Marli Takeda cria instalações no Japão usando a técnica de entrelaçamento de adesivos

A artista plástica Marli Takeda voltou recentemente do Japão onde apresentou sua arte de entrelaçamento de adesivos em três unidades da ICC School, escola de idiomas localizada na capital japonesa. Foi a segunda vez que ela esteve lá. A primeira foi há cerca de seis anos, na Unidade de Ginza – uma das principais áreas comerciais de Tóquio. Desta vez ela ela fez uma em Tóquio e outras duas na Unidade de Shinjuku.

Para criar sua arte, Marli usa como principal material de trabalho folhas adesivadas que são descartadas por empresas e gráficas. Formada pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, Marli explica que hoje é a única artista brasileira a trabalhar com o que chama de “entrelaçamento de adesivos”. “Sempre me interessei por arte e esse tipo de material também sempre me chamou a atenção”, conta ela, lembrando que fez sua primeira tela usando os adesivos em 2011.

E gostou do resultado. Da tela para as paredes foi um passo. “O suporte tem limitação”, diz a artista, explicando que a expressão pode ser criada com a tesoura recortando os adesivos. “É diferente de um lápis, cada recorte é único”, conta, acrescentando que sempre se interessou pelas formas circulares: “São mais amigáveis”, diz.

 

Arte colaborativa – Em 2011, foi uma das selecionadas do Projeto Linha Cultural do Metrô e apresentou sua instalação colaborativa em adesivos de reaproveitamento na estação Clínicas. Sobre seu processo de trabalho, Marli destaca que o desenho – como árvores, por exemplo – não é o mais importante. O principal, conta, é que todos são co-autores, todos “colaboram”. E a conscientização que isso desperta nas pessoas, chamando a atenção para a importância do meio ambiente. “A arte não precisa ser com material novo, basta ter criatividade para usá-lo”, ensina Marli.

 

Poética de adesivagem – Ou “poética da adesivagem”, conforme o crítico de arte e membro da Association Internationale des Critique d’Art de Paris, Enock Sacramento. Segundo ele, “o mais surpreendente é que estes aparentes arabescos são, quase sempre, grafias do alfabeto japonês hiragana que formam em suas pinturas palavras ou frases tais como ‘Humanidade’ ou ‘A vida tem a cor que você pinta’, de Mário Bonatti, ou ‘A esperança é um sonho que caminha’, de Aristóteles, frase que integra, gráfica e plasticamente, este notável trabalho por ela criado em 2017 com fundo preto, formas poderosas e cores econômicas”. E prossegue o crítico: “Este procedimento, inédito entre nós, confere à pintura de Marli Takeda um caráter de metalinguagem, ou seja, de linguagem sobre a linguagem, de notável valor cultural”.

 

Arte pública – Artista visual e produtora cultural, Marli Takeda nasceu na cidade de Presidente Prudente (SP), e realizou diversas individuais e coletivas no Brasil, Japão (Tóquio), Portugal (Porto), EUA (Miami e Fort Lauderlale), entre outros países.

As grandes exposições individuais foram na cidade do Porto, na Ap’Art Galeria de Arte Contemporâneua, e no Mosteiro de São Bento, em São Paulo. Além da Sala de Músicas do Mosteiro e das Unidades da ICC School, Marli também tem obra pública no Colégio Pioneiro, na Unesp e na Downtown Doral Charter Elementary School, na Flórida (EUA)

Recentemente, Marli partipou de uma coletiva na Joh Mabe Espaço Arte e Cultura, que reuniu artistas que fazem parte da história da galeria desde 1988. É dela também a arte que decora a parede da sala de visitas do Nikkey Shimbun e Jornal Nippak.

(Aldo Shiguti)

Comentários
Loading...