Novo cônsul expressa respeito e agradecimento aos pioneiros e se impressiona com as carpas

(Aldo Shiguti)

Se a primeira sensação é que fica, a comunidade nikkei pode respirar aliviada. Em seu primeiro evento presencial depois de 14 dias de confinamento desde que chegou do México, o novo cônsul geral do Japão em São Paulo, Ryosuke Kuwana, demonstrou muita simpatia e carisma apesar do frio e da garoa que tomou conta da capital paulista na última sexta-feira, 21. Foi também o primeiro dia de trabalho “oficial” do novo cônsul, que chegou pontualmente às 14 horas no Ireihi (Memorial em Homenagem aos Imigrantes Pioneiros Falecidos), no Parque do Ibirapuera, na zona Sul de São Paulo.
Lá, foi recepcionado pelo presidente do Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Toshio Ichikawa, e pelos vices, José Taniguti, Alfredo Ohmachi e Mitsuyoshi Nagaya, pelo 2º tesoureiro, Luis Koji Yamashita e pela 2ª secretária, Neuza K. Shirata Isso.
Como é de praxe nessas ocasiões, o cônsul depositou flores no Monumento em Homenagem aos Pioneiros da Imigração Japonesa Falecidos e assinou o livro de visitas. Deixou como registro: “21 de Agosto do 2º Ano da Era Reiwa. Cônsul Geral do Japão em São Paulo, Ryosuke Kuwana. Com profundo respeito e gratidão”.
Coube a José Taniguti a tarefa de contar a história do ireihi “baseado” no livro “ O imigrante japonês: história de sua vida no Brasil”, de Tomoo Handa.

Gentleman – “O ireihi tem um valor simbólico muito profundo pois abriga a alma de todos os pioneiros que para cá vieram em busca do sonho de ajuntar dinheiro e voltar para sua terra natal. Muitos morreram e foram enterrados no quintal de suas casas, sendo que os túmulos ficaram abandonados com as saídas das famílias. Por esse motivo, o governo japonês orienta para que todas as autoridades, quando viajam para o Brasil, visitem o ireihi, onde anualmente, no dia 18 de junho, é celebrado um culto budista em Memória dos Imigrantes Japoneses Precursores em conjunto com a Federação das Escolas Budistas do Brasil”, explicou Taniguti, que achou o novo cônsul um “gentleman”.

Pavilhão Japonês – De lá, Ryosuke Kuwana seguiu para o Pavilhão Japonês, onde foi recepcionado pelo presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social). Renato Ishikawa; pelo vice, Marcelo Hideshima; pelo diretor de Comunicação, Henry Yuzo Arimura e pelo secretário geral administrativo da entidade, Eduardo Goo Nakashima, além do presidente da Comissão de Administração do Pavilhão Japonês, Cláudio Kurita.

Pau brasil – O mau tempo abreviou a visita, mas o cônsul ainda pôde conhecer algumas peculiaridades do local, como o pinheiro negro plantado em 1967 pelo então príncipe herdeiro e atual imperador emérito, Akihito – a árvore, como explicou Goo Nakashima, foi plantada no jardim do Bunkyo e posteriormente transplantada para o Pavilhão Japonês – o pau brasil plantado pelo primeiro-ministro Shinzo Abe durante sua visita ao Brasil em 2014, e o ipê branco que foi plantado pelos príncipes Akishino e Kiko, que visitaram o Brasil pela comemoração dos 120 anos do tratado de amizade entre os dois países, além de alguns marcos presentes no local, como as homenagens ao “pai do haicai no Brasil,” Nempuku Sato.
No interior do Pavilhão, Ryosuke Kuwana chamou a atenção para um entalhe no formato de carpa, espécie de assinatura dos carpinteiros da   Nakashima Komuten, tradicional empresa japonesa responsável pela restauração do Pavilhão.

Respeito e gratidão – Ao final da visita, que demorou cerca de uma hora e ainda bem humorado, Ryosuke Kuwana falou com a reportagem do Jornal Nippak em “portunhol”, segundo ele, aliás, “único idioma que consegue falar” próximo ao português. Disse que, apesar da chuva, estava feliz pelo seu primeiro dia de trabalho. “Vim aqui [Ireihi e Pavilhão Japonês] para expressar meu respeito e agradecimento aos pioneiros japoneses. Vou trabalhar para uma maior cooperação entre o Brasil e o Japão e também para uma maior prosperidade da comunidade nikkei”, destacou o novo cônsul, afirmando que ficou comovido com a história da saga dos imigrantes japoneses no Brasil.
“Fiquei impressionado também com as obras de arte [do Pavilhão Japonês] e as carpas coloridas, nunca tinha visto. Foi a primeira vez que vi carpas tão grandes fora do Japão”, disse ele, explicando que, em sua segunda visita à capital paulista – a primeira foi há 30 anos, quando era diplomata iniciante na Bolívia – achou a capital “mais limpa e moderna”. “Sabia que era uma grande metrópole mas desta vez achei a cidade mais moderna”, observou, lembrando que ficou 14 dias em confinamento na residência oficial, no bairro do Morumbi. No final, o novo cônsul ganhou uma garrafa de pinga e um pacote de café do presidente do Bunkyo.

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