‘Meu sentimento de gratidão ficou ainda mais forte’, diz cônsul Ryosuke Kuwana após visita ao Museu

Ryosuke Kuwana na réplica da cabana dos imigrantes: “Conhecer a realidade é bem diferente” (Aldo Shiguti)

O cônsul geral do Japão em São Paulo, Ryosuke Kuwana, se emocionou em sua primeira visita ao Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil (MHIJB), no último dia 28. “Fiquei muito impressionado com o acervo do Museu. Eu conhecia um pouco da história da inigração através do que me contaram, mas conhecer e ver de perto toda essa história, de como era a vida dos pioneiros, é algo realmente impressionante”, revelou Kuwana ao Jornal Nippak logo após a visita, que demorou cerca de uma hora.
Antes de conhecer essa história, propriamente dita, o cônsul se dirigiu até o terceiro andar do prédio do Bunkyo (Sociedade Brasileira dse Cultura Japonesa e de Assistência Social), no bairro da Liberdade, em São Paulo, a tempo de conferir a explicação do Representante Chefe do Escritório da Jica no Brasil, Hiroshi Sato, sobre a assinatura do contrato de comodato de equipamento de scanner entre o Bunkyo e a Jica para que o Museu da Imigração Japonesa realize a digitalização do acervo de jornais da comunidade nipo-brasileira. O contrato é de cinco anos (prorrogável por mais cinco). O cônsul agradeceu a Jica pela cessão do equipamento ao Bunkyo.

Cerimônia do chá – Em seguida, Ryosuke Kuwana – que assumiu o carego no dia 7 de agosto e até então pouco tem saído em função da pandemia do novo coronavírus – se dirigiu para o quarto andar, onde fica o Centro de Chado Urasenke do Brasil. Lá, foi recepcionado pelo representante oficial no Brasil e presidente do Centro de Chado Urasenke do Brasil, Soichi Hayashi, a vice-presidente, Madoka Hayashi e o mestre Sokei Hayashi.
À vontade, Ryosuke Kuwana revelou ser um apreciador da bebida pois sua mãe era uma praticante da cerimônia do chá e, por isso, quando menino, ele sempre bebia. De lá, sempre acompanhado pelo presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa, ele iniciou sua primeira visita ao Museu Histórico da Imgração Japonesa no Brasil.
Inaugurado em 18 junho de 1978 como a grande realização do 70º aniversário da imigração japonesa no Brasil – a cerimônia de abertura foi prestigiada pelo então príncipe herdeiro Akihito do Japão e pelo presidente da República Ernesto Geisel – o Museu é hoje uma referência sobre a memória da imigração japonesa no Brasil.
Entre seu acervo de quase 100 mil itens, destaque para as roupas e objetos usados pelos pioneiros, além de uma cabana em tamanho natural. O cônsul ouviu atentamente as explicações da presidente da Comissão, Lidia Yamashita, e do próprio Renato Ishikawa, que comentou ter morado em uma moradia semelhante a que está exposta em sua infância.

Gratidão – No final, depois de ter percorrido o sétimo, oitavo e nono andares e ter acompanhado também o processo de integração, Ryosuke Kuwana disse que, depois de conhecer a história de sofrimento e superação dos imigrantes, “meu sentimento de gratidão ficou ainda mais forte”.
“Uma coisa é você ver na televisão e no cinema, outra é você conhecer a realidade, que é muito diferente. Os pioneiros, que vieram para substituir a mão de obra escrava, levaram uma vida muito difícil. Enfrentaram muitos obstáculos mesmo depois de adquirirem suas terras e desbravaram florestas”, explicou Kuwana, que também ficou admirado com o empenho dos pioneiros em priorizar a educação dos filhos, mesmo que isso exigisse sacrifícios.
No final, disse que a instalação do Museu é muito boa para quem quer aprender e conhecer um pouco mais sobre a hsitória da imigração japonesa no Brasil. E confidenciou ao Jornal Nippak que não vê a hora de poder ver tudo isso de perto. “Temos que ter um pouco mais de paciência, mas para mim é necessário conhecer os locais e as pessoas e ter contatro direto com eles. Por enquanto estou fazendo muito vídeos, mas ir pessoalmente é bem diferente”, explicou o cônsul, que antes de encerrar sua visita se reuniu com alguns diretores do Bunkyo.

Serviço – Para quem ficou curioso e quer conhecer um pouco mais sobre a imigração japonesa no Brasil, o MHIJB fica na Rua São Joaquim, 381 (prédio do Bunkyo). Reaberto à visitação hoje depois de sete meses fechado em função da pandemia do novo coronavírus, o Museu funcionará, nesta primeira etapa, às quintas, sextas e sábados, das 10h30 às 13h30 (encerrando-se às 14h30, quando será feita a higienização para o dia seguinte). As visitas deverão ser agendadas antecipadamente, sendo que a lotação máxima a cada hora é de 25 pessoas.

O cônsul se reuniu com diretores do Bunkyo (Aldo Shiguti)

As visitas ao Museu da Imigração Japonesa podem ser agendadas pelo e-mail: museu@bunkyo.org.br / Tel.: (11) 3209-5465 / https://www.bunkyo.org.br/br/agendamento-online/

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