NIPPAK RURAL: Produtor de Atibaia começa a comercializar ora-pro-nobis e acredita no potencial da Panc na culinária japonesa

Koichi Nakazawa durante apresentação do ora-pro-nobis: “Existe mercado em potencial” (Aldo Shiguti)

Quem nunca ouviu falar da ora-pro-nobis, uma planta nativa da Região Sudeste brasileiro, principalmente Minas Gerais, muito utilizada em dietas veganas e vegetarianas por seu alto teor de nutrientes. O uso da planta vem crescendo junto com a tendência de valorização das Pancs Plantas Alimentícias Não Convencionais. Com alto valor nutricional e biológico, a planta é rica fonte proteica de origem vegetal livre de gorduras saturadas. Muito utilizada nos tempos do Brasil Colônia, chegou a ser conhecida como carne de pobre, em vista da riqueza de nutrientes como ferro, cálcio, vitamina C e fibras. Em geral é encontrada de forma abundante principalmente em Minas Gerais, mas o seu consumo foi esquecido com o tempo nas outras regiões.

Em sua propriedade de 1 hectare, Nakazawa cultiva 10 mil pés (arquivo pessoal)

Mas isso pode mudar. Um produtor de Atibaia, Koichi Nakazawa, está começando a comercializar o produto em embalagens apropriadas para o preparo de alimentos ou em saladas e ele acredita que existe um mercado potencial de utilização da oro-pro-nobis dentro da culinária japonesa. Por isso ele fez uma apresentação de algumas possibilidades culinárias da planta no bairro da Liberdade para divulgar não apenas a marca Nakazawa Brasil, mas também o conceito (Uma riqueza brasileira).
A ideia surgiu, conta o Sr. Nakazawa, após a visita de um amigo japonês, que percebeu a semelhança da planta com a alga marinha (nakame), produto tão usual da cozinha japonesa, e sugeriu que a ora-pro-nobis poderia ter a mesma aplicação em alguns pratos.
De 1965 a 1992, ele atuou como plantador de flores. Mas quando abriu um centro esportivo para jovens refletiu e achou que não era possível atuar com crianças e com defensivos agrícolas ao mesmo tempo. Parou então de produzir flores. Mas a sugestão do amigo fez com que retomasse a produção, agora do ora-pro-nobis, de maneira orgânica.

Espinhos – Uma das principais desvantagens da planta é a profusão de espinhos. Mas essa não foi uma surpresa para o produtor acostumado às espinhas das flores. Ele emprega essa habilidade na produção dos 10 mil pés, ao longo de 1 hectare, em sua propriedade em Atibaia. O produtor não pretende parar por aí. A ideia é exportar até para o Japão em forma de pó, farinha ou produto desidratado.
O esforço de Nakazawa em desenvolver embalagens adequadas tem tido apoio da secretaria de agricultura da cidade de Atibaia. As embalagens estão em processo de certificação junto à Anvisa. A colheita ocorre durante todo o ano, informa, o produtor e o importante é controlar o crescimento. “Eu acredito que assim que for percebido o potencial de utilização em pratos da culinária japonesa, haverá um bom mercado de consumo para a ora-pro-nobis e será possível encontrar o produto nas mercearias de São `Paulo”.
Mariuza Rodrigues. E-mail:   mariuzarodrigues2020@outlook.com.br.

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