Liderado por Telma Shiraishi, movimento busca apoio para doar 6 mil marmitas aos mais pobres

(Arquivo pessoal)

O Água no Feijão, movimento idealizado pela chef Telma Shiraishi (Aizomê) e que conta com a apoio de diversas entidades – JCI Brasil-Japão, Comissão de Jovens do Bunkyo, Aliança Cultural Brasil-Japão, Abeuni (Aliança Beneficente Universitária de São Paulo), Asebex (Associação Brasileira de Ex-Bolsistas no Japão), ABJICA (Associação Brasileira de Ex-Bolsistas Jica) e KIF Brazil (Koyamada International Foundation) – iniciou a semana com uma ótima notícia. Dos R$ 47.600,00 estipulados como meta, o movimento anunciou nesta segunda-feira (4), a arrecadação de R$ 10.000,00.
O objetivo é fornecer 6 mil marmitas gratuitamente para os mais necessitados. No site do Movimento (www.aguanofeijao.org.br), há opções a partir de R$ 8,00 (uma marmita) até R$ 80,00 (10 marmitas), além do patrocínio que varia de R$ 800,00 (100 marmitas) a R$ 2.400,00 (300 marmitas. Quem preferir, também pode contribuir doando insumos, embalagens e outros materiais.
Primeira mulher brasileira a ser nomeada Embaixadora da Boa Vontade da Difusão da Culinária Japonesa, título conferido pelo Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão em 2019 para profissionais da gastronomia japonesa no Japão e no Exterior, Telma Shiraishi disse ao Jornal Nippak que a ideia surgiu logo no início da pandemia, quando teve que abaixar as portas das duas unidades do Aizomê – nos Jardins e na Japan House São Paulo – conforme decreto municipal assinado pelo prefeito Bruno Covas que estabeleceu o fechamento de todos os estabelecimentos comerciais a partir de 20 de março na capital paulista.
“Desde então venho fazendo marmitas e doando aos necessitados em meu entorno”, conta a chef, lembrando que “de repente estava com os estoques cheios de alimentos e casas fechadas”.
“Ruas vazias, tudo parado. E via pessoas nas ruas próximas sem ter para onde ir em busca de alimento ou ter para quem pedir. Não era muito, mas era o que dava para fazer”, explica Telma, que começou a desenvolver o sistema de delivery no restaurante. “O que cozinhávamos para nossos colaboradores ia também para fazer marmitas para quem encontrávamos com fome”, destaca, acrescentando que, ela e alguns chefs paulistanos se inscreveram para participar do Projeto Rede Cozinha Cidadã, uma iniciativa liderada pela Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania cujo objetivo é oferecer alternativas de alimentação para a população em situação de rua, além de promover a participação de comércios e pequenos restaurantes a gerarem renda com a venda de comida durante a crise acarretada pela quarentena do Coronavírus”.
“A Prefeitura paga aos restaurantes para fornecer as marmitas solidárias. Uma forma de dar trabalho aos cozinheiros e fomentar a cadeia de fornecimento ao mesmo tempo que procura resolver a situação desesperadora da população em situação de rua”, conta Telma, que desde o dia 23 de abril vem fornecendo marmitas para os sem-teto nessa parceria com a prefeitura. “São 600 marmitas por semana, feitas na cozinha do Aizomê por minha equipe todas as manhãs. E continuo por conta própria fazendo as marmitas para alimentar os necessitados em meu entorno e também os entregadores dos aplicativos que às vezes chegam no restaurante para prestar o serviço com fome”, observa a chef, que não parou nem mesmo no feriado de 1º de Maio e passou o Dia do Trabalho distribuindo refeições para o sem-teto do centro de São Paulo.

Movimento Água no Feijão pretende distribuir 200 marmitas todos os dias durante um mês (arquivo pessoal)

Água no Feijão – “Mas ainda assim precisamos de muito mais para conseguir ajudar as pessoas”, diz. E, assim, paralelamente ao Projeto Rede Cozinha Cidadã, ela entrou em contato o presidente da JCI Brasil-Japão, Marcelo Asamura, e a presidente da gestão de 2018, Patricia Murakami. “Começamos a contatar e envolver várias entidades – principalmente os jovens, para se engajar e criar uma incrível força-tarefa de solidariedade. Membros de todas as entidades envolvidas no projeto contribuíram com ideias e ajudaram na elaboração desse movimento”, conta ela, referindo-se à criação do Água no Feijão.

Campanha – Não por acaso, a campanha de arrecadação de recursos para o movimento teve início no mesmo dia 1º de maio. “Assim que arrecadarmos o suficiente para a produção de uma semana de marmitas – com o objetivo mínimo de 200 unidades por dia –, iniciaremos essa produção. Estamos também mapeando comunidades que estão precisando de alimentos para destinar essa produção”, disse, explicando que a ideia é começar a distribuição já nesta semana. A meta é garantir 30 dias de refeição – ou 6 mil marmitas.

A chef Telma Shiraishi, que desde o dia 23 de abril vem fornecendo marmitas para os sem-teto (arquivo pessoal)

Segundo ela, a ideia central do movimento, que pretende também auxiliar toda a cadeia de produção das marmitas, mantendo o pagamento de cozinheiros, ajudantes, transportadores e pequenos fornecedores, é “a de que podemos fazer render o pouco que temos e simbolicamente oferecer um prato a mais para quem precisa”.
“Tudo o que conseguirmos poderá ser convertido em mais marmitas ou podemos estender esse prazo conforme o apoio e os insumos que angariarmos. Qualquer excedente será automaticamente repassado a essas comunidades mapeadas ou para as entidades nikkeis”, observa Telma.

Solidariedade – A chef avisa que qualquer ajuda é bem-vinda. “Estamos aceitando qualquer tipo de doação: podem ser ingredientes (arroz, feijão, hortifruti, proteínas), embalagens (marmitas, talheres descartáveis, caixas para transporte), material de higiene e de limpeza (máscaras, sabão, álcool, luvas, desinfetante…)”, diz ela, afirmando que “essa pausa que vemos no mundo todo está despertando a solidariedade e dando lições de empatia para todos”.
“Estamos aprendendo a ver mais o coletivo e repensando nossas prioridades. O mais bonito está sendo essa mobilização e união de tantas pessoas e entidades diferentes pelo mesmo propósito”, conta Telma Shiraishi.
“Minha esperança é que esse seja apenas o início de algo maior, que testemunhemos como somos mais fortes unidos e caminhando na mesma direção”, conclui.
Acesse: www.aguanofeijao.org.br e saiba como contribuir

Distribuição no centro de São Paulo no feriado de 1º de Maio (arquivo pessoal)
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