ERIKA TAMURA: Qual o tamanho da sua tristeza?

Quando toda essa pandemia começou, eu subestimei a sua permanência no nosso dia a dia…
Ledo engano, pois ela continua aqui fazendo estragos, mudando a vida de todos, nos obrigando à adaptação de um novo cotidiano, porém a pandemia nos trouxe ensinamentos que se não sabíamos, tínhamos nos esquecido.
Tivemos que nos reconectar com aquilo que realmente importa, e repensar as prioridades. E isso está sendo ótimo! Uma nova era que se inicia…
Mas de repente, do nada, bate uma tristeza. E ontem fiquei pensando, como se mede tristeza? Porque para medir o tamanho de algo, usamos centímetros. Para medir a distância, quilômetros. Para medir líquidos, litros. Mas qual a unidade usada para medir tristeza?
Difícil mensurar, não é mesmo?
Em agosto, meu avô, Satoshi Nakashima, faleceu. Quem me acompanha sabe que, em janeiro comemoramos os 100 anos do Ditian (avô em japonês). E foi lindo! Depois de seis meses, ele passou mal, e foi constatado um câncer na garganta, e ele faleceu. E essa perda do Ditian, abriu um buraco na minha alma, que não sei explicar… Tanto é que só estou conseguindo escrever sobre isso agora, três meses depois. E mesmo assim com o coração dilacerado.
Aquela história de que as pessoas são imortais, poderia ser verdade! Mas a realidade mostra que não é. E isso ainda dói.
Muito difícil para mim, saber que quando eu chegar no Brasil, Ditian não estará lá me esperando…
Devido à pandemia, não consegui ir ao Brasil, para o enterro do Ditian. Mas penso que talvez tenha sido melhor assim… E guardar na minha mente os momentos inesquecíveis que vivemos.
Como explicar essa dor?
Afinal, bater o dedinho do pé, dói.
Cortar o dedo, dói.
Quebrar o braço, dói.
Mas parece que perder alguém estimado, dói mais ainda. E é aquela dor que não é extravasada, pois os dias se seguem, as obrigações são cumpridas, os momentos felizes aparecem, mas a dor da saudade está ali. Silenciosa, mas está.
Um machucado, cicatriza. O braço quebrado, calcifica. Mas e a dor da saudade, passa? Como?
São tantas indagações e perguntas que tenho feito para mim mesmo, que às vezes tenho a sensação de que não vou aguentar. Por isso resolvi externar os meus sentimentos aqui, como um diário. Escrevo sozinha, somente eu e o computador, porém depois de publicado o jornal, os meus pensamentos passarão a ser sentidos por outras pessoas, que muitas vezes não conheço, mas que se identificam com as minhas palavras.
Eu gostaria de saber, qual o tamanho da sua tristeza?
Só consigo lembrar da última conversa com o Ditian, onde ele falava: “não demora, Erika! Volta logo, ano que vem tem mais festa!”
Pois é, não vai ter…

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