JAPAN HOUSE SÃO PAULO: ‘Nos preparamos muito para esse retorno’, diz Eric Klug

Eric Klug, que assumiu a presidência da JHSP em abril: “A Japan House sempre fugiu do óbvio” (Aldo Shiguti)

Logo na entrada os visitantes notam que há algo de diferente na Japan House São Paulo. Nem tanto pelo pedido de agendamento – uma orientação para se fazer uma visita tranquila e segura – mas mais pela nova realidade imposta pela pandmeia do novo coronavírus. Quem entra, não cruza mais com quem está saindo – para isso foi construída uma saída exclusiva. Totens com álcool gel, higienizador de mãos e medidor de temperatura já fazem parte da rotina da casa que reabriu nesta terça-feira (20) para o público após sete meses fechada. Com mais de dois milhões de visitantes desde que foi inaugurada, nesta primeira etapa a JHSP terá horário de funcionamento reduzido para seis horas diárias, das 11 às 17h, de terça a domingo. E capacidade de público limitada a 60%.
No chão, as marcações de distanciamento também lembram os frequentadores que estamos vivendo um momento inusitado. No interior, duas exposições inéditas na América Latina recebem os visitantes: “O fabuloso universo de Tomo Koizumi”, e “Japonésia”, de Naoki Ishikawa. A primeira, que ficará aberta para visitação até o dia 10 de janeiro de 2021, no espaço expositivo do piso térreo da instituição, apresenta uma série de peças do designer Tomo Koizumi.

Lady Gaga – Destaque na semana de moda de Nova Iorque de 2019, o jovem artista vem conquistando respeito e admiração no mundo fashion com suas criações famosas pelo encantamento, em produções únicas feitas com 50m a 100m de organza japonesa cada uma, trazendo cores e volumes extravagantes, que representam o seu universo recheado de criatividade.
Nascido na província de Chiba, o designer de vestidos de 32 anos foi descoberto pelo dono de uma loja de varejo que ficou encantado pelas roupas produzidas por ele, ainda quando era estudante universitário. Fundou a sua marca “Tomo Koizumi” e, antes de sua ascensão, trabalhou como figurinista para diversos designers japoneses. Em 2016, teve uma de suas peças usada pela cantora Lady Gaga durante uma visita ao Japão. Dois anos depois foi descoberto por Katie Grand (na época, editora-chefe da revista Love), que ficou fascinada e obcecada por seu trabalho e usou de seus melhores contatos para orquestrar um desfile do artista na semana de moda de Nova Iorque (2019) com apoio de Marc Jacobs,.

Extravagância – Para a Japan House São Paulo, a ideia é revelar para os visitantes a essência do olhar de Tomo Koizumi, despertando curiosidade por meio da criatividade que existe por trás de cada composição exposta. Para isso, foram selecionadas para a exposição 13 peças significativas na carreira deste grande artista, incluindo três criadas exclusivamente para esta mostra, bem como o vídeo do icônico desfile em Nova Iorque e detalhes que mostram um pouco dos bastidores criativos e da história meteórica desse estilista.
“Tomo Koizumi é extravagante, surpreendente, criativo, vibrante. Suas peças são o perfeito encontro da intimidade do trabalho manual ao glamour, sofisticação e teatralidade. Para criar peças de grande impacto, bebe e mescla fontes tradicionais e populares do Japão como os mangás, robôs e o estilo Lolita”, comenta Natasha Barzaghi Geenen, diretora Cultural da Japan House São Paulo.

Japonésia – Em cartaz até 3 de janeiro de 2021, Japonésia foi criada especialmente para a instituição e pretende revelar as particularidades do arquipélago nipônico sob as lentes do jovem fotógrafo Naoki Ishikawa, considerado um dos artistas mais relevantes no cenário atual da fotografia no Japão. A ideia é ressaltar a diversidade de paisagens e de cultura levando os visitantes a uma verdadeira expedição por um Japão desconhecido.

Diversidade – Em tempos digitais, Naoki é conhecido por fotografar de maneira analógica as paisagens das terras japonesas, trazendo um olhar singular para a interação entre a natureza e a presença humana e seus traços culturais nesses locais. Ishikawa possui extensa jornada artística, tendo realizado exposições de sucesso pelo continente asiático e pelo Estados Unidos, além de reunir premiações como a da The Photographic Society of Japan, na categoria Lifetime Achievement Award, consolidando sua carreira.
“Os trabalhos de Naoki Ishikawa reforçam a forte ligação do Japão com o mar, evidenciando a diversidade das paisagens naturais particulares de cada região. É um belíssimo trabalho de um artista do século XXI que nos faz tomar parte das suas descobertas. É uma grande satisfação poder apresentá-lo pela primeira vez na América Latina”, explica Geenen.

Restaurante Aizomê também retomou suas atividades na terça (Aldo Shiguti)

Japão de hoje – Junto com as exposições voltaram também o café, o restaurante Aizomê, da chef Telma Shiraishi, e as lojinhas. Para 2021 devem voltar a funcionar a biblioteca e os eventos presenciais, como workshops e palestras.
“A Japan House está aberta em toda sua completude e é muito bom a gente poder adicionar tudo que a gente criou nesse tempo de pandemia à Japan House que as pessoas já estavam acostumadas a ver”, diz Eric Kluc, explicando que “a gente teve um periodo de quase sete meses com o espaço físico fechado para o público, mas seguimos com nossa missão, claro que é trazer o Japão de hoje para o Brasil, mas à distância”.
“Então tínhamos eventos digitais, virtuais e a Experiência Japan House, que foi muito criativa – as pessoas recebiam kits em casa para participar de uma ação ou de um workshop com uma mixologista ou com uma chef – mas agora a gente volta com nosso portfólio, com a casa aberta mas mantendo essas ações à distância”, conta Klug, que já era um frequentador da JHSP muito antes de assumir a presidência, em abril deste ano.
“Vários aspectos” chamavam sua atenção na condição de frequentador. Segundo ele, “saltavam aos olhos”, primeiro, a qualidade não só artística mas também de execução e de atendimento. “Ou seja, uma experiência única de uma qualidade muito grande, seja na preopcupação com os detalhes, seja na escolha dos nomes dos artistas. Tudo isso forma um aspecto de grande valor à Japan House.

Cabeças – O outro aspecto, conta, “é o inusitado, isto é, sair dos chavões e dos estereótipos”. “Sempre tinha para mim – que não tinha um vivência tão longa com o Japão e, mesmo para os japoneses, uma supresa. Quem são esses artistas, quem são esses chefs quem são esses designers, quem são esses arquitetos? A Japan House sempre fugiu do óbvio, destaca Klug, acrescentando que a a casa “tem uma visão muto própria do Japão, e o faz com muita competência, que é mostrar o Japão contemporâneo, mas entendendo que está no Brasil”.
“A Japan House não é uma é uma organização, um enclave japonês. Tem um entendimento desta interação, desta ponte necessária entre a cabeça dos brasileiros, dos paulistanos e das diversas cabeças que a gente encontra no Japão de hoje. Fazer este encontro a gente faz com muito prazer e eu pecebia isso mesmo só como visitante”, observa Klug, lembrando que “trabalhamos muito durante esses meses para preparar esse nosso retorno para a visitação presencial para que pudéssemos proporcionar toda segurança e alegria para que as pessoas possam usufruir esse que é um dos grandes euipamentos da cidade”.
Agora voltando à parte física.

Japan House São Paulo – Avenida Paulista, 52
Horário de funcionamento: Terça-feira a domingo, das 11h às 17h
Entrada gratuita
Reserva online antecipada (opcional): https://agendamento.japanhousesp.com.br/
Confira a programação no www.facebook.com/JapanHouseSP/
E-mail: contato@japanhousesp.com.br
Tel.: +55 11 3090-8900

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