MUSEUS: Simpósio Internacional reúne dez museus de imigração japonesa

Cônsul adjunto do Consulado de SP, Akira Kusunoki (divulgação)

Realizado no dia 12 de novembro em formato online pelo Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social) por intermédio do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil (MHIJB), o 1º Simpósio Internacional de Museus de Imigração Japonesa recebeu cerca de 600 inscrições.
O evento, que teve moderação do vice-presidente do Bunkyo, Gioji Okuhara, contou com a participação de destacadas autoridades do intercâmbio Brasil-Japão, entre eles o embaixador do Japão no Brasil Akira Yamada; o secretário de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo Luiz Álvaro Salles Aguiar de Menezes; o presidente da Associação Kaigai Nikkeijin Kyokai Katsuyuki Tanaka; o diretor da Jica (Japan International Cooperation Agency) Hiroshi Saito e cônsul-geral adjunto de São Paulo, Akira Kusunoki.

O secretário de Relações Internacionais, Luiz Álvaro (divulgação)

Anfitrião, Renato Ishikawa saudou os participantes nos idiomas japonês, espanhol, inglês e português. E, proferindo seu discurso em português, disse se tratar de um dia “memorável” para o MHIJB – que comemora 42 anos de funcionamento –, e para a sua mantenedora, o Bunkyo, que comemora 65 anos de fundação.
Lembrou que, nos últimos anos, o Museu passou por amplas reformas para atualizar e melhorar a comunicação com seus visitantes e pesquisadores. Ele destacou ainda que o Museu nasceu do ideal da imigração japonesa, “preocupada em preservar e transmitir para as futuras gerações a sua história neste pais”.

Renato Ishikawa, presidente do Bunkyo (divulgação)

Jovens – “Inaugurado em 1978 como um dos ícones das comemorações dos 70 da chegada dos primeiros imigrantes, nas últimas décadas a atuação das gerações sucessoras junto às entidades nipo-brasileiras está entre uma das maiores preocupações da nossa comunidade, pois na realidade reflete uma desafiante tarefa do aprendizado mútuo entre as pessoas das mais diversas idades, dos jovens até os idosos”, ressaltou o presidente do Bunkyo, explicando que “temos nos empenhado para amenizar estas barreiras, criando   oportunidades para que as gerações sucessoras sejam protagonistas e assumam a coordenação da maioria das nossas importantes realizações”.
“Neste cenário, a ampla reforma do museu fez parte deste esforço conjunto na busca de modernidade e atualização da linguagem para despertar ainda mais interesse dos jovens. Considero que esta interatividade aos nossos tempos está refletida na organização deste 1º Simpósio Internacional dos Museus de Imigração Japonesa”, disse Ishikawa, que lamentou o fato de o evento ser online, “uma vez que gostaríamos de encerrá-lo com um grande churrasco na minha fazenda em São João da Boa Vista, a 200 quilômetros da Capital, dedicada ao cultivo de café e com um imenso casarão da época colonial do ido dos anos de 1880”.

O embaixador Akira Yamada (divulgação)

Relevante – Representando o governo japonês no Brasil, o embaixador Akira Yamada disse, em sua mensagem que, durante sua carreira de cerca de 40 anos como funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, “estou intimamente envolvido com a comunidade nikkei na América Latina e ouvi como os imigrantes e os nikkeis superaram as dificuldades até hoje em cada país”.
“Também visitei museus de imigração japonesa em vários lugares e aprendi vendo sobre os caminhos que os imigrantes e os nikkeis seguiram”, afirmou o embaixador. Segundo ele, para que que a comunidade nikkei cresça ainda mais no futuro, reconhecendo a sua origem, “penso que é muito significativo arquivar e publicar informações de histórias passadas, experiência da imigração e sentimentos dos nikkeis como materiais históricos e os transmitir para as gerações futuras”.
“Para esse fim, o papel dos museus da imigração japonesa é importante. Acredito que é grande a relevância deste Simpósio e que os museus de cada pais formem uma rede e compartilhem suas experiências e conhecimentos”, finalizou o embaixador Akira Yamada.

Blocos – Professor emérito da Universidade de Keio, Dr. Toshio Yanagida foi responsável pela palestra magna, seguindo-se depois vários blocos com a apresentação de museus e comentários de especialistas convidados.
Ao todo foram apresentados 10 museus de imigração japonesa: do Canadá, foram dois, de Vancouver e Toronto; dos Estados Unidos, também foram dois (Los Angeles e Havaí). Na sequência, o México apresentou o projeto de um museu de imigração japonesa que está em vias de execução, seguindo-se o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil (São Paulo) e do Peru (Lima). No último bloco, os dois museus de imigração da Bolívia localizados em San Juan e Santa Cruz, encerrando-se com o Museu de Migração Japonesa ao Exterior (Yokohama/Japão).
A transmissão durou cerca de 4 horas e foi correalizado pelo Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Japonesa da USP, Jica e Associação Kaigai Nikkeijin Kyokai.

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