‘Menino de Ouro’, Tadao Nagai, 9º dan, uma lenda do judô, continua em plena atividade aos 85 anos de idade

O mestre Tadao Nagai com o cônsul do Rio e a filha, Silvana (Aldo Shiguti)

Quem foi na Arena Tatami do 3º Rio Matsuri – Festival da Cultura Japonesa do Rio – realizado de 17 a 20 de janeiro, no Riocentro (zona Oeste do Rio de Janeiro), não deixou de admirar a figura daquele simpático senhor em meio às crianças e jovens da Associação Nagai, que pelo terceiro ano marcou presença no evento.
Mas, voltando, aquele simpático senhor, que parecia se divertir, era, na verdade, pai da professora Silvana Nagai, que há cinco anos desenvolve um projeto social no Complexo do Alemão (RJ). Para quem não conhece, Tadao Nagai, de 85 anos de idade – 75 deles dedicados ao judô –, é uma lenda do judô. Da mesma forma que ainda pratica a arte marcial, também mantém um incrível bom humor.
Nascido em Avaré, no interior de São Paulo, Tadao Nagai, cujo pai era de Miyazaki e a mãe de Kumamoto, é o mais velho de 12 irmãos. Mas foi na capital paulista que ele foi apresentado ao judô pelo professor Ryuzo Ogawa – outra grande referência no judô.
“Lá não tinha apenas judô, tinha também aulas de nihongo”, conta Nagai, lembrando que, quando descobriu o judô, sentiu que era como se trabalhasse na roça, quando brincava no gramado.
Aos 15 formou-se faixa preta, um dos mais novos da sua geração. Hoje, 9º dan de judô, a história do sensei Nagai, confunde-se com a história do judô brasileiro.

Menino de Ouro – Segundo o site da Associação Nagai, como atleta, Tadao Nagai foi chamado de “Menino de Ouro”, por sua desenvoltura, considerado pelo professor Kotani, 8º dan (Kodokan), o atleta mais técnico no Torneio Internacional, em que participou Argentina, Brasil e Japão. Como atleta, foi duas vezes campeão Paulista e três vezes Brasileiro (sendo duas como atleta e uma como técnico da Seleção Paulista). Foi também tricampeão universitário
Quando ainda morava em São Paulo, foi convidado a chefiar a Seleção Brasileira que sagrou-se campeã Pan-Americana no México, em 1987.
Em 1945 foi transferido para Recife, pelo Instituto Brasileiro de Café (IBC) e em 1971 fundou a Associação Nagai. Quando foi para Recife, conta que tinha prometido para a família parar com o judô. No entanto, acabou sendo um dos fundadores da Federação Pernambucana. “Na época, o judô era junto com o pugilismo”, recorda ele, que não só foi o primeiro presidente da recém-criada Federação como também a comandou por três mandatos. “O desafio foi muito grande”, destaca ele, explicando que “por pouco” não disputou as Olimpíadas de Tóquio, em 1964. “Estávamos eu, que era peso leve e na época tinha 30 anos, e o Shiozawa, que era peso médio e tinha 26 anos disputando uma das vagas.Optaram pelo Shiozawa pelo fato de ele ser mais jovem”, conta Nagai, que, dos 4 filhos, três seguiram a carreira de judoca.
Hoje, lamenta que a filha, que visita de vez em quando, sofre com a falta de patrocínio. Para Tadao Nagai, que já formou mais de cem faixas pretas, o mais importante não é só formar campeões, mas transmitir a verdadeira filosofia do judô.

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