Paulo Saita assume presidência da Enkyo e quer dar continuidade ao trabalho de Akeo Yogui

Paulo Saita assumirá a presidência da Enkyo em janeiro do ano que vem em substituição a Akeo Yogui (Aldo Shiguti)

Em reunião do Conselho Deliberativo realizada no dia 24 de outubro, a Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo (Enkyo) elegeu sua nova Diretoria Executiva para o biênio 2021-2022, que assumirá em janeiro do ano que vem. Para presidente foi eleito o atual 1º vice-presidente, Paulo Seichiti Saita. Ele sucederá Akeo Yogui, que ficou no cargo por dois mandatos – ou quatro anos. “Pelo estatuto ainda tinha mais um mandato mas achei por bem passar a responsabilidade para outra pessoa nesta fase pois assim ainda terei condições de ajudar”, explicou Yogui, acrescentando que “foram quatro anos bastante positivo”.
Nesse período, conta Akeo, “tanto a Enkyo como o Hospital Nipo-Brasileiro (HNB) – que é administrado pela Enkyo – tiveram uma boa performance, com um crescimento muito grande em termos de resultados, não só financeiro como também pelo conceito que adquiriu dentro e fora da comunidade”.
“Além de modernizar as instalações do prédio localizado no Parque Novo Mundo, na zona Norte de São Paulo, o HNB também recebeu equipamentos de última geração”, disse Yogui, acrescentando que outra preocupação constante foi quanto o conforto e segurança dos usuários, funcionários, corpo clínico e colaboradores.
“Também continuamos com a Certificação ONA [Organização Nacional de Acreditação] – Nível 3 (Acreditado com Excelência) – método de avaliação e certificação que busca, por meio de padrões e requisitos previamente definidos, promover a qualidade e a segurança da assistência no setor de saúde – e em outubro do ano passado conquistamos o Selo de Acreditação Qmentum Internacional, concedido por uma empresa canadense”, disse Yogui, explicando que, graças ao suporte do Hospital Nipo-Brasileiro, a Enkyo tem conseguido focar o seu trabalho em duas frentes: na área da saúde e na área da assistência social.
Na área da saúde, além do HNB, a Enkyo é responsável pelo Centro Médico Liberdade, o Hospital São Miguel Arcanjo, o Projeto de Integração Pró-Autista (Pipa) e o Ambulatório Móvel. Já na área de assistência social, a Enkyo mantém Casa de Repouso Santos Kosei Home, o Recanto de Repouso Sakura Home, em Campos do Jordão, a Casa de Repouso Akebono, em Guarulhos, a Casa de Repouso Suzano (Ipelândia Home), o Yassuragui Home – que em 2019 teve seus usuários transferidos para outras instituições – e o Centro de Ação Social Enkyo (Unidade Amami).
“Além disso, temos sob nossa responsabilidade outras 22 pessoas que não se enquadram nas nossas casas de repouso – que exigem uma idade mínima de 60 anos – e por isso foram acolhidas em outras instituições mas com os custos arcados pelo Enkyo”, observa Akeo Yogui.

Sustentabilidade – Segundo ele, o trabalho de assistência social gera um déficit mensal entre R$ 1 milhão e R$ 1,2 mi. “Todo esse déficit é coberto com doações, que tem nos ajudado bastante, mas o forte é arcado pelo HNB. Daí a importância de o hospital gerar recursos”, explica Yogui, afirmando que a preocupação da Enkyo tem sido no sentido de dar sustentabilidade às demais unidades “para que não fiquem totalmente dependentes do hospital ou então para que gerem algum tipo de recurso para diminuir os custos”.

Administrado pela Enkyo, HNB é hoje uma referência na saúde (Aldo Shiguti)

Ampliação do hospital – Como exemplo, Akeo Yogui cita o Recanto de Repouso Sakura Home, em Campos do Jordão, que entre julho e agosto costuma realizar a tradicional Festa da da Cerejeira – cuja 52ª edição, que seria realizada nos dias 25, 26 de julho e 1º, 2, 8, 9, 15 e 16 de agosto, foi cancelada por conta da pandemia do novo coronavírus. “Estamos revitalizando o Parque das Cerejeiras e investindo em melhorias para que aquele espaço possa ser ocupado também em outras épocas do ano e assim possa gerar recursos”, diz Yogui, que destaca também o trabalho no sistema elétrico que vem sendo feito na Ipelândia Home. Nesse caso, a melhoria tem o intuito de diminuir as despesas.
“Como se vê, não se tratam apenas de investimentos por investimentos”, conta, acrescentando que o HNB também está recebendo investimentos “para que continue gerando recursos”.
“Em dezembro do ano passado realizamos a cerimônia de lançamento da pedra fundamental do Projeto de Expansão das estruturas operacionais e de atendimento do HNB”, lembra Yogui. O projeto prevê a construção de uma nova torre de 7 pavimentos. Com a ampliação, será possível agregar mais 13 mil m2 à construção atual, o que possibilitará novos procedimentos, conforme as necessidades do mercado de saúde da região.
A previsão é que sejam construídos entre 40 e 50 novos leitos, que serão adicionados aos 245 já existentes, aumentando a capacidade de atendimento. “Mas isso pode mudar porque temos que ficar sempre atentos já que a medicina evolui rapidamente”, diz ele, explicando que, há alguns anos, uma internação para recuperação de uma cirurgia levava em média de 6 a 7 dias. “Hoje costuma ser entre 4 e 5 dias, mas a tendência é que diminua ainda mais”, avalia Yogui, afirmando que a pandemia do novo coronavírus também trouxe novas situações “que achávamos que ia demorar mais um pouco para acontecer”;

Telemedicina – A telemedicina foi uma dessas situações. “É algo que não tem mais volta. Com isso, o sistema de atendimento também mudará”, conta o presidente, acrescentando que o serviço já existia no HNB, “mas era pouco usado”.

Legado – “Na pandemia, os próprios médicos começaram a ligar voluntariamente para os pacientes para fazer um acompanhamento pós-alta”, diz Yogui, observando que o HNB disponibilizou, inicialmente, 14 leitos de UTI, todos individualizados, somente para pacientes com a covid-19. “Mas fomos aumentando esse número gradativamente e em abril, no auge da pandemia, chegamos a ter ocupação de cem por cento”, conta, lembrando que, devido a sua localização estratégica – , ao lado das principais rodovias de São Paulo, como Dutra, Fernão Dias e Ayrton Senna – o HNB costuma receber pacientes de cidades vizinhas, como Guarulhos, Mogi das Cruzes e Suzano.
Todo esse investimento não passou em vão. Tanto que o HNB foi citado em duas conceituadas publicações. Na IstoÉ Dinheiro, publicação da Editora Três, que listou o ranking das 1000 principais brasileiras em diversos segmentos, a Beneficência Nkipo-Brasileira aparece na 808ª posição e o Hospital Nipo-Brasileiro na 828ª. Se for considerado apenas o segmento saúde ÷ que leva em consideração a Sustentabilidade Finaceira, Recursos Humanos, Inovação e Qualidade, Responsabilidade Social e Ambiental e Governança Corporativa –, o HNB aparece na honrosa terceira colocação, atrás apenas do Grupo Fleury e do Hospital Alemão. Em outra publicação, a Valor 1000, o HNB aparece na 905ª posição.
“Isso é fruto do legado de um trabalho dos meus antecessores. Nós tentamos fazer a nossa parte, mas não podemos nunca esquecer daqueles que nos antecederam e que construíram a base. E como a base foi boa, hoje colhemos bons frutos”, assegura Yogui, que ressalta sempre sua preocupação com a sustentabilidade.

Centro Dia – “Sabemos que todo negócio tem seus altos e baixos, ou seja, não estaremos sempre numa linha ascendente. Por isso, temos que nos preparar enquanto estamos bem para as épocas menos boas”, ensina Yogui, que sonha tornar o Pipa e o Centro Dia do Idoso modelos de atendimento. A ideia é construir um Centro Dia do Idoso onde antes funcionava o Centro de Ação Social Enkyo Unidade Amami, que teve suas atividades descontinuadas com o encerramento do contrato com a Prefeitura.
O local, que antes atendia crianças e adolescentes, deve abrigar atividades no período da manhã/tarde. “À noite, o idoso retornaria para o convívio familiar. Depois de uma certa idade, o calor humano faz toda a diferença”, diz Yogui, afirmando que o sistema “compartilhado” é a melhor solução já que a internação 24 horas é muito cara.
Outra sugestão da Enkyo que deve ser levada adiante é a parceria com entidades/associações nipo-brasileiras, como os kaikans e kejinkais cujos espaços ficam ociosos na maior parte do dia. A proposta é incentivar para que esses locais acolham os idosos durante o dia. A Enkyo daria o suporte, como assistência social e médica.

Agradecimentos – Ao final do mandato, Akeo Yogui agradece a Diretoria, conselheiros, colaboradores, governos do Japão e do Brasil e as empresas e entidades dos dois países e que foram parceiras ao longo dos anos. “A Enkyo leva o nome da comunidade japonesa e a gente quer sempre honrar essa tradição de prestar bons serviços”, diz Yogui, destacando que todas as mudanças tem início em sonhos. “Temos sempre que ter um norte, onde queremos chegar. Baseado neste norte nós vamos levando, sabendo que durante o caminho podem ocorrer mudanças. Se não tivermos objetivos fica difícil”, conclui Akeo Yogui.

Continuidade – Seu sucessor, não se assusta com os desafios que o esperam a partir de janeiro de 2021. Ao contrário, deposita confiança no trabalho em equipe. É trabalhando com união que o ex-diretor da Seicho-no-Ie, Paulo Seichiti Saita espera superar os obstáculos. Afinal, ele não é nenhum novato na Enkyo, onde já está há 23 anos, sendo seis deles “seguramente”, como vice-presidente.
Sua relação com a Enkyo teve início em 1997, quando o então presidente Takeichi Wai solicitou a Seicho-No-Ie um representante na Diretoria Executiva.
Saita começou a acompanhar as reuniões ordinárias, mas sem manter ainda uma relação muito próxima com a Enkyo, relação que se intensificou após se aposentar na Seicho-No-Ie. “Pretendo dar continuidade ao trabalho do Akeo Yogui que, como vimos, deixou uma relação de atividades bastante extensa”, disse Saita, que entre seus projetos consta a conclusão das torres do HNB, às obras no Recanto de Repouso Sakura Home, no Pipa e na implantação do Centro Dia do Idoso – os dois últimos já bastante avançados.
Presidente da Comissão de Administração do Hospital Nipo-Brasileiro, Saita conta que serão dois anos de trabalho intenso. “A Enkyo está bem graças ao trabalho de todos os antecessores e hoje é uma das maiores entidades da comunidade nipo-brasileira e desde 2017 reconhecida também nacionalmente. É uma grande responsabilidade dar continuidade a esse trabalho”, explica Saita.
Segundo ele, a ideia é sempre melhorar, visando oferecer assistência à sociedade brasileira, com ênfase na comunidade nipo-brasileira, em especial aos idosos. Para isso espera contar com a ajuda de todos, funcionários e diretores, inclusive do próprio Akeo Yogui, que já se dispôs a colaborar.

Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo
– Diretoria Gestão 2021-2022 –

Diretor-Presidente: Paulo Seichiti Saita
1º Diretor Vice-Presidente: Jun Suzaki
2º Diretor Vice-Presidente: Akinori Sonoda
3º Diretor Vice-Presidente: Kenji Inoue
4º Diretor Vice-Presidente: Valter Sassaki
5º Diretor Vice-Presidente: Eiki Shimabukuro
Diretor Secretário:Shigenobo Gushiken
1º Diretor Executivo: Helio Keichi Mori
2º Diretor Executivo: Makoto Yasutake
3º Diretor Executivo: Sergio Norifumi Doi
4º Diretor Eexcutivo: Atsuo Suzuki
5º Diretor Executivo: Takatsugu Fujimura
6º Diretor Executivo: Mario Toda
7º Diretor Executivo: Toshio Ichikawa
8º Diretor Executivo: Edson Tamada
1º Diretor Tesoureiro: Sergio Oda
2º Diretor Tesoureiro: Hirokazu Sasaki
3º Diretor Tesoureiro: Decio Suzuki
Diretores: Gloria Hiromi Sato Nagaki, Hiroshi Nezuka, Kunihiko Yoshikawa, Masahide Maruoka, Shigenori Inoue, Shuji Nishikawa, Yuso Tsuji
Membros do Conselho Fiscal: Akihiro Shibagaki, Yooko Hashimoto Yamaguti, Patricia Murakami

No ano passado, a Enkyo completou 60 anos de atividades (Aldo Shiguti)

Sobre a Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo

Fundada em 28 de janeiro de 1959 como Associação de Assistência aos Imigrantes Japoneses por um grupo formado por 32 representantes da colônia japonesa, a entidade designada abreviadamente por Enkyo, foi constituída a fim de atender as necessidades originadas com o auge da imigração japonesa no Brasil.
A sugestão de sua criação partiu de Daisaku Ozawa, diretor da Federação das Associações de Apoio aos Emigrantes Japoneses em São Paulo (Kaikyoren), e foi apoiada pela Comissão Organizadora dos Festejos Comemorativos do 50º Aniversário da Imigração Japonesa no Brasil.
Com o auxílio do governo japonês ela se instalou na Casa do Imigrante, onde a sua principal finalidade na época era de prestar serviços assistenciais aos imigrantes japoneses do pós-guerra, auxiliando-o desde o seu desembarque, oferecendo um local para descanso, ou até mesmo para a sua hospedagem.
Entretanto o seu trabalho não ficou restrito somente neste âmbito. Ao observar o cenário que se formava, a Associação viu-se obrigada a estender os seus serviços assistenciais e de preservação da saúde e higiene para toda a comunidade japonesa e com o decorrer do tempo os atendimentos foram se ampliando para a comunidade em geral. Em 1971 começou a abrigar pessoas desemparadas que não eram somente idosas e em 1972, a Enkyo teve a sua razão social alterada para o nome que viria a ser, após 60 anos, uma das entidades mais significativas e prestativas da comunidade, a Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo.

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