GAIMUSHO KENSHUSEI: Em ano de desafios, Associação Brasileira de Ex-Bolsistas vê crescimento nas mídias sociais

Bonenkai da Associação Brasileira de Ex-Bolsistas do Gaimusho Kenshusei foi realizado de forma online (divulgação)

A Associação Brasileira de Ex-bolsistas Gaimusho Kenshusei realizou, no último dia 4, o seu tradicional Bonenkai, pela primeira vez na modalidade online. Coordenado pelo diretor social, Paulo Kenzo Uemura, o evento reuniu cerca de 60 participantes, entre ex-bolsistas, convidados e cônjuges.

Cônsul Hitomi Sekiguchi (divulgação)

O evento contou ainda com a presença da cônsul geral do Japão em Manaus, Hitomi Sekiguchi; do cônsul geral adjunto e da cônsul de Assuntos Políticos e Gerais do Consulado do Japão em São Paulo, respectivamente, Akira Kusunoki e Reiko Nakamura; do presidente da Fundação Kunito Miyasaka, Roberto Nishio, e do vereador Aurélio Nomura.

O presidente Tério Uehara (divulgação)

Em seu discurso, o presidente da associação Tério Uehara, evidenciou que, mesmo num ano de adversidades, visto o cenário atual da pandemia, a entidade se sobressaiu com eventos online e a integração de ex-bolsistas de diferentes gerações. “Em 2020, devido à pandemia da Covid-19, muitos planos foram adiados e em meio a esse cenário atribulado, tivemos que nos adequar ao novo cotidiano e nos reinventar, nos transformar a cada dia. Tivemos que fazer vídeoconferências, aprender novas tecnologias e nesse ano registramos crescimento de 200% em nossas redes sociais, com engajamento e visualizações de nossas atividades em mais de 15 países – inclusive o Japão – alcançando mais de 100 mil pessoas”, destacou Tério, lembrando que ele próprio assumiu a presidência da associação em meio a um cenário “conturbado e desafiador”. “De lá para cá muita coisa aconteceu, tivemos que nos adequar ao novo cotidiano, encontrar novas formas de promover os encontros mensais, as reuniões, os eventos… E se havia alguma resistências às videoconferências, por exemplo, tivemos que ceder: acabamos descobrindo que esta pode ser uma boa ferramenta de trabalho e, aliás, foi imprescindível nesse periodo e tenho a certeza de que continuará sendo daqui pra frente”, disse Tério, acrescentando que “tivemos que nos reinventar, nos transformar a cada dia em termos profissionais, pessoais e comportamentais”

Desafios – “Aprendemos tantas coisas com a pandemia mas, talvez, a principal foi descobrir que, sozinhos, não somos nada, nem ninguém. E, ao desacelerar, tivemos tempo para prestar mais atenção no outro e em nós mesmos. Aprendemos a identificar e a lidar com nossas emoções, a ter um olhar mais generoso com relação a si próprio e ao próximo”, explicou o presidente, que nessa caminhada agradeceu a todos os membros da Diretoria e aos kenshuseis, “que em meio a tantas outras preocupçaões e afazeres na esfera pessoal e profissional, contribuíram grandemente para que pudéssemos continuar com as atividades da associação”.
E, ao concluir sua fala, disse que “guardaremos memórias emocionantes dos desafios e aprendizados de 2020 – com destaque para o XVII Encontro Latino-Americano Gaimusho Kenshusei, promovido pela Associação em novembro, com a presença de 11 embaixadores e representantes dos países da América Latina – e por fim celebrou o “nosso bem mais precioso – a saúde.

Izumu Honda (divulgação)

Conduzido pelo diretor financeiro, Rogério Kita, o bonenkai apresentou um bate papo entre os ex-bolsistas: engenheiro Maçahiko Tisaka (bolsista 1967); Dr. Koto Nakae (bolsista 1981) e o engenheiro Tadayoci Wada (bolsista de 1987), intermediado por Izumu Honda, ex-presidente da associação.

Serra do mar – Ao lado da esposa, Hiroko, Tisaka lembrou que “na minha época, em 1967, havia uma série de requisitos que o candidato devia dispor, como por exemplo, nunca ter viajado para o Japão, ter que falar um pouco de japonês ou pelo menos entender a lingia japonesa e, em terceiro lugar, o candidato tinha que ter entre 30 e 40 anos. “Isso limitava muito a participação dos nisseis nessa bolsa, mas fui agraciado pelo fato de ter participado de muitas entidades ligadas aos nikkeis”, disse Tisaka, que foi indicado pelo então presidente do Banco América do Sul, Kunito Miysaka.
Indagado por Izumu Honda, disse que uma das obras que mais lhe traz recordações foi a sua participação na Rodovia dos Imigrantes, que liga a Capital ao litoral paulista.
A empresa que trabalhava foi incumbida de realizar uma obra com 5 quilômetros de extensão, bem no meio da serra. “Hoje, ao passar por inúmeros túneis e viadutos, ninguém percebe as dificuldades pelas quais nós passamos naquela época”, comentou.

Laser – Em seguida, o cirurgião dentista Koto Nakae explicou como se tornou um dos pioneiros na utilização do laser na odontologia e lembrou que o ponto alto do seu estágio foi o encontro com o então príncipe herdeiro Akihito – atual imperador emérito. “Até certo ponto me trouxe uma certa vantagem porque pouquíssimas pessoas têm esse privilégio, de estar frente a frente com um membro da família imperial”, explicou, acrescentando que aproveitou muito a viagem, com aulas sobre a cultura, politica e economia, além de visitas a empresas e museus.
O terceiro e último convidado, engenheiro Tadayosi Wada – um caso “excepcional” no programa de bolsa, pois já tinha ultrapassado o limite de idade – na época do estágio estava com 55 anos – falou sobre a Casa de Estudantes Harmonia – construído por um grupo de imigrantes do Japão com o intuito de proporcionar estudos aos seus filhos, melhor formação profissional e integração a sociedade – e a transição para o Colégio Harmonia.

Cônsul Reiko Nakamura (divulgação)

Homenagem – Como uma forma de reconhecimento pela sua atuação e constante colaboração com a Associação, foi realizada também uma homenagem à cônsul Reiko Nakamura, que assume um novo desafio na carreira diplomata em Manaus, a partir do próximo ano.
O evento contou com o tradicional Kanpai visando bons presságios, declamado pelo bolsista Tuyoci Ohara.

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