que antes de imigrar para o Brasil foi adotado por outra família e mudou o sobrenome para Sato. Ele é o bisavô de Levi.
“Sim, isso mesmo”, Levi respondeu em japonês, ao que Jun afirmou: “Então somos parentes”. Levi sorriu, pois finalmente conheceu seus parentes.

O irmão mais velho de Giuemon também imigrou para o Brasil e seus descendentes moram no Paraná. Já os descendentes de Giuemon Sato, incluindo Levi, moram em São Paulo, mas o contato entre as duas famílias continua até hoje, encontrando-se anualmente em uma grande festa.
Fotos desses encontros foram enviados para Jun pelo pai de Levi, juntamente com uma carta. “Vi a foto com cerca de 30 a 50 pessoas no Brasil. É incrível”, disse surpreso.
Levi, que é fluente em inglês, fez várias perguntas com ajuda de um intérprete sobre a história de seus antepassados que ouviu do avô e do pai, além da árvore genealógica. Jun respondeu tanto quanto foi possível. Após uma hora, lamentando a despedida, Levi cumprimentou Jun e o filho Hiroshi com um aperto de mão e trocaram informações para manter o contato.
“Estou emocionado por finalmente encontrar com meus parentes”, disse um nervoso Levi. “Quero vir ao Japão novamente para investigar minhas raízes”, disse.

Na manhã do dia 27, o grupo se encontrou com a bolsista provincial Karen Rie Fukumoto, que está em Fukushima desde maio do ano passado, vinda de São Paulo. Ela acompanhou os estagiários por três dias.
Após a estadia de três dias e duas noites em homestay, o grupo teve a oportunidade de conversar mais vezes em japonês. Apreciando a paisagem natural que viam do ônibus, eles chegaram ao Shinchi Energy Center da cidade de Shinchi, no distrito de Souma.
Quem os recebeu foi Takuya Kosaka, responsável pela empresa Shinchi Smart Energy e Tomoko Kurosawa, gerente de projeto para a promoção do desenvolvimento de cidades futuras sustentáveis.
A cidade de Shinchi, que se localiza no extremo norte da província, na região de Hamadori, e faz divisa com a província de Miyagi, foi invadida por um gigantesco tsunami, com ondas de mais de dez metros, após o Grande Terremoto do Leste do Japão. A lição mais importante deixada pela experiência foi a falta de eletricidade durante a catástrofe e, tendo em vista o desenvolvimento sustentável da cidade, foi criado o Shinchi Energy Center, em 2018.
A administração do projeto fica a cargo da empresa Shinchi Smart Energy, fundada em conjunto com 12 empresas e organizações da cidade de Shinchi.

Aqui, são produzidos calor e eletricidade utilizando o gás natural vindo da ramificação do gasoduto de gás liquefeito da base no porto de Soma, fornecendo eletricidade de produção local, favorável ao meio ambiente, para instalações ao redor da estação Shinchi da JR.
Na sala de eletricidade do centro foi instalada uma bateria de 50 kWh. Ela impede o uso excessivo de eletricidade e, durante uma calamidade, contribui para o funcionamento autônomo, combinando com outras fontes de energia.
“A geração de eletricidade é suficiente?”, para essa pergunta, Kosaka respondeu: “Acabamos de começar, precisamos reunir informações sobre a necessidade de eletricidade”. Se o projeto tiver êxito, se tornará modelo para outras localidades.
Oscar Hideki Iwasaki, de 19 anos e yonsei, estagiário que veio do Peru, afirmou que “a tecnologia japonesa é impressionante”, olhando com bastante interesse os documentos exibidos na exposição. (continua)
Por Akiko Arima

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Site Estação de Revitalização de Fukushima
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Desastre nuclear da Tokyo Electric Power Company (TEPCO) em Fukushima Daiichi

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