FEIRA DA LIBERDADE: Para Aurélio Nomura, ‘é primordial que os mais de 300 expositores retomem o trabalho’

Reunião realizada nesta terça-feira entre o secretário da Casa Civil, o vereador Aurélio Nomura e a Aliber (arquivo pessoal)

A Feira de Arte, Artesanato e Cultura da Liberdade, que acontece aos sábados e domingos, na Praça da Liberdade-Japão, poderá voltar a funcionar – com os mesmos expositores que estavam antes da pandemia – já a partir deste sábado, 5. A garantia foi dada pelo Secretário da Casa Civil, Orlando Lindório Faria, nesta terça-feira, dia 1º, durante audiência com o vereador Aurélio Nomura, juntamente com representantes da Aliber – Associação dos Expositores da Feira da Praça da Liberdade – entre eles Edson Hamasaki (diretor), Eiko Tabeta (1ª secretária), Silvia Maeda (tesoureira), Isabella Dehn (2ª secetária) e Afrânio Norberto (diretor comercial), além do expositor Chu Neng Chen. Mas, para que isso aconteça, o secretário solicitou que a associação providenciasse novas medidas para evitar a contaminação do Covid-19 que será juntado ao protocolo de reabertura já entregue à Prefeitura, em junho passado.
“Se vocês me entregarem amanhã (quarta-feira), me comprometo a colocar em seguida nas mãos da Vigilância Sanitária que é o órgão responsável por emitir o parecer”, afirmou o secretário.
Sílvia Maeda disse ao Jornal Nippak que o prazo foi prorrogado até esta quinta. “Nosso grande problema é a praça de alimentação. Estivemos ontem [terça-feira] mesmo na praça para tirar as medidas e devemos apresentar o croqui hoje [quinta] diretamente ao secretário”, disse Silvia, admitindo que “nossa vontade era voltar a trabalhar já neste final de semana por conta do feriado de 7 de Setembro”. “Mas acho pouco provável. Mais certeza é que a feira volte na segunda quinzena deste mês”, disse ela, lamentando que o retorno ficou um pouco mais complicado por causa das cenas de aglomerações nas praias e bares de São Paulo ocorridas no último final de semana.

Descaso – O vereador Aurélio Nomura, que solicitou a audiência, observa que é primordial a retomada ao trabalho dos mais de 300 expositores, assunto que vem tratando há meses junto a Prefeitura. Segundo o parlamentar, “os expositores estão passando por sérias dificuldades financeiras e a maioria tem a feira como única fonde de renda”, observou Nomura, cujo Projeto de Lei 0789/19 que institui a Feira Oriental da Liberdade encontra-se em tramitação.
“Hoje, a Praça da Liberdade é ocupada por vendedores ambulantes do ‘Programa Tô Legal’ que estão ali com as barracas montadas de segunda a domingo, sem se preocupar com a aglomeração e sem os devidos cuidados de prevenção. Além disso, outro problema é que a maioria deles não cuida do próprio lixo, colocando-o em qualquer lugar. Tenho recebido no meu gabinete inúmeras reclamações de pessoas e comerciantes, que estão incomodados por esse descaso”, diz o vereador Aurélio Nomura.
Na audiência, os dirigentes da Aliber queixaram-se ao secretário que o Decreto do ‘Programa Tô Legal’ não permite barracas na Praça da Liberdade e adjacências, da mesma forma como no Parque D. Pedro, próximo ao Mercado Central e no Brás. “Fui informado que eles usaram de um artificio de comunicar a montagem da barraca em locais que não existem, ou em outros locais para conseguirem a licença”, disse o vereador Aurélio Nomura.

Surpreso – O secretário mostrou-se surpreso com a informação de que outras feiras de arte e artesanato já estão em funcionamento como a da Praça da República e a do Trianon Masp. “Vocês me trazem uma novidade (referindo-se à reabertura de algumas feiras de arte e artesanato). Vou colocar na pauta de discussão com o Madonezi (Alexandre Madonezi, secretário das Subprefeituras) porque isso não faz sentido e vamos buscar uma solução”, afirmou o secretário Orlando Faria.

Novo layout – Entre as medidas que devem ser apresentadas pela Aliber, solicitadas pelo próprio secretário, estão um layout de tendas adicionais com mesas de apoio, sem cadeiras, que serviriam como área de consumo e novo layout das barracas que passarão a ocupar a Rua Galvão Bueno (que seria interditada para o trânsito) a partir do portal (torii), no cruzamento com a Rua Américo de Campos, até a Rua dos Estudantes, como já acontece nas festas realizadas no bairro.
Logo após a reunião, os dirigentes da Aliber já começaram a elaborar esse novo croqui de posição das barracas de artesanato e de alimentação, seguindo rigorosamente as recomendações para evitar a propagação do Covid-19, incluindo o distanciamento maior entre elas.
“Coloquem todas as propostas na mesa, vamos discutir juntos e encontrar uma saída”, propôs o secretário. “Agradeço a colaboração de todos os setores e da sociedade que se sacrificaram nesses últimos meses. A gente foi abrindo aqueles que ofereciam menos riscos e ainda hoje temos avaliação diária porque não temos certeza como ficará a situação. Nunca tivemos uma pandemia como essa, estamos aprendendo, o mundo está aprendendo. Agradeço a compreensão, perseverança de todos vocês”, disse Orlando Faria.

Medidas – Esse novo desenho da Feirinha da Liberdade, com distribuição mais espaçada das barracas, seria entregue no máximo até quinta-feira, e se somará ao protocolo já enviado à Prefeitura. São dez medidas de prevenção que serão tomadas pelos expositores para evitar o contágio do Covid-19:

1) Todos os expositores farão a montagem de suas barracas com o necessário distanciamento de 1 metro entre uma barraca e outra;
2) Todas as barracas disponibilizarão álcool em gel para os clientes para higienização das mãos;
3) Serão expostas, em todas as barracas, placas informativas ao público consumidor, acerca da obrigatoriedade do uso de máscaras, bem como instruções sobre seu uso correto;
4) Serão fixadas placas indicativas da necessidade de distanciamento de pelo menos um metro e meio entre os indivíduos. Os colaboradores orientarão os clientes para que seja respeitada referida distância.
5) Todos os expositores e respectivos colaboradores trabalharão devidamente com máscara, avental e álcool em gel para higienização das mãos;
6) Serão estrategicamente dispostos profissionais capacitados para medir a temperatura corporal do público, bem como orientá-lo acerca do correto uso de máscaras e do distanciamento social obrigatório dentro da área compreendida pela feira;
7) Serão instaladas barreiras transparentes em todas as barracas, com o intuito de minimizar o contato direto entre o expositor e o cliente;
8) O horário de funcionamento será reduzido, das 11 às 17 horas;
9) Será organizada escala de revezamento dos expositores, a fim de possibilitar o espaçamento entre as barracas. Deste modo, aqueles que possuírem TDE para laborar em dois dias da semana (sábado e domingo) terão que optar por apenas um destes dias para trabalhar;
10) Os expositores titulares do TDE que se inserirem no grupo considerado de risco terão permissão para serem substituídos pelo seu respectivo cônjuge ou parente de segundo grau, consanguíneo ou por afinidade, em linha direta ou colateral, desde que tal fato seja previamente solicitado por escrito e assinado pelo titular, em formulário próprio a ser fornecido pela Aliber ao expositor. Tais autorizações vigorarão em caráter meramente temporário e não geram direito a licença, serão entregues à administração da Aliber, e ficarão à disposição da fiscalização da Prefeitura a qualquer momento que lhe aprouver.

“Na reunião com o secretário, ficou decidido também que a Feira da Liberdade será um piloto e protocolo aprovado para sua reabertura servirá para a reabertura das demais feiras de arte e artesanato de São Paulo”, destacou o vereador Aurélio Nomura.

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