Quem não valoriza o passado…

O “eterno” Biriba, feliz e realizado por lançar seu livro: “Biriba” (divulgação)

Existem inúmeras versões para o complemento desta frase, que definem a importância da nossa história e que precisa ser lembrada e repassada para os jovens atletas no tênis de mesa.
A primeira que gostaria de citar, seria a GRATIDÃO, já que foram os antigos campeões que abriram as portas para o cenário internacional e a VISIBILIDADE do Brasil, conquistando assim o RESPEITO na modalidade.
O ENSINAMENTO, deixado pelos nossos campeões, através da EXPERIÊNCIA adquirida por eles, e também as TÉCNICAS, que aprenderam em várias gerações são muito importantes para o nosso planejamento.
Perder a MEMÓRIA, significa começar tudo de novo, portanto temos que preservá-la, pois, nossas RAIZES nos ensinam qual caminho devemos seguir e não ficar imitando modelos que não condizem com nossa realidade. Não podemos repetir os ERROS do passado, por isso devemos lembrar de toda a trajetória, desde a implantação do esporte no pais.
O PRESENTE existe porque tivemos um passado… e o FUTURO depende de todos os argumentos acima citados, em letras maiúsculas.
No Brasil, poucos lembram e valorizam mesa-tenistas do passado, por isso eu levantei a bandeira e constantemente falo dos nossos feitos anteriores, nas palestras e cursos que dei/dou nos 27 estados.
A sequência…NA MINHA OPINIÃO foram: Ricardo D´Angelo, o primeiro a ganhar de um campeão mundial aqui, com nossas regras, Ivan Severo o melhor carioca com resultados em torneios internacionais, Alberto Kurdoglian (Betinho) ficou muitos anos no topo da lista, Ubiraci Rodrigues da Costa (Biriba) comentários em seguida, Ricardo Inokuchi por 10 anos o melhor do pais, Claudio Kano com feitos históricos e precursor da divulgação da modalidade na TV aberta, Hugo Hoyama recordista em medalhas nos Jogos Panamericanos, e agora o fenômeno Hugo Calderano (número 6 do ranking Mundial).
Em nossa história, houve um hiato entre Hoyama e Calderano, preenchido por Thiago Monteiro, Gustavo Tsuboi e Cazuo Matsumoto.
Para mim Biriba e Calderano são incomparáveis aos demais, pois estão em outro patamar.
O motivo é simples,…. ambos são recordistas em resultados surpreendentes, sem compará-los, já que são épocas diferentes, oportunidades distintas, muita tecnologia e intercâmbio.
O menino Calderano (24 anos), ainda vai realizar os sonhos de muitos brasileiros, mas gostaria aqui de ressaltar os feitos do Biriba.
Com 11 anos já era proibido de jogar entre crianças, somente com adultos, já que tinha o nível muito superior aos veteranos da modalidade.
Com 13 anos começou a série de sua invencibilidade, pois já foi campeão Sul-americano adulto nas 4 provas, individual, equipe, dupla masculina e mista. Então o garoto Biriba começou a realizar feitos históricos que o marcaram na modalidade.
Foi desafiado nas Américas, e foi campeão em todos os eventos que participou no continente, 12 títulos Sul-americanos, Campeão no Chile, Campeão na América Central, cerca de 20 títulos em 20 torneios.
Nunca sofreu derrota para nenhum atleta do continente, então a palavra INVICTO, demonstra as realizações de um verdadeiro CAMPEÃO.
A sua fama começou em no Cinquentenário da Imigração Japonesa no Brasil em 1958 quando ele tinha 13 anos, um FEITO que deu um nome para raquete Butterfly BIRIBA, uma das mais vendidas no mundo, como homenagem ao menino prodígio.
Biriba derrotou 4 vezes no Ginásio do Ibirapuera, Pacaembu e outros, o Bicampeão Mundial (1955 e 1957) Toshiaki Tanaka, numa destas vitorias 21×10 e 21×10 (com facilidade), e também 1 vez o outro Bicampeão Mundial (1954 e 1956) Ichiro Ogimura. O Japão os enviou para as comemorações dos IMIN 50 anos. Foram 5 vitorias nos Bicampeões. Detalhe que a final do mundial um ano antes, foi entre Tanaka x Ogimura.
Com 13 para 14 anos no Campeonato Mundial Adulto em Dortmund GER, foi o jogador mais importante da equipe nacional, levando a 6ª colocação, a melhor colocação da história.
Com 15 anos, no Mundial Adulto em Pequim CHN, com 15 anos, derrotou o ídolo chinês que tentava seu Bicampeonato.
Após abandonar o tênis de mesa, quando retornou a jogar com 35 anos foi novamente Campeão Brasileiro Adulto Individual, vencendo renomados atletas da época.
Nos veteranos ficou 14 anos invicto, campeão em todos eventos que jogou, por isso para mim ele possuía um grande diferencial se comparado aos demais, ele foi o verdadeiro campeão, que no final de uma partida, conseguia manter o foco e a concentração nos momentos de pressão.
O eterno Biriba, aposentado do funcionalismo público, hoje auxilia a equipe de tênis de mesa do Palmeiras e às vezes vem bater uma bolinha no clube que ele representou por muitos anos nas competições, o Itaim Keiko JJYAMADA. Está feliz e realizado por ter lançado seu livro: “BIRIBA”.

Comentários
Loading...