PL de Aurélio Nomura alerta para o perigo da sepse

(Divulgação/CMSP)

Um problema da saúde, a sepse, em decorrência de uma infecção grave que provoca rapidamente alterações em todo o organismo levando ao mau funcionamento dos órgãos se não for tratada de forma rápida, é o foco do Projeto de Lei (nº 665/2018) do vereador Aurélio Nomura.
O PL dispõe sobre a adoção de programa de prevenção e tratamento da doença, justamente para tentar conscientizar a população e reduzir o elevado índice de óbitos. Já foi aprovado em primeira votação na Câmara Municipal.
A sepse (antigamente conhecida como septicemia) é muito mais comum do que se imagina e pode levar à morte mais da metade das pessoas afetadas, independente se atendidas no sistema público ou privado. Embora o risco seja maior em alguns grupos, qualquer pessoa pode desenvolver sepse, tanto na comunidade como dentro de instituições de saúde.
“O PL nasceu a partir da leitura do Relatório de Atividades da Fapesp, que me chamou muita atenção pela gravidade e pela elevada taxa de letalidade da doença, mas que, apesar disso, é pouco conhecida pela população”, diz o vereador Aurélio Nomura, lembrando que o assunto já foi debatido no ano passado na Câmara Municipal de São Paulo, durante audiência pública realizada no dia 13 de setembro – quando se comemora o Dia Mundial da Sepse – pela CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa).
O estudo “Spread” (Sepsis PREvalence Assessment Database), conduzido em 2014 pelo Instituto Latino-Americano de Sepse (ILAS) em 227 unidades de terapia intensiva brasileiras selecionadas aleatoriamente, apontou que 30% dos leitos de UTI do país estavam ocupados por pacientes com sepse ou choque séptico. A letalidade nesses pacientes foi de 55%. O estudo foi coordenado pela dra. Flávia Machado.
Com base no estudo “Spread”, estima-se que no Brasil sejam 420 mil casos de pacientes adultos de sepse tratados em UTI no país a cada ano, dos quais 230 mil vêm a falecer. Essa taxa de mortalidade é praticamente a mesma no sistema público de saúde (com 56%) e o setor privado (com 55%).

Sepse é mais comum que se imagina e pode levar à morte (Andre Moura/CMSP)

Estudos – Os grandes hospitais da rede privada já adotaram protocolos de prevenção e tratamento de sepse. Já no sistema público municipal há protocolos implantados, mas não regulamentados e validados institucionalmente. Esse Projeto de Lei vem exatamente nesse sentido, de regularizar esta situação de forma democrática e factível, propondo protocolos de prevenção e tratamento adequados com a estrutura de cada unidade.
“Este PLteve o cuidado de fazer uma ampla pesquisa para estabelecer os mesmos protocolos de prevenção seguidos pelos hospitais e, em especial, os recomendados pelo ILAS”, observa o vereador Nomura, que também é autor do PL 664/2018, que institui 13 de setembro como Dia da Sepse em São Paulo.
“Em um dos estudos conduzidos pelo instituto, constatou-se que, seguindo a implementação dessas diretrizes em uma rede de hospitais, houve uma redução significativa no número de mortes, caindo de 55% para 26%. Além de salvar vidas, que é o mais importante, o processo também reduziu os custos de internação de paciente de US$ 29,3 mil para US$ 17,5 mil”, afirma o vereador.

Prevenção – Diante de problema de saúde tão grave que causa milhares de mortes todos os anos e da necessidade de prevenção, o que, no caso das infecções adquiridas nos hospitais, exigem medidas simples, o objetivo do PL também é levar ao conhecimento da população os riscos dessa doença e fazer com que o poder público também se envolva nessa causa.
“É extremamente importante que a Prefeitura torne obrigatória a adoção do programa de prevenção à sepse e de protocolo de diagnóstico e de tratamento por hospitais, clínicas e unidades de saúde e privados que prestem serviços no âmbito do SUS no município de São Paulo”, sugere o vereador Aurélio Nomura.

Sepse foi tema de Audiência Pública organizada por Aurélio Nomura no ano passado na Câmara Municipal de São Paulo (Andre Moura/CMSP)
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