ERIKA TAMURA: Solidariedade no Japão

No mês de junho, o Conselho de Cidadãos de Tóquio, iniciou uma campanha solidária, visando a arrecadação de alimentos para serem doados às famílias brasileiras em dificuldades no Japão.
A campanha foi um sucesso! Posso dizer com toda certeza, pois além de conselheira do Conselho, fui uma das responsáveis pelo andamento do projeto. O conselho, trabalhou em conjunto com as ONGs atuantes no setor social, no caso a ABC Japan e o SABJA (onde trabalho).
Atendemos no total mais de 100 famílias, o que na verdade, considero um número baixo (ainda bem). No nosso prognóstico, imaginávamos uma crise maior, algo parecido com a crise econômica de 2008. Felizmente não foi assim.
Percebi que no mês de setembro, as empresas voltaram com a sua produção quase normalizada, e com isso voltaram também as contratações. Portanto a maioria que estava desempregada, retornou ao mercado de trabalho.
Poderia ser uma realidade positiva e favorável para a comunidade, mas não é… E digo isso baseado numa realidade: COVID 19. O vírus ainda se faz circular entre nós. Ainda vivemos uma pandemia, o que significa que não temos nada estável ainda, principalmente o emprego.
Uma constatação no mínimo interessante é que, na ONG em que trabalho, os pedidos por ajuda com os alimentos diminuíram, porém os atendimentos psicológicos aumentaram. E isso pode ser uma amostra do que está acontecendo, aos poucos todos estão voltando ao “normal”, mas abalados e fragilizados psicologicamente.
Pode não ser uma regra geral, mas é um detalhe que não podemos deixar passar despercebido.
A campanha de arrecadação e distribuição de alimentos encerrou-se, mas não significa que as famílias que passam por dificuldades estejam desamparadas. Os atendimentos no SABJA, continuam normalmente. E caso a necessidade seja por doação de alimentos, providenciarei com certeza, de um jeito ou de outro iremos correr atrás. O importante é que ninguém fique desamparado, e a sensação de que ninguém está sozinho nesse Japão, já é um fator de segurança. O que pode acalmar o coração e a alma.
Claro que existem os casos de golpes, pessoas que se acham espertas tentando nos enganar. Para isso existe todo um serviço de triagem.
Mas na minha opinião, eu penso que se a pessoa tenta nos enganar, o problema está com ela, e não com a nossa instituição e muito menos comigo. É da consciência de cada um.
Esse é um momento de união, e principalmente, valorização dos nossos iguais.

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