PANDEMIA: Para sobreviver em meio à crise, Kibô cria campanhas de doações

Festa do Verde da Kibô-no-Iê uma das principais fontes de arrecadação da instituição (divulgação)

Entidade sem fins lucrativos de assistência e desenvolvimento da pessoa em situação de deficiência intelectual que, em 2020, completa 50 anos de promoção do bem estar, autonomia, inclusão social e qualidade de vida de 70 pessoas em sua sede em Itaquaquecetuba, a Sociedade Beneficente Casa da Esperança “Kibô-No-Iê” está “seriamente ameaçada economicamente” por causa da crise provocada pelo coronavírus. “Assim como todas as entidades, a Kibô-no-Iê encontra-se em situação de muita preocupação principalmente com a saúde física dos residentes e dos colaboradores nesta pandemia do Coronavírus (Covid 19) que assola o mundo todo, bem como, com a arrecadação de recursos para custeio da entidade”, explica a presidente da entidade, Dirce Shimomoto.
Para continuar desenvolvendo seu trabalho, a entidade criou várias campanhas de doações e procurou as empresas e pessoas que sempre apoiaram a instituição para, mais uma vez, ajudar a Kibô-no-Iê . Para Dirce Shimomoto, embora prejudicada, a Nota Fiscal Paulista ainda é uma das melhores formas de captar doações sem nenhum custo para o doador.
Confira nesta entrevista ao Jornal Nippak o quê a Kibô – a exemplo de outras instituições – está fazendo para tentar superar aquela que já está sendo considerada uma das piores crises da humanidade.

Jornal Nippak: Como a Kibô-No-Iê está lidando com esse momento que estamos atravessando?
Kibô-No-Iê: Assim como todas as entidades, a Kibô no Iê encontra-se em situação de muita preocupação principalmente com a saúde física dos residentes e dos colaboradores nesta pandemia do Coronavírus (Covid 19) que assola o mundo todo, bem como, com a arrecadação de recursos para custeio da entidade.
Com a pandemia, a Kibô-no-Iê tem se precavido para prevenir a exposição ao vírus. Não temos nenhum infectado entre os 70 residentes da entidade, porém, a maior parte deles são idosos e/ou apresentam problemas de saúde que apresentam riscos e preocupação.
Por isso, atendendo as recomendações do Governo do Estado de São Paulo, Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde, tomamos algumas medidas que, esperamos, sejam temporárias, para preservar a saúde dos residentes, dos trabalhadores da entidade e do público que nos visita:

• Suspendemos todas as atividades externas da instituição, como os exercícios no ginásio de esportes de Itaquaquecetuba e os cursos de capacitação na Apae de Itaquaquecetuba;
• As visitas de grupos e escolas para conhecer às instalações da Kibô foram suspensas. Visitas de familiares dos residentes estão limitadas;
• Aumentamos a disponibilidade de álcool gel e reforçamos a importância de lavar as mãos;
• Os colaboradores que podem estão trabalhando de suas casas. Alguns setores, como a manutenção e a lavanderia, estão trabalhando em dias alternados;
• Toda a retirada de doações com os veículos da entidade está suspensa;
• Os bazares beneficentes da Kibô-no-Iê, do escritório administrativo e de nossa sede em Itaquaquecetuba estão com as atividades suspensas.
Procuramos desenvolver atividades internas aos residentes para compensar estas ausências, uma vez que não é saudável a ociosidade nesse período.

Jornal Nippak: Hoje São quantos assistidos?
Kibô: Hoje a Kibô atende 70 pessoas em situação de deficiência intelectual com idade média de 58 anos (a mais nova tem 39 anos e o mais velho 77) e, com o envelhecimento, muitos estão com mobilidade reduzida. São 28 cadeirantes que demandam mais cuidado e consequente aumento do número de funcionários. Temos hoje, 110 colaboradores entre administrativos e assistenciais.

Jornal Nippak: Qual a principal fonte de recursos da entidade e de que forma essa crise prejudicou vocês?
Kibô: As principais fontes de recurso da entidade são as contribuições de pessoas físicas e jurídicas, o programa da Nota Fiscal Paulista e os eventos beneficentes. Os eventos da Kibô-no-Iê correspondem a uma parte muito importante das formas de captação de recursos e foram atingidos de forma avassaladora pela pandemia do Coronavírus. Pela determinação de restrição de aglomerações e pela preocupação geral do público, até o momento, já adiamos quatro eventos beneficentes, como o Chá Beneficente do Hotel Nikkey e o Chá Beneficente Especial de 50 anos no Terraço Itália, o Almoço Solidário, a edição especial do Delicias da Kibo em comemoração aos 50 anos da entidade e 25 anos do Solo Sagrado da Igreja Messiânica em parceria com a Korin e a Festa Junina além dos eventos organizados por empresas em prol da Kibo como o Hina Matsuri que estava sendo organizado pelo Hotel Blue Tree Premium Paulista, o Miss Nikkey Juvenil do Nippon Contry Club Arujá e ainda, o Festival do Japão organizado pelo Kenren. Além dos eventos do segundo semestre que ainda estão sendo avaliados e que podem ser cancelados.
Atualmente, uma das maiores fontes de captação, que tem melhorado a cada ano, são os créditos do Programa Nota Fiscal Paulista. Porém, com as medidas de quarentena, parte dos estabelecimentos suspenderam atividades ou, por conta da redução da circulação de pessoas, tiveram uma diminuição da emissão de cupons fiscais o que afetou sobremaneira a arrecadação pelo referido programa.
Em 2019 os eventos beneficentes e a Nota Fiscal Paulista representaram uma arrecadação de mais de R$ 2 milhões, valor que certamente fará muita falta para manutenção do trabalho da entidade neste exercício.
Da mesma forma, a quarentena determinou o fechamento dos bazares beneficentes da Kibô, tanto na sede, em Itaquaquecetuba, como no escritório da Vila Mariana, assim como a suspensão da retirada de doações. A venda de doações representa um valor constante que não são afetados pela sazonalidade dos eventos ou da flutuação dos cupons fiscais.
O Covid-19 causou uma crise de saúde e, em decorrência disso, uma crise econômica. A instabilidade financeira para cada família trouxe a diminuição de muitas doações recorrentes.
Por isso, mais e mais doadores cancelaram suas doações periódicas.

Jornal Nippak: Vocês estão promovendo alguma campanha? Como as pessoas podem ajudar?
Kibô: As dificuldades são muitas, e a Kibô-no-Iê está seriamente ameaçada economicamente. A entidade acredita que o momento também é uma oportunidade para a solidariedade. Entendemos que os recursos servirão para amenizar o impacto que a pandemia está causando no mundo todo porém, mais do que nunca, a solidariedade prolifera. Podemos ver na TV e nas mídias sociais exemplos de pessoas praticando o bem. Isso, mais do que nunca tem sido uma oportunidade para reflexões e mudança de filosofia de vida com consequente ações de solidariedade e amor ao próximo.
Criamos campanhas de doações, únicas e recorrentes divulgados de todas as formas que estão ao nosso alcance e procuramos as empresas e pessoas que sempre apoiaram a entidade para, mais uma vez, ajudar a Kibô-no-Iê . Além disso, os diretores da Kibô estão empenhados em conseguirem aumentar substancialmente os valores arrecadados, utilizando o seguinte link https://kibonoie.doareacao.com.br/.
A Nota Fiscal Paulista, embora prejudicado, ainda é uma das melhores formas de captar doações sem nenhum custo para o doador. Buscamos doadores automáticos dos créditos e também estabelecimentos para captar os cupons fiscais sem CPF. Mais informações em https://bit.ly/nfkibo. Se você tem um estabelecimento e quer ajudar contate por parcerias2@kibonoie.org.br.
Buscamos também doações em produtos, como alimentos, fraldas geriátricas, produtos de higiene pessoal, máscaras, luvas e aventais hospitalares. Fale conosco por contato@kibonoie.org.br ou Telefone/WhatsApp (11) 5549-2695.

Jornal Nippak: Tem alguma prioridade (se é que se pode elencar uma no meio de tantas)?
Kibô: Algo que por vezes foge do entendimento do público é que prestar o atendimento e desenvolvimento de uma pessoa em situação de deficiência intelectual é muito caro. Além dos medicamentos, abrigo, alimentação, transporte o que custa muito são os profissionais capacitados, de diversas áreas da saúde (médico, enfermeiro, dentista, assistente sócia, psicólogo, fonoaudiólogo, nutricionista, fisioterapeuta, educador físico), cuidadores, cozinheiros, instrutoras que representam a maior parte das despesas. Tudo isso pelas 24 horas do dia, multiplicados por 70 pessoas atendidas atualmente. Para não prejudicar o atendimento a estas pessoas necessitamos de uma equipe adequada. Por isso nossa prioridade são recursos financeiros. Mas é claro que também necessitamos de produtos, como alimentos, fraldas geriátricas, produtos de higiene pessoal, álcool gel, máscaras cirúrgicas e aventais hospitalares.

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