Governo japonês abre inscrições para o 14º Prêmio Internacional de Mangá

Organizadores e premiados na edição passada (divulgação)

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão anunciou o início das inscrições para o 14º Prêmio Internacional do Japão de Mangá, cujo objetivo é reconhecer os artistas que vêm contribuindo para a divulgação desta cultura em todo o mundo.
Os trabalhos devem ser enviados até o dia 19 de junho à representação diplomática japonesa (consulados ou embaixada, excluindo-se escritórios representativos), ou diretamente à caixa postal da Comissão Executiva do Concurso Internacional de Mangá.
Entre os prêmios estará o Golden Award, de melhor trabalho, além de três prêmios de excelência Silver Award e onze Bronze Award, de menções honrosas.
Os resultados serão anunciados em dezembro deste ano e a previsão é realizar a Cerimônia de Premiação em fevereiro de 2021, em Tóquio.

Brasileiro foi contemplado com o Silver Award (arquivo pessoal)

Os premiados com o Golden Award e o Silver Award serão convidados pelo governo japonês por intermédio da Fundação Japão a viajar ao Japão para uma estadia de cerca de dez dias. Neste período, além de participar da Cerimônia de Premiação, os premiados realizarão encontros com artistas de mangá e visitas a editoras locais.
O endereço de embaixadas e Consulados Gerais do Japão para envio do material pode ser verificado em https://www.sp.br.emb-japan.go.jp/itpr_pt/consulado.html.
Para residentes dos Estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e região do Triangulo Mineiro, o material deverá ser encaminhado para:

Consulado Geral do Japão em São Paulo
Departamento de Assuntos Culturais e de Imprensa
Avenida Paulista, 854 – 3º andar, Cerqueira César
CEP 01310-913 São Paulo – SP

14º Prêmio Internacional de Mangá

Período de inscrição:
Até 19 de junho de 2020
Inscrições e informações:
https://www.sp.br.emb-japan.go.jp/itpr_pt/consulado

Prêmio levou brasileiro ao Japão em 2019

Guilherme na cerimônia de premiação em Tóquio (arquivo pessoal)

A 13ª edição do Prêmio Internacional de Mangá teve um sabor todo especial para Guilherme Petreca. O brasileiro, de 29 anos, teve seu mangá Ye, publicado pela editora Veneta, contemplado com o Silver Award.
O brasileiro, que participava do concurso pela primeira vez, recebeu a notícia ‘literalmente com lágrimas de alegria’, contou.
Dentre os 345 trabalhos de 66 países de todo o mundo inscritos, o vencedor foi o israelense “Piece of mind”. Ao lado de Petreca, levaram a medalha de prata “My little kitchen in summer season”, da Tailândia, e “Korokke and the girl who said no”, da Espanha.
“Fui para o Japão sim, por sorte foi antes de ser decretado a pandemia.”
A viagem levou os vencedores a diversos pontos turísticos, como o Templo Dourado, em Quioto, e o Museu do Estúdio Ghibli, em Tóquio.

Os premiados com o mangaka Taiyo Matsumoto (arquivo pessoal)

“Visitamos as editoras Shueisha e Shogakukan e o estúdio de animação Pierrot, para uma visão geral do processo de produção de um mangá e de uma série de animação. Em uma das visitas, tivemos a honra de conhecer o mangaká Taiyo Matsumoto, um dos artistas em quem mais me inspiro, e pudemos perguntar para ele sobre sua experiência no Japão e entender um pouco mais sobre seu processo de trabalho”, conta Petreca.
Os premiados também puderam compartilhar entre si suas experiências e as particularidades de seus países, o que foi muito enriquecedor, afirmou o brasileiro.
“Pudemos entender como são os processos de produção nos diferentes países e conversar com as guias, que nos deram uma visão de público sobre o consumo de mangás pelo público japonês. Também tivemos experiências gastronômicas muito bacanas, para experimentar a comida tradicional, que é bem diferente do que costumamos imaginar, e também a culinária moderna.”
Além da grade programada, no último dia o roteiro reservou uma confraternização em um bar, com mangakás japoneses.
“Bebemos, comemos e desenhamos juntos, foi inesquecível e extremamente inspirador. Fomos extremamente bem tratados e mimados o tempo todo”, lembra Petreca.
Após viver esta experiência, o brasileiro deixa uma mensagem àqueles que estejam pensando em participar do concurso.
“A pior barreira que um artista pode impôr a si mesmo é o medo. É difícil termos segurança em nosso trabalho, somos rotineiramente assombrados pela auto crítica e insegurança, porém é uma luta que temos que enfrentar. É muito difícil termos a real noção da recepção do nosso trabalho, pois julgar arte é algo muito subjetivo. É muito difícil haver um consenso sobre o que é bom e o que é ruim em arte. Talvez se fossem outros jurados, meu trabalho não tivesse sido premiado esse ano”.
Aos que não forem selecionados, ou àqueles que já participaram de edições anteriores e não foram premiados, ele destaca a importância de saber lidar com a expectativa e frustração.
“É um concurso bastante concorrido, com participantes do mundo inteiro. Ser premiado é uma alegria imensa, porém não ser selecionado não significa que seu trabalho está aquém dos vencedores. Os quadrinistas brasileiros vem desenvolvendo um trabalho excelente nos últimos anos, com uma qualidade artística de altíssimo nível. Eu não tenho dúvidas que mais artistas brasileiros serão premiados nas próximas edições!”

Quem é Guilherme Petreca – Fã de mangás como Tekkonkinkreet (Taiyo Matsumoto), Akira (Katsuhiro Otomo), O Homem que passeia (Jiro Taniguchi), Shaman King (Hiroyuki Takei), Vagabond (Takehiko Inoue) e Boa Noite Punpun (Inio Asano), Petreca começou a se interessar por mangás na década de 90, quando o Brasil viveu a famosa febre dos animes.
“Como muitos da minha geração, eu era fascinado por Cavaleiros do Zodíaco, Pokémon, Dragon Ball. O anime foi meu primeiro contato com a cultura japonesa e minha primeira inspiração para o desenho. O interesse pelo mangá foi uma consequência natural dessa paixão por animação japonesa. Por volta de 2002, com 12 anos, comprei meus primeiros mangás: Shaman King e Vagabond. Eu lia e relia as edições e copiava à exaustão os desenhos. Ambos trabalhos são uma referência para mim até hoje”, revela.
Guilherme Petreca começou a trabalhar com ilustração aos 17 anos. Trabalhou com livros e jogos didáticos, depois com animação e como concept artist. Foi diretor de arte em longas e curtas metragens, séries de TV, vídeos promocionais e games, atividade que exerce ainda hoje.
Em 2013, publicou sua primeira HQ, “Galho Seco”, de forma independente, seguida por “Carnaval de Meus Demônios” (2015 – Balão Editorial),”Ye” (2016 – Editora Veneta) e “Superpunk” (2017, independente).
Atualmente, trabalha em uma HQ para a editora Pipoca e Nanquim, com roteiro de Bruno Zago.
Acompanhem o Petreca pelo Instagram: @guilhermepetreca
(do site da Fundação Japão)

Prêmio Internacional de Mangá

O Prêmio Internacional de Mangá foi criado em 2007, por iniciativa do então Ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Taro Aso, como forma de promover o intercâmbio cultural internacional através do mangá. Desde a sua criação, o Prêmio vem sendo realizado todos os anos.

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