ESPECIAL/IMIGRAÇÃO JAPONESA: Com as restrições impostas pela pandemia, ofício budista é transmitido digitalmente pela primeira vez

Oficio budista foi realizado de forma virtual pela primeira vez em 62 anos de história (reprodução)

O dia 18 de junho, Dia Nacional da Imigração Japonesa no Brasil, data da chegada ao porto de Santos do Kasato Maru, navio que trouxe a primeira leva de imigrantes japoneses, foi marcado por um fato inétido. Devido às restrições impostas pela pandemia e risco de contágio, o ofício budista em memória dos pioneiros da imigração japonesa foi transmitido digitalmente.
Foi a primeira vez, nesses 62 anos, desde que esse ofício religioso passou a ser realizado em conjunto entre Bunkyo e a Federação Brasileira das Escolas Budistas – Butsuren, que os organizadores recoreram a esta alternativa.
Este ano, com o Parque Ibirapuera fechado à visitação pública, a tradicional cerimônia do Ireihi junto ao Memorial em Homenagem aos Imigrantes Pioneiros Falecidos, promovida pela Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil – Kenren, não pode ser realizada. Assim, a entidade também participou da produção digital desse ofício budista.
A solenidade memorial coordenada pela Butsuren, que é presidida pelo bispo Chiko Tsukamoto, foi gravada em versão compacta, com duração de 40 minutos, e editada em bilíngue (japonês/português).
No início, no manifesto solene, o bispo Tsukamoto oferece as orações à memória dos imigrantes japoneses “que deixaram sua longínqua terra natal para se estabelecer em terras brasileiras”. E também à memória de todas as vitimas da crise do novo coronavirus, cuja morte “não há palavras suficientes para expressar nossa solidariedade a todos”.
Durante a entoação da canção “Kokoro Shizukani”, é apresentada uma série de imagens antigas da imigração japonesa.

Mensagens – Em sua mensagem, o presidente do Bunkyo manifestou seu sentimento à data comemorativa, “uma história marcada pela intensa dedicação e trabalho de nossos ancestrais, que lutaram contra todas as dificuldades”. “Alguns pagaram com a própria vida, mas reconhecemos que esta etapa foi primoridial para consolidar as bases ao desenvolvimento desta comunidade niupo-brasileira”, destacou, Renato Ishikawa, acrescentando que, “ao completar 112 anos desta longa trajetória nós, descendentes de japoneses, estamos comprometidos tanto com a preservação destes valores plantados pelos nossos pioneiros bem como a sua difusão às futuras gerações”.
Ishikawa destacou ainda que o mundo atravessa uma crise sanitária provocada pelo novo coronavírus e que para evitar o avanço desta doença, “nunca foi tão importante praticar diariamente as posturas valorizadas pela comunidade nipo-brasileira”. Ele também observou que, “no momento em que dirigimos nossas orações aos imigrantes japoneses, também rezamos pelas milhares de vidas perdidas nesta pandemia”.
“Ao mesmo tempo jutamos nossas orações para que este momento crucial termine o mais rápido possível e floresça com planos capazes de nos tonar mais fortes, mais solidários e mais unidos”, enfatizou o presidente do Bunkyo, que finalizou manifestando respeitosas reverências aos antepassados e desejou saúde a todos.

Ponte – Yasushi Noguchi, que retornaria ao Japão no mês seguinte – em julho – expressou suas sinceras condolências e prestou homenagem aos antepassados. Segundo ele, desde que o navio Kasato Maru atracou no porto de Santos, o Brasil recebeu cerca de 260 mil japoneses. “E esses imigrantes e seus descendentes vem contribuindo grandemente com esforços incessantes em prol do desenvolvimento do Brasil”, destacou. Além disso, continuou, na longa história de amizade entre o Japão e o Brasil, muitas pessoas da comunidade nipo-brasileira vem desempenhando constantemente grande papel como pontes entre os dois países.
“Creio que o resultado dos íntegros esforços de todos, em cada uma de suas áreas de atuação, está ligada à próspera e estável comunidade nikkei de hoje”. E finalizou homenageando as virtudes dos pioneiros que fundaram as bases da comunidade nikkei.

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