PETS: Animais de estimação no Japão: Importância dos pets na integração familiar

Em todo o mundo, os pets têm se tornado parte da família e integrante essencial à residência, tanto que, segundo os japoneses, um lar só é completo se possui um jardim e animais de estimação, esses que no Japão variam desde os mais comuns, como cães, gatos, pássaros e peixes, até os mais exóticos, no caso das chinchilas, porcos-espinho e lontras-anãs-orientais.

Porco espinho está entre os novos bichos a serem domesticados (divulgação)

Esses familiares possuem tanta importância nas casas japonesas que, atualmente, o número de bichos de estimação ultrapassou a população infantil, substituindo a presença de crianças, em muitas famílias, sendo motivo de investimentos constantes com fatores necessários e outros demais itens para satisfazer os anseios dos donos.
Assim o apego aos animais de estimação no Japão gerou um novo comportamento, nomeado por cultura pet, que tem oferecido aumento na expectativa de vida de cães e gatos e diminuição do abandono.

Como são criados os animais de estimação no Japão
Assim como em outros diversos países, para se ter um animal de estimação, é essencial realizar todas as vacinas, principalmente a de raiva, indicada a partir dos primeiros 90 dias de vida do pet. Além disso, é recomendado registrar os bichinhos assim que possível, recebendo um certificado com seus dados que deve ser inserido na coleira, pois dessa forma aumentam as chances de que um pet perdido reencontre seu lar.
Ao adquirir um bicho de estimação, muitos japoneses já os têm como eternos bebês, sendo parte da família, devem ser tratados e respeitados como tal, havendo também a obrigatoriedade de não gerar conflitos entre os vizinhos devido aos barulhos e mau cheiro da residência causada pelas sujeiras do animal, de modo que são essenciais um bom adestramento e os cuidados básicos de higiene.
A importância dos pets em casa começou a partir dos anos 60 a 70, trazendo consigo a atual cultura pet que choca a muitos estrangeiros devido aos cuidados extravagantes dos japoneses com os seus animais, sempre oferecendo o melhor dos pet shops e até mesmo passeando com cães em carrinho similares aos de bebê.

Para muitos japoneses, bichos de estimação são “eternos bebês” (divulgação)

Embora ainda haja a preferência por cachorros e gatos, com a popularidade desse novo hábito, surgiram novos bichos a serem domesticados, esses que são considerados peculiares ao mesmo passo que se tornaram comuns no país. Contudo é fundamental ressaltar que quanto mais incomuns os animais, mais há a probabilidade de incentivar o comércio praticado pelos yakuzas, já que é a máfia japonesa que, normalmente, está por trás dessa negociação, tanto de pets exóticos quanto de cães famosos pelo pequeno porte.

Serviços para pet
Não tão incomum quanto em outros países, com o crescimento da importância dos animais de estimação em residências, se tornou quase impossível não haver serviços específicos voltados aos pets, esses que variam desde táxis à resorts e restaurantes.
Dentre as atividades mais comuns, você pode encontrar o pet táxi, pet sitter (babá para animais) e hotéis para os bichinhos, possibilitando ao dono não precisar se preocupar em excesso caso não haja como transportar o seu pet ao veterinário ou se não houver tempo disponível para o seu animal, podendo deixa-lo em um tipo de hotel, acampamento, creche ou contratar um pet sitter capaz de leva-lo para passear e brincar, além de cuidar das necessidades básicas do pet por algumas horas ou por tempo integral.

Pets contam com uma série de serviços (divulgação)

Além desses serviços, os japoneses ainda podem dar um tratamento especial aos pets, os levando em restaurantes de comida especializada para animais, bem requisitados principalmente em datas comemorativas, como os aniversários. E também ajudar o bichinho a relaxar em fontes termais, sendo supervisionado por profissionais.
Apesar disso, embora haja todos esses serviços e um pequeno agrado seja ideal sempre que possível, é indispensável separar uma coisa da outra, de modo a reconhecer que o seu pet é um animal que não deve ser humanizado ou mimado, ou seja, precisa de experiências baseadas em seus instintos, como correr, brincar e explorar, e não deve ser tratado como um bebê humano que é incapaz de realizar certas atividades e são considerados fofos por suas pequenas travessuras.
A primeiro momento, essa sugestão pode parecer indiferente ou mesmo absurda, porém tratar seu bicho de estimação como realmente deve ser será essencial para um bom desenvolvimento e excelente qualidade de vida do pet.
Tenha consigo então um amigo leal e companheiro capaz de te surpreender e te alegrar a todos os momentos, o agrade, mas não tire do pet sua essência aventureira e instintiva.

Porque adotar e não abandonar

O Japão estimula a adoção de pets (divulgação)

No Japão, mais que em outros locais, é sugerida a preferência por adoção, os bons cuidados e o não abandono. No caso de abandono, inicialmente, é importante procurar uma nova família ao animal, devendo deixar por último a escolha de abandoná-lo num Centro de Saúde, conhecido por Hokenjo, isso porque, independentemente do motivo de se encontrar lá, o pet só terá 6 dias de estadia, podendo ser sacrificado após esse período devido à superlotação. Por isso, sempre opte por registrar na prefeitura.
As dicas para os casos de abandono e o aumento da preocupação tiveram impacto principalmente nos anos 60 a 70, momento do chamado Mai Hoomu (do inglês, My Home), em que se tornou popular o desejo por casas semelhantes às americanas que continham um belo jardim, uma televisão, uma garagem e um cachorro, consequentemente gerando o crescimento da compra de cães nacionais, como Akita Inu e Shiba. O problema, porém, surgiu após o fim da moda e o desenvolvimento dos animais que deixavam de ser filhotes e passavam a parecer comuns aos olhos de quem os tinha.
Pensando nesse passado sombrio e no futuro de pets perdidos ou abandonados, o Japão é um dos países que mais estimula a adoção de modo a evitar a morte em massa de pobres animais que de nada fizeram a não ser existir. Da mesma forma, pode ser lá ou aqui, a adoção é sempre uma boa opção, já que, mesmo não havendo a possibilidade de escolha da raça, é indiscutível o amor, carinho e companheirismo que será recebido como forma de agradecimento e alegria.
Portanto, não escolha a raça, escolha a vida e a essência do animal.
(Mariana Kisaki)

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